28/06/2013

A vida simples de pessoas reais - Mafalda

Tomas consciência de que te deixaste levar pela tralha que tem entrado na tua vida. E, por tralha, deverá entender-se tudo o que entra e não traz valor-acrescentado: pessoas que não interessam, tarefas inúteis, objectos sem o menor interesse e/ou valor.
E, depois dessa tomada de consciência, encetas uma mudança: menos tempo perdido com tarefas que não interessam, mais tempo passado a fazer coisas de que se gosta, menos 12 quilos, menos tralha em casa – dada, vendida, enviada para reciclagem, ou trocada por itens mais úteis. A vitória mais saborosa? Deixar de ter detergentes de roupa e garrafões de água espalhados pelos recantos do chão da cozinha. E passar a ter os armários dessa mesma divisão mais arrumados e arejados.
Não era uma consumista desenfreada, ou uma ávida consumidora dos últimos gritos da moda, mas tinha a minha quota-parte de roupa que tinha comprado só porque sim e que praticamente nunca tinha vestido. E um número considerável de aparelhos que adquiri porque pensava que ia fazer alguma coisa de útil com eles, ou que me iam efectivamente a ajudar ser mais produtiva, ou a ser mais, ou a ter mais valor, sei lá… Por vezes, era levada a gastar só por gastar, a ter só por ter. “Afinal de contas, ganhamos dinheiro para quê?”, perguntamo-nos interiormente.
É um ciclo difícil de quebrar. Temos dinheiro no banco, não se prevêem adversidades, e há sempre qualquer coisa nova a chamar por nós, a fazer-nos pensar que só seremos verdadeiramente felizes se comprarmos essa mesma coisa. “Sim, quando tiver aquele tablet novo, vou conseguir ver os meus e-mails mal eles cheguem e dar resposta imediatamente e vai sobrar-me muito mais tempo para fazer as outras mil tarefas que tenho no meu dia-a-dia! E vou finalmente pôr-me a par, via Facebook, de todos os «Ais» e «Uis» de Fulano e de Sicrana, de quem não gosto especialmente, mas que importa isso?” 
No entanto, trata-se de uma ilusão. É perigoso pensar que comprar, comprar e comprar vai resolver o que quer que seja na nossa vida. Afinal de contas, quando o entusiasmo que rodeia uma compra se desvanece, o que fica? A felicidade não são os objectos, como todos nós bem sabemos, ainda que por vezes actuemos como se isso não fosse verdade. A felicidade somos nós, o que temos dentro de nós, e a qualidade do relacionamento que temos com quem (ou o que) nos rodeia. Apenas, e só, isso.
As mudanças que levei a cabo na minha vida pessoal fizeram com que passasse a ter uma casa mais arrumada e uma vida familiar mais organizada. Há algum trabalho por fazer (destralhar tornou-se uma espécie de vício, ainda há muito "potencial de destralhamento" no meu pequeno T2 e também objectos que decidi vender/trocar que ainda não encontraram o seu novo dono).
Porém, se a vida pessoal parece ter encontrado um rumo que me deixa feliz, o aspecto profissional ainda deixa a desejar...
Li Leo Babauta (Focus e Zen To Done) e passo o tempo a tentar passar para a minha realidade os ensinamento do autor. Consegui destralhar a minha secretária (o tampo quase não se via, com tanto papel…), passar a não adiar o arquivo de documentação, domar as minhas inboxes, anular subscrições de newsletters absolutamente desinteressantes e fazer uma cura de desintoxicação de redes sociais (uso o Facebook – cada vez menos – e o Linkedin, apenas). São tudo aspectos positivos e tudo decisões com as quais vivo bem e que me fazem sentir como há muito me queria sentir: livre e leve. Deixei de seguir as notícias e são as minhas colegas de trabalho, e outras pessoas com quem lido diariamente, que me mantém a par do que de mais surpreendente este mundo tem para nós a cada dia (ai, a raça humana…). A “desinformação” sabe-me verdadeiramente bem!
Porém, nem todos os conselhos de Leo são, para mim, fáceis de seguir à risca. Procrastinar é algo que me sai muito naturalmente nos dias que correm, para infelicidade minha. A culpa será do poder de distracção da Internet? Da minha incapacidade em me concentrar num só tema durante muito tempo? Da falta de vontade em realizar as minhas tarefas? Da abundância de tempo entre mãos para fazer o que tem de ser feito?
Esta é a minha batalha actual: deixar de procrastinar. Oxalá fosse tão fácil como destralhar, mas tentarei!
Obrigada, Rita, pelo teu blogue. A tod@s os que estão nesta jornada de simplificação, sejam felizes.
Take care!
Mafalda
~

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26/06/2013

Praticar, praticar, praticar (yoga, claro)

"Do your practice and all is coming." Sri K. Pattabhi Jois

A prática das técnicas corporais do yoga é daquelas coisas que mais vale fazer pouco todos os dias do que muito de vez em quando. Mais vale praticar 15 minutos em casa com frequência do que ir a aula de 90 minutos uma vez por semana. E a evolução na flexibilidade e equilíbrio é incrível! Consigo fazer posturas que pensei que fosse demorar meses até conseguir... e em cada prática o alinhamento melhora e o tempo que consigo manter a postura aumenta.

No entanto, em vez de motivador, pode ser frustrante ver videos de yogis dedicados a praticar asanas e vinyasas dificílimos, mas com tanta facilidade que me pergunto - quando é que vou ser capaz de fazer isto? E será que vou ser capaz de fazer isto? Um desses videos é este (é maravilhoso, vale mesmo a pena ver):


(as transições de Adho Mukha Svanasana para Adho Mukha Vrksasana (o pino) são fantásticas...)

Outro video:



É nestes momentos que tenho que me lembrar do que dizia K. Phattabhi Jois, o fundador do Ashtanga Yoga, "Do your practice and all is coming". Para mim, isto significa que devemos concentrar-nos na prática diária do yoga (e não me refiro apenas aos asanas, mas também às outras partes do yoga) sem pensar em objectivos a atingir; se assim for, e quase sem darmos por isso, tudo o resto na nossa vida começa a funcionar (incluindo as posturas mais difíceis).

25/06/2013

A minha vida não é igual à tua

Ontem recebi este comentário de uma leitora (ou leitor, não sei, era anónimo), neste post:

Parece-me tudo bem, mas... como fazes para receberes visitas? Um jantar de aniversário com a família mais próxima (mesmo que sejam só mais quatro pessoas). Onde as sentas?

Tal como este leitor/a, nós temos, infelizmente, a mania de assumir que viver de uma determinada forma é que é normal - geralmente a forma como nós próprios vivemos. É por isso que quando compramos uma casa, compramos também a mobília que é suposto ter numa casa. Foi o que eu fiz anos atrás: comprei um aparador para a louça, pois é suposto termos um para guardar a louça que nunca se usa. Comprei seis cadeiras para a mesa de jantar (apesar de sermos só dois nessa altura) para poder sentar os convidados (apesar de nunca ter convidados em casa). Comprei duas mesas de cabeceira, porque o normal é ter mesas de cabeceira ao lado da cama (apesar de, afinal, passar bem sem elas). 

Digamos que eu era mais uma ovelha do rebanho, a fazer as coisas porque assim é que é suposto, porque assim é que é "normal". Mas eu quero ser "normal" ou quero ser à minha maneira? A minha casa é para agradar à sociedade ou para agradar a mim?

Respondendo ao comentário:
a) eu raramente recebo visitas (porque não faz o nosso estilo)
b) nós somos mais de ir ao restaurante para celebrar seja o que for

De qualquer modo, se contarmos as cadeiras que descrevi no tal post (2 na mesa da sala, 2 na mesa da varanda, 4 na mesa da cozinha, mais as 3 cadeiras das secretárias), são 11, que podem ser colocadas na sala para receber convidados (juntamente com a mesa de cozinha, o que já aconteceu). É mesmo necessário ter uma mesa na sala com tantas cadeiras de plantão?

Para mim não é, mas para outras pessoas será. E não tem problema nenhum! Cada um sabe de si, do que gosta, do que não gosta, e de que forma quer viver a sua vida. Desde que não prejudiquemos ninguém com as nossas escolhas e, em casa, estejamos todos em sintonia, o que é que interessa se temos 2 ou 10 cadeiras, se recebemos convidados em casa ou vamos ao restaurante? E o que é que interessa o que os outros pensam? O que interessa é sermos felizes, não acham?

24/06/2013

Yoga à noite

Yoga à noite é complicado. Não gosto de fazer Surya Nasmaskar (saudações ao sol) nem posturas em pé pois dão-me demasiada energia e depois não tenho sono. 

Yoga à noite tem que ser mais suave. Comecei a fazer os cinco elementos do yoga tibetano de cura, Lu Jong. As primeiras aulas de yoga que tive foram de yoga tibetano e dizem que estes movimentos, que se fazem em 10-15 minutos (cada movimento repete-se 7 vezes, com 3 respirações entre eles), criam saúde física, equilíbrio mental e paz interior. Aqui fica um video da Ana Taboada com a demonstração dos movimentos.



De vez em quando faço os 5 elementos antes de ir dormir. Nesses dias, adormeço depressa e durmo muito bem.

Idealmente, faço meia hora de asana (técnicas corporais), pranayama (exercícios respiratórios) e meditação antes de dormir. Às vezes faço Chandra Nasmaskar - saudações à Lua. Ao contrário das saudações ao Sol (Surya Namaskar), as saudações à Lua arrefecem o corpo, acalmam, fazem dormir melhor. Há várias variações de Chandra Namaskar, tal como de Surya Nasmaskar. A variação que faço é esta, demonstrada pela Esther Ekhart:



Ah, sim, faço estas práticas noturnas em pijama...

23/06/2013

Minimalismo no Notícias Magazine


Hoje estou no Notícias Magazine (revista vendida com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias) a falar sobre minimalismo e vida simples. Até tive honras de capa e tudo! Muito obrigada à Dora Mota, a jornalista, e Carlos Vidigal, o fotógrafo.

A entrevista já foi feita há algum tempo, portanto diz lá que tenho 32 anos, mas na verdade estou quase a fazer 34... E adorei a referência que a Dora fez à minha prática de yoga! 

No site do NM podem ler parte da reportagem, aqui.


21/06/2013

A vida simples de pessoas reais - Sandra

Descobri o teu blog há algum tempo e foi bastante importante para mim. Com o trabalho, a casa e um menino que chegou e que como qualquer criança precisava de bastante atenção, andava mesmo desesperada. Passava os meus dias irritada por ter tanto que fazer e não conseguir dar conta do recado. Fiz algumas pesquisas e encontrei o teu blog que desde então acompanho. 

A organização faz todo o sentido para mim, muito mais como mãe. Poder ter a casa limpa, arrumada, fazer as nossas refeições e ter tempo para o meu menino. Fui lendo e aplicando alguns conselhos no meu dia-a-dia. Fui tentando fazer as coisas ao meu ritmo, aprendendo a não ficar irritada por não conseguir ter todo o tempo do mundo para tudo. Quando somos mães muda muita coisa e uma delas é o tempo para nós próprias. Poder ter um tempo para ler um livro, ver um filme ou mesmo sair para um café, aquelas coisas simples que não damos muita importância eu sentia muita falta. Aprendi a gerir isso com o meu menino a crescer e de como estar com ele e passar tempo com ele começa a ser uma prioridade. Ter alguém a limpar a minha casa não funciona, porque gosto de ser eu a fazê-lo e sinto-me tão bem quando o faço. Muitas vezes tenho de incluir o meu menino nas limpezas e fazer da situação uma brincadeira. 

Descobri ainda com a Rita que a organização anda de mãos dadas com o minimalismo e vida simples da qual começo a ser seguidora. Organização significa ter as coisas mínimas planeadas para não ter de andar sempre com a cabeça tão cheia, o facto de planear as refeições e as compras, as listas de coisas para fazer, para mim funciona muito bem. Gosto do facto de riscar uma tarefa quando concluída,  parece sempre tudo mais leve e é uma forma de não adiar as coisas para o dia seguinte, que tantas vezes dava por mim a fazer sem motivo. 

Começo a ficar um pouco ansiosa porque estou outra vez grávida e com dois meninos não deve ser nada fácil. Mas por outro lado estou tranquila, porque aprendi a organizar-me e a não complicar tanto as coisas. Aprendi a ter tempo para mim e a geri-lo para fazer as coisas que gosto. É tão bom encontrar pessoas que partilham as suas experiências, muitas vezes nem damos conta como podemos ajudar os outros a sentirem-se melhor. A minha nova paixão, o meu blog, o meu cantinho que não existiria se não tivesse passado por essa dificuldade de falta de organização e todo o processo para aprender a organizar-me, como mulher, como mãe, como dona de casa, como criadora e seguidora dos meus sonhos e dos meus projectos. 


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18/06/2013

Gestão do tempo para famílias

É o tema dos 5 ebooks do Bundle of the Week desta semana. Por 7.40 USD (cerca de 6 euros), pdoes adquiri 5 ebooks sobre este tema tão pertinente para a família moderna. Dos 5 livros, conheço o Tell your time (já falei sobre ele aqui) e gostei muito.


Os 5 ebooks são:

Tell Your Time by Amy Lynn Andrews
Honoring the Rhythm of Rest by Daniele Evans
28 Days to Timeliness by Davonne Parks
Creating a Schedule That Works by Marlene Griffith

17/06/2013

Yoga aqui ou ali?

Provavelmente alguns de vós já viram que criei um outro blog sobre a minha prática de yoga. Andei semanas e semanas a pensar nesse blog e no formato que deveria ter. Primeiro pensei se deveria criá-lo. A verdade é que comecei a ler blogs de yoga, blogs pessoais sobre a prática de yoga, e adoro. São inspiradores e relembram-me que o objectivo do yoga não é fazer os asanas de forma perfeita. Relembram-me que é falhando que se aprende e avança. Relembram-me que nós, aspirantes a yogis, somos humanos e que a vida é feita de escolhas. E que tudo tem uma razão de ser (como vi ontem; já agora, tive uma manhã fantástica, mais de duas horas de asanas, yoga nidra, meditação, em casa).

Decidida a escrever mais sobre yoga e a minha prática, pensei então se deveria fazê-lo aqui, no Busy Woman, ou se deveria criar outro espaço para o efeito. Dei voltas e voltas à cabeça com esta questão. Por um lado, não queria encher este blog com posts sobre yoga, porque não é sobre isso que os meus leitores esperam ler. Por outro lado, o minimalismo, a vida simples, são uma parte fundamental do Yoga.
Eu explico.

O Yoga, como sabem, não é apenas uma forma de exercício físico. O Yoga é toda uma filosofia de vida, da qual o asana (as posturas físicas) faz parte. De acordo com Patanjali, autor do famoso Yoga Sutras, um dos textos fundamentais do Yoga, o Yoga pode dividir-se em 8 partes:

1. Yama - auto-restrições, código moral (o que o yogi não deve fazer)
2. Niyama - auto-observâncias, qualidades pessoais (o que o yogi deve fazer)
3. Asana - as técnicas corporais (o que se faz nas aulas de yoga nos ginásios)
4. Pranayama - práticas respiratórias (também se faz às vezes nas aulas)
5. Pratyahara - retração dos sentidos
6. Dharana - concentração e consciência interna
7. Dhyana - meditação (uma coisa tão simples, mas tão essencial ao nosso bem-estar)
8. Samadhi - união com o divino (digamos, é o estado final de iluminação...)

Os Yamas e Niyamas não são exercícios que se fazem; são sim o código moral e a atitude que devemos ter perante a vida. Há 5 Yamas e 5 Niyamas, mas não vos vou massacrar mais com isto. Onde eu quero chegar é a um dos Yamas, Aparigraha, e a um dos Niyamas, Santosha.

Aparigraha e Santosha são o minimalismo. Ou o minimalismo da era moderna é nada mais, nada menos que viver de acordo com estes conceitos antigos do Yoga.

Resumidamente, Aparigraha significa ter apenas aquilo que é necessário - não ter coisas que não precisamos, tralha que não usamos, e também não ter desejos por essas coisas que não precisamos. Santosha é contentamento; sermos felizes com aquilo que temos em vez de nos sentirmos infelizes por desejar coisas que não podemos ter.

Então, isto é minimalismo ou não?

Adiante, o meu maior problema em escrever mais sobre yoga neste blog era não ir de encontro às expectativas dos leitores. Mas rapidamente me lembrei que um blog, para mim, deve ser autêntico, deve ser um outlet expressivo e criativo dos interesses e paixões do seu autor. Assim, não vou escrever sobre coisas que não me interessam só porque poderão interessar a alguns leitores. Da mesma forma, não vou deixar de escrever sobre coisas que me interessam, no meu blog, com medo de afugentar leitores. Este blog reflete a minha vida, os meus interesses, o meu desenvolvimento pessoal - e o Yoga é agora parte fundamental de quem eu sou. 

Portanto, comecei a achar que não fazia sentido dividir a minha escrita em duas. Um blog sobre minimalismo e vida simples e outro sobre yoga - estando as duas coisas intimamente ligadas? Assim, este post todo serve apenas para dizer-vos, fiéis leitores, que vou escrever mais sobre a minha prática de Yoga neste blog (e acabar com o outro). Namaste.

16/06/2013

Boa sorte, má sorte, quem sabe...

Hoje acordei entusiasmada! Era suposto ir a Almancil para uma prática intensiva de yoga. Três horas de asana, pranayama, meditação. Quando cheguei ao carro, o carro não pegava nem por nada. Estava sem bateria. Nenhuma luz tinha ficado acesa, a bateria tem pouco mais de 2 anos (se bem que já deu problemas há uns meses atrás), mas nada de pegar. E ninguém nas redondezas para ligar os cabos. O J. estava fora com os miúdos (e o outro carro). Os meus pais estavam fora. Não me pareceu bem chatear ninguém às 9 da manhã de um domingo para me dar boleia, nem ir de táxi e gastar imenso dinheiro... Voltei para casa, meia triste, com uma lágrima ao canto do olho, meia zangada, quase a ter um ataque de fúria.

Mas então lembrei-me que tudo acontece por um motivo. Devemos aceitar o que não pode ser mudado. Devemos ver sempre o lado positivo das coisas. E, mais uma vez, as coisas acontecem quando devem acontecer. E lembrei-me também do livro que estava a ler momentos antes de sair de casa, durante o pequeno-almoço, livro esse que devorei quase todo ontem, um livro fantástico que não conseguia largar. 

O último capítulo que li desse livro antes de sair de casa chama-se "Good luck, back luck!". A autora conta esta história:




Quando voltei a casa e lembrei-me que tinha acabado de ler isto, não pude deixar de sorrir. A tristeza e a fúria passaram. As coisas acontecem porque têm que acontecer, e hoje estavam reunidas todas as condições para que eu não pudesse sair de casa. Portanto, vou aproveitar este dia sozinha em casa. Vai ser um dia lento, calmo, silencioso. Vou desenrolar o meu tapete e dedicar as próximas horas à minha prática de yoga.

PS - O tal livro chama-se Finding more on the mat: how I grew better, wiser and stronger through yoga, da Michelle Marchildon. É um livro fantástico, mesmo. A Michelle passou por imensa coisa na vida (violação, cancro, casamento falhado, e até escapou a um desastre de avião) e deu a volta por cima quando começou a praticar yoga com quase 40 anos. É um livro inspirador e a escrita da Michelle é leve e cómica.

PS2 - Entendo este problema com a bateria do carro como um lembrete para levar o carro à oficina, coisa em que ando a pensar há semanas mas ainda não fiz. Está na altura de mudar a bateria e fazer a revisão e inspecção.

14/06/2013

A vida simples de pessoas reais: Katiane


Assim como boa parte dos seus leitores, vim parar aqui por um link ou um comentário publicado em algum blog. Desde então, comecei a seguir o Busy Woman. Ler os seus posts me "despertaram" de alguma forma para o minimalismo, que eu já praticava de um jeito primitivo e meio intuitivo.

Algumas coisas eu já fazia, como organização dos e-mails importantes em pastas, deixando na caixa de entrada somente e-mails que ainda não foram devidamente tratados. Depois que comecei a ler o blog, iniciei uma limpeza geral, destralhando ainda mais e apagando e-mails desnecessários. Depois foi a vez da limpeza nos meus contatos. Primeiro do facebook, depois dos e-mails, depois no telefone celular. Desta forma, sei exatamente onde procurar quando eu precisar de alguma informação. Mas não serve de nada ter o telefone residencial de um colega com quem não falo há anos, tendo certeza que ele já não mora no mesmo endereço.

Sobre destralhar a casa. Aprendi cedo a destralhar e a guardar somente o essencial. Ao longo dos últimos anos eu me mudei várias vezes, sempre para apartamentos pequenos, de estudante. E percebi uma coisa que me deixou chocada: a cada 6 meses (tempo entre duas mudanças), eu acumulava tralha suficiente para encher uma mala grande (daquelas grandonas, que quando cheias podem pesar mais de 30kg). E isto era somado ao que eu possuía antes.

Então, para tornar a mudança possível, fui obrigada a destralhar antes de cada mudança.

E para mim destralhar significa: arrumar os documentos em pastas de cores diferentes de acordo com o tema:  faturas de objetos importantes (garantia de computador e telefone celular, por exemplo), documentos de viagem, papéis de banco, papéis relativos à saúde, papéis relativos à casa (quitação de aluguel, de contas de luz, etc.). E jogar fora todo o resto.

Destralhar para mim também inclui uma arrumação no armário: em cada cidade eu encontrei um lugar onde eu pudesse deixar minhas roupas e sapatos sem uso. Algumas vezes eu entrei em contato com associações caritativas, e as pessoas vieram até a minha casa buscar os sacos. Descobri que algumas vezes eu colocava no saco de doação roupas ainda com etiqueta, que eu nunca tinha usado! Ou ainda sapatos que eu usei uma vez e descobri que me incomodavam, sem nunca mais voltar a usar. E isso me alertou a ter mais cuidado na hora de comprar.

Hoje eu compro peças de roupas para substituir as que eu uso habitualmente. Compro um jeans novo quando eu noto que um outro está rasgado. Ou sapatos novos quando os que eu tenho se abrem e meus pés ficam molhados na chuva. E sempre com atenção, vendo se eu vou realmente usar o produto, se ele é adequado ao meu corpo, e se ele combina com outras peças de roupa que eu tenho.
Claro que ainda compro coisas por impulso, porque acho bonito. E depois tento encontrar uma ocasião para usar a peça e não acho. Mas noto que este tipo de atitude está diminuindo.

Outra coisa que me tocou foi o seu post sobre os presentes materiais. De Natal, aniversário, dia das mães, dia dos namorados. Eu e meu namorado (ele também tem algumas tendências minimalistas, mesmo sem saber) praticamente abolimos os presentes materiais nas datas comemorativas. Agora fazemos um passeio juntos, visitamos uma cidade próxima, um parque diferente, vamos ao restaurante, ou eu faço um jantar especial.

E isto também se reflete nas nossas atitudes com os outros. Mas nem sempre este esforço é bem percebido. Lembro que no ano passado a minha mãe veio me visitar, e passamos o dia das mães juntas. Fizemos uma viagem por Portugal (moro na França), e voltamos no dia das mães. Eu preparei um almoço especial, mas não comprei nenhum presente material. Ela ficou chateada, triste, chorou e tudo. Ela esperava um presente material. Nem que fosse uma "lembrancinha", daquelas que a gente esquece num canto para encher de poeira. Mas a lembrancinha não veio. Depois disso conversamos muito, e ela percebeu que o maior presente do dia das mães foi a viagem, e eu ter tirado uma semana de folga para ficar com ela, passeando e conhecendo lugares diferentes. Ainda assim, no final da viagem ela ainda me fez comprar uma blusa nova para lhe dar de presente. Uma "lembrança" da viagem.

Outra coisa que eu mudei depois que comecei a ler o seu blog foi a minha forma de lidar com os exercícios físicos. Antes, eu pagava uma academia de ginástica, que eu frequentava (quando muito) uma vez por mês. Resolvi deixar de pagar e fazer exercícios em casa. Com o dinheiro de uma mensalidade, comprei uma bicicleta ergométrica. Quando faz sol, vou correr (é de graça). Quando chove, ou eu não tenho tempo, faço exercícios na bicicleta em frente à TV, ou vendo algum filme ou reportagem no computador. Hoje em dia sou muito mais assídua e tenho mais prazer fazendo os exercícios (principalmente correr).

Também limitei o número de produtos de higiene pessoal que eu uso. Antes eu tinha vários tipos de xampus, outros tantos de condicionadores, cremes hidratantes de todos os tipos e perfumes. No ano passado eu desenvolvi uma alergia aos cremes hidratantes. Joguei tudo fora, hoje eu uso óleo de macadâmia orgânico/biológico para o rosto e para o corpo, um só tipo de xampu e condicionador, sabonete do mais simples possível, sem fragrância.

Esta mudança afetou também a minha alimentação. Gradualmente, eu reduzi o consumo de alimentos transformados. Hoje eu prefiro passar mais tempo cozinhando comidas de verdade do que a passear em shoppings, e mesmo a comida de boa parte dos restaurantes (comida congelada, aquecida no micro-ondas) não me apetece mais.

Daqui a algumas semanas tenho mais uma mudança pela frente, e o espaço que eu vou ter é menor do que o atual. Vou ser mais uma vez "forçada" a destralhar. Mas pelo o que eu percebi, o destralhamento virou um hábito em mim. Já estou começando a colocar roupas e outros artigos em bom estado em sacos para doação. Os livros serão os próximos da lista.


O mais importante de tudo isso é que eu percebi quanta energia, tempo e dinheiro eram gastos com coisas sem importância. Hoje eu consigo canalizar minhas prioridades para coisas que eu valorizo e que eu realmente aprecio. Isso é o que eu chamo de melhorar a qualidade de vida. Mas percebi também que esta mudança é algo interno, íntimo mesmo, e que nem sempre as pessoas ao redor entendem.


Rita, obrigada pelo blog e por nos incentivar nesta transformação.

Katiane, Ajustando as velas


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