22/11/2012

Como conseguir fazer tudo

Eu devo ser maluca. Tenho um trabalho "a sério" que exige muito esforço mental e criatividade. Tenho dois filhos que vou buscar à escola às 15h30, indo depois com eles para casa - e querendo isto dizer que só estou no meu trabalho (o tal "a sério") das 9h até essa hora. Tenho outras actividades, em casa e familiares, e ainda tenho o blog, a página do facebook e o grupo das manhãs. E agora ainda quero levar o blog mais a sério, fazer sessões de coaching e workshops e palestras??? Mas como é que vou arranjar tempo para isto tudo? 

É simples. Aproveitando melhor as minhas 168 horas semanais

Para mim, é fundamental dormir o suficiente e levantar cedo, antes de todos os outros, para ter umas horas calmas para mim. A maioria das pessoas de sucesso levantam-se cedo e aproveitam essas primeiras horas da manhã para tratarem de si e avançarem no seu trabalho. Quando o resto do mundo se levanta, já estas pessoas fizeram mais do que muita gente faz um dia inteiro. 

O meu objectivo é levantar-me às 6h da manhã e tenho conseguido, com uma ou outra falha. O grupo Bom Dia Manhãs tem ajudado imenso; a partir do momento em que me comprometo publicamente a levantar-me a uma certa hora, torna-se muito mais fácil saltar da cama na manhã seguinte. Acordando às 6h tenho uma hora para fazer o que faço melhor de manhã: escrever. Não é para ver emails nem blogs; é para escrever. Às 7h tenho encontro marcado com a Jillian Michaels. Já tentei fazer o exercício mais tarde, mas não funciona (a nãos ser que seja no ginásio, com hora marcada). Estudos mostram que tarefas que requerem auto-disciplina são feitas mais facilmente logo de manhã - e o exercício físico enquadra-se nesta categoria.

Das 9h às 15h30 estou na Universidade (tirando este mês que decidi ficar em casa a escrever, para não ter distracções). Tem que ser porque os miúdos saem às 15h30 da escola (este ano não há AECs) e optei por ir buscá-los a essa hora e ir para casa, em vez de pô-los num ATL. Assim, eles lancham calmamente, fazem os trabalhos de casa sem pressas e quando chega a hora das actividades, já têm tudo feito - é muito menos stressante. Como passo menos 2 horas no trabalho (costumava sair às 17h30), tenho que aproveitar as minhas 6 horas e meia ao máximo. Quer isto dizer que não faço pausas para ir ao cafezinho, não perco tempo em conversas no corredor, almoço em meia hora ou menos, e não me distraio com blogs, facebook e similares. Posso passar menos tempo no trabalho que a maior parte dos meus colegas, mas garanto-vos que consigo fazer muito mais. Se formos a espremer o tempo de trabalho útil da maioria das pessoas, é muito menor que o tempo que passam no local de trabalho. 

Para me focar no trabalho, uso a técnica Pomodoro. Quando o trabalho está a correr bem, faço pomodoros de 50 minutos com 10 de descanso, em vez de 25/5.

Em casa, enquanto os miúdos lancham e fazem os TPCs, dedico-me a tarefas de trabalho que exigem menor concentração, como escrever e responder a emails, tratar de burocracias, e coisas assim. Se tiver mesmo muito que fazer, continuo ao computador a fazer análise de dados, estatística, a ler artigos. Antes do jantar, ainda tenho tempo de tratar da casa e deixar tudo pronto para o dia seguinte. Depois do jantar é para relaxar, ou para tratar de uma das minhas outras paixões: este blog. Leio e respondo a comentários, vejo o FB, escrevo posts, planeio um workshop... Gosto de estar na cama às 10 da noite, mas ainda leio bastante. É terrível quando fico acordada até acabar o livro... nem olho para o relógio, porque no dia seguinte... a alvorada é às 6h!

19/11/2012

A desarrumação das crianças

Eu gosto de tudo arrumado, tudo no sítio, tudo limpo. Não gosto de ver brinquedos espalhados pela casa, nem roupa suja fora do cesto da roupa suja, nem copos ou pratos esquecidos na sala ou no quarto. Cá em casa todas as coisas têm um sítio - e eu gosto de ver tudo no seu sítio, sempre. 

Isto é impossível no quarto dos miúdos. Eu bem tento. Obrigo-os a arrumar o quarto, a arrumar a roupa, a fazer as camas. Dou voltas aos brinquedos deles, aos papéis, aos desenhos, para tentar jogar coisas fora, mas as coisas acumulam-se a uma velocidade que eu não consigo acompanhar. Ganho algumas batalhas, mas não consigo ganhar a guerra contra a desorganização e a tralha no quarto dos meus filhos. E isto é um motivo de stress para mim - muitas vezes, quando eles não estão, simplesmente fecho a porta do quarto deles para não ter que ver a confusão... 

Mas a certa altura comecei a pensar de forma diferente. Eles são crianças. Eu também era mais desarrumada do que sou agora na idade deles. Será que vale a pena stressar-me tanto por causa da desarrumação e da tralha no quarto deles? Então estabeleci umas regras simples:

1. Não me interessa a quantidade de tralha que eles têm, desde que esteja tudo devidamente contido (escondido da vista) nestas caixas:


2. No fim do dia, ou quando mandamos, eles têm que arrumar os brinquedos que estão espalhados pela casa. Se não o fizerem, os brinquedos vão fora (isto resulta, porque eles arrumam).

3. No fim do dia, o chão do quarto deles têm que estar livre de tralhas - o que eu lá apanhar, vai fora (resulta mesmo).

4. Quando fizer destralhamentos a sério ao quarto, eles ajudam, mas têm que ser realistas. Se não brincam com um brinquedo ou se está partido ou faltam peças - vai fora! A última palavra é minha! (é que eles às vezes querem guardar coisas que já não servem mesmo para nada!)

5. Volta e meio faço-lhes umas lavagens cerebrais... tento incutir-lhe os princípios do minimalismo, do menos é mais, explico que para sermos felizes não precisamos de ter muitos brinquedos, mas sim uma família que nos ama, e esse tipo de coisas... resposta do mais novo de 6 anos: "O que eu queria mesmo para ser feliz era uns brincos" (com esta idade já quer furar a orelha...)

Mas enfim... a coisa vai melhorando aos poucos. E se tu também tens uma divisão da casa dominada por outros membros da família que não consegues controlar... resiste ao impulso de destralhar e arrumar e, simplesmente, fecha a porta!

16/11/2012

Bom dia manhãs

Update: Para as várias pessoas que perguntaram - é claro que eu deito-me cedo! Durmo pelo menos 7 horas por noite.

Ser madrugadora sempre foi um grande objectivo meu. As pessoas que se levantam mais cedo que o resto do mundo conseguem fazer muito mais coisas e trabalhar nos seus projectos pessoais, e não se queixam que não têm tempo para nada. As pessoas de sucesso trabalham, fazem exercício físico, e muitas outras coisas antes do pequeno-almoço

Há alturas em que consigo levantar-me cedo e há alturas em que é terrivelmente difícil (mas nunca acordo depois das 7 e meia). Nos dias em que me levanto às 5 ou às 6, tenho mais energia ao longo do dia, consigo fazer muito mais coisas e sinto-me muito mais feliz. A parte difícil é mesmo sair da cama quando o despertador toca, sobretudo agora que os dias são mais curtos e começa a ficar mais frio.

Ontem senti que precisava de um accountability partner, ou seja, alguém que também queira levantar-se cedo. A ideia é "picar o ponto" junta da outra pessoa quando acordar. Pode ser enviar um sms para o parceiro quando acordo, ou pode ser algo mais abrangente como deixar uma mensagem num grupo do facebook. Há muitos grupos e fóruns destes, mas a maioria nos Estados Unidos, onde a diferença horária é de pelo menos 5 horas em relação a Portugal. Pesquisei a existência de um grupo desses cá, mas não encontrei nada. Então, se não existe, porque não criá-lo? E assim nasceu o grupo "Bom dia manhãs".

As regras do grupo são simples. Cada novo membro declara os seus objectivos, especificamente a que hora quer acordar e o que quer fazer nesse período. Depois, cada dia de manhã, vai picar o ponto ao grupo, deixando uma mensagem a dizer que já acordou. Será mais difícil para as pessoas que não vão logo agarrar-se ao computador quando se levantam, mas tem que haver uma partilha pública dos sucessos (e fracassos). Os membros dos grupos devem dar força e motivarem-se uns aos outros para acordar cedo. Vamos partilhando dicas sobre os early risers e coisas giras que encontramos na internet, assim como as nossas experiências pessoais para nos inspirarmos! Vamos deixar de ser preguiçosos, vamos saltar da cama quando toca o despertador e ser mais produtivos! Vamos recusar ser daquelas pessoas que só se queixam que não têm tempo para fazer nada e vamos juntar-nos ao grupo das pessoas de sucesso que conseguem fazer tudo!!

O grupo foi criado ontem. Ontem declarei que hoje queria levantar-me às 5 da manhã - e nunca foi tão fácil saltar da cama tão cedo como foi hoje! Saber que há dezenas de pessoas que estão à espera que eu o faça, faz toda a diferença em termos psicológicos. Sâo agora 5h45, já fiz chá, já "piquei o ponto", já escrevi este post e ainda tenho umas 2 horas até o resto da casa acordar! É maravilhoso! 

Quem quer juntar-se ao grupo dos madrugadores de sucesso?

14/11/2012

Sobre a disciplina

Este mês de Novembro tenho andado dedicada ao #acwrimo, um mês de escrita académica. Não tenho escrito tantos posts, nem lido os blogs do costume, nem tenho partilhado links nas redes sociais. Tenho trabalhado das 9 da manhã às 3 e meia da tarde nos meus artigos. A escrita está a correr bem. E quanto mais escrevo, mais vontade tenho de escrever. Escrever artigos científicos, que é para isso que me pagam, mas escrever outras coisas também (além do blog). Não me vejo a escrever ficção nem nada que se pareça, mas vejo-me a escrever outras coisas sem ser ciência.

Adoro o estilo da Laura Vanderkam. Já aqui falei sobre dois dos seus livros, 168 hours e What the most successfull people do before breakfast. São livros práticos, com muita pesquisa e testemunhos de pessoas reais por trás. Vejo-me a escrever esse tipo de prosa. Sobre minimalismo, claro.

O problema é que para conseguir conciliar tudo (escrever artigos científicos - que dão MUITO trabalho, escrever posts e escrever um livro) é preciso disciplina. É preciso força de vontade, energia, motivação e, sobretudo, uma enorme paixão. Infelizmente, tenho que admitir, não tenho feito muito mais além de trabalhar nos artigos... das 9 às 3 e meia. As minhas 168 horas semanais não têm sido bem aproveitadas. Nem sequer tenho acordado cedo (por cedo, entenda-se às 6 da manhã)... Tenho que me disciplinar e focar-me novamente nas coisas importantes. Como é que vou fazê-lo? Assim:

1. Em primeiro lugar, vou perceber de uma vez por todas que a escolha é minha. Ser ou não ser mais disciplinada depende apenas de mim. A culpa não é do frio, nem das manhãs cinzentas, nem das outras coisas que tenho para fazer.

2. Vou passar os objectivos para o papel. Mas tenho que ser realista! Obviamente que não pretendo escrever os 2 artigos num mês e no mesmo mês escrever também um livro inteiro ou posts todos os dias.

3. Vou dividir grandes projectos em várias pequenas tarefas. "Escrever um artigo" é demasiado vago. Fazer pesquisa bibliográfica hoje, escrever a introdução amanhã e fazer análise de dados no dia seguinte são tarefas mais objectivas e têm mais hipóteses de sucesso.

4. Vou trabalhar no melhor período do dia. Descobrir o período do dia em que estou mais concentrada é meio caminhado andado para conseguir escrever coisas de jeito. Para mim, esse período é de manhã. Não vale a pena insistir em ficar acordada até mais tarde para escrever - mais vale aproveitar os períodos de lentidão cerebral para fazer outras tarefas, como passar roupa a ferro.

09/11/2012

Ferramentas digitais e analógicas para organizar a vida


Produtividade, gestão do tempo e organização são temas que me interessam bastante, como sabem, e já escrevi vários posts sobre estes assuntos, tais como a técnica Pomodorousar o Google Tasksusar o Evernote para implementar o sistema GTDusar os pomodoros do Flowkeepergerir o tempo e os horáriosusar o Toodledo, e ainda dicas para trabalhar em casa.

Eu não gosto de tralha, seja digital ou analógica, portanto tento manter apenas os ficheiros, papéis, blocos de notas, etc., de que realmente preciso. A minha abordagem às ferramentas de organização e produtividade é, portanto, minimalista - apenas o necessário! E as ferramentas, digitais e analógicas, que uso actualmente, tanto no trabalho como na vida do dia a dia, são as seguintes:

Cadernos - tenho 3


Caderno do dia a dia
Tenho sempre um caderno A5 (e uma caneta) na mala, que funciona como ferramenta de captura, onde escrevo sobretudo coisas não relacionadas com o trabalho, como ideias, coisas para fazer, dinheiro que gastei, e similares. Mais tarde, processo o que escrevi ao longo do dia (por exemplo, marco eventos no google calendar, faço uma nota no evernote, envio emails importantes, etc.).

Caderno de laboratório
Os cadernos de laboratório são obrigatórios para quem faz trabalho de laboratório! Ao longo dos anos já acumulei dezenas de cadernos de laboratório... Gosto de usar um caderno de cada vez, mesmo para projectos diferentes, e tento transferir a informação do caderno para o computador com bastante frequência.

Caderno de trabalho
Este é como o caderno do dia a dia, mas para trabalho apenas. É neste caderno que planeio o dia de trabalho, faço mindmaps, escrevo ideias e aponto os pomodoros feitos.

Eu não uso agenda de papel. Uso o Gcal para eventos e o Evernote para listas. Tenho vários calendários, uns só meus, outros partilhados .

Uso o Evernote para guardar notas relacionadas com o trabalho e com outras coisas que me interessam. Também faço listas anuais, mensais e semanais de coisas para fazer (sobretudo de trabalho). No início do ano lectivo gosto de planear os artigos que quero escrever, o trabalho de laboratório que tenho para fazer e conferências a que quero ir. Depois, divido estas tarefas por mês e semana. O meu planeamento diário é feito à mão ou numa nota no Evernote. Seja como for, gosto de escrever no Evernote tudo o que fiz no fim de cada dia de trabalho.

O Dropbox é um arquivo digital. Tenho todos os meus documentos no Dropbox, de modo que posso aceder-lhes de qualquer um dos computadores onde trabalho. Também tenho pastas partilhadas com colegas - acabou-se o envio de emails para trás e para a frente com projectos conjuntos!

Descobri o Scrivener há pouco tempo mas apaixonei-me logo! Agora, uso o Scrivener para escrever documentos longos, como artigos, propostas de projectos e coisas assim. Só uso o Word para documentos pequenos.

Recentemente, comecei a usar o Mendeley para gerir as minhas referências (antes do Mendeley, usava o JabRef). Como já não imprimo artigos, faço notas e sublinho os pdfs, e o Mendeley permite fazer isso, o que dá muito jeito. Criei pastas para assuntos específicos e assim tenho todos os meus artigos devidamente organizados.

Percebi que os pomodoros de 25 minutos funcionam bem em dias em que estou mais distraída, mas em dias bons, sinto que são curtos demais. Por isso, tenho feito pomodoros de 50 minutos (+10 de pausa) e conto-os no Flowkeeper ou no temporizador do telemóvel.

Tenho todas as minhas contas de email numa só conta do gmail, o que reduziu significativamente o tempo que passo a ver o email -  e assim não tenho que me lembrar de todas as passwords...

Tenho ainda o calendário para a semana, uma folha com citações inspiradoras para escrever (da Wendy Laura Belcher e Paul Silvia) e os meus objectivos para o mês em papel, pendurados na estante do escritório em casa...



07/11/2012

Uma família de minimalistas

Uma questão que me fazem com frequência é como reagiram os meus filhos e companheiro quando decidi tornar-me minimalista - e, consequentemente, arrastá-los comigo para esse estilo de vida. 

Em primeiro lugar, eu não sou uma minimalista radical, como aqueles que têm só 100 coisas, que dormem num colchão no chão, têm só um prato e um copo e só se deslocam de bicicleta. Eu tenho a mobília essencial (não tenho mesas de cabeceira porque não me fazem falta), tenho louça suficiente para nós os quatro (mas não para muito mais), ando a pé e de bicicleta, mas tenho três veículos a motor (o que é um exagero). 

Viver um estilo de vida minimalista significa, para mim:

- rejeitar a comparação com os outros (o keeping up with the joneses) e, por consequência, o consumismo; 

- não dar importância ao que os outros pensam de mim (aqueles que nos avaliam pelas roupas que usamos, pelo carro que conduzimos, pela casa onde vivemos e pelo trabalho que temos);

- ter em casa apenas aquilo de que realmente preciso, uso e gosto, ou seja, não ficar com uma coisa que não me faz falta só porque foi oferecido - não sinto esse apego emocional às coisas;

- preocupar-me com o meio ambiente e fazer escolhas o mais ecológicas possível;

- ter tempo para fazer aquilo que é importante para mim - o meu trabalho, fazer desporto, ler, escrever, estar com a família e, também, ter tempo para não fazer nada;

- gerir bem o dinheiro e não o gastar em coisas desnecessárias - ser frugal q.b.; prefiro gastar mais num bom par de sapatos do que gastar o mesmo em três ou quatro pares de pouca qualidade;

- saber dizer não.

Como vêem, a minha vida minimalista não tem nada de radical! 

Em termos mais práticos, o meu minimalismo traduz-se em não deixar a tralha acumular-se em casa, ou seja, roupa que já não serve, brinquedos estragados ou não usados, papéis sem interesse, vão embora. 

No entanto, não faço os meus filhos terem só dois ou três brinquedos ou apenas meia dúzia de livros - mas estabeleço limites físicos para que eles tomem noção do espaço que as coisas ocupam e percebam que, se forem arrumados, conseguem usufruir melhor daquilo que têm. Seja como for, os miúdos são pequenos e, por isso, adaptam-se com facilidade às mudanças - e mesmo que não fosse minimalista, não ia querer habituá-los a terem tudo e mais alguma coisa.

Com o meu companheiro nunca tive que me preocupar, pois ele já era minimalista sem o saber. Tem muito menos roupa que eu (mas, tirando as t-shirts, é tudo de marca), muito menos sapatos que eu (mas tudo de boa qualidade), não tem livros, quase não tem papéis, tem uns quantos CDs e jogos para a playstation, e, o que destoa, tem muitas caixas de ferramentas. Estimo que os seus pertences (tirando as ferramentas) cabem, no máximo, em duas malas de viagem - isso sim, é que é ser minimalista! Para o J. o que mudou foi eu tornar-me mais parecida com ele - e ficámos com muito mais espaço no roupeiro.

Quanto a mim, eu era de facto a pessoa que tinha mais coisas cá em casa - portanto, o tornar-me minimalista, afectou-me sobretudo a mim, e não o resto da família... Livrei-me de roupa, de livros, de papéis, e de tudo o que não me fazia falta. Mas não me livrei assim de tantas coisas, pois, em comparação com a maior parte das pessoas que conheço, eu não tinha assim tanto quanto isso - e sempre fui organizada, o que ajudou bastante. As mudanças não foram, de facto, radicais, porque a minha família (os meus pais incluídos) nunca foi de acumular tralha.

Portanto, quando me perguntam como reagiu a família... não reagiu, pois para eles não mudou quase nada - mas somos muito mais felizes assim!

05/11/2012

Como minimizar a roupa

A área mais difícil de destralhar e minimizar, sobretudo para uma mulher, é, sem dúvida, o roupeiro. Mas há boas razões para o fazermos.
Nós não precisamos andar sempre vestidas de acordo com as últimas modas (que, aliás, passam de moda depressa).
Ao não gastarmos rios de dinheiro todas as estações em novas peças de roupa, poupamos imenso (o que convém face à situação do país).
Se destralharmos o roupeiro com frequência e só comprarmos peças de roupa de que precisamos, ficamos com mais espaço - e um armário organizado e sem a roupa ao monte é muito mais agradável.
E, o mais importante, se tivermos só peças de roupa de que realmente gostamos e que nos ficam bem, garanto-vos que se acaba aquele dilema do "não tenho nada para vestir".

Dito isto, ando com um problema de sapatos. É verdade que o ano passado livrei-me de mais de metade dos meus sapatos, mas fiquei com alguns dos quais não consegui desfazer-me. São 3 pares de sapatos de inverno/meia estação, de salto alto, praticamente novos, que eu não uso - eu uso sandálias, sabrinas, botas e ténis. Estão no armário dentro de um saco e comprometi-me a livrar-me deles caso chegue ao próximo verão sem os ter usado. 

Se tens um problema semelhante, com sapatos, roupa, ou seja o que for, é isto que deves fazer. Se usas, mantém, se não usas, estabelece uma data - se chegar esse dia sem teres usado as peças, é sinal que pode ir fora (que é como quem diz, dá, vende, ou joga mesmo fora se não estiver em condições).

O que mais me ajudou a livrar-me do excesso de roupa e sapatos foi o método sazonal da cor. Desde que percebi quais as cores que me ficam mesmo bem, foi muito fácil livrar-me das peças de outras cores. Dei mais de metade da minha roupa e não me arrependo. Sim, as minhas gavetas e o roupeiro são um arco-íris tricromático (branco, preto e cinzento), mas se são essas as cores que eu gosto de usar e com as quais me sinto bem, para quê manter peças de outras cores se não tenciono vesti-las? 

Eu, que era um bocado shopaholic, tenho agora imensas dificuldades em ir às compras... aborrece-me. Raramente me dá aquela vontade de comprar roupa só porque sim e quando isso acontece, páro e penso: preciso mesmo desta peça de roupa? A resposta, geralmente, é não.
Agora, quando vejo que me faz falta alguma coisa, como collants ou uma blusa preta porque a outra já está muito gasta, aponto e vou então às lojas com intenção de comprar o que me faz falta, tal como se fosse ao supermercado. Não vou às lojas para passear.

Outra regra que me ajuda a não ter tralha no armário é o one in, one out. Se entra uma peça para substituir outra, a velha vai fora. Há uns tempos comprei umas sabrinas pretas porque as que tinha já estavam muito gastas e com a sola a partir-se. Claro que mal comprei o novo par, as velhas sabrinas foram fora.

E depois de tudo isto, lanço-vos um desafio - destralhar o roupeiro! Vá, coragem! Aqui fica um fluxograma para te ajudar a tomar decisões:



02/11/2012

Preparar um mês de escrita em casa

Esta semana tenho andado em preparações para um mês inteiro de escrita (científica), em Novembro. Para que tudo corra como eu quero e para que consiga chegar ao fim do mês com os meus objectivos cumpridos, tenho que despachar, organizar e pensar numa série de pequenas coisas que vão fazer toda a diferença.

1. Liguei um teclado ao meu pequeno netbook. Tenho um portátil de tamanho normal em casa, velhinho, mas prefiro trabalhar no netbook que é mais rápido. O problema é que muitas horas a escrever num teclado daquele tamanho tem as suas desvantagens, como podem imaginar. Liguei um teclado que tinha no trabalho ao netbook para uma melhor postura e conforto.


2. Despachei muitos itens da minha to-do list esta duas últimas semanas. Foi mesmo uma loucura! Corrigi 3 trabalhos de alunos, revi 3 artigos científicos, acabei pequenas tarefas que estavam em espera há muito tempo, arrumei coisas no laboratório, arrumei o meu gabinete no trabalho (que, verdade seja dita, não estava desarrumado), avisei os meus colegas que vou estar fora durante o mês e para me contactarem só se for mesmo necessário, reuni com a orientadora para definir a estratégia para os próximos meses, pedi uns orçamentos, despachei burocracias... Em suma, fiz os possíveis para ter um mês de Novembro descansado.

3. Trouxe material para casa. Uns livros, artigos em papel e caderno de laboratório. Tudo o resto tenho no computador ou disponível online. Estou a antecipar uma ida semanal à universidade para conseguir fazer o download de artigos (em casa não dá) - ou um email diário ao meu amigo PM (sim, tu mesmo, Doutor Pedro) para sacar os artigos por mim e pô-los na nossa pasta do Dropbox...

4. Fiz um menu semanal com almoços, visto que estou a pensar almoçar sempre em casa. Pensei também nos lanches da manhã e da tarde, para evitar ir à rua fazer compras. Verifiquei se tenho chá preto suficiente para o mês todo (não bebo café).

5. Ajustei o orçamento mensal. Como vou ficar em casa e vou levar os miúdos à escola a pé, vou poupar em gasolina e em almoços. 

6. Vou fazer muito exercício físico para compensar as longas horas sentada (e porque, afinal, eu adoro desporto). Só há dias é que comecei novamente a fazer desporto depois de ter partido o pé há quase 4 meses. Tenho o video Ripped in 30 da Jillian Michaels, que é muito bom, e vou fazê-lo ao longo destas 4 semanas. Vou também inscrever-me novamente num ginásio para fazer aulas de spinning, que são as minhas preferidas.

7. Fiz um novo horário semanal para estas 4 semanas. Quero levantar-me sempre às 6 da manhã para escrever no blog ou ler outros blogs, fazer o Ripped in 30 às 7h, despachar os miúdos e começar a trabalhar às 9h. Quero fazer 9 pomodoros por dia. A meio da tarde tenho os miúdos e o homeschooling que instituí cá em casa (mais noutro post), depois as actividades deles, o speed cleaning e essas coisas, e em alguns dias vou então às aulas de spinning. Os fins de semana são livres para ir passear, andar de bicicleta, jogar ténis, ir à praia...

8. Preparei a música. Eu trabalho sempre com música - mas não com uma qualquer!! Neste campo os meus gostos não são nada eclécticos, e o que eu ouço é basicamente música clássica (mas não barroca) e jazz (mas nada demasiado mexido ou barulhento). Para trabalhar só pode ser clássica, mas nada cantado, senão eu começo a cantar também (o melhor é música do séc. XIX e início do séc. XX), ou um long-time favorite - Vangelis que, por influência do meu pai, ouço desde a adolescência (os melhores álbuns, para mim, são Antarctica e Soil Festivities).

O #AcWriMo começou ontem (para mim, só começa na próxima segunda) e a participação e partilha das pessoas no Twitter tem sido uma inspiração!

01/11/2012

Novembro quer-se calmo e produtivo

Hoje é o primeiro dia deste mês em que me vou tornar uma máquina a escrever! Estou a antecipar um mês calmo, passado maioritariamente em casa, mas com alguns (poucos) objectivos que quero mesmo alcançar. O problema das resoluções de Ano Novo é, a meu ver, a grande quantidade de coisas que queremos fazer e a falta de um plano para as cumprir (e muitas das resoluções são simplesmente irrealistas). Focando-me em objectivos mensais, as probabilidades de os alcançar são maiores. Então, durante Novembro vou focar-me no seguinte:

Trabalho
- escrever dois artigos científicos e enviar para os co-autores até ao fim do mês

Blog
- publicar pelo menos 3 posts por semana
- publicar um novo ebook!!

Eu
- fazer as 4 semanas do Ripped in 30 da Jillian Michaels
- ir a 2-3 aulas de spinning por 
- levantar-me às 6 da manhã durante a semana

Casa/Família
- fazer decorações de Natal com os miúdos
- fazer um calendário do advento para os miúdos


E vocês, o que estão a pensar fazer durante este mês?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...