02/10/2013

Fazer o que é importante e eliminar o resto

Na sociedade ocidental em que vivemos, estar ocupado é sinal de sucesso. Quanto mais tarefas tivermos para fazer, quanto mais compromissos tivermos agendados, quanto mais coisas tivermos na nossa vida, mais espectaculares e invejados seremos. Mas serão todas estas actividades realmente importantes para nós? Esta vida agitada faz-nos mais felizes? Ou só o fazemos para mostrar aos outros o quão espectaculares somos? Ou porque não conseguimos dizer não às solicitações?

O primeiro passo para viver uma vida minimalista, uma vida em que fazemos apenas aquilo de que gostamos, é identificar o essencial. Identificar aquilo que é realmente importante para nós - aquilo que nos traz felicidade.

Para tal, precisamos identificar todos os papéis que desempenhamos, todas as responsabilidades que esses papéis nos trazem, e de que forma esses papéis e responsabilidades estão em linha com aquilo que nos dá felicidade.

Pega numa chávena de chá, põe uma música suave a tocar e senta-te confortavelmente com um papel e caneta. Se tens por hábito escrever num diário, usa-o para este exercício. Se não, aconselho-te a começar - escrever um diário é uma das melhores maneiras de processar as emoções, esvaziar a cabeça e arranjar soluções para os desafios que enfrentamos diariamente.

Para começar, identifica todos os papéis que desempenhas na sua vida. Eu, por exemplo, sou mulher, mãe, companheira, dona de casa, cientista, blogger, yogini. Escreve todos os papéis que desempenhas, mesmo os mais pequenos, no diário ou na folha. Cada um destes papéis traz consigo uma série de responsabilidades - descreve-as de forma sucinta. Não te esqueças que as actividades dos teus filhos são também da tua responsabilidade enquanto pai ou mãe.

Agora, rodeia com a caneta os papéis que são mais importantes para ti. Quais são os papéis que te trazem mais felicidade? As responsabilidades que tens fazem-te feliz ou são coisas que só fazes por obrigação? Se o teu emprego é uma dessas responsabilidades obrigatórias de que não gostas, tens duas soluções: ou mudas de emprego ou começas a olhar para esse emprego com outros olhos e uma atitude mais positiva. Acredito firmemente que tudo tem um lado bom - e o teu trabalho, pelo menos dá-te um ordenado. Pára de te queixares, muda a tua forma de pensar em relação às coisas que não gostas mas tens mesmo que fazer, como é o caso dos empregos para muitos de nós, e vais ver que o mundo irá tornar-se mais cor de rosa.

Não deves rodear mais de 4 ou 5 papéis nessa lista. Se queres ser mais feliz levando uma vida minimalista, não podes querer fazer tudo - tens que te focar no mais importante e eliminar o resto. Na primeira vez que fiz este exercício obtive uma lista enorme de actividades - até estava envolvida na política, apesar de já não sentir nenhuma paixão pelo assunto. Comecei então a eliminar o que não me interessava - comecei a dizer não.

01/10/2013

Mas para onde vão as 168 horas?

O primeiro passo para perceber o que fazemos com as nossas 168 horas é, como propõe Laura Vanderkam, registar pormenorizadamente tudo o que fazemos, durante pelo menos 1 semana. Desde o acordar até ao deitar, regista tudo o que fazes, em blocos de pelo menos 15 minutos. Não conta escrever que trabalhaste das 9h às 17h30, porque não estiveste esse tempo todo a trabalhar. Fizeste pausas para ir à casa de banho, para almoçar, provavelmente para comer qualquer coisa a meio da manhã e da tarde, e ainda navegaste na internet, perdeste demasiado tempo com o email e conversaste com os colegas. Tudo isto deve ser registado. Mantém o registo durante uma semana e no final agrupa as várias actividades em categorias como trabalho, dormir, tratar da casa, ver televisão, ler, desporto, deslocações, etc.

Com este registo, conseguirás identificar blocos de tempo sub-aproveitados que poderás usar de formas mais interessantes. Precisas mesmo de ver 3 horas de televisão por dia ou passar 5 horas durante o fim de semana a limpar a casa? Porque não aproveitas as 2 horas de deslocações diárias nos transportes públicos para ler em vez de dormitar, ou porque é que em vez de te levantares tarde e despachares-te à pressa, não te levanta um pouco mais cedo para não andar em correrias logo de manhã?

Eu faço este exercício com frequência. Da primeira vez que o fiz, verifiquei sem surpresa que vi muito pouca televisão (uma média de 25 minutos por dia), dormi em média 7 horas por noite, li 45 minutos por dia, passei em média 1h40 por dia totalmente focada nos meus filhos (o que me deixou muito contente) e 1h30 dedicada ao blog. Não gostei do tempo que passei no trabalho, isto é, realmente focada a trabalhar: uma média de 5 horas por dia. Também fiquei surpreendida com o tempo gasto em rotinas diárias, deslocações e a tratar da casa: 4 horas diárias. E não fiquei nada contente com os 90 minutos de exercício físico que fiz durante a semana…

Munida de um registo pormenorizado e honesto de como passaste as tuas 168 horas semanais, podes agora começar a alterar a forma como ocupas o tempo - e assim teres mais tempo para fazer aquilo que é realmente importante.


30/09/2013

Todos temos 168 horas semanais

Não tenho tempo.

Esta é uma das frases que mais se ouve nas conversas do dia a dia. A maioria das pessoas queixa-se continuamente da sua falta de tempo. As pessoas lamentam-se que não têm tempo para fazer exercício fisico, não têm tempo para ler, não têm tempo para ir tomar um cafezinho com um amigo que há muito não vêem, não têm tempo para limpar a casa e é por isso que está sempre tudo desarrumado, e nem sequer têm tempo para brincar com os seus filhos. O desejo da maioria de nós é o Planeta Terra abrandar o seu movimento de rotação e dar-nos mais de 24 horas por dia. Um dia com mais de 24 horas parece ser, de facto, a solução para a falta de tempo de que as pessoas do mundo ocidental, este mundo apressado e distraído, tanto se queixam.

Mas o dia de todos nós, de todas as pessoas no Planeta Terra, tem 24 horas. E apesar da velocidade de rotação da Terra estar a diminuir, aumentando a duração do dia em cerca de 2 milisegundos a cada 100 anos, enquanto cá estivermos, vamos continuar a ter dias de 24 horas. Não é suficiente para alguns mas, para muitas outras pessoas, as 24 horas diárias, ou as 168 horas semanais, são suficientes para fazerem tudo o que têm para fazer.

Laura Vanderkam é uma jornalista norte-americana especialista em gestão do tempo que tem dedicado os últimos anos a estudar o uso do tempo por pessoas de sucesso - o que resultou na publicação de vários livros cheios de histórias inspiradoras de pessoas reais que não se queixam de falta de tempo, pessoas que usam de forma mais eficiente as suas 168 horas semanais e conseguem fazer praticamente tudo o que querem - ou tudo o que é realmente importante.

Qual o segredo destas pessoas para quem as 168 horas semanais são suficientes para fazerem o que querem? Como é que estas pessoas conseguem trabalhar bastante e construírem carreiras de sucesso e ainda terem tempo para fazer exercício físico, para passar tempo de qualidade com as suas famílias, para dormir o suficiente e ainda sobrar tempo para si próprios?

Estas pessoas simplificaram as suas vidas. Em vez de dizerem sim a todas as solicitações, fazem apenas aquilo que é realmente importante. Estas pessoas conseguem dizer não aos time-wasters, a projectos que não lhes trarão nenhum benefício, a tarefas que podem ser delegadas ou eliminadas. Estas pessoas sabem que o tempo é limitado e ocupam-no com aquilo que é importante. E este princípio do minimalismo de eliminar o que não interessa e focar no essencial, traz consigo uma grande vantagem: mais tempo.


29/09/2013

Reclama o teu tempo em 5 dias



Nos próximos 5 dias vamos ter aqui no blog uma série de posts à qual dei o ambicioso título acima. São 5 posts curtos, directos e incisivos. A ideia é pôr-te a pensar e fazer-te perceber o que é que fazes com o teu tempo. O meu objectivo é, ao fim dos 5 dias, nunca mais repetires as palavras "não tenho tempo".

O programa das festas é este:

quinta - Dizer não
sexta - Imagina o dia ideal

Enjoy!

28/09/2013

Ultimamente... via Instagram

Uma das melhores maneiras de passar uma tarde de domingo. Chá, um bom policial e Thelonious Monk lá ao fundo...

 Chocolate caseiro, sem açúcar, super amargo e saudável!

 A iguana gosta das camas dos meus filhos...

 O melhor da vida

Planeando uma nova rotina de limpeza da casa

25/09/2013

Uma rotina de limpeza minimalista e eficaz


Novo ano escolar, novas actividades e novos horários pedem novas rotinas. E uma das rotinas que ando a alterar e a melhorar é a rotina de limpeza da casa. Depois de ter ficado sem empregada o ano passado, foi necessário organizarmo-nos para que a casa esteja sempre limpa e arrumada. Eu gosto de fazer limpezas (não me ponham é a cozinhar...), por isso não é tarefa à qual eu fuja.

Mas como em tudo na vida, rotinas (ou ritmos) bem estabelecidas ajudam a simplificam as tarefas e fazem-me aproveitar o tempo da melhor forma.

Para criar esta rotina de limpeza semanal tenho uma regra importantíssima: nada de limpezas ao fim de semana. Até posso aproveitar o fim de semana para alguma limpeza mais profunda ou específica, mas é uma situação excepcional e não rotineira.

Dividi as zonas da casa pelos dias da semana da seguinte forma (tendo em atenção os nossos horários e actividades dos miúdos):

segunda - nosso quarto, wc e varanda (inclui mudar lençóis e toalhas)
terça - escritório, hall, corredor e wc grande
quarta - quarto miúdos
quinta - cozinha
sexta - sala e varanda

Antes de começar a limpar, arrumo. Brinquedos fora do sítio, roupa espalhada pela casa, livros fora das prateleiras... arrumo primeiro para ser mais fácil limpar depois. 

De seguida, começo a limpeza propriamente dita. Primeiro sacudo tapetes, almofadas, e tudo o que possa ser uma fonte de sujidade para o chão. Depois aspiro, não só o chão e tapetes, mas também o sofá, os livros (com adaptadores específicos), e tudo o que acumule pêlo de gato. Finalmente, limpo o pó das superfícies horizontais; das verticais só se for necessário. 

Além da limpeza de cada divisão da casa em dias específicos, geralmente aspiramos a casa toda dia sim, dia não (quem tem animais em casa percebe...). Num desses dias, geralmente à sexta-feira, passo também a esfregona na casa toda.

Como tenho pouca mobília e tralhas em casa, as limpezas são rápidas. E para ser mais amiga do ambiente (e poupar), uso vários produtos de limpeza naturais e feitos em casa.

Quanto tempo é que gasto por dia nestas limpezas? Entre o arrumar, aspirar e limpar o pó, não mais de meia hora. Quando perco mais tempo é quando estão muitas coisas desarrumadas... daí ser importante um rápido pick-up todos os dias, para arrumar o que vai ficando espalhado pela casa.

22/09/2013

A minha vida simplesmente perfeita



No outro dia estendi-me na cama com um livro e uma chávena de chá e pensei em todas as mudanças que já fiz na minha vida. Percorri um longo caminho, mas posso finalmente dizer que cheguei ao destino. Nem sei bem como explicar, mas finalmente tenho toda a minha vida simplificada e organizada!

- Sou madrugadora. Venci a preguiça, levanto-me às 6h da manhã (ou mais cedo), pratico yoga e meditação durante quase 2 horas e consigo despachar-me a mim e aos miúdos nas calmas de modo a chegarmos todos a horas à escola e ao trabalho.

- A minha prática diária de yoga não falha; quando me levanto antes das 6h estudo, escrevo, leio, e aquelas duas horas de yoga, relaxamento e meditação são prioritárias na minha vida - e graças a esta prática, nunca andei tão calma e focada como agora.

- Estabeleci vários menus semanais e respectivas listas de compras. Agora, em cada dia da semana sabemos exactamente o que é que vai ser o jantar, quem é que o vai cozinhar e sabemos que temos todos os ingredientes necessários em casa. E como agora vou sempre almoçar a casa (porque descanso meia hora depois do almoço, coisa que ajuda muito os madrugadores), os restos já não vão para o lixo.

- No trabalho sou um ninja da produtividade. Uso o sistema do Zen To Done, o Google Calendar e o Evernote para me organizar, os Pomodoros para me focar, e a motivação de ver as coisas feitas para continuar a trabalhar concentrada e com vontade. Não trabalho horas a mais e consigo fazer imenso - porque já venci a procrastinação e as distracções.

- A minha casa está sempre decentemente limpa e arrumada. Estabeleci uma rotina de limpeza simples (fazemos um pouco todos os dias) e com muito pouca tralha em casa conseguimos deixar tudo a brilhar em pouco tempo. E nem pensar fazer limpezas ao fim de semana.

- Os fins de semana são para a família. Fiz listas de actividades para fazer com os miúdos em casa e na rua, outra lista com sítios para irmos passear e mais uma de sítios novos que queremos visitar. Assim, há sempre coisas para fazer ao fim de semana. A actividade física ao fim de semana é muito importante para nós, e isso inclui passeios de bicicleta e yoga em família (sim, todos a praticar yoga!).

- Cada vez se vê menos televisão em casa. Em vez disso, jogamos mais às cartas e jogos de tabuleiro, ponho os miúdos a fazer desenhos ou a brincar um com o outro, sentamo-nos na varanda a ver o mar lá ao fundo... 

- Leio pelo menos 1 livro por semana; readquiri o hábito de ler um pouco antes de dormir. Também comecei a escrever um diário com os meus pensamentos e reflexões.

- Sou implacável com o orçamento, que é bem planeado e cumprido. Procuro sempre maneiras de poupar, mas sem perder a qualidade (na comida, por exemplo, prefiro pagar mais por produtos biológicos da região) e priorizando certas coisas (actividades culturais, por exemplo) em detrimento de outras (como roupa...).

- Temos ritmos e rituais diários bem definidos e realistas. Mesmos nos dias em que chegamos mais tarde a casa, o jantar já está pensado e nunca mais andámos com correrias de um lado para o outro. Os miúdos também têm os seus ritmos diários, e nunca deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é o mote. Todos os membros da família têm tarefas diárias bem definidas e todos as cumprem.

- Destralhei ainda mais a casa e neste momento não tenho nada que não precise ou que não use. E sei o sítio de tudo!

- Apesar de ter muito menos roupa do que antes, tenho sempre coisas para vestir. Só compro roupa quando preciso e só uso roupa com a qual me sinto fabulosa. Quando está descosido, arranjo, e penso sempre em maneiras diferentes de usar a mesma peça de roupa - quanto mais versátil, melhor!


Ah, maravilha de vida! E de repente, ainda agarrada à chávena de chá e ao livro, acordei. Era bom se as coisas fossem assim, não era? A verdade é que a simplificação é um caminho, não um destino, e eu ainda estou no início dessa jornada. Algumas das coisas que escrevi aqui em cima são verdade, outras (ainda) não. O que escrevi é um guia, um exercício de visualização, para me ajudar a focar e melhorar certos aspectos. 

Hoje proponho-te fazeres o mesmo. Imagina como seria a tua vida ideal. Põe por escrito. Decide-te a melhorar, uma coisa de cada vez. É o que vou fazer com os próximos posts.

Já agora, para quem conhece o blog da Stephanie, este meu post foi claramente baseado neste da Stephanie.





18/09/2013

A meio gás


É como está o blog estes dias... Imensa coisa para fazer no trabalho e claro que o blog é logo prejudicado... No entanto, tenho andado a escrever sobre a minha prática de yoga e a minha decisão de me dedicar ao ashtanga vinyasa aqui (em inglês). Quando não estou por aqui, estou ...

11/09/2013

Como fazer chocolate em casa, bom e saudável



Eu sou viciada em chocolate. Não é no açúcar, é mesmo no cacau. Já tentei comer chocolate com alta percentagem de cacau, mas sabe-me horrorosamente mal. Sei que há muitas pessoas que fazem o seu próprio chocolate em casa, usando ingredientes biológicos. Resolvi seguir-lhes os passos.

Encontrei uma receita de chocolate aqui e segui-a. O resultado? Deliciosamente bom! Repeti segunda vez, mas pus menos óleo de coco - ficou ainda melhor.

Aqui fica a receita:

- 110 g de amêndoas (ou nozes ou qualquer outro fruto seco)
- 170 g de óleo de coco, de preferência biológico - da segunda vez pus menos óleo (talvez 100 g) e ficou ainda melhor
- 4 colheres de sopa de cacau em pó (de preferência biológico)
- adoçante - eu não resisti e da primeira vez pus umas 2 ou 3 colheres de sopa de açúcar amarelo; da segunda vez pus 3 colheres de chá de açúcar - fica amargo na mesma, por isso acho que o açúcar não está lá a fazer nada...

1. Picar os frutos secos de maneira a ficarem aos bocadinhos pequeninos (mas não completamente moídos)
2. Derreter o óleo de coco em banho maria (no verão, à temperatura ambiente, o óleo é líquido; se estiver no frigorífico fica sólido)
3. Juntar o cacau ao óleo e misturar bem; juntar o adoçante se for caso disso
4. Juntar os frutos secos
5. Entretanto, já estava uma forma de bolos larga no congelador para arrefecer; tirar a forma do congelador e deitar a mistura, de maneira a que fique bem espalhada na forma (para que o chocolate fique fininho)
6. Colocar a forma com o chocolate no congelador
7. Depois de sólido, pode partir-se o chocolate aos bocadinhos, mas devem ficar à mesma no congelador ou no frigorífico; cá fora, derrete (pelo menos agora no verão)

É uma delícia! Já não compro chocolates na rua! E é saudável, é 100% cacau e não precisa de levar açúcar. Experimenta!

09/09/2013

Como implementar o Zen To Done, o sistema de produtividade do Leo Babauta

O Zen to Done é um sistema de produtividade criado pelo Leo Babauta, autor do blog Zen Habits. É um sistema simples e eficaz através do qual uma pessoa pode desenvolver hábitos que manterão todas as suas tarefas e projectos organizados, fazem com o dia de trabalho seja simples e estruturado, permitem que a secretária e caixas de entrada estejam sempre limpas, e fazem também com que o "zen to doner" consiga fazer o que tem a fazer, sem distracções. 

O Leo tem vários posts no Zen Habits sobre as várias fases do Zen To Done, ou ZTD, e publicou também um ebook sobre a implementação do método, Zen To Done: The Ultimate Simple Productivity System. O ZTD é o método que tenho usado há já algum tempo e neste post vou falar mais pormenorizadamente sobre a sua implementação.


Porquê o Zen To Done?

Inicialmente usava o GTD, Getting Things Done, mas deparei-me com vários problemas que o Leo refere. O GTD é um sistema fantástico, mas para mim e outras pessoas tem aspectos que não funcionam tão bem. Por exemplo, o GTD não se foca o suficiente no fazer, mas sim no juntar informação no sistema e processá-la; o GTD não prioriza as tarefas e, com tantas listas, pode complicar demasiado as coisas. Eu queria um sistema simples que se focasse mais no fazer as tarefas, em vez de se focar nos planos e no sistema.


O que é o ZTD?

O ZTD é um conjunto de 10 hábitos. Não é aconselhável implementar os 10 hábitos ao mesmo tempo (outro motivo que faz o GTD falhar para muitas pessoas, pois é uma série de novos hábitos que devem ser implementados de uma só vez), mas 2 ou 3 de cada vez. Os 10 hábitos são:


1. Capturar
Em todos os momentos devemos ter uma caixa de entrada que nos permita capturar ideias, pensamentos, tudo o que nos venha à cabeça e seja importante não esquecer. O Leo aconselha um pequeno bloco de notas; andei durante muito tempo com um pequeno Moleskine e uma caneta, mas agora uso o telemóvel para isso. Ou escrevo ou falo e gravo (já aqui disse que o smartphone foi das melhores compras que fiz nos últimos tempos). Quando estou a trabalhar, se me vier alguma coisa à cabeça, aponto numa folha de rascunho e depois de acabar a tarefa que tenho em mãos, processo essa nova informação. Não devemos ter muitas caixas de entrada. As minhas principais são o email, uma folha de rascunho na secretária, o telemóvel e uma caixa de entrada em casa para cartas e outros papéis. No trabalho, os papéis que chegam ficam em cima da minha secretária, numa zona específica; como gosto de ter a secretária sempre livre, processo os papéis com bastante frequência.


2. Processar
Processar é pegar em cada informação que foi capturada para as caixas de entrada e tomar decisões rápidas. Este processamento deve ser feito todos os dias para não deixar acumular informação nas caixas (sabe tão bem não ter emails na inbox...). As decisões a tomar sobre as informações são: fazer logo (se demorar menos de 2 minutos), deitar fora (se não interessar), arquivar, delegar ou colocar no calendário ou na lista de coisas para fazer mais tarde.


3. Planear 
O Leo sugere estabelecer para cada semana 3 Big Rocks, que são as tarefas mais importantes para completar nessa semana. Em cada dia devemos também estabelecer 3 Most Important Tasks, ou tarefas mais importantes, que são as 3 coisas que têm mesmo que ser feitas nesse dia e estão geralmente relacionadas com os 3 Big Rocks dessa semana. As 3 MITs devem ser feitas logo no início do dia de trabalho, pois se forem deixadas para o fim, o mais provável é não serem feitas...
Eu costumo planear tarefas mais importantes para o mês e em cada dia faço os MITs. Isto depende um pouco do tipo de trabalho da pessoa. No meu trabalho, são poucas as tarefas importantes que consigo completar numa semana, por isso planeá-las ao mês faz mais sentido. 


4. Fazer
Esta é a parte mais importante e mais complicada, aquela em que procrastinamos mais... As tarefas devem ser feitas uma de cada vez (single-task), sem distracções. Uma regra fundamental do ZTD é nunca, nunca, nunca fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo! Assim, primeiro devemos escolher uma tarefa (um dos MITs); depois, eliminamos todas as distracções (fechar o browser ou mesmo desligar a internet, pôr o telemóvel no silêncio e trancar a porta, se possível). A técnica Pomodoro funciona muito bem para completar as tarefas, sobretudo aquelas em que temos tendência para procrastinar mais. Basicamente, a técnica Pomodoro é trabalharmos de forma concentrada numa dada tarefa durante 25 minutos e, ao fim desse tempo, somos recompensados com 5 minutos para fazermos o que quisermos (ver email, navegar na net, etc.). Às vezes faço pomodoros de 50 minutos de trabalho e 10 de descanso, pois consigo focar-me de tal maneira no que estou a fazer que não quero parar ao fim de 25 minutos; ao fim de 50 é que começo a sentir algum cansaço. 


5. Sistema simples e confiável
Esta é a parte das listas. Com o GTD, tinha demasiadas listas. Prefiro simplificar as coisas... Como sabem, já experimentei muitas ferramentas para organizar as tarefas e projectos (Toodledo, Evernote, Google Tasks e outras), mas apercebi-me que o que interessa não é a ferramenta, mas sim o sistema. Seja qual for o programa que uso, organizo-o da mesma forma, com as mesmas listas de tarefas e projectos; falarei deste sistema num próximo post.


6. Organizar
Organizar é ter um lugar para tudo. Toda a informação deve ir para uma caixa de entrada e daí vai para o arquivo, para o calendário, para uma lista de coisas a fazer ou para o lixo. Nada fica por processar ou organizar. Tal como os livros, a roupa ou os sapatos, a informação deve ser sempre arrumada no devido lugar.


7. Rever
O sistema, as listas, os objectivos, tudo deve ser revisto semanalmente, num processo semelhante ao do GTD. Basicamente, a revisão semanal inclui rever as várias listas de coisas para fazer, as listas de projectos, as outras listas, se existirem (algum dia/talvez, à espera); devemos também planear as tarefas mais importantes para a semana seguinte e os MITs para o próximo dia de trabalho. Eu gosto de fazer esta revisão à sexta-feira à tarde, mas no final de cada dia de trabalho também verifico a lista de tarefas e planeio o dia seguinte.


8. Simplificar
Este é talvez um dos hábitos mais importantes para mim - simplificar, reduzir as tarefas que tenho para fazer, recusar projectos que não me interessam e focar-me no mais importante. 


9. Rotina
O Leo aconselha o estabelecimento de rotinas diárias. Eu sou fã de rotinas, ou ritmos (ritmos soa melhor), e já aqui falei sobre as suas vantagens, como estabelecer uma rotina matinal e uma rotina noturna. No trabalho também tenho rotinas. Por exemplo, de manhã quando chego gasto 1 pomodoro (25 minutos) a processar o email, dou um salto ao facebook e ao bloglovin, actualizo o meu ficheiro das contas da casa, e olho para o plano para esse dia - não sou capaz de chegar ao gabinete, ligar o computador e começar logo a trabalhar numa tarefa importante. À tarde, antes de sair, faço o mesmo: 1 pomodoro para limpar a caixa de entrada do email, verificar o plano para esse dia e o que foi feito, planear o dia seguinte, e ainda arrumo ficheiros que estejam desarrumados no computador...


10. Encontrar a paixão
Este último hábito é, de acordo com o Leo, um dos mais importantes: fazer trabalho que nos apaixone. Se gostarmos mesmo daquilo que fazemos, torna-se muito mais fácil não procrastinar e fazer as tarefas. A motivação é, claro, muito maior. No entanto, há quem não concorde com este conselho. O livro de Cal Newport que já aqui referi, So Good They Can't Ignore, fala precisamente da questão da paixão versus compentências, e é algo que eu gostaria de explorar num próximo post.


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