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14/03/2017

Baby steps

Uma coisa que me irritava no Leo Babauta era a ideia de que devíamos trabalhar num só hábito de cada vez. Nada de tentar implementar dois ou mais hábitos novos ao mesmo tempo! O que resulta é direcionar toda a nossa energia e força de vontade para uma só coisa nova - até se tornar um hábito, e aí sim, podemos começar a trabalhar noutra coisa qualquer.

Já escrevi sobre isto anteriormente e comprovei que de facto implementar um hábito de cada vez resulta - continuo a achar que é possível agrupar pequenos hábitos (o habit stacking) mas, para coisas grandes, devemos focar-nos numa só coisa de cada vez.

Nos últimos meses tenho feito isto relativamente à minha atividade física. Como já escrevi muitas vezes, a minha prática de yoga nunca foi, infelizmente, consistente e disciplinada (porque eu não sou tão disciplina como pareço...). Quando (re)comecei a nadar, há precisamente 3 meses, decidi esquecer tudo o resto e focar-me em estabelecer o hábito de ir às aulas de natação duas vezes por semana. Nas primeiras semanas foquei-me só nisso: se não fizesse yoga, paciência, não vinha mal nenhum ao mundo - tinha é que ir à natação. Em 3 meses faltei apenas 2 semanas (4 aulas), uma por constipação, outra por gastroenterite. Hoje, ir às aulas de natação já está tão entranhado que já nem penso nisso. Preparo o saco no dia anterior, não marco nada na agenda para aquele período, não invento desculpas para não ir. Tornou-se tão natural como sair de casa para ir trabalhar. Aliás, agora o que me assusta é quando chegar o verão e acabarem as aulas - como é que vou estar 2 meses sem nadar??

Depois de estabelecido o hábito da natação, foquei-me na musculação. Por mais desportos que experimente, a verdade é que volto sempre para aquilo que conheço, que me é confortável e, em última análise, aquilo que realmente gosto. Não há aulas de grupo, spinning ou power jump, nem crossfit, nem nada do género que me dê prazer como fazer musculação. Tal como na natação e no yoga, não preciso interagir com ninguém nem olhar para o que os outros estão a fazer, posso ter os phones nos ouvidos a ouvir a minha música, não tenho ninguém a puxar por mim e muito menos a gritar (na natação o professor até grita, mas dentro de água não ouço nada...). Sou só eu e os meus pensamentos. É disso que gosto. Portanto, voltei para a musculação.

Treino duas vezes por semana, também à hora de almoço, combino treino com pesos com treino calisténico (com o peso do corpo), e só faço exercícios compostos (isolar músculos é coisa que já não faz sentido para mim). É uma atividade que fiz durante muito tempo, num ginásio que conheço há quase 20 anos, por isso esse hábito (re)estabeleceu-se rapidamente.

Agora, vou trabalhar no hábito de praticar yoga de manhã. A minha inconsistência nesta área é enorme, variando entre práticas de ashtanga de hora e meia, ou 5 minutos apenas de alongamentos - isto deve-se, naturalmente, às horas a que acordo. Mas não é isto que quero para mim! Quando pratico consistentemente, tenho mais energia, mais motivação, sinto-me melhor em todos os aspetos. 

Por isso, decidi começar com baby steps para estabelecer este hábito - na verdade, o hábito que estou aqui a trabalhar é o acordar consistentemente cedo, em vez de acordar um dia às 5h da manhã e no dia seguinte quase às 8h. O meu plano é este: uma semana a praticar apenas 30 minutos (perfeitamente fazível!); outra semana a praticar 45 minutos, o que implica acordar 15 minutos mais cedo - até aqui é fácil; seguem-se duas semanas a praticar 1 hora, passando finalmente para as práticas de hora e meia, o que implica uma alvorada às 6h da manhã - essa hora que já foi a minha hora de acordar...

E acredito que, com estes pequenos passos, este será mais um hábito que ficará tão entranhado que vai ser difícil inventar desculpas para não o fazer!...

26/01/2016

Demasiadas escolhas


Temos demasiadas escolhas no nosso dia a dia. Vamos ao supermercado e é um corredor inteiro de bolachas. No centro comercial, dezenas e dezenas de lojas de roupa. Vamos comprar um telemóvel novo ou um computador e as escolhas são tantas que nem sabemos por onde começar... E de manhã para escolher a roupa? E nas livrarias ou na biblioteca, então, nem se fala! Como escolher um de entre tantos, tantos livros interessantes?

Ao termos tantas escolhas para fazer no nosso dia a dia, a força de vontade vai para essas coisas. E a força de vontade esgota-se. Estas escolhas sugam-nos a energia que mais tarde precisamos para decisões importantes. É por isso que o Barack Obama usa sempre o mesmo tipo de roupa todos os dias - para não gastar energia logo de manhã a escolher o que vai vestir e assim ficar com energia para tomar decisões muito mais importantes.

Eu também gasto demasiada energia todos os dias a tomar decisões que não interessam... a escolher a roupa que vou vestir, por exemplo. Por enquanto ainda não estou preparada para usar roupa semelhante todos os dias como o presidente Obama, mas posso cortar noutras decisões. 

No yoga, por exemplo. Todas as manhãs em que pratico yoga (e quando pratico à tarde também) perco demasiado tempo a decidir o que é que vou praticar. Se faço ashtanga ou outro estilo, se faço sozinha ou uma aula online, que site online usar, que professor escolher, que aula fazer... Desisto. Desisto de tomar esse tipo de decisão todos os dias. Desisto de passar horas (sim, horas) a navegar por sites de aulas de yoga, a ver as aulas, a fazer listas das aulas que quero fazer. Por isso, cancelei todas as minhas subscrições em sites de aulas de yoga online (continuo a adorá-los, sobretudo o Ekhart Yoga, que tantas vezes já falei aqui). Mas por agora tenho que parar com isso. 

De manhã, pratico ashtanga ou rocket yoga. Tenho 3 videos de hora e meia cada e a minha ideia sempre foi fazê-los cada um duas vezes por semana. Se quiser praticar mais, venha o youtube - a primeira aula que aparecer no youtube que me pareça adequada. Chega de perder tempo a tomar decisões destas.  E assim até poupo dinheiro. 

Estou a sentir uma necessidade imensa de eliminar coisas na minha vida. De vez em quando o bicho do minimalismo pica, e agora é uma dessas alturas. A minha vida é tão mais simples e saborosa com poucas coisas... 

30/11/2015

Um fim de semana de Ashtanga

Este fim de semana estive em Lisboa num intensivo de 3 dias de Ashtanga Yoga com os meus professores Tarik e Lea. FOI TÃO BOM!!!!!!!!!!

É tão bom praticar com mais pessoas à volta, todas concentradas na sua prática, ouvindo o som da respiração ujjayi, sentindo o calor, o ar abafado, o suor a escorrer pelo corpo... É bom ter as mãos dos professores no nosso corpo, a ajustar, a puxar, a empurrar. Consegui finalmente pôr os dois pés atrás da cabeça, nesta postura, com ajuda do Tarik, e tocar com as mãos no chão nesta, com o empurrão da Lea. Claro que estes milestones não interessam no yoga - como disse o Tarik, o yoga é um workin, não um workout.

E também foi bom estar estes dias sozinha em Lisboa, para recarregar baterias. Não fiz absolutamente mais nada a não ser yoga e estudar para uma frequência que tive esta tarde. Foi um fim de semana de recolhimento, de silêncio, de paz. O meu tipo de fim de semana!

Na ida para lá tive um contacto com uma boa notícia. Vou dar mais duas aulas de yoga por semana, num ginásio aqui em Faro! Cada vez gosto mais disto! 

De resto, espera-me mais uma semana daquelas! Agora é frequências todas as semanas, trabalhos para entregar, as minhas alunas a fazer experiências no lab, dados para tratar, coisas para escrever... o normal. Mas cada vez estou melhor na gestão do tempo - já aprendi a aproveitar momentos mortos para fazer coisas leves. Por exemplo, estou neste momento com um dos miúdos numa atividade e quando acabar de escrever este post, vou passar dados para o computador. Não exige muito esforço cognitivo e fica mais uma coisa despachada. Estou, de facto, numa fase muito produtiva! Trabalhosa, cansativa, mas estou a adorar!

Em relação ao meu peso e ao meu desejo de perder um pouco mais, estou estagnada entre os 54 e os 55 kg. Tenho comido o que quero durante o dia e controlo mais ao jantar, ou seja, tento não comer hidratos de carbono complexos ao jantar, mas às vezes os J. faz comidinhas deliciosas que é impossível resistir... Tenho que fazer mais um esforço sério, talvez em janeiro, que vai ser um mês mais calmo, sem correrias. Mas com tanta prática de ashtanga (que queima muitas calorias), pode ser que perca naturalmente estes 2-3 quilinhos a mais... veremos. 

E é isto por hoje! Estou mesmo num estado de iluminação depois deste fim de semana de práticas, e é por isso que vos aconselho a experimentarem o Ashtanga Yoga, se tiverem em oportunidade. E para terminar, aqui fica um texto que uma ashtangui portuguesa escreveu sobre o que o Ashtanga Yoga tem para oferecer!

19/11/2015

Sobre a disciplina... ou a falta dela



Ultimamente tenho sentido o mesmo que senti por esta altura o ano passado. Quando as coisas começam a apertar - quando começo a ter frequências atrás de frequências, trabalhos, apresentações (a juntar a tudo o resto que eu já faço), ganho disciplina para umas coisas mas perco para outras. A prática de yoga sofre sempre nestas fases. Tenho sido muito mais consistente na hora de levantar, é verdade, mas nestas alturas descambo sempre.

No fim de agosto abracei um novo desafio de yoga, que consegui cumprir até ao início deste mês - a ideia era fazer todas as aulas de ashtanga da Jodi  Blumstein no YogaGlo até ao fim do ano. São pouco mais de 120 aulas e até ao início deste mês fiz 50 e tal. O que me começou a chatear no desafio foi ter que fazer aulas de níveis de dificuldade menor e aulas muito curtas. Às vezes só praticava 20 ou 30 minutos e sabia-me sempre a pouco. Eu quero ter uma prática de ashtanga forte e consistente, e com este desafio não estava a consegui-lo.

Outras vezes arranjo desculpas... não pratico de manhã com a desculpa que vou praticar à tarde, até é melhor que o corpo está mais quente e flexível... Mas à tarde tenho sempre mais que fazer e nunca consigo fazer uma prática como deve ser.

Outras vezes planeio levantar-me bem cedo para estudar um pouco e praticar, mas acabo por ficar na cama, e nem uma coisa nem outra...

Às vezes gostava de ser um pouco mais obsessiva em relação a isto. Gostava que a obsessão fosse tal que, no matter what, levantava-me e praticava, sem inventar desculpas.

A verdade é que eu tenho uma personalidade assim: acho sempre que posso e devo fazer mais e melhor. Nunca estou satisfeita com as conquistas. No dia em que defendi o doutoramento fiquei super contente e relaxada, mas no dia seguinte já estava a pensar, então e agora? O que faço agora? Que novos desafios vêm aí? Tenho uma grande necessidade de fazer coisas diferentes, abraçar novos deasafios, aprender coisas novas, pôr as minhas capacidades à prova. Sou alérgica à estagnação, mental e física.

Tenho dias maravilhosos! Acordo cedo, faço uma boa prática, cumpro tudo o que está na minha lista de coisas a fazer, tenho a casa limpa e arrumada, como comida saudável, passo tempo de qualidade com a família. E tenho outros dias... que são quase o oposto. Se uns dias são assim tão bons, porque é que os outros também não hão-de ser?

Porque falta-me disciplina. Falta-me a força de vontade. Falta-me consistência.

O que gostei bastante neste desafio de yoga é que durante estes 2 meses e tal, consegui cumpri-lo. Pratiquei bastante, e além das aulas de ashtanga, fiz outras, online e presenciais, e dei também bastantes aulas de yoga. Mas sinto que agora está na altura de um novo desafio. 

Então, em vez de praticar todas as aulas da Jodi no YogaGlo, fiz uma selecção daquelas que realmente me interessam. Escolhi só aulas de nível 2, 2/3 e 3, com duração de 60 a 90 minutos, e dentro dessas seleccionei as que quero mesmo fazer. E fiquei com 24 aulas. E tenciono fazê-las todas até ao final do ano. Começando amanhã, tenho 42 dias para fazer 24 aulas. 24 aulas em 42 dias. Parece-me bem. Claro que a minha prática não é só estas aulas. Por exemplo, na próxima semana vou praticar ashtanga a Lisboa e também pratico outras coisas em casa. Mas quero finalmente estabelecer uma prática de ashtanga forte e consistente e espero consegui-lo assim. Vou partilhando o meu progresso aqui, ok?

13/05/2015

Eu, professora de yoga?



Se lês o blog há algum tempo, sabes que, há quase 2 anos, completei a formação de 200 horas como instrutora de yoga. Foi uma experiência fantástica, aprendi imenso, e descobri muito sobre mim. Pouco tempo depois comecei a dar aulas de yoga em dois espaços em Faro. Descrevi aqui a minha primeira aula. E deixei de dar as aulas ao fim de 2 semanas. E entretanto não falei mais do assunto aqui no blog. Mas, afinal o que é que se passou?

Ora bem, nesse ginásio onde dei a minha primeira aula, que não correu lá muito bem, voltei a dar outra, uma mais pequena, no dia aberto do ginásio. Em vez de fazer uma aula mais parada (aquilo que associamos mais ao Hatha Yoga), fiz uma aula mais dinâmica, de vinyasa flow, que é o estilo que eu gosto e pratico. Correu lindamente! Saí de lá com uma sensação de dever cumprido e a coisa correu mesmo bem. Dei algumas aulas num outro espaço, a pessoas que nunca tinham praticado, e também correu bem; o feedback foi bastante positivo. 

No entanto, eu sentia que algo não estava bem. Uns dias depois de ter iniciado as aulas, fiquei super constipada. A minha vontade de dar aulas era próxima de nenhuma. Os horários eram terríveis, do género chegar a casa quase às dez da noite. Ao fim de duas semanas, segui a minha intuição e desisti das aulas. A constipação passou de um dia para o outro. 

O que senti é que várias coisas não estavam bem. Os espaços não eram os adequados (em termos de energia, não de condições físicas), os horários menos ainda, e o que eu queria mesmo era dedicar-me à minha própria prática. Sim, sempre quis pôr as pessoas a praticar yoga, mas senti que já o fazia através do blog. Aquela altura não era nem o sítio nem a hora certa para me tornar professora de yoga. Por isso, desisti ao fim de 15 dias e dediquei-me à minha prática.

Entretanto, os meus filhos foram introduzidos ao yoga e à meditação, através de outros professores. Por um lado, parecia-me profundamente errado como é que eu, sendo mãe deles e estando devidamente capacitada para lhes dar essas aulas, preferia pagar a outras pessoas para o fazerem... Por outro lado, achava que eles teriam mais respeito por outras pessoas - porque ter a própria mãe como professora é sempre desculpa para mais galhofa, distração e desobediência...

Eu tenho muitas ideias. Sou muito criativa. Às vezes nem consigo adormecer porque a minha cabeça fervilha com novos projetos. Há tanta coisa que eu quero fazer! Se há coisa que eu tenho a certeza que quero fazer é ajudar os outros. Um dos motivos que me levou a ingressar no curso de psicologia, tendo já uma carreira nas ciências do mar, foi esse mesmo - poder fazer uma ciência mais aplicada, mais próxima das pessoas, com benefícios mais imediatos para a sociedade. Tenho andado a direcionar os meus interesses de investigação nesse sentido e está tudo bem encaminhado. No curso de psicologia também tenho tido oportunidade de estudar e investigar assuntos que me apaixonam, como a influência do yoga e outras técnicas holísticas na saúde física e psicológica, e o problema da perturbação de hiperatividade e défice de atenção em crianças.

Eu quero sempre fazer muitas coisas - é essa a minha natureza e não há volta a dar. E acredito que podemos fazer tudo - se bem que não ao mesmo tempo. Ultimamente a vontade de partilhar a paixão do yoga com os outros tem renascido. E quando digo yoga não é só a parte física, é tudo, é o estilo de vida. Como já referi aqui, gostava de ter um grupo de discussão do Dharma; por enquanto, frequento, uma vez por mês, as tardes e mindfulness da Sangha Flor de Amendoeira, onde praticamos o mindfulness na tradição de Thich Nhat Hanh. 

Mas gostava de fazer mais pelos meus filhos e por outros miúdos também. E eu era pessoa que não gostava nada de crianças, mas isso tem mudado. Também gostava de sensibilizar os professores do ensino básico (e não só) para a importância da introdução de técnicas de mindfulness em contexto de sala de aula - coisas tão simples como uns minutos de respiração consciente no início das aulas pode fazer uma enorme diferença... E gostava sobretudo de ajudar crianças com PHDA, pois é um problema que tão bem conheço e que pode ser suavizado com a prática de yoga e de outras técnicas (não sou eu que o digo, é a investigação científica que se tem feito na área).

Por isso, decidi que vou começar, em passos pequenos, a dar aulas de yoga aos meus filhos. Aulas a sério, individuais e direcionadas, estudadas e planeadas, frequentes e consistentes. E quando penso nisto, outras ideias afloram logo... Mas vou controlar-me e dar passos pequenos. O J. também já acedeu a fazer uma aula comigo, uma vez por semana - e assim pratico as minhas aulas para adultos. Pode ser que um dia aceda aos pedidos de algumas colegas e amigas e comece a dar-lhes aulas de yoga também. E quem sabe se um dia não irei até dar aulas abertas ao público? O mundo tem infinitas possibilidades.


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17/11/2014

Repensando a minha prática de yoga

Já lá vão quase 2 anos desde que comecei a praticar yoga. Os meus primeiros professores foram os do site Ekhart Yoga. Depois comecei a ter aulas de hatha yoga e fiz formação de 200 horas como instrutora de hatha yoga. Desde cedo que percebi que os estilos mais vigorosos, como o ashtanga e o vinyasa flow, são os que mais me atraem. 

A dada altura decidi que o ashtanga era o caminho. Comecei a praticar mais ashtanga, pratiquei com professores autorizados (o processo de autorização para ensinar ashtanga não tem nada a ver com os cursos de 200 horas reconhecidos pela Yoga Alliance), e comecei a achar que não há melhor yoga que o ashtanga, pelo menos para mim. 

No entanto, a minha relação com o ashtanga sempre foi de amor-ódio. Gosto das sequências, gosto da exigência física, gosto do desafio que é o ashtanga e gosto de como me sinto depois da prática - super cansada mas feliz. 



Mas o ashtanga também tem coisas que nunca gostei. O ashtanga tem demasiadas regras. Uma das regras que menos gosto no ashtanga é aquela de só se poder avançar para a postura seguinte quando a anterior está bem compreendida (leia-se, quando a conseguimos fazer). Para quem não sabe, o ashtanga é um conjunto de 6 séries ou sequências pré-definidas de asanas; a maioria do comum mortal não passa da primeira série. 

Quer isto dizer que, de acordo com a tradição do ashtanga, eu fico-me pelo marichyasana D (porque ainda não consigo agarrar atrás). Quer isto dizer que, de acordo com a tradição, não posso fazer as posturas seguintes, que incluem alguns asanas bem mais fáceis (como navasana e baddha konasana) e outros mais necessários para o meu corpo. Quer isto dizer que, de acordo com a tradição, não posso fazer os backbends da segunda série, que tanta falta me fazem (porque tenho os ombros muito presos).

Há 40 anos atrás, quando os primeiros ocidentais foram para Mysore, na Índia, aprender ashtanga com o guru, Sri K. Pattabhi Jois, as duas primeiras séries eram ensinadas em simultâneo, o que faz muito mais sentido, pois a primeira tem sobretudo forward bends e a segunda tem os backbends. Era, na minha opinião, uma prática mais equilibrada. 

No entanto, com a expansão do ashtanga para o Ocidente, são centenas as pessoas que estão, em simultâneo, em Mysore para estudar, não com Jois que faleceu em 2009, mas com o neto, Sharath. Com tanta gente, foi necessário limitar o avanço das pessoas, senão não se dava conta. Aliás, a primeira postura da segunda série (pashasana) é um porteiro fantástico que regula o avanço dos praticantes para a segunda série - ou melhor, que barra logo ali imensa gente (porque é uma postura muito difícil)! Mas até aqui compreendo - há demasiados praticantes de ashtanga a visitar Mysore.

Mas isto de nos barrarem acontece em todo o lado. Da primeira vez que pratiquei em Lisboa num shala, barraram-me a meio da primeira série, no bhujapidasana, ou seja, não pude praticar mais posturas (mesmo havendo asanas mais fáceis a seguir). Não gostei de ter pago 15 euros para fazer metade da primeira série. Quando estive em Vila Nova de Milfontes, foi diferente. Pude praticar toda a primeira série e não vi os professores a barrarem os praticantes por ainda não serem capazes de praticar bem um dado asana - assim, sim!

Os puristas do ashtanga dir-me-iam que o sistema é assim que funciona. Aliás, já conheci alguns fundamentalistas do ashtanga que olham para mim como se eu tivesse cometido um crime, quando refiro que também pratico asanas das outras séries (como koundinyasana e astavakrasana, que se vê nos videos).



Mas isto tudo para dizer que sempre achei que as regras são para ser quebradas (excepto aquelas óbvias, tipo não matar ou não roubar, claro!) e estas regras do ashtanga não são exceção. Portanto, fui praticando a primeira série do ashtanga (toda!) mas também praticava outras coisas e outros asanas, porque me fazem falta e porque são divertidos. Mas de vez em quando uma vozinha cá dentro dizia-me que não devia fazer assim, devia era praticar ashtanga sempre, 6 vezes por semana, como manda a tradição, e esquecer o resto. E quando não conseguia levantar-me cedo para praticar (preciso de hora e meia) ficava logo stressada... Ora, não é suposto o yoga trazer-nos stress.

Estas coisas começaram a fazer mais sentido para mim quando li o texto Why I stopped practicing ashtanga yoga e identifiquei-me com vários dos pontos referidos pela autora. Por exemplo, há o problema da adição ao asana - o objectivo da prática do yoga passa a ser conseguir fazer determinado asana... Há a pressão diária para praticar - que se transforma em stress quando não se pratica... Há também o problema da arbitrariedade das regras do ashtanga - como já referi, há 40 anos Jois ensinava a primeira e a segunda série em simultâneo, enquanto agora só se avança para a postura seguinte quando a anterior está bem feita. 

Além destas regras do ashtanga que para mim não fazem sentido (e as quais eu quebrava, claro), comecei a perceber que em certos dias o meu corpo pedia um tipo de prática e noutros dias outro tipo. Certos dias só pensava no ashtanga, mas noutros dias preferia fazer yin, por exemplo. Percebi que ao praticar sempre ashtanga não estava a ouvir o meu corpo nem as suas necessidades.

Não me entendam mal: eu adoro o ashtanga vinyasa yoga. Se tiver que escolher entre uma aula de ashtanga e uma de outra coisa, não há dúvidas que escolho o ashtanga. Mas não sou fundamentalista e não sou pessoa de seguir regras com as quais não concordo. Tive esta batalha mental durante muito tempo. Certos dias tinha a certeza que o ashtanga era o caminho, outros dias nem queria ouvir falar disso. 

Mas isto tudo para dizer que há uns tempos renovei a minha subscrição no Ekhart Yoga e recomecei a fazer aulas online. Pratico ashtanga quando me apetece, pratico vinyasa flow quando me apetece, pratico yoga restorativo ou yin yoga ou hatha yoga ou seja o que for quando me apetece. Tenho seguido o que o corpo me pede, e não o que as regras dizem que devo fazer. 

Claro que a minha prática continua a ter o ashtanga na sua base, porque é disso que eu gosto e se me puserem a praticar sozinha, é a primeira série do ashtanga que eu vou praticar. Mas também comecei a explorar o vinyasa flow (que derivou do ashtanga, tal como o power yoga e o rocket yoga) e até o yin yoga

Atualmente tenho praticado quase todos os dias, 2 ou 3 vezes por dia. De manhã é quando faço uma prática mais longa e mais forte; ou ashtanga ou vinyasa flow, mas sempre puxado (leia-se, que dê para cansar e suar). Antes de ir dormir, faço 30-60 minutos de hatha ou restorativo ou yin. Tenho focado estas práticas noturnas no aumento da flexibilidade dos ombros, pois preciso mesmo muito. Às vezes, pratico também um pouco à tarde, meia hora ou pouco mais; ou faço uma prática mais energética ou mais calma, dependendo do que diz o meu corpo.

Tenho feito a maioria das aulas com o Ekhart Yoga - e adoro! Juro que ninguém me pagou para fazer esta publicidade, mas eu gosto mesmo do site e aconselho-o mesmo a quem não percebe bem inglês. São mais de mil aulas, são adicionadas aulas novas todos os dias e dá para escolher as aulas por tempo, nível de dificuldade, professor e estilo. Portanto, posso ter só 10 minutos, mas há lá aulas de 10 minutos que posso fazer - não há desculpas para não praticar yoga!

E pronto! Tive que pôr estes meus pensamentos acerca da minha prática de yoga no papel, talvez para eu própria conseguir compreendê-los melhor...



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05/08/2013

De volta à Terra

Natarajasana, Ferragudo

Como sabem, o mês passado estive a fazer um curso de 200 horas de instrutores de yoga. O curso foi dirigido pelo professor Paulo Hayes da Associação Europeia de Terapias Orientais. Foi fantástico e excedeu mesmo as minhas expectativas. Anatomia humana e subtil, muita filosofia do yoga, muita prática, muito riso e muita amizade (e até falámos de física quântica!). Foram 21 dias muito bem passados, apesar dos trabalhos de casa, trabalho de grupo, exame final, aulas que tivemos que dar (umas às outras), e o muito que tivemos que estudar.

Para mim, o curso foi sobretudo uma viagem espiritual. Aprendi mais sobre mim e comecei a sentir melhor o meu corpo (o físico, o astral e o causal...). Palavras como kundalini, namaste, doshas, gunas, sutras, om, e outras fazem agora parte do meu vocabulário diário (pena que a maior parte das pessoas que me rodeiam não fazem ideia do que estou a falar...). 

Algumas das minhas colegas fizeram o curso com o objectivo de se tornarem professores de yoga. Outras, como eu, queriam sobretudo aprender mais e quem sabe um dia dar aulas. Eu ainda não sei qual será o meu caminho como professora. Continuo com a minha prática diária de yoga e vejo agora certo aspectos do yoga com maior clareza. Agora sei qual é o meu caminho em termos da minha prática e não há dúvida que os estilos mais vigorosos de yoga são os que fazem mais sentido para mim (o meu dosha é pitta e os pitta têm de facto tendência para formas de yoga mais vigorosas, apesar dos estilos mais calmos fazerem-nos bem...). Com o curso também fiquei mais consciente do meu dharma (a minha missão), apesar de ainda não ter as coisas bem claras na minha cabeça - preciso de meditar mais para tal!

A avaliação global é muito, muito positiva. Posso dizer que agora sou uma estudante e praticante de yoga - já iniciei o caminho e sim, consigo sentir a kundalini a subir durante a prática (para quem sabe o que é a kundalini...). Pratico yoga tanto em cima como fora do tapete (quer isto dizer que o yoga não é só a parte física) e a minha prática confirmou-se como prioritária na minha vida. O yoga não me dá apenas um corpo físico saudável. Dá-me saúde mental, paz de espírito, paciência, concentração... Dá-me uma outra visão do mundo, e esta visão é agora muito mais bonita do que era. Não há dúvida que encontrei o meu caminho.

10/07/2013

Onde me leva a sede de aprender

Vou confessar-vos uma coisa que me tem dado vergonha dizer às pessoas: vou fazer um curso de 200 horas de instrutor de yoga (começa hoje, é por isso que vou estar praticamente offline até ao fim do mês).

Porque é que me dá vergonha?

Porque comecei a praticar yoga há menos de meio ano - apesar do muito pilates que já fiz ter ajudado.
Porque só vou a aulas de yoga duas vezes por semana - apesar de praticar quase diariamente em casa.
Porque faço muitas coisas mal - apesar de conseguir aprender rapidamente a forma correcta.
Porque há imensos asanas simples que nem consigo fazer - apesar de conseguir fazer alguns mais avançados.
Porque sinto que ainda tenho MUITO que aprender - e é por isso que vou fazer o curso.

Tenho uma sede tal em aprender mais sobre yoga que quando vi este curso, no Algarve, intensivo, que aborda de tudo um pouco (e é reconhecido pelo Yoga Alliance no nível RYT 200), ainda pensei duas, três, quatro vezes, mas a vontade de aprender sobrepôs-se ao custo do curso e à vergonha que tenho de participar num curso de instrutores de yoga com outras pessoas que provavelmente sabem muito mais sobre o assunto e têm muitos mais anos de prática do que eu...

Mas lá está, os anos de prática nem sempre são proporcionais à dedicação nem espelham a evolução da pessoa na prática. Eu posso estar metida nisto há pouco tempo, mas compenso a pouca prática com um enorme desejo de aprender mais. 

Não é que eu queira ser professora de yoga. Não é esse o objectivo. A certificação internacional (que pelo que me parece não vale grande coisa em Portugal, mas é praticamente condição sine qua non para dar aulas de yoga nos Estados Unidos, por exemplo) é uma mais-valia, mas o que me entusiasma mesmo é o programa do cursom que inclui a filosofia do yoga, asana, pranayama, bandhas, mudra, mantra, kirtan, aulas para idosos, grávidas e crianças, meditação, yoga nidra, anatomia humana e subtil e por aí fora...

Claro que tenho medo de não conseguir fazer o curso, de ser a pior aluna, de não aguentar o ritmo (são 200 horas de curso em 21 dias, é só fazer as contas). Continuo a sentir-me ridícula por ter tão pouca experiência de yoga e ir meter-me num curso destes (não é preciso ter muita experiência para fazer o curso, mas mesmo assim...). Mas a sede de aprender falou mais alto, e sinto que este é o momento certo para esta aventura.

O curso, super intensivo, começa hoje, por isso não estou a contar dedicar muito tempo ao blog até ao fim do mês... Também não vou poder responder a nenhum email ou comentário durante este período. Umas férias da internet fazem sempre bem! Não quer dizer que não apareça um ou outro post, mas não prometo nada... até Agosto!

08/07/2013

O yoga mudou a maneira como me vejo ao espelho

No outro dia, a Magda perguntou-me o que mudou em mim com o yoga. Hum, por onde começar?...

Pelo mais superficial. Acho que emagreci um pouco, não sei bem, não costumo pesar-me - mas não é o peso que me interessa. O que me interessa é que tomei outra consciência do meu corpo - e comecei a aceitá-lo e a gostar dele tal como é. Na prática, isto traduz-me por uma alteração na minha maneira de vestir. Eu sempre fui magra, atlética, vá, uns 2 ou 3 kg a mais de vez em quando - mas sempre achei que tinha o rabo grande e a parte superior das coxas gordas demais. E por isso não era capaz de usar, por exemplo, umas leggings com um top curto (nem na rua nem no ginásio). Usava leggings, sim, mas com qualquer coisa que tapasse o rabo. A sério, era impensável para mim usar calças demasiado justas  - sentia sempre que o meu rabo era grande demais. No ginásio preferia calças ou calções mais largos - que disfarçassem essas zonas problemáticas.

Agora já não sinto isso. Não sei se é psicológico ou se emagreci mesmo, mas já não tenho problemas em usar leggings com tops justos e curtos (que não tapem o rabo). Acho que tenho umas pernas razoáveis - não são perfeitas, podia ter 1 kg a menos em cada uma, mas já não tenho vergonha em usar calças justas e leggings com tops curtos. 

Comecei a sentir estas mudanças na maneira como me via ao espelho quando comecei a fazer yoga - comecei a aceitar-me como sou e a não ter vergonha do meu corpo (do rabo e coxas, no meu caso).

Mas senti também mudanças a outros níveis. E o mais giro e inesperado é que a forma como me comporto agora não é forçada nem planeada. As mudanças foram naturais, inconscientes, sem qualquer esforço meu. E relacionam-se com os yamas e niyamas que referi aqui. Mas essas ficam para outro dia...

17/06/2013

Yoga aqui ou ali?

Provavelmente alguns de vós já viram que criei um outro blog sobre a minha prática de yoga. Andei semanas e semanas a pensar nesse blog e no formato que deveria ter. Primeiro pensei se deveria criá-lo. A verdade é que comecei a ler blogs de yoga, blogs pessoais sobre a prática de yoga, e adoro. São inspiradores e relembram-me que o objectivo do yoga não é fazer os asanas de forma perfeita. Relembram-me que é falhando que se aprende e avança. Relembram-me que nós, aspirantes a yogis, somos humanos e que a vida é feita de escolhas. E que tudo tem uma razão de ser (como vi ontem; já agora, tive uma manhã fantástica, mais de duas horas de asanas, yoga nidra, meditação, em casa).

Decidida a escrever mais sobre yoga e a minha prática, pensei então se deveria fazê-lo aqui, no Busy Woman, ou se deveria criar outro espaço para o efeito. Dei voltas e voltas à cabeça com esta questão. Por um lado, não queria encher este blog com posts sobre yoga, porque não é sobre isso que os meus leitores esperam ler. Por outro lado, o minimalismo, a vida simples, são uma parte fundamental do Yoga.
Eu explico.

O Yoga, como sabem, não é apenas uma forma de exercício físico. O Yoga é toda uma filosofia de vida, da qual o asana (as posturas físicas) faz parte. De acordo com Patanjali, autor do famoso Yoga Sutras, um dos textos fundamentais do Yoga, o Yoga pode dividir-se em 8 partes:

1. Yama - auto-restrições, código moral (o que o yogi não deve fazer)
2. Niyama - auto-observâncias, qualidades pessoais (o que o yogi deve fazer)
3. Asana - as técnicas corporais (o que se faz nas aulas de yoga nos ginásios)
4. Pranayama - práticas respiratórias (também se faz às vezes nas aulas)
5. Pratyahara - retração dos sentidos
6. Dharana - concentração e consciência interna
7. Dhyana - meditação (uma coisa tão simples, mas tão essencial ao nosso bem-estar)
8. Samadhi - união com o divino (digamos, é o estado final de iluminação...)

Os Yamas e Niyamas não são exercícios que se fazem; são sim o código moral e a atitude que devemos ter perante a vida. Há 5 Yamas e 5 Niyamas, mas não vos vou massacrar mais com isto. Onde eu quero chegar é a um dos Yamas, Aparigraha, e a um dos Niyamas, Santosha.

Aparigraha e Santosha são o minimalismo. Ou o minimalismo da era moderna é nada mais, nada menos que viver de acordo com estes conceitos antigos do Yoga.

Resumidamente, Aparigraha significa ter apenas aquilo que é necessário - não ter coisas que não precisamos, tralha que não usamos, e também não ter desejos por essas coisas que não precisamos. Santosha é contentamento; sermos felizes com aquilo que temos em vez de nos sentirmos infelizes por desejar coisas que não podemos ter.

Então, isto é minimalismo ou não?

Adiante, o meu maior problema em escrever mais sobre yoga neste blog era não ir de encontro às expectativas dos leitores. Mas rapidamente me lembrei que um blog, para mim, deve ser autêntico, deve ser um outlet expressivo e criativo dos interesses e paixões do seu autor. Assim, não vou escrever sobre coisas que não me interessam só porque poderão interessar a alguns leitores. Da mesma forma, não vou deixar de escrever sobre coisas que me interessam, no meu blog, com medo de afugentar leitores. Este blog reflete a minha vida, os meus interesses, o meu desenvolvimento pessoal - e o Yoga é agora parte fundamental de quem eu sou. 

Portanto, comecei a achar que não fazia sentido dividir a minha escrita em duas. Um blog sobre minimalismo e vida simples e outro sobre yoga - estando as duas coisas intimamente ligadas? Assim, este post todo serve apenas para dizer-vos, fiéis leitores, que vou escrever mais sobre a minha prática de Yoga neste blog (e acabar com o outro). Namaste.

16/06/2013

Boa sorte, má sorte, quem sabe...

Hoje acordei entusiasmada! Era suposto ir a Almancil para uma prática intensiva de yoga. Três horas de asana, pranayama, meditação. Quando cheguei ao carro, o carro não pegava nem por nada. Estava sem bateria. Nenhuma luz tinha ficado acesa, a bateria tem pouco mais de 2 anos (se bem que já deu problemas há uns meses atrás), mas nada de pegar. E ninguém nas redondezas para ligar os cabos. O J. estava fora com os miúdos (e o outro carro). Os meus pais estavam fora. Não me pareceu bem chatear ninguém às 9 da manhã de um domingo para me dar boleia, nem ir de táxi e gastar imenso dinheiro... Voltei para casa, meia triste, com uma lágrima ao canto do olho, meia zangada, quase a ter um ataque de fúria.

Mas então lembrei-me que tudo acontece por um motivo. Devemos aceitar o que não pode ser mudado. Devemos ver sempre o lado positivo das coisas. E, mais uma vez, as coisas acontecem quando devem acontecer. E lembrei-me também do livro que estava a ler momentos antes de sair de casa, durante o pequeno-almoço, livro esse que devorei quase todo ontem, um livro fantástico que não conseguia largar. 

O último capítulo que li desse livro antes de sair de casa chama-se "Good luck, back luck!". A autora conta esta história:




Quando voltei a casa e lembrei-me que tinha acabado de ler isto, não pude deixar de sorrir. A tristeza e a fúria passaram. As coisas acontecem porque têm que acontecer, e hoje estavam reunidas todas as condições para que eu não pudesse sair de casa. Portanto, vou aproveitar este dia sozinha em casa. Vai ser um dia lento, calmo, silencioso. Vou desenrolar o meu tapete e dedicar as próximas horas à minha prática de yoga.

PS - O tal livro chama-se Finding more on the mat: how I grew better, wiser and stronger through yoga, da Michelle Marchildon. É um livro fantástico, mesmo. A Michelle passou por imensa coisa na vida (violação, cancro, casamento falhado, e até escapou a um desastre de avião) e deu a volta por cima quando começou a praticar yoga com quase 40 anos. É um livro inspirador e a escrita da Michelle é leve e cómica.

PS2 - Entendo este problema com a bateria do carro como um lembrete para levar o carro à oficina, coisa em que ando a pensar há semanas mas ainda não fiz. Está na altura de mudar a bateria e fazer a revisão e inspecção.
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