Provavelmente alguns de vós já viram que criei um outro blog sobre a minha prática de yoga. Andei semanas e semanas a pensar nesse blog e no formato que deveria ter. Primeiro pensei se deveria criá-lo. A verdade é que comecei a ler blogs de yoga, blogs pessoais sobre a prática de yoga, e adoro. São inspiradores e relembram-me que o objectivo do yoga não é fazer os asanas de forma perfeita. Relembram-me que é falhando que se aprende e avança. Relembram-me que nós, aspirantes a yogis, somos humanos e que a vida é feita de escolhas. E que tudo tem uma razão de ser (como vi
ontem; já agora, tive uma manhã fantástica, mais de duas horas de asanas, yoga nidra, meditação, em casa).
Decidida a escrever mais sobre yoga e a minha prática, pensei então se deveria fazê-lo aqui, no Busy Woman, ou se deveria criar outro espaço para o efeito. Dei voltas e voltas à cabeça com esta questão. Por um lado, não queria encher este blog com posts sobre yoga, porque não é sobre isso que os meus leitores esperam ler. Por outro lado, o minimalismo, a vida simples, são uma parte fundamental do Yoga.
Eu explico.
O Yoga, como sabem, não é apenas uma forma de exercício físico. O Yoga é toda uma filosofia de vida, da qual o asana (as posturas físicas) faz parte. De acordo com Patanjali, autor do famoso Yoga Sutras, um dos textos fundamentais do Yoga, o Yoga pode dividir-se em 8 partes:
1. Yama - auto-restrições, código moral (o que o yogi não deve fazer)
2. Niyama - auto-observâncias, qualidades pessoais (o que o yogi deve fazer)
3. Asana - as técnicas corporais (o que se faz nas aulas de yoga nos ginásios)
4. Pranayama - práticas respiratórias (também se faz às vezes nas aulas)
5. Pratyahara - retração dos sentidos
6. Dharana - concentração e consciência interna
7. Dhyana - meditação (uma coisa tão simples, mas tão essencial ao nosso bem-estar)
8. Samadhi - união com o divino (digamos, é o estado final de iluminação...)
Os Yamas e Niyamas não são exercícios que se fazem; são sim o código moral e a atitude que devemos ter perante a vida. Há 5 Yamas e 5 Niyamas, mas não vos vou massacrar mais com isto. Onde eu quero chegar é a um dos Yamas, Aparigraha, e a um dos Niyamas, Santosha.
Aparigraha e Santosha são o minimalismo. Ou o minimalismo da era moderna é nada mais, nada menos que viver de acordo com estes conceitos antigos do Yoga.
Resumidamente, Aparigraha significa ter apenas aquilo que é necessário - não ter coisas que não precisamos, tralha que não usamos, e também não ter desejos por essas coisas que não precisamos. Santosha é contentamento; sermos felizes com aquilo que temos em vez de nos sentirmos infelizes por desejar coisas que não podemos ter.
Então, isto é minimalismo ou não?
Adiante, o meu maior problema em escrever mais sobre yoga neste blog era não ir de encontro às expectativas dos leitores. Mas rapidamente me lembrei que um blog, para mim, deve ser autêntico, deve ser um outlet expressivo e criativo dos interesses e paixões do seu autor. Assim, não vou escrever sobre coisas que não me interessam só porque poderão interessar a alguns leitores. Da mesma forma, não vou deixar de escrever sobre coisas que me interessam, no meu blog, com medo de afugentar leitores. Este blog reflete a minha vida, os meus interesses, o meu desenvolvimento pessoal - e o Yoga é agora parte fundamental de quem eu sou.
Portanto, comecei a achar que não fazia sentido dividir a minha escrita em duas. Um blog sobre minimalismo e vida simples e outro sobre yoga - estando as duas coisas intimamente ligadas? Assim, este post todo serve apenas para dizer-vos, fiéis leitores, que vou escrever mais sobre a minha prática de Yoga neste blog (e acabar com o outro). Namaste.