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09/10/2017

Que atividades extracurriculares para os meus filhos?



Um dia uma leitora perguntou-me como escolher as atividades extracurriculares para os miúdos, no meio de tanta oferta... Os meus tiveram sempre as AECs na escola, além de outras atividades fora da escola. Agora que estão no 2º e 3º ciclo, fazem desporto escolar e desporto fora da escola.

Para mim, uma das mais importantes atividades é o inglês. Eu tive aulas de inglês desde os 3-4 anos até ao 11º ano. Graças a isso (e a uma avó que era professora de inglês), quando tinha a idade do meu filho mais velho, 12 anos, já falava inglês. Fui ao Egipto nessa altura e ao longo da excursão preferi sempre as explicações em inglês do que em espanhol. Até fiz uma amiga americana que também estava na excursão - com a qual falava sempre em inglês.

Por isso, aproveitei sempre as oportunidade que tive para pôr os miúdos no inglês. Tiveram um pouco no infantário, mas não durou muito porque a maioria dos pais não queria - alguém até disse "mas o meu filho nem português sabe ainda falar, quanto mais inglês!"... enfim... Pois, é que é em pequenino que se aprende línguas, não é depois de velho... No 1º ciclo tiveram inglês como AEC e só a partir do 5º ano é que têm inglês obrigatório. Seja como for, o inglês deles é... muito básico... Daqui a uns aninhos gostava de mandá-los para Inglaterra nas férias para aprenderem inglês decentemente... O meu pai ia no verão para uma espécie de colónia de férias/trabalho, onde trabalhava nos campos de morangos e aprendia inglês (outros tempos...)

Além do inglês, fazer desporto é essencial a tantos níveis (físico, psicológico, social...), que penso que nem é preciso explicar! Os meus sempre fizeram muito desporto, tanto na escola como fora. Atualmente fazem desporto escolar (um ténis de mesa, o outro basquete), um anda na natação e o outro no futebol (com muita pena minha, este já não quer mais fazer natação...). O desporto é fundamental, e nunca me passaria pela cabeça dar-lhes castigos que implicassem deixarem de fazer desporto ou tirá-los do desporto para terem mais tempo para estudar (como infelizmente acontece). 

Além do inglês e do desporto, outra área que penso ser importante para um desenvolvimento equilibrado e para trabalhar outro tipo de competências, é... as artes! As artes ajudam os miúdos a pensar de forma criativa e inovadora - mesmo para aqueles que, como eu, não têm jeitinho nenhum (a não ser para a música)... 
Infelizmente, as únicas artes que os meus têm agora são as aulas na escola, mas já andaram no conservatório nas aulas de formação musical e no piano. Aliás, eu toco piano e tenho um piano em casa, mas... não há tempo para tudo...

Assim, as atividades extracurriculares que para mim são fundamentais são desporto, inglês e artes. O ideal é ver e aproveitar a oferta da escola e completar com atividades que eles gostem forem da escola! E, claro, nós podemos escolher por eles até um certo ponto (enquanto são pequeninos), mas depois mais vale serem eles a decidir o que é que querem fazer... não adianta andarem no futebol obrigados, quando o que querem mesmo é fazer judo... ;)


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09/06/2015

Mais uma vez, a PHDA...



Uma das coisas boas de ser aluna do curso de Psicologia é que posso estudar assuntos que me interessam bastante mas que não têm lugar na minha carreira nas ciências do mar. A apresentação que aqui partilho é sobre a perturbação de hiperatividade e défice de atenção -  está associada a um trabalho escrito em inglês, mais longo e cheio de referências bibliográficas - demasiado pesado para pôr aqui no blog. Mas a apresentação dá uma visão global e resumida da PHDA.


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13/05/2015

Eu, professora de yoga?



Se lês o blog há algum tempo, sabes que, há quase 2 anos, completei a formação de 200 horas como instrutora de yoga. Foi uma experiência fantástica, aprendi imenso, e descobri muito sobre mim. Pouco tempo depois comecei a dar aulas de yoga em dois espaços em Faro. Descrevi aqui a minha primeira aula. E deixei de dar as aulas ao fim de 2 semanas. E entretanto não falei mais do assunto aqui no blog. Mas, afinal o que é que se passou?

Ora bem, nesse ginásio onde dei a minha primeira aula, que não correu lá muito bem, voltei a dar outra, uma mais pequena, no dia aberto do ginásio. Em vez de fazer uma aula mais parada (aquilo que associamos mais ao Hatha Yoga), fiz uma aula mais dinâmica, de vinyasa flow, que é o estilo que eu gosto e pratico. Correu lindamente! Saí de lá com uma sensação de dever cumprido e a coisa correu mesmo bem. Dei algumas aulas num outro espaço, a pessoas que nunca tinham praticado, e também correu bem; o feedback foi bastante positivo. 

No entanto, eu sentia que algo não estava bem. Uns dias depois de ter iniciado as aulas, fiquei super constipada. A minha vontade de dar aulas era próxima de nenhuma. Os horários eram terríveis, do género chegar a casa quase às dez da noite. Ao fim de duas semanas, segui a minha intuição e desisti das aulas. A constipação passou de um dia para o outro. 

O que senti é que várias coisas não estavam bem. Os espaços não eram os adequados (em termos de energia, não de condições físicas), os horários menos ainda, e o que eu queria mesmo era dedicar-me à minha própria prática. Sim, sempre quis pôr as pessoas a praticar yoga, mas senti que já o fazia através do blog. Aquela altura não era nem o sítio nem a hora certa para me tornar professora de yoga. Por isso, desisti ao fim de 15 dias e dediquei-me à minha prática.

Entretanto, os meus filhos foram introduzidos ao yoga e à meditação, através de outros professores. Por um lado, parecia-me profundamente errado como é que eu, sendo mãe deles e estando devidamente capacitada para lhes dar essas aulas, preferia pagar a outras pessoas para o fazerem... Por outro lado, achava que eles teriam mais respeito por outras pessoas - porque ter a própria mãe como professora é sempre desculpa para mais galhofa, distração e desobediência...

Eu tenho muitas ideias. Sou muito criativa. Às vezes nem consigo adormecer porque a minha cabeça fervilha com novos projetos. Há tanta coisa que eu quero fazer! Se há coisa que eu tenho a certeza que quero fazer é ajudar os outros. Um dos motivos que me levou a ingressar no curso de psicologia, tendo já uma carreira nas ciências do mar, foi esse mesmo - poder fazer uma ciência mais aplicada, mais próxima das pessoas, com benefícios mais imediatos para a sociedade. Tenho andado a direcionar os meus interesses de investigação nesse sentido e está tudo bem encaminhado. No curso de psicologia também tenho tido oportunidade de estudar e investigar assuntos que me apaixonam, como a influência do yoga e outras técnicas holísticas na saúde física e psicológica, e o problema da perturbação de hiperatividade e défice de atenção em crianças.

Eu quero sempre fazer muitas coisas - é essa a minha natureza e não há volta a dar. E acredito que podemos fazer tudo - se bem que não ao mesmo tempo. Ultimamente a vontade de partilhar a paixão do yoga com os outros tem renascido. E quando digo yoga não é só a parte física, é tudo, é o estilo de vida. Como já referi aqui, gostava de ter um grupo de discussão do Dharma; por enquanto, frequento, uma vez por mês, as tardes e mindfulness da Sangha Flor de Amendoeira, onde praticamos o mindfulness na tradição de Thich Nhat Hanh. 

Mas gostava de fazer mais pelos meus filhos e por outros miúdos também. E eu era pessoa que não gostava nada de crianças, mas isso tem mudado. Também gostava de sensibilizar os professores do ensino básico (e não só) para a importância da introdução de técnicas de mindfulness em contexto de sala de aula - coisas tão simples como uns minutos de respiração consciente no início das aulas pode fazer uma enorme diferença... E gostava sobretudo de ajudar crianças com PHDA, pois é um problema que tão bem conheço e que pode ser suavizado com a prática de yoga e de outras técnicas (não sou eu que o digo, é a investigação científica que se tem feito na área).

Por isso, decidi que vou começar, em passos pequenos, a dar aulas de yoga aos meus filhos. Aulas a sério, individuais e direcionadas, estudadas e planeadas, frequentes e consistentes. E quando penso nisto, outras ideias afloram logo... Mas vou controlar-me e dar passos pequenos. O J. também já acedeu a fazer uma aula comigo, uma vez por semana - e assim pratico as minhas aulas para adultos. Pode ser que um dia aceda aos pedidos de algumas colegas e amigas e comece a dar-lhes aulas de yoga também. E quem sabe se um dia não irei até dar aulas abertas ao público? O mundo tem infinitas possibilidades.


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03/03/2015

Meditação do amor para crianças

A meditação do amor ou meditação metta (loving-kindness em inglês) é um tipo de meditação de tradição budista que desenvolve sentimentos de boa vontade, gentileza e compaixão em relação aos outros. Os benefícios desta meditação estão cientificamente demonstrados e incluem:

> aumento das emoções positivas e diminuição das emoções negativas
> aumento da conexão social
> diminuição de enxaquecas e dor emocional a elas associada
> diminuição de dor crónica
> diminuição de sindrome pós-traumático
> aumenta compaixão e empatia
> aumento da vontade de ajudar os outros

A meditação do amor é a minha preferida e tenho-a feito praticamente todos os dias. Para as crianças é também muito benéfica, mas claro que é feita em moldes diferentes. De vez em quando faço a meditação do amor com os meus filhos, antes da hora de apagar a luz e dormir. O que faço é ler a meditação do amor, enquanto eles ouvem com concentração e interiorizam o que é dito.

Encontrei esta meditação algures na internet (já não me lembro onde, mas foi partilhada por um praticante de budismo) e traduzi-a para português para poder lê-la aos miúdos. Aqui fica, se quiseres experimentar com os teus filhos! Claro que há coisas que podem ser modificadas, como os irmãos, de modo a adaptar a meditação à realidade de cada um.

-------Meditação do amor para crianças------

Vamos enviar amor para nós próprios.
Vou amar-me a mim próprio.
Quero ser feliz.

Pensa:

Eu gosto de mim.

Que eu possa estar livre da raiva.
Que eu possa estar livre da tristeza.
Que eu possa estar livre da dor.
Que eu possa estar livre das dificuldades.
Que eu possa estar livre de todo o sofrimento.

Que eu possa ser saudável.
Que o meu corpo possa ser saudável e forte.
Que eu possa estar cheio de amor.
Que eu possa ser feliz.
Que eu possa ser mesmo feliz.
Que eu possa estar em paz.

Agora espalho este amor.
Envio amor para a mamã e o papá.
Que a mamã e o papá possam estar livres de dificuldades.
Que eles possam estar livres da dor e da tristeza.
Que eles possam estar livres do apego, livres da raiva e da má-vontade.
Que a mamã e o papá possam estar livres de todo o sofrimento.
Que a mamã e o papá sejam saudáveis e felizes.
Completamente saudáveis e felizes.
Que eles possam estar em paz.

Agora envio amor ao meu irmão.
Que ele possa estar livre da tristeza.
Que ele possa estar livre da raiva.
Que ele possa estar livre da doença.
Que ele possa estar livre de todo o sofrimento.
Que ele seja livre e feliz.
Livre do sofrimento, livre das dificuldades.
Que ele seja feliz e saudável.
Que o meu irmão esteja em paz.

Agora envio amor aos meus professores e aos meus amigos.
Que eles possam estar livres da dor e do sofrimento.
Que eles possam estar livres da raiva e dificuldades.
Que eles possam ser felizes.
Que eles possam estar em paz.

Agora envio amor a todas as pessoas do planeta.
Que todos os seres do planeta possam estar livres do sofrimento.
Que eles possam estar livres da dor, angústia e desespero.
Que eles possam ser felizes, verdadeiramente felizes.
Que eles possam estar em paz.

Que todos os seres do Universo possam estar livres do sofrimento.
Que todos os seres, em todos os Universos, em todo o lado, possam estar livres do sofrimento.
Que eles possam ser felizes, mesmo felizes.
Que eles possam estar em paz.

Que todos os seres, de todos os tipos, em todo o lado, possam ser felizes e estar em paz.
Todos os tipos de seres, humanos e não humanos.
Todos os animais, plantas e outros seres.
Todos os seres e criaturas, sem excepção.
Que todos possam ser felizes.
Que todos possam estar em paz.

Eu abro o meu coração e em troca aceito o amor de cada ser e criatura.
Deixo esse amor entrar no meu coração.
E partilho os benefícios deste meditação com toda a gente.

Que todos os seres estejam bem e felizes.
Que todos os seres estejam bem e felizes.
Que todos os seres estejam bem e felizes.

Que todos os seres estejam em paz.
Que todos os seres estejam em paz.
Que todos os seres estejam em paz.


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04/06/2014

Remédios naturais para crianças


O Guia de Remédios Naturais para Crianças da Sofia Loureiro é um livro que eu já conhecia há algum tempo mas ainda não tinha tido oportunidade de comprar e ler. A Editora Nascente foi fantástica e enviou-me um exemplar do livro, que muito agradeço!

Não conheço pessoalmente a autora do livro, a Sofia Loureiro, mas ela também é doutorada pela Universidade do Algarve e trabalhou em coisas semelhantes ao que eu faço (fitoplâncton, qualidade da água, Ria Formosa...). O facto de o livro ser escrito por uma pessoa doutorada, habituada a ler muito, a pesquisar muito, a olhar para todos os lados da questão, leva-me a ter muito confiança no que ela apresenta no livro.

A Sofia começa por introduzir os vários tipos de terapias naturais, como a fitoterapia, os florais de Bach, a hidroterapia, homeopatia, entre outras. Fala também sobre as práticas saudáveis para prevenir a doença, como alimentação, o sono, higiene, exercício físico, contacto com a natureza... De seguida, representando a maior parte do livro, a Sofia escreve sobre cada uma das queixas mais comuns em crianças e como tratá-las usando as terapias naturais. Muitas situações são abordadas, desde queimaduras, infecções, vómitos, medos, constipações, ansiedade, dentição e a que mais me interessa, o défice de atenção.

Como sabes, um dos meus filhos sofre de défice de atenção e está medicado com metilfenidato. Eu raramente lhe dou o comprimido, só em alturas de avaliações na escola  estamos precisamente numa dessas alturas, o frasco de comprimidos acabou e há mais de um mês que está esgotado em Faro... Entram então os florais de Bach! A minha mãe deu-me uns quantos florais há já algum tempo e eu nunca liguei nenhuma, mas agora, depois de ler o livro da Sofia e outras informações na internet, vou mesmo experimentar (para PDAH aconselha-se os florais Clematis e o Rescue Remedy, que combina vários florais num só).

Este livro, é, sem dúvida, para ter sempre à mão. São mais de 400 páginas que informação bem pesquisada que pode ser útil a qualquer momento. Eu não gosto de tomar medicamentos, não gosto de os dar aos meus filhos e só de pensar que a primeira vez que tomei antibiótico já tinha 14 anos e eles tomaram logo em bebés... enfim... Eu nestas coisas sempre fui muito relaxada, só os levo ao hospital quando é mesmo uma coisa séria e, felizmente, eles têm sido bastante saudáveis. Complementar ou substituir, consoante os casos, a medicina tradicional por alternativas mais naturais, agrada-me imenso e está em linha com o estilo de vida que tento levar. Se também pensas assim, aconselho-te este livro!

Podes adquirir o Guia de Remédios Naturais para Crianças na Wook ou nas livrarias. A Sofia tem também um blog e uma página no FB.



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22/01/2014

Alternativas para crianças com PHDA

(revisto em novembro 2016)

A perturbação de hiperatividade e défice de atenção em crianças é provavelmente a desordem do foro psiquiátrico mais comum, mais estudada e mais controversa. Há quem diga que esta perturbação não existe e é verdade que há muitos casos mal diagnosticados de PHDA (mas também muitos por diagnosticar). Há também uma sobremedicação das crianças com sintomas de PHDA, sobretudo no Estados Unidos. 

A PHDA caracteriza-se por um padrão crónico de níveis elevados de falta de atenção, hiperactividade e impulsividade. Estima-se que mais de 5% das crianças em todo o mundo sofram de PHDA Resumidamente, o cérebro destas crianças não produz as ondas cerebrais que deveria produzir. Por exemplo, as crianças com PHDA têm um maior rácio de ondas teta para ondas beta do que as outras crianças. Já há diagnósticos de PHDA que se fazem através de electroencefalogramas, se bem que o método mais comum é a observação do comportamento da criança pelos pais, educadores e médicos. Há vários subtipos de PHDA; umas crianças são mais desatentas, outras são mais hiperactivas e outras têm uma combinação de desantenção e hiperactividade.

Um dos meus filhos tem PHDA, o subtipo da desatenção. É medicado há pouco mais de 1 ano e não há dúvida que o metilfenidato resulta. Mas se há coisa que me perturba é dar-lhe estes medicamentos, se bem que ele nem apresenta os efeitos secundários mais comuns, como perturbações de sono ou falta de apetite.

Há uma série de outras terapias alternativas e alterações na rotina e na educação das crianças que ajuda imenso a diminuir os sintomas de PHDA. Eu, como cientista, apaixonei-me por este tópico do PHDA em crianças e tenho lido imenso sobre a investigação que se faz nesta área.

Tenho feito ajustes à rotina do meu filho, à sua alimentação e outras coisas, e realmente há coisas que ajudam. Ele só toma o comprimido em dias de escola e às vezes já nem lho dou e ele consegue à mesma estar com atenção nas aulas e fazer os trabalhos. De acordo com o que li e com a minha experiência, os passos seguintes podem fazer toda a diferença na vida de uma criança com PHDA:


1 || Ter a certeza que a criança tem PHDA

Há outras perturbações com sintomas semelhantes e há médicos que são rápidos demais a fazer o diagnóstico e a receitar psicoestimulantes... No caso do meu filho não há qualquer dúvida, aliás, eu percebi que ele tinha PHDA antes de o levar a um neuropediatra, mas há casos mais difíceis de diagnosticar (por exemplo, há miúdos que parecem hiperactivos, mas são é malcriados... outros podem ter falta de atenção nas aulas porque dormem mal de noite, e não porque têm PHDA).


2 || Seguir rotinas diárias bem definidas

Qualquer criança sente-se mais segura com rotinas bem definidas. Já falei sobre isso neste post. As crianças com PHDA ainda mais - é importante não haver surpresas e saberem exactamente que quando chegam da escola lancham e a seguir fazem os trabalhos de casa, por exemplo. Quando, por algum motivo, a rotina do meu filho é quebrada (por exemplo, se formos a algum sítio depois da escola em vez de irmos logo para casa), noto logo diferenças nos trabalhos de casa. É importante estas crianças (e as outras...) terem rotinas diárias bem definidas e consistentes para saberem com o que podem contar; assim, sentem-se mais calmas e mais seguras.


3 || Alterações na dieta

Há alguma controvérsia em relação ao efeito de certos alimentos, como o gluten, em crianças com PHDA. É geralmente aceite que uma dieta mais natural, com menos comidas processadas, açúcar, corantes, conservantes e outros aditivos, ajuda a diminuir os sintomas de PHDA. Eu tento que os meus filhos comam o melhor possível, não por causa da PHDA, mas porque é mais saudável uma alimentação mais natural... Admito que sou um pouco paranóica com o gluten e ainda não o eliminei totalmente da nossa alimentação, por isso não posso garantir que tenha efeitos positivos, mas há quem diga que sim.


4 || Fazer exercício físico

O exercício físico, modo geral, faz bem à saúde de crianças e adultos. Há imensos estudos que mostram que crianças e adolescentes que fazem desporto regularmente têm melhores notas e mais auto-estima que crianças que não praticam exercício físico regular. Para mim, fazer desporto é tão importante como ir à escola! E nos miúdos com PHDA, o exercício físico estimula o cérebro a produzir certos químicos de que necessita.


5 || Limitar o tempo passado à frente de ecrans

As actividades que os miúdos fazem em frente aos ecrans afecta a produção de químicos pelo cérebro, o que potencia os sintomas de PHDA. O tempo passado em frente a tablets, TVs, computadores, play stations e similares deve, portanto, ser limitado. Esta alteração é a mais complicada... eu disse aos meus filhos que nos dias de escola têm 1 hora para ecrans, mas a verdade é que muitas vezes não consigo controlar...


6 || Comunicar claramente

Às vezes falo com o meu filho e ele nem ouve - é típico da PHDA. Para dar instruções, dizer coisas importantes, seja o que for, deve-se ter a certeza que a criança está a tomar atenção ao que dizemos, de preferência com olhos nos olhos, e sem distrações como a televisão. 


7 || Respirar fundo e reforço positivo

Antes do diagnóstico do meu filho, eram muitas as vezes que eu me "passava" com a sua falta de atenção, sobretudo na hora de fazer os trabalhos de casa. Não adianta um pai "passar-se", nem gritar, nem ficar chateado com o filho. Quanto mais frustrados nós ficarmos, mais eles ficam também. É preciso muita paciência, muito auto-controlo por parte dos pais, mas a recompensa é uma criança mais calma, menos stressada e mais atenta. Eu, quando sinto que vou perder as estribeiras, dou um time-out a mim mesma - é melhor que pôr-me aos berros com o miúdo. E recompenso-o quando ele faz os trabalhos todos sem refilar e sem se distrair.


8 || Yoga, meditação, Ayurveda

Há vários estudos que se debruçam sobre os efeitos destas técnicas em crianças com PHDA. Infelizmente, os estudos são ainda poucos, a maioria vem da Índia e a investigação que se faz aí é às vezes ignorada pelos cientistas ocidentais. No entanto, esses estudos mostram que a prática de yoga e meditação tem efeitos muito positivos no desempenho escolar das crianças com PHDA, visto que ajuda a acalmar e a focar a mente. De acordo com a medicina tradicional indiana, o PHDA é um desequilíbrio Vata. Nas pessoas Vata (e o meu filho é, sem dúvida, Vata; o outro é Pitta, como a mãe) predomina o elemento ar e a elas associa-se movimento - e não costumamos dizer que uma pessoa distraída é um cabeça de vento ou cabeça no ar?


Se tens um filho com PHDA, adorava saber a tua história!




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31/12/2013

Para acabar bem o ano > como destralhar o quarto das crianças



Em primeiro lugar, desejo a todos vós excelentes entradas em 2014 e que o Ano Novo vos traga o que vos faz feliz!

Em segundo lugar, o João, que escreve o blog E os filhos dos outros, publicou um texto meu sobre como destralhar... a casa, o quarto das crianças (tema tão pertinente no pós-Natal) e a vida... Passem por lá! 

E até 2014!


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20/12/2013

A lição de Ganesha

Relembrar a lição de Ganesha era uma das actividades do meu calendário do Advento. A lição de Ganesha é uma história que às vezes conto aos miúdos, que ensina sobre a bondade e a não-violência.

Já agora, Ganesha é uma divindade hindu muito querida dos yogis, pois é o removedor de obstáculos. Ganesha, o deus com cabeça de elefante, é filho de Shiva e foi o próprio Shiva que, acidentalmente, lhe cortou a cabeça e substituiu-a pela cabeça de um elefante.


Aqui fica a lição de Ganesha...

Um dia, um menino com cabeça de elefante chamado Ganesha foi brincar no bosque do monte Kailasa, onde vivia. Ganesha era um menino travesso e adorava correr, brincar e fingir que era um forte guerreiro.

Um dia, Ganesha levou o seu arco e flechas de brincar para o bosque. 
"Hum, o que é que vou caçar hoje?", pensou ele. Então, ele viu o seu pequeno gato branco e foi atrás do bicho. Ganesha começou a lançar flechas em direcção ao pobre gato, que fugiu cheio de medo. Mas Ganesha pensou que o gato estava a divertir-se. Foi então atrás dele e encontrou o pequeno gato encolhido e assustado atrás de uma árvore.

"Aha, encontrei-te!" gritou Ganesha, e começou novamente a atirar as flechas em direcção do pobre animal. Mas o gato, aterrorizado, fugiu. Mais uma vez, Ganesha foi atrás dele, encontrou-o escondido debaixo de um tronco e desta vez apanhou o gato, esfregou-lhe o focinho na terra suja e jogou-o ao ar. Mas o gato lá conseguiu fugir e Ganesha não conseguiu mais encontrá-lo.

"Bom", disse Ganesha, "isto não é divertido...". E voltou para casa.
Quando chegou a casa, Ganesha viu a sua mãe, Parvati, e parou de repente. Parvati estava suja de lama na cara e nas mãos e arranhões nos braços.
"Mãe, o que é que te aconteceu?", perguntou Ganesha.
Parvati olhou para si própria e disse "Não sei... Foste tu que me fizeste isto?"
"Eu??", exclamou Ganesha. "Claro que não!", afirmou. Mas então, Ganesha baixou os olhos e disse: "Oh, mas sabes uma coisa? Hoje fui mau para o nosso gato..."

"Ah!", exclamou Parvati. "Agora percebo. Sabes, Ganesha, eu sou todo este mundo. O meu corpo é toda a Terra. Sempre que fazes alguma coisa, fazes a mim também. Sempre que magoas a Terra, magoas-me a mim também. Eu era esse pequeno gato. Então, tudo o que lhe fizeste, fizeste a mim também."
"Oh, agora percebo", disse Ganesha. "Todas as minhas acções têm importância. Peço imensa desculpa, mamã. Não voltarei a portar-me mal."

"É impossível nunca fazermos mal", disse Parvati, "mas podemos prestar muita atenção ao que fazemos e assim fazer o menos mal possível."
Ganesha agradeceu à sua mãe pela lição e foi brincar de novo com o pequeno gato, mas desta vez sem o arco e as flechas...


Depois de ler a história aos miúdos, faço algumas perguntas para reflectirmos sobre o tema:

>> Como é que podemos ter consciência das nossas acções? Como é que sabemos que efeito é que as nossas acções têm nos outros?

>> Dá exemplos de causa e efeito. Se passares um sinal vermelho, o que é que te acontece? Se lutares com alguém em vez de fazeres as pazes, o que é que acontece?

>> Como é que fazemos mal a nós próprios, através de pensamentos negativos, más escolhas, etc.? Como é que podemos ser bondosos para nós próprios?

>> Conta uma história sobre como as tuas acções tiveram um bom ou mau resultado, ou como é que foste mau para ti próprio no passado.


>>>
Posso pedir-te um favor? Preparei um pequeno questionário para saber o que é que os leitores querem ver no blog em 2014... se o preencheres, é uma grande ajuda! Muito obrigada!

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04/12/2013

Divagações sobre o workshop da Magda || A Arte e a Ciência de Educar Crianças Felizes


Este post já devia ter sido escrito há 2 meses atrás. Foi no fim de Setembro que finalmente conheci, pessoalmente, a Magda, a nossa guru da parentalidade positiva. Participei no seu workshop A Arte e a Ciência de Educar Crianças Felizes, aqui em Faro.

Foi bom. Saí de lá feliz e satisfeita comigo própria por verificar que muitas das sugestões da Magda eu já ponho em prática.

Fiquei contente por ela ser da mesma opinião que eu - primeiro estou eu, primeiro está a minha felicidade. Se eu não for feliz, não posso fazer os meus filhos felizes. Este é o erro em que caem muitos pais e, especialmente, muitas mães - porem-se em segundo plano, viverem em função dos filhos e esquecerem-se delas próprias. Quem é a criança que gosta de ver os pais infelizes?

Do ponto de vista de investigadora que sou, gostei muito da área da psicologia a que se dá o nome de psicologia positiva - que se foca no que está bem, no que funciona, nos comportamentos que trazem felicidade. 

Falámos muito no workshop sobre a nossa cultura judaico-cristã, que está tão enraizada em nós e é responsável por muitos dos nossos comportamentos que se focam no negativo. Eu nunca tinha pensado nisto, mas é mesmo verdade! Quando nos perguntam como estamos, parece mal responder "Estou óptima! A minha vida corre super bem, os meus filhos são fantásticos e somos muito felizes!". Invariavelmente, damos respostas mais negativas, mesmo que não correspondam à verdade: "Vai-se andando... Está tudo na mesma... É a vida...". A Magda até contou exemplos que se passaram com ela e serviu, de facto, para abrir os nossos olhos - às vezes falamos de forma tão negativa e sem motivos para tal! É cultural, é certo, mas se andarmos mais atentos (mais presentes no momento, como nos ensinam as filosofias orientais) conseguimos alterar esses padrões de negatividade que estão cá tão enraizados - e deixamos de ter medo ou vergonha de dizer que sim, somos felizes!

Adorei também a parte dos castigos versus consequências. Uma pequena mudança na palavra e tudo faz mais sentido. Castigos parecem coisas demasiado más, castradoras. Fazemos coisas boas que terão consequências positivas; coisas más terão consequências negativas! Desde esse dia que não se ouve mais a palavra castigo cá em casa. Expliquei aos meus filhos que tudo o que eles fazem tem consequências - é o karma! Quando se portam bem, haverá consequências positivas (e não estou a referir-me a coisas materiais... não lhes compro prendas de cada vez que se portam bem); quando se portam mal, haverá consequências... menos boas...

É educar pela positiva. Não ameaçar, não assustar, não meter medo - o oposto daquilo com que a maioria de nós cresceu. A maioria de nós foi educado pelo medo e pela negativa: se não fizeres isto, não tens aquilo; se cometeres pecados, vais para o inferno. A proposta agora é outra: dar o exemplo, educar pela positiva, sem ameaças e referências às coisas terríveis que nos acontecerão se não cumprirmos as regras.

Falámos também sobre a importância de ouvir os nossos filhos - dar-lhes toda a nossa atenção quando eles nos contam alguma coisa e dar importância ao que eles estão a dizer, em vez de rematarmos a conversa com um "deixa lá, isso não foi nada". Se o meu filho me está a contar algo que lhe aconteceu, alguma preocupação que ele tem, devo ouvir e tentar compreendê-lo, mesmo que para mim seja uma coisa insignificante ou ridícula. Se os miúdos em pequenos percebem logo que os pais não os ouvem, quando chegarem à adolescência, essa idade tão complicada, não vão de certeza querer sentar-se com os pais e falar dos seus problemas...

Enfim... Gostei e aconselho os workshops da Magda - aliás, eles estão sempre cheios, por isso muitas mais pessoas partilham da minha opinião!

Só para terminar, no fim do workshop tivemos uma surpresa muito boa! Um salame de chocolate (vários, na verdade, de vários sabores)! A Box me a Salame são duas irmãs que pegaram na receita de salame da avó e fazem salames de chocolate deliciosos (mesmo muito bons, e eu sou especialista em comer salames de chocolate) - e vêm numas caixas muito giras! Oh, agora fiquei com água na boca...


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02/12/2013

Quem são os meus filhos daqui a 20 anos || Hoje, no Mum's the Boss

A Magda, aka Mum's the Boss, perguntou-me quem são os meus filhos daqui a 20 anos e o que é que eu faço todos os dias nesse sentido. Pergunta difícil e a resposta veio do coração. Aqui está ela.

29/11/2013

Como pôr as crianças a ler mais

Há tempos li no facebook um texto da autoria de Eduarda Abreu, que pode ser lido na íntegra aqui, sobre factos que os pais precisam saber sobre a leitura. Todo o artigo mexeu comigo, sobretudo o parágrafo abaixo:

"As famílias de leitores utilizam um kit de sobrevivência: livros, um cesto com livros na casa de banho e um candeeiro de cabeceira. Coloque um cesto com livros e revistas na casa de banho e outro junto à mesa da cozinha. Coloque um candeeiro na mesa-de-cabeceira do seu filho e conceda-lhe o privilégio de ter a luz acesa durante mais 15 minutos para ler (ou apenas para ver as imagens num livro) na cama. Este poderá ser o mais importante curso nocturno que ele virá a frequentar."

Os meus filhos lêem, mas não tanto como eu gostaria. Inspirada pelo texto, lancei mãos à obra para melhorar as condições para a leitura e assim estimulá-los a ler mais...

>> pus um cesto com livros, escolhidos por eles, no chão do quarto, para ficarem mais fácil e rapidamente acessíveis do que os que estão na estante


>> pus um cesto com livros... na casa de banho


>> pus um livro em cima da mesa da cozinha para eu ir lendo um pouco cada dia ao pequeno-almoço (neste momento é O Principezinho -  a minha cópia, que tem mais de 20 anos)

>> quando eles vão para a cama, podem ficar 15-20 minutos de luz acesa a ler - e eles ficam mesmo! (outras vezes eu conto uma história)


E vocês, que estratégias usam para incentivar a leitura?


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19/11/2013

Calendário do Advento || Ideias, actividades e templates para usar!


Há 2 anos fiz o meu primeiro calendário do Advento. Foi giro e os miúdos adoraram, se bem que não cumprimos muitas das actividades que estavam previstas. Este ano quis fazer algo diferente. 

Em relação às actividades, fiz uma lista de 33 coisas para ter por onde escolher. Em relação ao calendário propriamente dito, estava a sentir-me muito criativa (e cheia de paciência) quando o fiz (no passado domingo) e não me limitei a escrever as actividades em papéis, como há 2 anos... Fiz cartões com desenhos, enfeites, árvores de Natal e outras coisas natalícias, um cartão para cada dia.


1 || Primeiro fiz uma lista de 33 actividades (para ter por onde escolher) e um cartão para cada uma; depois imprimi em folhas A5.

2 || Usei a guilhotina de papel, envelopes normais, furador, tesoura, lápis de carvão e lápis de cor, e fio.

3 || Fechei os envelopes e cortei-os ao meio.

4 || No lado aberto de cada envelope fiz um furo.

5 || Numerei os envelopes de 1 a 25 com lápis de cor.

6 || Pus um fio em cada envelope e atei as pontas, para poder pendurá-los.

7 || Pendurei os envelopes no espelho da sala...

E os cartões com as actividades, perguntam vocês? Não pus os cartões logo dentro dos envelopes porque só vou decidir a actividade a realizar em cada dia na véspera. Tenho os cartões todos impressos e prontos a serem colocados dentro dos envelopes, o que farei em cada dia, a partir de 30 de Novembro.

Como acho que os cartões ficaram mesmo giros, vou partilhá-los convosco, sob a forma de ficheiro pdf e em dois tamanhos (A4 tem 2 cartões por página e A5 tem 1 cartão por página):


Fazer um calendário do Advento é um projecto giro que serve também para criar rituais e tradições de família, tão importantes para o desenvolvimento saudável das crianças. A Magda falou disso aqui e podem ver também as suas ideias para o calendário nesse post. Para mais ideias, a Anabela partilhou 100 ideias de actividades e algumas leitoras também o fizeram no post de há 2 anos.

Agora não tens desculpa! Podes usar os meus cartões à vontade para fazer o teu calendário! Bom Natal!


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21/08/2013

Parentalidade... simples!



Tenho que admitir que nunca li livros sobre parentalidade. Leio um só blog sobre o assunto, o Mum's the Boss, e nada mais. Há uns tempos li uma review do livro Simplicity Parenting: using the extraordinary power of less to raise calmer, happier, and more secure kids, de Kim John Payne (qualquer coisa como Parentalidade simples: usando o poder de menos para criar crianças mais calmas, felizes e seguras), e fiquei com a pulga atrás da orelha. 

Quis ler este livro porque tenho um problema com os meus filhos, grande parte do qual é culpa nossa... Eles passam demasiado tempo em frente a écrans - seja a televisão, o computador, o gameboy, a playstation e outras coisas do estilo. Nos últimos tempos fizemos grandes progressos neste campo, pois passámos de 4 para 1 televisão em casa e passamos agora mais tempo a fazer outras actividades, mas de qualquer modo precisava de mais ideias para lidar com este e outros problemas... Lá comprei o livro (a versão kindle), li-o, reli alguns capítulos e este é sem dúvida um livro de referência para qualquer pai. Achei o livro fantástico!

O capítulo 1, Why Simplify?, responde a isso mesmo - a importância de simplificar o ambiente, as rotinas, a vida das crianças. O autor apresenta exemplos de crianças com quem trabalhou, os seus problemas, as alterações que foram feitas e os resultados positivos que foram obtidos.

Gostei sobretudo do estudo feito em crianças com distúrbio de déficit de atenção (um dos meus filhos tem ADHD, nada de grave, mas tem). Em primeiro lugar, o autor discorda do termo distúrbio de déficit de atenção e hiperactividade; muitas destas crianças conseguem estar muito atentas, não conseguem é priorizar o objecto da sua atenção (e por experiência própria, sei que é mesmo assim). As crianças foram submetidas a um regime de simplificação, que incluiu alterações no seu ambiente físico, na alimentação, no uso de tecnologias (écrans...), e nas suas actividades e horários. Os resultados foram fantásticos; 68% destas crianças passaram de clinicamente disfuncionais para clinicamente funcionais ao fim de 4 meses de simplificação! Comecei a ver luz ao fundo do túnel! O meu filho é medicado há cerca de 1 ano, a medicação tem efeitos muito positivos, mas queria seguir outro tipo de terapias (incluindo o yoga e a meditação) e assim evitar a medicação.

O capítulo 2, Soul Fever, faz uma analogia muito interessante entre a febre física e o que o autor chama de febre da alma. A febre da alma ocorre quando a criança está assoberbada, quando tem que lidar com muitas coisas, muito stress, quando a sua vida é demasiado apressada. O autor descreve os passos para os pais identificarem essa febre da alma e para a acalmarem, simplificando a vida da criança (geralmente um fim de semana simples é o suficiente para fazer a diferença) e dando-lhe tempo sem nada para fazer.

O terceiro capítulo, Environment, lida com o ambiente em que vive a criança. Por exemplo, o autor afirma que demasiados brinquedos dão às crianças demasiadas escolhas - e ter demasiadas escolhas não é bom para uma criança, pois distrai-a do seu crescimento natural. As crianças precisam de tempo para se tornarem elas próprias, através da brincadeira e da interacção social; uma criança assoberbada com coisas - e escolhas e pseudoescolhas - aprende apenas uma coisa: a querer mais! O autor acredita, portanto, que o número de brinquedos de uma criança deve ser reduzido. O excesso de brinquedos pode mesmo privar a criança de desenvolver a sua criatividade, pois a frustação de não ter nada para fazer impulsiona muitas vezes descobertas e criações maravilhosas. Ao diminuir a quantidade de brinquedos e tralha à volta da criança, aumenta a sua capacidade para se envolver mais seriamente na brincadeira, em vez de passar de um brinquedo para o outro sem na verdade brincar com nenhum. Neste capítulo o autor refere ainda os tipos de brinquedos que devem ir fora e dá dicas para destralhar e organizar os brinquedos que ficam. O mantra é, claro, menos é mais.

O capítulo 4, Rhythm, trata das rotinas diárias, ou ritmos, como outros autores também preferem chamar. A vida da maioria das famílias hoje em dia é aleatória e improvisada. Os ritmos são, no entanto, importantes para as crianças. As crianças cedo percebem que há coisas com as quais podem sempre contar, como a hora do banho, a história antes de ir dormir, e esta previsibilidade no dia a dia das crianças dá-lhes segurança. Estabelecer ritmos diários bem definidos é uma das maneiras mais eficazes de simplificar a vida das crianças (e a dos pais também). Ao longo deste capítulo, o autor explica como estabelecer ritmos diários que dêem consistência ao dia da criança e que fortaleçam os laços familiares. 

No quinto capítulo, Schedules, é tratado um fenómeno muito presente hoje em dia nas crianças em todo o mundo ocidental - o overscheduling - horários demasiado preenchidos, muitas actividades extra-curriculares além da escola, que conduzem a muito pouco tempo livre. O autor afirma que as crianças precisam de tempo livre, tempo não estruturado - tempo para não fazer nada. Tal como uma planta sem raízes, actividade sem descanso é insustentável. O autor sugere que as actividades que causam stress à criança (por exemplo, ter a casa cheia de familiares pode assoberbar um filho único) devem ser compensadas com actividades que a acalmam (por exemplo, ir dar um passeio de bicicleta com a criança). O estabelecimento de dias de Sabbath, ou seja, um dia por semana extremamente calmo, com o mínimo de tecnologia e distracções, é também uma boa estratégia para simplificar a vida familiar.

O último capítulo é muito interessante - Filtering the adult world. É sobre separar o mundo dos adultos do mundo das crianças e começa com o pior visitante que a maioria de nós tem em casa - a televisão. Segundo o autor, um passo crítico para simplificar a vida das crianças é simplificar os écrans que temos em casa: tv, computador, consolas de jogos, etc. Simplificar os écrans é parar o fluxo de informação, de pressa e de sobre-estimulação a que as crianças estão sujeitas ao longo do dia. Embora a televisão também tenha benefícios, as suas desvantagens pesam mais, sobretudo para crianças com menos de 7 anos. Por exemplo, assistir a desenhos animados violentos diminui a sensibilidade das crianças para a violência, tornando-a menos chocante e mais aceitável. Ao ler este capítulo fiquei muito feliz por finalmente ter conseguido tirar a tv do quarto dos miúdos: um estudo indica que as crianças que têm televisão no quarto vêem em média mais 90 minutos por dia de tv do que as que não têm. De facto, noto que os meus filhos passam agora muito menos tempo agarrados à televisão do que antes. Este capítulo aborda ainda o problema dos pais-galinha e o autor afirma que o excesso de preocupação destes pais vem da sua exposição excessiva aos meios de comunicação social (que só nos bombardeiam com desgraças). Por exemplo, tal como num avião em caso de despressurização devemos colocar primeiro a nossa própria máscara de oxigénio e só depois ajudar as crianças, os pais também devem primeiro relaxar para depois transporem essa calma para os seus filhos - e a redução da exposição à tv e outros meios é essencial neste processo.

14/08/2013

Preparar o novo ano escolar

Setembro, é para mim, o Ano Novo. Gosto de aproveitar os últimos dias de Agosto e os primeiros de Setembro para fazer limpezas, destralhar, arrumar, organizar, planear e, claro, preparar o ano escolar das crianças.


A roupa das crianças

Em primeiro lugar, trato da roupa. Abro o armário e vejo, peça a peça, o que é que serve e o que é que fica pequeno. Tenho um saco grande à mão para ir colocando as roupas que já não servem, para dar. Vejo tudo: t-shirts, camisolas, calças, casacos, calções de banho, sapatos, até meias e cuecas.

Depois de ficar no armário apenas a roupa que serve, faço uma lista da roupa que eles necessitam para os próximos meses. Para os meus filhos, as peças essenciais são:

- um casaco quente e impermeável (o inverno passado nem o usaram, mas nunca se sabe...)
- casacos mais leves (2-3)
- camisolas quentes (3-4)
- t-shirts de manga curta (pelo menos umas 10)
- t-shirts de manga comprida (5-6)
- calças de ganga (uns 3 pares; eles não usam outro tipo de calças, como de bombazine ou outras)
- calções (3-4 pares para a primavera/verão)
- 1 par de sapatilhas de desporto
- 1 par de sapatos/botas de inverno
- 1 par de sapatilhas para o dia-a-dia
- 1 par de sandálias
- 1 par de chinelos de praia/piscina
- meias (pelo menos 10 pares)
- cuecas (umas 10 chegam)
- também fico com algumas t-shirts de manga comprida que já não servem para usar como camisolas interiores nos dias mais frios
- uns calções de banho para a piscina
- calções de banho para a praia (eles têm 4 ou 5 calções cada um, porque passam praticamente os 3 meses de férias de verão na praia e não usam calções nem calças neste período, mas se não fosse assim, um par de calções de banho chegava...)
- roupa específica para as actividades que frequentam (equipamento de futebol, kimono do judo, material para a natação...)

Obviamente, esta lista é a que se adequa aos meus filhos e à zona onde vivemos. Cada criança tem as suas necessidades de vestuário, consoante o clima do sítio onde vive e o seu estilo de vida... (mais sobre como organizar a roupa dos miúdos)


Mochilas e material escolar

Além da mochila da escola, cada um tem também uma mochila mais pequena multifunções: serve para levar a roupa quando vão passar o fim de semana fora, serve para levar o equipamento desportivo quando vão para as actividades, serve para levar brinquedos e livros quando vamos para a praia... As mochilas que eles têm foram compradas por mim na Alemanha há mais de 4 anos e ainda estão boas; não têm bonecos e são simples, por isso estão sempre actuais - é neste tipo de coisas que prefiro pagar mais e adquirir peças de qualidade que durem bastante.

O mesmo com as mochilas da escola. O miúdo mais velho vai para o 3º ano e a mochila é a mesma desde o 1º ano. Já está um pouco desgastada mas penso que ainda vai dar para este ano todo. No meu tempo de escola, todos os anos mudava de mochila, não por causa do desgaste, mas porque... era assim... um mochila nova todos os anos...

A minha parte preferida destas preparações para o ano novo é organizar o material escolar. Ao longo do ano, eles acumulam lápis, canetas, cadernos, imenso material que acabam por não usar na escola. Antes de comprar material novo, vejo o que temos em casa. Gosto de ter lápis de cor, canetas, lápis de carvão, borrachas, afias e folhas para eles usarem em casa. Depois, compro os essenciais que sei que vão precisar para a escola: muitos lápis de carvão, muitas borrachas (lápis e borrachas gastam-se a uma velocidade incrível), algumas caixas de lápis de cor e de cera, canetas, aguarelas, afias... Antes das aulas começarem, recebo a lista de material que as professoras querem e vou novamente à loja comprar o que falta (coisas mais estranhas como papel de manteiga, de lustro, cartolinas em cores específicas e coisas do género...). Os livros e cadernos do ano passado ficam devidamente arrumados na estante e forro os livros e cadernos novos.


Destralhar o quarto e a zona de estudo

É nesta altura que fazemos uma grande arrumação ao quarto e ao escritório dos miúdos. Eles partilham o quarto e fechámos a varanda do quarto deles para transformar em escritório e assim terem a área de brincar e dormir separada da zona de estudo. Cada um tem uma pequena secretária com gavetas, uma cadeira e uma estante. Os miúdos, como sabem, acumulam imensa tralha e de vez em quando tenho que dar uma volta às coisas deles... até já encontrei rolos de papel higiénico e garrafas de água vazias misturados com os brinquedos... Brinquedos estragados vão fora, brinquedos bons que eles já não usam ou brinquedos que têm a mais vão para o saco para dar. (mais dicas sobre como destralhar o quarto das crianças)


Relembrar ou criar rotinas diárias

Aproveito também esta altura do ano para relembrar as rotinas aos miúdos - deixar tudo preparado na noite anterior, levantar mais cedo, vestir e fazer a higiene pessoal, fazer a cama, ajudar na cozinha, alimentar os animais... 

Por fim, nós, pais, também temos que nos preparar para mais um ano escolar. O que fazemos, basicamente, é estabelecer quem vai levá-los e buscá-los à escola e quem vai com eles às diversas actividades. O esquema é geralmente o mesmo todos os anos, por isso essa rotina já está bem estabelecida. Eu e o J. dividimos estas tarefas; por exemplo, um vai levar os miúdos à escola e o outro vai buscá-los. Um vai a umas actividades, o outro vai a outras. Gosto sobretudo de pensar nas maneiras de aproveitar o tempo enquanto estou com os miúdos nas actividades. O ano passado, dependendo do local da actividade, ora lia, ora levava o portátil para trabalhar, ora ia correr, ora ia ao ginásio, ora ia passear, ora ficava na conversa com os outros pais...

Para nós, ajuda imenso ter um calendário familiar, rotinas diárias bem estabelecidas (e as rotinas não têm que ser coisas chatas!), sobretudo uma rotina matinal e uma rotina noturna. Ah, se não gostas da palavra rotina, pois parece uma coisa rígida e inflexível, tenta chamar-lhe ritmo - a ritmo associamos ordem, flexibilidade, movimento e fluidez!


E é assim... em menos de nada o verão acaba, as aulas começam e com elas o ritmo diário - e tento fazer o necessário para que a vida do dia a dia flua calmamente, sem stress e sem correrias... focando-me no essencial e eliminando o que não interessa!

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