19/07/2013

A vida simples de pessoas reais - Patrícia

Há 2 anos que sigo The Busy Woman and the Stripy Cat; sou bolseira de investigação e num Natal com o orçamento mais curto do que o costume decidi procurar soluções na internet e acabei por descobrir este fantástico blog e o minimalismo. Eu tinha 28 anos e o que se chama de retorno de Saturno ajudou-me a tornar a minha vida mais simples e bonita através de várias catástrofes. A minha vida mudou radicalmente, foi o pior e o melhor período da minha vida, acabei a tese, mudei de trabalho e separei-me. Quando comecei a ler este blog pensava que não seria capaz de destralhar como devia, era um impedimento quase físico de me libertar de marcas do passado de coisas que podem vir a ser úteis…Mas todos estes choques emocionais levaram a libertar-me de tudo o que era excesso, levaram-me a compreender a magia do minimalismo. Mas o mais mágico é que assim que começamos o processo ele quase que se desenrola sozinho. Eu senti que assim como limpava e clarificava o meu espaço, as minhas coisas, a minha roupa assim limpava e clarificava o meu interior.
A vida de trabalhadora estudante começou a levar o meu organismo ao limite e precisei de ir ao médico, tinha 20 kg a mais, estava workaholic e com os exames médicos todos em alerta vermelho. Comecei a fazer danças orientais sob aconselhamento médico, o que mudou a minha vida porque não só perdi os 20 kg em 1 ano e meio como, me sinto mais segura de mim, em forma, com maior equilíbrio mental e emocional. Comecei a vestir cores (eu vestia-me totalmente de preto desde os 11 anos), já não trabalho 12 horas por dia e comecei a escrever um blog o, Dia a Dia Low Cost

Infelizmente não consegui mostrar o feedback fotográfico do destralhamento no blog porque foi um processo demasiado íntimo e visceral. Mas hoje em dia estou numa casa nova, mais bonita e clean, onde tenho o essencial, tenho mais luz e mais cor na minha casa, na minha roupa, na minha vida. Tenho uma vida mais saudável, ecológica, social e essencialmente mais feliz e é assim que cheguei aos 30 anos no sábado passado. A minha checklist na agenda GTD ficou com algumas tarefas por completar, mas são desafios que estou a debater-me neste momento, sair da zona de conforto é difícil, mas é assim que se muda a vida para melhor, foi uma lição terrível mas valiosa! Hoje em dia sou uma pessoa muito diferente e mais feliz. Quero agradecer à Rita Domingues e ao The Busy Woman and the Stripy Cat porque me ajudaram neste processo tão difícil mas compensador e desejo toda a sorte do mundo no blog e na vida!

Patrícia, Dia a Dia Low Cost

12/07/2013

A vida simples de pessoas reais - Mónica

Certo dia estavam uns colegas a dar formação sobre uma ferramenta do Lean, os 5 S explicando, 5 S é uma forma de manter o local e trabalho limpo e organizado. Cada S corresponde a uma palavra japonesa transcrita para o nosso alfabeto (seiri, seiton, seiso, seiketsu, and shitsuke) de que podem ter:

整理, Seiri: Selecionar - Separar o necessário do desnecessário, eliminar do espaço de trabalho o que seja inútil

整頓, Seiton: Organizar - Colocar cada coisa em seu devido lugar, tornar o espaço de trabalho de forma eficaz

清掃, Seisō: Limpar – limpar e cuidar do ambiente de trabalho, melhorar o nível de limpeza

清潔, Seiketsu: saúde: Tornar saudável o ambiente de trabalho, prevenir o aparecimento de supérfluos e a desordem

, Shitsuke: Normalizar: Rotinizar e padronizar a aplicação dos S anteriores, incentivar esforços de aprimoramento

Quando alguém diz: “mas isso é o que a Rita faz no http://busywomanstripycat.blogspot.pt/. Ela é minimalista!”

Já conhecia o termo minimalista. A primeira vez que ouvi falar nele foi na minha adolescência, a propósito de um bailado da Pina Bausch em que os bailarinos passavam o tempo a fazer os mesmos gestos acompanhados por uma música que já parecia os exercícios de escalas, sempre a mesma coisa! Escusado será dizer que não gostei.

Depois li sobre a arquitetura minimalista e vi alguns edifícios em fotografias e ao vivo e adorei-os. A decoração minimalista também era à minha moda, cheia de espaços livres mas as fotos eram sempre de casas muito grandes com móveis modernos, nada compatíveis com quem mobilou a casa com as coisas de casa dos avós.
Fiquei interessada e curiosa, como é que uma pessoa aparentemente “normal”, o nome não era conhecido, não seria nenhuma estrela da TV, conseguia ter uma casa minimalista? Será que eu iria finalmente conseguir ter uma casa com espaço amplo?

Fui ver o blog e percebi. Foi um momento tipo ovo de colombo. Se quero uma casa ampla e com espaço, se quero pouca coisa para arrumar, o que tenho a fazer é de ter menos coisas!

Adotei a máxima: “use it up, wear it up, make it do or do without” – usa-o, veste-o, torna-o útil ou vive sem isso.
E o primeiro passo era aplicar os 5S em casa. E assim comecei. Comecei pela digitalização das faturas, o mais simples. Depois os medicamentos e cremes. Os livros e a loiça.

Ainda não libertei nenhum móvel mas o espaço dentro deles tem crescido. Como gosto de receber pessoas, a minha vontade foi criar as condições para que isso pudesse acontecer, tirar coisas para poder pôr pessoas.
Nunca fui de cumprir aquilo que a sociedade diz que devemos fazer, não vou agora ser uma radical do minimalismo, aliás o que interessa é sentirmo-nos bem.

O meu próximo projeto é tirar o que está debaixo da cama. Um dia hei de ter um aspirador que faz o trabalho sozinho, para isso o espaço tem de estar livre para não ser necessário levantar ou deslocar coisas para limpar!

Obrigada Rita e a todos os que têm contribuido nesta jornada.

Mónica, MLS

~

Queres participar? Envia-me um texto a contar a tua jornada em direcção a uma vida mais simples para o email rita (at) busywomanstripycat.com, com o assunto "guest post". Obrigada!

10/07/2013

Onde me leva a sede de aprender

Vou confessar-vos uma coisa que me tem dado vergonha dizer às pessoas: vou fazer um curso de 200 horas de instrutor de yoga (começa hoje, é por isso que vou estar praticamente offline até ao fim do mês).

Porque é que me dá vergonha?

Porque comecei a praticar yoga há menos de meio ano - apesar do muito pilates que já fiz ter ajudado.
Porque só vou a aulas de yoga duas vezes por semana - apesar de praticar quase diariamente em casa.
Porque faço muitas coisas mal - apesar de conseguir aprender rapidamente a forma correcta.
Porque há imensos asanas simples que nem consigo fazer - apesar de conseguir fazer alguns mais avançados.
Porque sinto que ainda tenho MUITO que aprender - e é por isso que vou fazer o curso.

Tenho uma sede tal em aprender mais sobre yoga que quando vi este curso, no Algarve, intensivo, que aborda de tudo um pouco (e é reconhecido pelo Yoga Alliance no nível RYT 200), ainda pensei duas, três, quatro vezes, mas a vontade de aprender sobrepôs-se ao custo do curso e à vergonha que tenho de participar num curso de instrutores de yoga com outras pessoas que provavelmente sabem muito mais sobre o assunto e têm muitos mais anos de prática do que eu...

Mas lá está, os anos de prática nem sempre são proporcionais à dedicação nem espelham a evolução da pessoa na prática. Eu posso estar metida nisto há pouco tempo, mas compenso a pouca prática com um enorme desejo de aprender mais. 

Não é que eu queira ser professora de yoga. Não é esse o objectivo. A certificação internacional (que pelo que me parece não vale grande coisa em Portugal, mas é praticamente condição sine qua non para dar aulas de yoga nos Estados Unidos, por exemplo) é uma mais-valia, mas o que me entusiasma mesmo é o programa do cursom que inclui a filosofia do yoga, asana, pranayama, bandhas, mudra, mantra, kirtan, aulas para idosos, grávidas e crianças, meditação, yoga nidra, anatomia humana e subtil e por aí fora...

Claro que tenho medo de não conseguir fazer o curso, de ser a pior aluna, de não aguentar o ritmo (são 200 horas de curso em 21 dias, é só fazer as contas). Continuo a sentir-me ridícula por ter tão pouca experiência de yoga e ir meter-me num curso destes (não é preciso ter muita experiência para fazer o curso, mas mesmo assim...). Mas a sede de aprender falou mais alto, e sinto que este é o momento certo para esta aventura.

O curso, super intensivo, começa hoje, por isso não estou a contar dedicar muito tempo ao blog até ao fim do mês... Também não vou poder responder a nenhum email ou comentário durante este período. Umas férias da internet fazem sempre bem! Não quer dizer que não apareça um ou outro post, mas não prometo nada... até Agosto!

08/07/2013

O yoga mudou a maneira como me vejo ao espelho

No outro dia, a Magda perguntou-me o que mudou em mim com o yoga. Hum, por onde começar?...

Pelo mais superficial. Acho que emagreci um pouco, não sei bem, não costumo pesar-me - mas não é o peso que me interessa. O que me interessa é que tomei outra consciência do meu corpo - e comecei a aceitá-lo e a gostar dele tal como é. Na prática, isto traduz-me por uma alteração na minha maneira de vestir. Eu sempre fui magra, atlética, vá, uns 2 ou 3 kg a mais de vez em quando - mas sempre achei que tinha o rabo grande e a parte superior das coxas gordas demais. E por isso não era capaz de usar, por exemplo, umas leggings com um top curto (nem na rua nem no ginásio). Usava leggings, sim, mas com qualquer coisa que tapasse o rabo. A sério, era impensável para mim usar calças demasiado justas  - sentia sempre que o meu rabo era grande demais. No ginásio preferia calças ou calções mais largos - que disfarçassem essas zonas problemáticas.

Agora já não sinto isso. Não sei se é psicológico ou se emagreci mesmo, mas já não tenho problemas em usar leggings com tops justos e curtos (que não tapem o rabo). Acho que tenho umas pernas razoáveis - não são perfeitas, podia ter 1 kg a menos em cada uma, mas já não tenho vergonha em usar calças justas e leggings com tops curtos. 

Comecei a sentir estas mudanças na maneira como me via ao espelho quando comecei a fazer yoga - comecei a aceitar-me como sou e a não ter vergonha do meu corpo (do rabo e coxas, no meu caso).

Mas senti também mudanças a outros níveis. E o mais giro e inesperado é que a forma como me comporto agora não é forçada nem planeada. As mudanças foram naturais, inconscientes, sem qualquer esforço meu. E relacionam-se com os yamas e niyamas que referi aqui. Mas essas ficam para outro dia...

06/07/2013

Alguns problemas que enfrentamos quando começamos a minimizar

No outro dia uma querida leitora pediu-me uns conselhos, agora que iniciou a sua jornada no destralhamento e simplificação. Decidi fazer um post pois sei que muitas outras pessoas se debatem com as mesmas questões.

A primeira questão que ela me colocou era como é que eu consegui convencer o J. a abraçar o conceito do minimalismo (ou seja, como conseguir que os maridos/mulheres fiquem na mesma onda que nós e queiram também destralhar as suas coisas).

Bem, eu tive sorte, pois como já referi algumas vezes, o J. já era minimalista sem o saber. Ele não tem quase nada. Portanto, para mim isso nunca foi problema.

Mas para os outros que não são assim, como fazê-los mudar de ideias?

Acho que em tudo na vida temos que ser práticos. Temos que chamá-los à razão. Vais voltar a jogar esses jogos de computador do tempo da maria cachucha? Vais voltar a olhar para a colecção de cromos da temporada de há 10 anos atrás? Vais mesmo sair à rua com os jeans desbotados à anos 80 que não te servem há imenso tempo? Temos que fazer os nossos respectivos perceber que as coisas que eles tanto querem guardar não são usadas há séculos nem vão ser usadas no futuro. Precisas mesmo disto? Mesmo, mesmo? Pensa no espaço que ganhas para outras coisas mais interessantes e úteis. Pensa no tempo que não vais perder a limpar e a organizar essas coisas que não te servem para nada. E vamos ser mesmo sinceros: estas coisas são mesmo importantes para ti? Precisas mesmo destas coisas todas? Deixas de ser feliz se já não tiveres estas coisas? São estas coisas que te trazem felicidade?

Cada caso é um caso, claro, e o que resulta para uns pode não resultar para outros.
Eu sou adepta de ensinar através do meu exemplo. Eu destralho as minhas coisas, a minha vida, e com isso tornei-me numa pessoa melhor e mais feliz. Eles, que testemunham estas mudanças, começam a sentir-se curiosos. E quando nos vêem com mais tempo e menos chatices, querem o mesmo para eles. Destralhar as coisas físicas é só o primeiro passo.

Já aqui escrevi sobre o viver com não minimalistas. Resumidamente, os meus conselhos são:

- preocupa-te primeiro contigo, com as tuas coisas, com a tua tralha
- sê o exemplo a seguir, mostrando como a tua vida melhorou com o minimalismo
- estabelece limites; lá por teres desocupado uma gaveta da tua mesa de cabeceira, não quer dizer que o teu mais que tudo pode ocupar esse espaço com a sua tralha!
- respeita o espaço dos outros; não destralhes as coisas dele sem o seu consentimento (a não ser que sejam coisas que ele já nem se lembra que tem...)
- peda ajuda quando andares a destralhar as tuas coisas; pode ser que ele se entusiasme com as arrumações!
- fala com ele sobre estes conceitos do minimalismo, vida simples, abrandar - e mostra-lhe exemplos de pessoas reais que se tornaram muito mais felizes depois de terem abraçado este estilo de vida!



A outra questão era relacionada com a roupa. Quando destralhei a minha roupa, como fiz? Estabeleci um número de calças, vestidos, sapatos a ter?

Para destralhar a roupa, em primeiro lugar estudei o season colour analysis. Percebi quais as cores que me ficam mesmo bem e percebi que o castanho e bege, duas cores que eu usava muito, ficam-me mesmo mal (e é verdade, eu sentia sempre que alguma coisa não estava bem quando vestia essas cores). Então, sem dó nem piedade, todas as roupas castanhas e beges foram fora (leia-se, foram para dar).

Depois, analisei muito friamente todas as peças de roupa que tinha. Gosto desta peça e fica-me mesmo bem? Mesmo mesmo bem? Então, é para manter. Se uma peça de roupa ficava um pouco estranha, fazia-me o rabo gordo, ou era roupa com a qual eu não gostaria de esbarrar com um ex-namorado na rua, então foi fora.

Sim, livrei-me de demasiada roupa e já me arrependi de ter dado 2 ou 3 peças que até gostava de voltar a vestir. Mas o alívio que sinto por ter apenas a roupa suficiente, por não ter os armários e gavetas a abarrotar e por tudo, ou quase tudo, me ficar bem, compensa o arrependimento que às vezes sinto por uma ou outra peça de roupa.

No minimalismo só há uma regra: identificar o essencial e eliminar o resto. Isto aplica-se também à roupa. Precisas de duas saias brancas compridas? Precisas de 5 conjuntos saia-casaco quando vais sempre trabalhar de calças de ganga? Precisas de 3 botas castanhas de inverno?

Eu sei bem como pode ser difícil livrarmo-nos da roupa, sobretudo para as mulheres. Uma opção pode ser destralhar a roupa apenas até o armário não estar abarrotado de roupa, até conseguires abrir as gavetas com facilidade e ver o que lá está. Podes manter peças que não usas (livrares-te delas será o segundo passo), mas numa primeira fase, deixa apenas a roupa respirar. Tira do armário aquelas peças que não gostas e não usas mesmo, e o resto logo se vai vendo e fazendo... Já escrevi vários posts sobre a simplificação da roupa e acessórios que poderão ser úteis - podes lê-los aqui.


Tenham um excelente fim de semana!
Namaste!

05/07/2013

A vida simples de pessoas reais - Luana

Moro no Brasil, e de uns tempos para cá, o trabalho tornou-se extremamente difícil de levar...mudei de emprego há 1 ano e uns meses, e a inquietude só cresceu (que já existia na verdade, só foi maximizada, penso eu)... não posso reclamar de salário nem de posição dentro da companhia que trabalho...mas algo era perturbador naquilo tudo

Achei que era a famosa crise dos 30 (um pouco adiantada, tenho 27, na época, 26) que chegou, e procurei uma psicóloga, indicada por uma amiga.....e descobri que na verdade ela é uma terapeuta corporal, com foco em energia.
Tudo isso fez enorme sentido para mim! Desde muito pequena tenho uma atração inexplicável pelo budismo, hinduísmo que filosofias orientais....busquei dentro de mim o que amava fazer, e me veio uma coisa só em mente: Yoga.

Yoga chegou para mim em um momento que não procurava, estava na academia (na época, era viciada em musculação) e entrei para "alongar" (que idiotice a minha, mas essa foi a intenção)....e BANG!! Foi como voltar para casa! Essa era a sensação meditando minutinhos antes dos asanas. 

A vida foi me levando aos poucos para a minimização das coisas materiais e focando no que vale mesmo a pena: sentimentos e pessoas. É difícil às vezes conter a vontade de comprar, de ter, de ser, e o pior: de ter que mostrar tudo isso, de tentar ser o que a sociedade toda considera Sucesso.....e começo a pensar que os doidos são eles!! É difícil não se encaixar, no começo meu sentimento era de derrota, de que comecei a não me adaptar mais.....e aí, vem a luz, vem a noção de que há muitas pessoas sim como eu, como você e como tantas leitoras suas....e é tão bom sentir que não só só uma!!!!

Resolvi em janeiro que ia ter que seguir o que tanto me atraia, de alguma maneira que hoje não sei como, mas sei, porque sei, porque sei que está a caminho (O Segredo)...me organizei, e final de semana passado, comecei um curso preparatório de Yoga Integral que dura 1 ano.....Passei o final de semana todo lá, sem e-mails, sem barulho...e quando chego, recebi sua newsletter, que também está em um projeto de....YOGA! 

Desejo de todo coração que tudo dê certo para você, e para todos que iniciaram um caminho pela busca da verdade. Que nossos corações enxerguem mais e mais que o sentido não está em ter, porque no final, tudo vai embora, menos nossa essência. Essência essa que não veste, que não dirige e que não tem cargo em empresa.

Luana

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01/07/2013

Qual yoga? Power para mim

Não sei quantos estilos/tradições de Hatha Yoga existem, mas são muitos. Ashtanga, Sivananda, Power, Vinyasa Flow, Satyananda, Anusara, Bikram, Iyengar, Kundalini, Viniyoga, Integral, Yin...

Quando comecei a praticar yoga, comecei por aulas de Vinyasa Flow e Anusara (não contando com o yoga tibetano que é um bocadinho diferente...). Ainda andei a namorar o Ashtanga yoga e apesar de gostar da prática fisicamente intensa, não me agradavam duas coisas: os cânticos e a sequência de asanas pré-definida. Li o Journey into Power to Baron Baptiste e tudo começou a fazer sentido. O Power Yoga (e a variação do Baron, Baptiste Power Yoga) é baseado no Ashtanga, mas não segue nenhuma sequência de asanas (e não mete cânticos, só uns OMs ocasionais). A influência do Ashtanga no Power yoga é clara e muitos dos principais professores de power yoga foram alunos de K. Pathabbi Jois, que desenvolveu o Ashtanga Yoga em Mysore, India.

Outra coisa que me agrada imenso no Ashtanga Yoga é a dedicação dos seus praticantes a uma prática super intensiva que supostamente deve ser feita 6 dias por semana (sábado é dia de descanso). Quando descobri o blog da Ursula, uma praticante de Ashtanga Yoga da Alemanha, quase me deixei levar novamente para esta tradição. É apaixonante ler sobre a prática diária de Ashtanga (que é coisa para mais de 2 horas), a prática dos asanas mais difíceis e os desafios que vão sendo superados. Como dizia Jois, "do your practice and all is coming".

Mas não, não me vou voltar para o Ashtanga. Onde vivo não há aulas de Ashtanga (nem de power yoga, nem de muitos outros estilos...) e eu não gosto de seguir a mesma sequência todos os dias (e sábado é dos melhores dias para praticar). No entanto, tenho que me focar mais em certos asanas. Em vez de fazer  sempre as vinyasas, tenho que praticar mais só asanas, aqueles em que agora tenho mais dificuldade. 

Uma vez, tive uma aula de yoga que foi praticamente só TrikonasanaUtthita Parsvakonasana e Ardha Chandrasana. Foi basicamente a aula toda a praticar estes asanas. Até usámos a parede como apoio e foi o máximo. Descobri que consigo chegar com a mão ao chão no Trikonasana e no Utthita Parsvakonasana, coisa que em casa nunca tinha conseguido. O professor deve ter achado que eu conseguia ir um bocadinho mais abaixo e disse-me para pôr a mão no chão, eu lá forcei um bocadinho, consegui e fiz estas posturas como nunca tinha feito em casa. No dia seguinte estava dorida, é verdade. Mas isto só mostra que conseguimos ir sempre um pouco mais além daquele que pensamos ser o nosso limite.

28/06/2013

A vida simples de pessoas reais - Mafalda

Tomas consciência de que te deixaste levar pela tralha que tem entrado na tua vida. E, por tralha, deverá entender-se tudo o que entra e não traz valor-acrescentado: pessoas que não interessam, tarefas inúteis, objectos sem o menor interesse e/ou valor.
E, depois dessa tomada de consciência, encetas uma mudança: menos tempo perdido com tarefas que não interessam, mais tempo passado a fazer coisas de que se gosta, menos 12 quilos, menos tralha em casa – dada, vendida, enviada para reciclagem, ou trocada por itens mais úteis. A vitória mais saborosa? Deixar de ter detergentes de roupa e garrafões de água espalhados pelos recantos do chão da cozinha. E passar a ter os armários dessa mesma divisão mais arrumados e arejados.
Não era uma consumista desenfreada, ou uma ávida consumidora dos últimos gritos da moda, mas tinha a minha quota-parte de roupa que tinha comprado só porque sim e que praticamente nunca tinha vestido. E um número considerável de aparelhos que adquiri porque pensava que ia fazer alguma coisa de útil com eles, ou que me iam efectivamente a ajudar ser mais produtiva, ou a ser mais, ou a ter mais valor, sei lá… Por vezes, era levada a gastar só por gastar, a ter só por ter. “Afinal de contas, ganhamos dinheiro para quê?”, perguntamo-nos interiormente.
É um ciclo difícil de quebrar. Temos dinheiro no banco, não se prevêem adversidades, e há sempre qualquer coisa nova a chamar por nós, a fazer-nos pensar que só seremos verdadeiramente felizes se comprarmos essa mesma coisa. “Sim, quando tiver aquele tablet novo, vou conseguir ver os meus e-mails mal eles cheguem e dar resposta imediatamente e vai sobrar-me muito mais tempo para fazer as outras mil tarefas que tenho no meu dia-a-dia! E vou finalmente pôr-me a par, via Facebook, de todos os «Ais» e «Uis» de Fulano e de Sicrana, de quem não gosto especialmente, mas que importa isso?” 
No entanto, trata-se de uma ilusão. É perigoso pensar que comprar, comprar e comprar vai resolver o que quer que seja na nossa vida. Afinal de contas, quando o entusiasmo que rodeia uma compra se desvanece, o que fica? A felicidade não são os objectos, como todos nós bem sabemos, ainda que por vezes actuemos como se isso não fosse verdade. A felicidade somos nós, o que temos dentro de nós, e a qualidade do relacionamento que temos com quem (ou o que) nos rodeia. Apenas, e só, isso.
As mudanças que levei a cabo na minha vida pessoal fizeram com que passasse a ter uma casa mais arrumada e uma vida familiar mais organizada. Há algum trabalho por fazer (destralhar tornou-se uma espécie de vício, ainda há muito "potencial de destralhamento" no meu pequeno T2 e também objectos que decidi vender/trocar que ainda não encontraram o seu novo dono).
Porém, se a vida pessoal parece ter encontrado um rumo que me deixa feliz, o aspecto profissional ainda deixa a desejar...
Li Leo Babauta (Focus e Zen To Done) e passo o tempo a tentar passar para a minha realidade os ensinamento do autor. Consegui destralhar a minha secretária (o tampo quase não se via, com tanto papel…), passar a não adiar o arquivo de documentação, domar as minhas inboxes, anular subscrições de newsletters absolutamente desinteressantes e fazer uma cura de desintoxicação de redes sociais (uso o Facebook – cada vez menos – e o Linkedin, apenas). São tudo aspectos positivos e tudo decisões com as quais vivo bem e que me fazem sentir como há muito me queria sentir: livre e leve. Deixei de seguir as notícias e são as minhas colegas de trabalho, e outras pessoas com quem lido diariamente, que me mantém a par do que de mais surpreendente este mundo tem para nós a cada dia (ai, a raça humana…). A “desinformação” sabe-me verdadeiramente bem!
Porém, nem todos os conselhos de Leo são, para mim, fáceis de seguir à risca. Procrastinar é algo que me sai muito naturalmente nos dias que correm, para infelicidade minha. A culpa será do poder de distracção da Internet? Da minha incapacidade em me concentrar num só tema durante muito tempo? Da falta de vontade em realizar as minhas tarefas? Da abundância de tempo entre mãos para fazer o que tem de ser feito?
Esta é a minha batalha actual: deixar de procrastinar. Oxalá fosse tão fácil como destralhar, mas tentarei!
Obrigada, Rita, pelo teu blogue. A tod@s os que estão nesta jornada de simplificação, sejam felizes.
Take care!
Mafalda
~

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26/06/2013

Praticar, praticar, praticar (yoga, claro)

"Do your practice and all is coming." Sri K. Pattabhi Jois

A prática das técnicas corporais do yoga é daquelas coisas que mais vale fazer pouco todos os dias do que muito de vez em quando. Mais vale praticar 15 minutos em casa com frequência do que ir a aula de 90 minutos uma vez por semana. E a evolução na flexibilidade e equilíbrio é incrível! Consigo fazer posturas que pensei que fosse demorar meses até conseguir... e em cada prática o alinhamento melhora e o tempo que consigo manter a postura aumenta.

No entanto, em vez de motivador, pode ser frustrante ver videos de yogis dedicados a praticar asanas e vinyasas dificílimos, mas com tanta facilidade que me pergunto - quando é que vou ser capaz de fazer isto? E será que vou ser capaz de fazer isto? Um desses videos é este (é maravilhoso, vale mesmo a pena ver):


(as transições de Adho Mukha Svanasana para Adho Mukha Vrksasana (o pino) são fantásticas...)

Outro video:



É nestes momentos que tenho que me lembrar do que dizia K. Phattabhi Jois, o fundador do Ashtanga Yoga, "Do your practice and all is coming". Para mim, isto significa que devemos concentrar-nos na prática diária do yoga (e não me refiro apenas aos asanas, mas também às outras partes do yoga) sem pensar em objectivos a atingir; se assim for, e quase sem darmos por isso, tudo o resto na nossa vida começa a funcionar (incluindo as posturas mais difíceis).

25/06/2013

A minha vida não é igual à tua

Ontem recebi este comentário de uma leitora (ou leitor, não sei, era anónimo), neste post:

Parece-me tudo bem, mas... como fazes para receberes visitas? Um jantar de aniversário com a família mais próxima (mesmo que sejam só mais quatro pessoas). Onde as sentas?

Tal como este leitor/a, nós temos, infelizmente, a mania de assumir que viver de uma determinada forma é que é normal - geralmente a forma como nós próprios vivemos. É por isso que quando compramos uma casa, compramos também a mobília que é suposto ter numa casa. Foi o que eu fiz anos atrás: comprei um aparador para a louça, pois é suposto termos um para guardar a louça que nunca se usa. Comprei seis cadeiras para a mesa de jantar (apesar de sermos só dois nessa altura) para poder sentar os convidados (apesar de nunca ter convidados em casa). Comprei duas mesas de cabeceira, porque o normal é ter mesas de cabeceira ao lado da cama (apesar de, afinal, passar bem sem elas). 

Digamos que eu era mais uma ovelha do rebanho, a fazer as coisas porque assim é que é suposto, porque assim é que é "normal". Mas eu quero ser "normal" ou quero ser à minha maneira? A minha casa é para agradar à sociedade ou para agradar a mim?

Respondendo ao comentário:
a) eu raramente recebo visitas (porque não faz o nosso estilo)
b) nós somos mais de ir ao restaurante para celebrar seja o que for

De qualquer modo, se contarmos as cadeiras que descrevi no tal post (2 na mesa da sala, 2 na mesa da varanda, 4 na mesa da cozinha, mais as 3 cadeiras das secretárias), são 11, que podem ser colocadas na sala para receber convidados (juntamente com a mesa de cozinha, o que já aconteceu). É mesmo necessário ter uma mesa na sala com tantas cadeiras de plantão?

Para mim não é, mas para outras pessoas será. E não tem problema nenhum! Cada um sabe de si, do que gosta, do que não gosta, e de que forma quer viver a sua vida. Desde que não prejudiquemos ninguém com as nossas escolhas e, em casa, estejamos todos em sintonia, o que é que interessa se temos 2 ou 10 cadeiras, se recebemos convidados em casa ou vamos ao restaurante? E o que é que interessa o que os outros pensam? O que interessa é sermos felizes, não acham?
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