Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Leituras para o fim de semana

Disclaimer da Thais sobre publicidade paga nos blogs - concordo com tudo e revejo-me no que ela escreveu. A Thais acertou na mouche!

~ Mais um grande post da Thais sobre estabelecer prioridades e reduzir o resto, em termos de trabalho e outras ocupações - importante sobretudo quando chegamos ao limite das nossas forças.

~ A Magda enviou-me o link para a versão pdf do livro "Eat that frog" - muito bom, muito bom, muito bom! Já tinha ouvido falar tanto do livro, queria mesmo comprá-lo, e a versão pdf, grátis, não podia ter vindo em melhor altura! São 21 dicas para acabar com a procrastinação e a aumentar a produtividade! Obrigada, Magda!

~ Mais uma vez vindo da Magda, entrevista com a Dr. Laura Markham dividida em duas partes, primeira e segunda, sobre parentalidade. Só para aguçar a curiosidade, aqui a cito "Dirias que o teu marido te deve amor e respeito mas que te devia dar uma palmada de vez em quando porque a mulher deve respeitar o seu marido?" - bom, muito bom!

~ E por fim, para quem quer implementar algumas regras de Feng Shui em casa, espreitem as dicas da Hazel (o blog da Hazel, Casa Claridade, é, para mim, um dos lugares mais confortáveis da internet - vale a pena uma visita bem demorada, com uma chávena de chá na mão, incenso a queimar e as músicas que ela tem no blog a tocar...)


Deixo também aqui alguns dos meus últimos posts, caso tenham perdido algum...




Simplificar e organizar

~ Destralhe e minimize a carteira

~ Criar uma rotina matinal e uma noturna

~ Como organizo o computador

~ Como organizo e giro este blog

~ Fazer um orçamento mensal

~ Fazer o pior logo de manhã



Minimalismo

~ Como vivo a vida (o post mais pessoal e introspetivo que já escrevi)

~ 5 coisas que pode fazer já para se tornar mais minimalista

~ O que é o minimalismo

As origens do minimalismo

~ Criar ligações emocionais com as coisas

~ O desapego das coisas

~ Ser ou não ser minimalista parte I, parte II

~ Uma família comum e a solução para os seus problemas


E pronto! Tenham um bom fim de semana e obrigada por continuarem a passar por aqui!

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Planear os menus

Todas as quintas-feiras falo um pouco de cada um dos projectos do e-book da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time, e de como os implemento na minha vida.

Hoje é o projecto nº 5 - Planear os menus.

Acho que a maioria das pessoas (pelo menos as que têm blogs...) já faz isto e todos sabemos as inúmeras vantagens de planear as refeições com antecedência. A Tsh fala no livro das várias maneiras de planear os menus, da frequência do planeamento, das ferramentas a usar, etc.
Vou mostrar apenas como é que eu planeio os meus menus - e o meu método é muito simples (ou não fosse eu minimalista!).

1. Criei uma lista de pratos que gostamos de comer cá em casa. Além de serem pratos que nos agradam, são na sua maioria pratos saudáveis, fáceis de fazer e que não precisam de muitos ingredientes nem receitas mais complicadas que protocolos laboratoriais...
Quando faço os menus, não preciso puxar pela cabeça para me lembrar de pratos - basta-me olhar para a lista. Devo referir que cozinhar não é comigo, não gosto de inventar pratos, experimento receitas novas muito raramente e cá em casa quem cozinha mais é o meu companheiro (eu lavo a louça e arrumo a cozinha a seguir!).

2. Planeio só 5 refeições por semana. Aos dias de semana geralmente almoçamos fora; houve uma altura em que levava almoço ou vinha almoçar a casa, mas agora como sempre peixe grelhado na universidade (prefiro gastar um pouco mais para comer peixinho grelhado, que adoro e é super saudável). Nos dias em que fico a trabalhar em casa como os restos do jantar. Ao fim de semana costumo ir a casa dos meus pais, vamos comer fora e comemos restos. No entanto, tenho sempre comida suficiente para fazer mais refeições que essas 5, mas não as planeio. 

3. Escrevo as refeições num quadro magnético, mas não lhes atribuo dias da semana. Assim é mais flexível. Decido de manhã o que vamos jantar nesse dia e ponho a descongelar se for necessário. Há sempre fruta para a sobremesa, bolo de chocolate às vezes, e sopa de vez em quando (adoro sopa, mas as minhas não são lá muito boas...).


E basicamente é isto! E vocês, como fazem?

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Criar uma lista de compras mestra

Eu não vou às compras sem uma lista. Isto é ponto assente há muito anos. Mas ao longo destes anos, a minha abordagem às listas de compras foi mudando. Já usei listas feitas por outras pessoas e disponíveis na internet, divididas em categorias e com os vários produtos discriminados* (a maior parte dos quais eu não compro), já usei pedaços de papel onde vou escrevendo os produtos que fazem falta ao longo da semana, e já criei a minha própria lista em word, dividida em categorias de produtos...

Até que descobri o tipo de lista que me dá mais jeito: a minha própria lista de compras mestra, dividida, não por categorias, mas por zonas de arrumação dos produtos (frigorífico, congelador, despensa**, casa de banho, e por aí fora).


À medida que dou pela falta de um produto vou apontando na lista e no dia das compras ou na véspera, abro o frigorífico, o congelador, a despensa e as portas dos armários e vejo o que faz falta - o que está na lista para cada zona e não tenho. Muito mais fácil!

A vantagem das listas de compras por categoria é, para mim, só uma: no supermercado, os produtos de cada categoria costumam estar mais ou menos no mesmo sítio. Mas para elaborar a lista e não me esquecer de nada, é mais fácil ter uma lista mestra por zonas de arrumação em casa.

Para fazer uma lista destas é preciso um papel e um lápis. Comece numa ponta da cozinha, num dia em que tenha ido às compras para ter tudo bem atestado, vá abrindo os armários e escreva os vários produtos que lá tem. Depois, faça uma lista toda bonita no computador, imprima-a e coloque-a na cozinha (acho que a maioria das pessoas põe a lista na porta do frigorífico, não?). Vá apontando os produtos que precisa e no dia das compras, pegue na lista e dê uma volta aos armários para ver o que não tem.
Também pode fazer o download da minha lista e modificá-la à medida das suas necessidades.


* nota de português, só porque me apetece: discriminar = separar, diferenciar, distinguir (ele foi acusado de discriminar a colega por ser mulher); descriminar = absolver, inocentar (descriminação do aborto) - atenção que descriminar é o mesmo que descriminalizar (a segunda é um neologismo)
** despensa = compartimento para guardar produtos, normalmente alimentares (eu guardo a comida na despensa); dispensa = isenção, permissão para não cumprir algo a que se está obrigado (ex, dispensa do serviço militar)

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Um escritório minimalista

O meu escritório é provavelmente a divisão da casa que já passou por mais mudanças. Já esteve pintado de várias cores (branco, amarelo torrado, verde claro) e já por lá passaram várias mobílias e acessórios (várias secretárias, várias estantes, vários sofás e maples, e muitos, muitos cortinados). O escritório era a divisão da casa onde se acumulava mais tralha (toda minha), sobretudo papeladas de trabalho.

Estas fotos mostram várias versões do escritório há uns anos atrás.




Como vêem, eu tinha muita papelada - a maior parte era tralha. E ainda tinha mais papelada do trabalho na cave. Foi por aí que comecei. 

Primeiro, joguei fora todos os dossiers das disciplinas da licenciatura e mestrado, por três motivos: 1) desde que acabei o curso nunca precisei de nenhum dossier e mesmo que precisasse, 2) muita da informação já estaria provavelmente desactualizada (que a ciência está sempre a avançar) e, de qualquer modo, 3) se precisar de informação sobre algum assunto, sei como procurá-la, sem recorrer a dossiers antigos. Portanto, aconselho todos os leitores que têm as coisas dos cursos guardadas a fazerem o mesmo que eu fiz. É uma sensação de alívio indescritível.

Depois vi os dossiers e pastas um a um. Tive que ser muito fria e esquecer o vir a precisar das coisas algum dia (mais uma vez, se precisar, sei onde procurar, não preciso de papeladas em casa a ocupar espaço e a ganhar pó). Joguei fora quase tudo. Alguns dossiers importantes levei para o meu gabinete na Universidade, mas a maior parte foi para a reciclagem.

Também tinha pastas com recortes de revistas de decoração, moda, musculação e fitness e muitas outras coisas. O que me interessava digitalizei. O resto, foi fora. 

Dei também uma grande volta aos meus tecidos. Restos de tecidos foram fora. Fiquei só com peças de que realmente gosto.

Isto foi um processo que demorou algum tempo. Não foi feito tudo num dia nem numa semana. E ainda hoje continuo a deitar coisas fora. 

Claro que a jogar tanta coisa fora, as estantes foram ficando vazias... Substitui as várias estantes que tinha por uma só - onde cabe tudo.




Então o que tenho agora no escritório, além do piano e do terrário da iguana, é uma estante, uma secretária feita a partir de um tampo de mesa de jantar, o qual pintámos de branco e adicionámos pernas Vika Curry, um bloco de gavetas Vika Alex e duas cadeiras, uma para o computador, outra para a máquina de costura.



Em relação aos papéis, não tenho praticamente nada do trabalho em casa, a não ser os livros que se vêem na foto e uma cópia de cada uma das minhas três teses que estão no arquivador Flyt ao lado da aparelhagem. 

Já não tenho os dossiers de arquivo que mostrei aqui. Deixou de fazer sentido ter papéis importantes que não uso mas não posso deitar fora, como certificados dos graus académicos e assim, junto com extractos do banco que mais cedo ou mais tarde vão fora. Alterei toda a minha maneira de organizar os papéis.

Comprei as pastas de arquivo brancas que se vêem na foto para guardar papéis importantes que não são usados com frequência. Uma das pastas tem os meus livros de piano e outra tem as minhas papeladas de musculação e fitness, e também moldes e tutoriais de costura. A última pasta, que se vê na foto abaixo, tem as declarações de IRS e uma pastinha de plástico para cada um de nós (e outra para a casa) com papéis importantes usados com pouca frequência (diplomas, contratos de trabalho, avaliações da escola, exames médicos, etc.). 


Agora, em vez dos tais quatro dossiers de arquivo que tinha, tenho um, o preto que se vê na prateleira abaixo dos livros. Aí sim, guardo papéis mais usados, como contas, informações da escola, recibos de ordenado, correspondência vária, extractos do banco (os poucos que ainda recebo em papel), seguros, etc. Esta pasta, que está devidamente organizada com separadores, é constantemente destralhada. Por exemplo, em relação aos seguros dos carros, guardo só o último que paguei. Papéis da escola, horários, informações variadas, guardo só os do ano lectivo que está a decorrer. Se quiser guardar algum papel que pode ser importante ou necessário, mas se não for preciso o original em papel, digitalizo. As contas que recebo por email ficam guardadas no gmail e de vez em quando apago as mais antigas. Não imprimo nada a não ser que seja mesmo, mas mesmo necessário. E por aí fora...  Cada vez digo mais não a papeladas que não preciso. Além de ser bom para a minha saúde mental e visual, é bom para o ambiente! 

Tudo o que é material de escritório (lápis, borrachas, agrafador, clips, cola, e por aí fora) está guardado nas gavetinhas de madeira. Entre as gavetas e o dossier estão papéis que estou a usar no momento (são as coisas do trabalho que faço entre as 5 e as 7 da manhã...).

Na prateleira seguinte tenho a multifunções prestes a morrer e a ser substituída por uma mais pequenina e uma caixa com fotos ainda por digitalizar (quando estiver tudo digitalizado, ficará aí mais um espaço vazio!).

Por fim, na prateleira debaixo estão duas caixas de arrumação de plástico, uma com tecidos, outra com peças prontas.

No bloco de gavetas debaixo da secretária a tralha não é muita, a saber:

1ª inbox e tickler file, como mostrei aqui
2ª cabos, carregadores e demais parafernália
3ª papel (envelopes, blocos, folhas soltas, etc.)
4ª guilhotina de papel, esquadro, CDs e DVDs virgens
5ª acessórios de costura (linhas, agulhas, botões, elásticos, etc.)

E pronto, é isto o meu escritório minimalista - não tão minimalista como os exemplos abaixo (de bloggers minimalistas famosos), mas para lá caminho...


 via


Segunda-feira, 12 de Março de 2012

As origens do minimalismo

O minimalismo como resposta ao consumismo e materialismo desenfreados do mundo ocidental é um fenómeno recente nascido nos Estados Unidos e divulgado sobretudo através da internet. No entanto, o minimalismo como estilo de vida tem as suas origens no Budismo Zen e na estética japonesa Wabi Sabi.

Alguns princípios do Budismo Zen formam a base do minimalismo: o desapego às coisas, a redução do sofrimento, a procura da felicidade, o foco, a atenção, a compaixão. De acordo com esta filosofia, as únicas posses que devemos ter são apenas as essenciais, e o materialismo como forma de gratificação pessoal e posição social deve ser rejeitado.

A estética Wabi Sabi deriva do Budismo Zen e reverencia a austeridade, a natureza e o dia-a-dia. Wabi Sabi surgiu no século XV na China como resposta ao luxo e riqueza emergentes. Esta estética dá valor à simplicidade em detrimento da ostentação e privilegia a beleza da imperfeição, o conforto e o bem-estar. Wabi Sabi defende a vida modesta e a eliminação do supérfluo - o conceito do menos é mais.

O minimalismo é comummente permutável e confundido com outros conceitos e filosofias de vida como o downshifting, a simplicidade voluntária e o ascetismo. Estes quatro conceitos são, no entanto, diferentes, embora todos eles possam ser classificados como estilos de vida simples.

O ascetismo é o mais radical destes conceitos. O ascetismo pressupõe um estilo de vida austero em que os prazeres mundanos são recusados, em favor da procura da espiritualidade.

O downshifting é uma redução da velocidade e da intensidade com que vivemos. É simplesmente parar, respirar e começar a viver mais devagar num mundo que anda cada vez mais depressa, tendo como objecto reduzir o stress e os danos psicológicos e físicos de uma vida apressada. Em Portugal até existe um movimento de downshifting!

A simplicidade voluntária vai mais além que o downshifting. Uma vida simples é desprovida de excessos e caracterizada pela despreocupação em relação ao quanto mais melhor (ou o keeping up with the Joneses). Motivos financeiros, ecológicos, religiosos, espirituais e de saúde podem conduzir a uma simplificação intencional da vida, assim como a tomada de consciência em relação aos perigos do consumismo e do materialismo. Uma vida simples começa com a eliminação da tralha que temos em casa e continua com a poupança de dinheiro, comportamentos mais ecológicos, valorização das experiências e relações em vez dos bens materiais e, no geral, com o viver a vida de forma mais sustentável.

Uma vida minimalista é desprovida de excessos, é frugal e sustentável - mas nunca asceta! O minimalismo não tem nada a ver com pobreza voluntária, como o ascetismo. O minimalismo pode ser encarado como uma extensão da vida simples. Não é só livrarmo-nos das coisas, da tralha que temos nas nossas casas. Não é só simplificarmos as coisas complexas. É livrarmo-nos do desnecessário, eliminarmos as distracções, recusarmos deliberadamente tudo aquilo que nos afasta dos nossos propósitos e mantermos apenas o que é essencial. O objectivo é simplesmente focarmo-nos naquilo que realmente é importante para nós.

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Destralhe e minimize a carteira

Desde os meus 16 ou 17 anos que praticamente só uso carteiras/porta-moedas da Mango. Uso as carteiras até se estragarem e só depois compro outra, mas como são de boa qualidade, têm durado muito tempo. No entanto, sempre que compro uma carteira nova, tenho tendência para comprar uma maior que a sua antecessora. A última carteira que comprei era enorme, com imensas divisórias, bolsinhas, espaço para cartões, porta-moedas - até espelho tinha! Grande parte das divisórias ficaram vazias, pois não tinha nada para lá pôr...

Mas, como boa minimalista, senti que chegou a altura de... minimizar a carteira e o seu conteúdo. Comprei esta branquinha e destralhei cartões, papéis e outra tralha que andava sempre comigo...

Aqui ficam algumas dicas para simplificar a carteira:

1. Tenha na carteira apenas os cartões de débito e de crédito que usa com frequência. E o ideal, claro, é ter o menor número possível de cartões e contas bancárias.

2. Tenha apenas os cartões de lojas onde vai com frequência - e só se o cartão valer a pena (ainda não percebi para que é que serve o cartão da Staples...).

3. Tenha apenas os documentos de identificação necessários para o dia-a-dia. Cartão do cidadão, carta de condução e pouco mais...

4. Não transforme a carteira num álbum fotográfico. Ou precisa mesmo das fotografias para se lembrar dos seus entes queridos?

5. Não  transforme a carteira numa lista telefónica. Precisa mesmo de todos aqueles cartões de visita que lhe vão dando? Se forem importantes, passe os números para o telemóvel.

6. Não faça da carteira um arquivo de papel. Ao longo do dia vá guardando os talões do multibanco, recibos e outras papeladas, mas quando chegar a casa, tire-os da carteira e dê-lhes um destino (arquive-os se forem mesmo importantes ou jogue-os fora).

7. Não ande com cheques na carteira - ou melhor ainda, acabe de vez com os cheques na sua vida!

8. Tenha sempre algum dinheiro na carteira, pois pode ser preciso para alguma emergência e não haver um multibanco por perto...


PS - Depois de ter escrito este post, encontrei este da Hazel, sobre como aplicar o Feng Shui na carteira - sim, no próximo Domingo vou colocar 3 grãos de arroz na minha carteira!

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Criar uma rotina noturna

Update: já viram a Visão de hoje? Estou lá, na página 75, num artigo intitulado "A arte de viver (bem) com menos"!


Mais um projeto do livro da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time: criar uma rotina noturna (e vou tentar escrever à moda do Novo Acordo Ortográfico...).

Já aqui falei da importância de estabelecer rotinas e da minha rotina matinal. Para mim, a rotina matinal define o tom do resto do dia: se fiz o que tinha a fazer de manhã, o dia corre bem. Se me deixo dormir de manhã, não vou ao ginásio ou arranjo desculpas para procrastinar, o resto do dia custa mais a passar e a minha produtividade é mínima.

A rotina noturna é essencial para preparar a manhã seguinte, e assim garantir que o dia seguinte corre como planeado. As coisas que tenho a fazer em casa depois do trabalho não têm uma ordem definida, mas são as seguintes:

Miúdos
- verificar os trabalhos de casa do mais velho
- preparar a roupa para o dia seguinte
- verificar as mochilas
Eu
- preparar a minha roupa para o dia seguinte e o saco do ginásio
- atualizar o ficheiro das contas
Casa
- tratar da roupa (tirar do estendal, dobrar, etc.)
- arrumar o que estiver desarrumado (15-20 min)
- arrumar a cozinha depois do jantar e deixar os lanches do dia seguinte adiantados

Muitas vezes faço isto tudo, excepto arrumar a cozinha, antes do jantar e assim tenho o serão todo para relaxar. É bom!

Tirar a roupa do estendal

Preparar a roupa dos miúdos

Um jantar nada saudável (mas às vezes sabe tão bem...)

A louça lavada

A sala preparada para o serão

Incenso

De todas estas coisas, eu diria que as mais importantes são preparar o saco para o ginásio (senão não vou...) e deixar a cozinha arrumada (odeio chegar à cozinha de manhã e ter louça para lavar e migalhas no chão para varrer...). Mesmo quando fazemos jantares cá em casa, deixo tudo arrumado nessa noite, mesmo que esteja morta de cansaço. O impacto visual que tem uma cozinha desarrumada logo de manhã é demais para mim... fico logo mal disposta. E sinto o mesmo se chegar a casa à tarde e tiver a cama por fazer... Por isso, antes de sair de casa faço sempre a cama.

Quando cumpro esta rotina, tenho tempo para relaxar, ver um pouco de televisão (agora voltou a dar o Mayday Desastres Aéreos no National Geographic - adoro!!), brincar com os miúdos, costurar um pouco e ler antes de dormir. 

Se ainda não tem uma rotina noturna, aqui ficam algumas ideias:

- quando chega a casa, relaxe durante 10 minutos (não é por 10 minutos que o resto das coisas se vão atrasar...); não é nada agradável chegar a casa cansado e pôr-se logo a tratar do jantar ou dos miúdos - esses 10 minutos fazem maravilhas
- esvazie a cabeça - passe para o papel os pensamentos, ideias, compromissos, etc., que tenha guardado na cabeça ao longo do dia (este é mais um dos projectos da Tsh)
- esvazie a mala - limpe-a, organize-a, livre-se de papelinhos que acumulou ao longo do dia, mas não comece o dia seguinte com a mala cheia de tralha
- arrume o que conseguir em 15 minutos (mas mexa-se de forma rápida!)
- deixe a cozinha arrumada depois do jantar e prepare logo a louça para o pequeno-almoço
- verifique a agenda para o dia seguinte e prepare o que for necessário
- e, o mais importante - não procrastine! Encare estas tarefas como tarefas do trabalho - têm mesmo que ser feitas! Não se afunde no sofá a ver televisão cheio de sentimentos de culpa - se cumprir a sua rotina noturna, pode relaxar depois e vai sentir-se imensamente satisfeito por ter feito tudo o que tinha a fazer!

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Book review ~ Minimalism: live a meaningful life

Vou começar a divulgar e fazer críticas aos livros que leio - a maioria são e-books em inglês e nos últimos tempos têm girado em torno do minimalismo (what else?), mas como esse é o tema principal deste blog, aplica-se perfeitamente! Como os livros são em inglês, faço as críticas também em inglês (têm lógica, certo?), porque também as publico na Amazon. 

Todas as semanas tenho falado dos 52 projectos para simplificar a vida do livro da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time, e também já vos apresentei o Simple Blogging da Rachel Meeks, que nos explica como escrever um blog e perder o mínimo de tempo possível com isso.

Hoje falarei sobre um livro escrito pelos autores de um dos meus blogs preferidos: Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, The Minimalists.

O livro só está à venda na Amazon em formato Kindle (não é preciso ter um kindle; a amazon disponibiliza um app para windows e outros sistemas operativos que permite ler os livros em formato kindle no computador).




This is a book about minimalism. But this book will not teach you how to declutter your closet or how to get rid of your TV or how to live with 100 things. This book goes much deeper. It is focused on the five dimensions that will allow you to live a meaningful life: health, relationships, passions, growth and contribution.

Many of Joshua and Ryan’s words hit me like a rock. For instance, these phrases had a huge impact on my life: “The best advice we can give you is to test it yourself—stop eating meat for at least 10 days and notice the difference it makes. Then decide for yourself.” I’ve tried several diets and dietary changes and read books, blogs and articles on the subject over the years, but none has had such an impact in my life as these words. I rarely eat meat now. And I’m immensely happy with this change – thank you, guys!

Overall, this is a page-turning read and I’d recommend it for everyone. I’m going to read it a second time and take notes!

Terça-feira, 6 de Março de 2012

O meu hall branco e cinzento

Como é que sabemos que finalmente acertámos na decoração? Quando o tempo passa e não temos vontade de mudar. É o que tem acontecido com a minha casa. Já por aqui passaram várias mobílias, vários objectos decorativos, muitos cortinados e muitos têxteis. A certa altura percebi qual o estilo decorativo que mais tem a ver comigo (escandinavo) e comecei a mudar a decoração nesse sentido. 
O hall de entrada e corredor escapou ao branco nas paredes, que foram pintadas de cinzento porque adoro o contraste desta cor com o branco da mobília.


Fiz um cortinado para tapar a porta da entrada (copiei a ideia da Benita). O tecido, tal como os vários tecidos da almofada do banco, são do Ikea. O banco é uma prateleira (também Ikea) igual à de cima, que foi transformada em banco. As duas foram pintadas com esmalte branco.


Aqui o hall visto perto da entrada para a cozinha e para a sala. O candeeiro Orgel e os espelhos Sörli são Ikea (claro!). A prateleira (que não é Ikea!) serve de apoio para pousar as chaves. Os gatos na parede são reproduções de Steinlen.


O armário de madeira de mogno era da minha avó e é das melhores peças de mobiliário que tenho em casa. Lá dentro estão os meus sapatos (os meus 20 pares de sapatos... quando eram mais de 50 estavam alguns no armário que se esconde atrás do cortinado das flores), malas, toalhas de mesa, cachecóis, óculos de sol, pilhas, lista telefónica, e outras coisas... Atrás do cortinado, que ainda não tem as bainhas feitas e é por isso que está um pouco torto, está um armário embutido que tem casacos e os sapatos dos homens da casa. Os dois cortinados foram feitos com tecidos Kajsastina (que também foi usado na mala que está pendurada).


O corredor com a entrada para os quartos com candeeiro Varmluft branco e uma pequena estante que pintámos de branco, onde guardamos toalhas, lençóis e outros têxteis.


O tecido nas portas do armário sobrou das bainhas dos cortinados Matilda que temos na sala e escritório.
O quadro por cima do armário é um desenho a carvão feito por um aluno da minha avó (que era professora de inglês). Representa a última ceia - que, ao olhos do miúdo, na altura com 12 anos, foi um piquenique. Muito giro!

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Criar ligações emocionais com as coisas

Há uns dias, um(a) leitor(a) deixou-me este comentário ao post “O que é o minimalismo”:

não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos? por exemplo, algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro. também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo? e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?

Eu respondi:

Felizmente nunca ninguém me ofereceu tal coisa, pois iria odiar! Prefiro que um familiar desses que me é muito querido me ofereça o seu tempo (estarmos juntos) do que um objecto qualquer que não tem utilidade nenhuma para mim (não é oferecendo coisas que se demonstra o amor pelos outros).
E se já olhou bem para as fotos da minha casa, não é um espaço demasiado branco e demasiado vazio. A minha sala é, para mim, o lugar mais confortável do mundo. As coisas que tenho são as necessárias e são as que me fazem feliz.
Mas em relação ao exemplo da secretária, eu não crio ligações emocionais com os objectos. Reservo isso para as pessoas e para os animais.


Quis passar este comentário e a sua resposta para um post, pois fiquei com vontade de desenvolver mais o assunto...


não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos?


Os nossos relacionamentos são com as pessoas e é em relação às pessoas que devemos criar ligações. Claro que podemos gostar muito de algum objecto, alguma peça de mobília, alguma peça de roupa, mas daí a criar uma ligação emocional com a coisa que depois será demasiado tentar quebrar... a mim parece-me é que ligações emocionais às coisas são um sinal de problemas mais profundos. As pessoas que se ligam desta maneira aos objectos fazem-no para se sentir seguras (o falso conceito que ter coisas traz felicidade) ou para se agarrarem ao passado e às memórias (as memórias estão dentro de nós, não nas coisas; acho que se uma pessoa precisa de um objecto para se lembrar de alguém que lhe é querido, é muito mau sinal).

algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro.

Que horror, se alguém me oferecesse tal coisa!! Felizmente, nenhum familiar que me é muito querido me ofereceria uma secretária muito bonita, cheia de gavetinhas com pequenos tesouros dentro - porque os familiares que me são muito queridos conhecem-me. E porque os familiares que me são muito queridos sabem que o importante são os relacionamentos - não as coisas (e nenhum deles é minimalista como eu).
Prefiro que me ofereçam o seu tempo (um almoço, um jantar, uma tarde bem passada) do que um objecto (toma lá esta secretária e até qualquer dia). Aliás, isto é o que fazem muitos pais ausentes: tentam comprar o amor dos filhos com coisas... em vez de fortaleceram os seus relacionamentos passando tempo de qualidade juntos.
Mas por que é que as pessoas acham que é oferecendo coisas que se mostra o amor?? Porque na sociedade apressada e materialista de hoje, é muito mais fácil e rápido oferecer uma coisa para colmatar a falta de tempo do que tentar arranjar tempo (eliminando o desnecessário) para fortalecer relacionamentos.

também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo?

Aqui o(a) autor(a) do comentário só pode estar a falar do minimalismo como estilo decorativo, o que é distinto do minimalismo como estilo de vida... O minimalismo de que falo no blog não é uma “corrente”. É uma opção, um estilo de vida, que não implica seguir um estilo decorativo em particular. Sim, eu livrar-me-ia da secretária porque já tenho uma secretária que me serve perfeitamente, portanto não preciso de outra (a não ser que a secretária oferecida fosse muito mais gira e mais funcional que a minha; assim ficava com a nova e livrava-me da outra). Mas as gavetinhas cheias de tesouros é que me assusta! Tesouros são os meus filhos!

e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?

Esta parte não percebi bem... Então num espaço demasiado branco e demasiado vazio falta aconchego e conforto? Mas o que é preciso para dar conforto a um espaço? Cor e muita tralha? Mais coisas para arrumar, organizar e limpar? Isso para mim é o oposto de aconchego e conforto.
Rodear-me de tralha significa mais pó e sujidade acumulados, mais tempo perdido a limpar e mais tempo perdido a arrumar. Um lar aconchegante e confortável é aquele onde passo momentos felizes; passar o tempo a limpar coisas de que não gosto só porque foram herdadas ou oferecidas por familiares muito queridos, não é a minha ideia de tempo de qualidade.
E não percebi bem, então os meus objectos e mobília são desprovidos de emoções? Quer isto dizer que há objectos e mobília que têm emoções?? Volto a dizer, as emoções e as memórias estão dentro de nós, não nas coisas.

Em relação à minha casa ou a qualquer outra, sejam elas demasiado brancas e vazias ou não, quem tem que se sentir bem são as pessoas que lá vivem. Se eu (nós) não me sentisse bem em casa, se não me sentisse aconchegada e confortada, já teria feito mudanças há muito tempo. Porque quando as coisas estão mal, devemos ter coragem para mudá-las. E não é só na decoração, é em tudo na vida.

Isto da decoração é, como em quase tudo, uma questão de gostos. Há quem se sinta bem rodeado de coisas, há quem se sinta bem em espaços mais vazios. Ficam aqui algumas fotos de espaços um pouco vazios mas, para mim, super confortáveis e esteticamente agradáveis (e que fácil deve ser limpar espaços assim!):

 via

Domingo, 4 de Março de 2012

E o vencedor é...

... recebi +120 comentários, mas alguns estavam repetidos; depois de apagá-los, para ser um comentário por leitor, fiquei com 110. Usei o random.org para escolher o número vencedor, seguindo a ordem dos comentários.
E o número escolhido foi:

90! Corresponde à Rosa Maria, que escreveu o seguinte:

"Os comentários são a melhor parte dos blogs"
Foi a cereja em cima do bolo, isto é, comecei por gostar deste blog, acabo de o recomendar a uma amiga e, como gostei do saco .... resolvi colocar um comentário ! Qual não é o meu espanto, acabo por receber a resposta a uma dúvida que sempre tive e que nunca coloquei a ninguem: - Será que os autores dos blogs ligam minimamente aos comentários ? Pelos vistos .... Bjs e parabens Rosa Maria

Rosa Maria, envie-me um email para rita.busywoman (at) gmail.com com os seus dados para poder enviar-lhe a mala.
Como esta leitora não me deixou email e assim não tenho maneira de contactá-la, se não me responder dentro de 7 dias, farei novo sorteio no domingo à noite.

Obrigada a todos pela participação!! Fiquei muito feliz com o número de comentários! Quando chegar aos 1000 seguidores faço novo sorteio, mas desta vez com prémios para o 2º e 3º lugares!

Aproveito ainda para agradecer o feedback no facebook em relação à minha questão da frequência de publicação de posts aqui no blog. Continuo a achar que 5 posts por semana é um bocadinho demais (falo por mim, claro, como leitora de outros blogs) e 3 posts sabe a pouco. Assim, vou apontar para 4 posts por semana! Os temas: 2ª minimalismo, 3ª simplificar e organizar, 5ª projectos do One Bite at a Time, 6ª tema livre. Posso seguir este esquema ou não - é como me apetecer! Obrigada por continuarem desse lado!

Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Como organizo o computador

O computador é aquele depósito de tralha digital que por mais que se tente ter arrumado, é sempre muito difícil consegui-lo. No outro dia lancei mãos à obra e decidi destralhar e reorganizar os computadores.

Agora uso um novo sistema para organizar as pastas. É baseado no livro The Joy of Less da Francine Jay.  Ela sugere o uso dos conceitos de Inner Circle (círculo interior), Outer Circle (círculo exterior) e Deep Storage (armazenamento profundo) para classificarmos os nossos pertences e sabermos onde guardá-los consoante a sua frequência de utilização. É óbvio que não faz sentido ter a nossa melhor louça que nunca é usada num armário com fácil acesso na cozinha e a louça que usamos todos os dias na prateleira mais alta do armário. Eu apliquei estes conceitos aos meus ficheiros.

Assim, no Inner Circle estão pastas com ficheiros que uso com bastante frequência. São ficheiros de projectos em que estou a trabalhar no momento, artigos que estou a escrever, fotos recentes, coisas do blog, ficheiro das contas e orçamento, entre outros.
No Outer Circle tenho ficheiros que uso com menos frequência, menos de uma vez por semana ou mensalmente, como o CV, inventários, etc.
No Deep Storage tenho ficheiros que raramente necessito, como projectos terminados, fotos antigas, documentos digitalizados, comprovativos de IRS, etc.

Tenho assim 3 pastas grandes (inner, outer, deep storage) e cada uma está dividida em pessoal e work. Dentro de cada sub-pasta ponho então pastas com assuntos e ficheiros específicos.
Como a pasta mais pesada é a Deep Storage, não a tenho em nenhum dos meus 3 computadores. Tenho-a no disco externo e depois dividida em várias pens e CDs com as fotografias, mas quero arranjar outro disco externo para fazer o backup.
Em cada computador, no disco externo e no Dropbox tenho as pastas do Inner Circle e Outer Circle.

Este sistema simplificou-me imenso a vida. Parece-me que tem muito mais lógica dividir as pastas e ficheiros por frequência de utilização e depois por temas, como é costume, do que ter ficheiros que não uso (mas são importantes) a ocupar espaço no computador e a encher visualmente as pastas.

Agora a segunda parte - a mais radical! Já há muito tempo que me sentia tentada a fazer como o Leo Babauta, a Rachel Meeks e muitos outros e manter (quase) todos os meus ficheiros online, para não ter que me preocupar com sincronizações entre computadores (uso 3 diferentes e às vezes um outro que está no laboratório).
A grande vantagem é essa: não ter que me preocupar com as sincronizações. É que é mesmo difícil conseguir ter os 3 computadores sincronizados ao mesmo tempo!

Então agora, quando abro um ficheiro para trabalhar, abro a pasta do Dropbox e é esse ficheiro que altero. A sincronização com as pastas do Dropbox que tenho nos outros computadores é automática, por isso não tenho que me preocupar com nada! Se por acaso não tiver internet (o que é raro, muito raro), posso à mesma abrir a pasta do Dropbox e o ficheiro que me interessa (pois fica um pasta armazenada no computador), e quando voltar a internet, ele logo faz a sincronização... o pior é se tiver alterado o ficheiro noutro computador e não tiver internet para o ficheiro ser actualizado no computador que estou a usar - mas tal coisa nunca aconteceu!
Mantenho à mesma pastas e ficheiros no disco rígido dos computadores e disco externo e actualizo-os de vez em quando, só porque não sou assim tão corajosa para ter tudo apenas online...  

Há quem tenha aquelas preocupações do Google e outras empresas andarem a ler os nossos ficheiros, mas não tenho nada secreto nos meus, por isso quero lá saber...

E vocês, como organizam o computador?

Se quiserem aderir ao Dropox (é grátis), podem usar este link, e assim eu ganho alguns megabytes de armazenamento extra! Obrigada!

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Como vivo a vida

Auto-retrato ao espelho...

Adoro quando as leitoras me mandam emails a contar um pouco das suas vidas e com questões sobre vários assuntos. Fico sempre com ideias para posts!

Já recebi alguns emails a perguntar, basicamente, como é que consigo. Como é que faço as coisas, como é que me organizo, como é que consigo escrever, tratar da casa e da família e por aí fora...

Então, em primeiro lugar, eu falho. Sou um ser humano e falho. Nem sempre me levanto às 5 da manhã, nem sempre faço tudo o que planeei fazer, nem sempre tenho a casa limpa e arrumada, nem sempre tenho paciência para os miúdos, nem sempre ando bem disposta e sorridente. Mas sei que isso é normal e não me vou abaixo por causa de um mau dia.

Em segundo lugar, quando decidi conscientemente que queria ser minimalista, todo um novo mundo se abriu para mim. Perceber que não são as coisas nem as aparências que são importantes, mas sim os relacionamentos e aquilo que nos dá prazer, permitiu-me livrar-me não só de tralha física como também de preocupações inúteis que tinha. Os minimalistas são pessoas mesmo felizes!

Em terceiro lugar, acredito que o planeamento é o segredo para tudo. “Failure to plan is planning to fail”. Basicamente é isto: se planear as coisas, tudo corre bem, se não as planear, muito fica por fazer.

Em quarto lugar, acredito que para viver a vida que quero, tenho que ter disciplina e uma série de hábitos e rotinas bem definidas. É fácil ter disciplina? Claro que não! Mas torna-se mais fácil se visualizar duas situações: uma em que sou disciplinada e consigo fazer tudo o que quero e o dia corre-me quase na perfeição; outra em que sou preguiçosa e procrastinadora e chego ao fim do dia, não fiz quase nada e estou demasiado cansada para fazer seja o que for. A vida é feita de opções e esta escolha entre a disciplina e a preguiça nós é que controlamos. Portanto, é só escolher. E mantermo-nos fiel a essa escolha, como se a nossa vida dependesse disso... porque é tão mais fácil desligar o despertador e dormirmos mais um pouco... mas se estivesse em causa a nossa sobrevivência, saltávamos logo da cama, certo?

Mas falando de coisas mais práticas, eu tenho uma série de hábitos, formados ao longo dos anos (um hábito não se forma de um dia para o outro), que resultam comigo. Por exemplo, preparo a roupa e mochilas na véspera para perder menos tempo de manhã; levo comida para o trabalho (fruta, frutos secos, bolachas, água, etc.) para não gastar dinheiro; não começo a semana de trabalho com roupa por lavar ou por passar a ferro (geralmente passo a roupa que foi lavada ao longo da semana ao sábado de manhã); lavo a louça e arrumo a cozinha logo a seguir ao jantar (nem saio da cozinha antes disto tudo feito); quase não vejo televisão (mas vejo o How I met your mother todos os dias); limpo o caixote dos gatos de manhã e à noite; queimo incenso para a casa cheirar bem; faço sempre a cama de manhã antes de sair de casa (há uns anos nunca fazia a cama); passo 15 minutos (ou mais) todos os dias a arrumar o que estiver desarrumado; leio na cama antes de dormir; tento não perder muito tempo na internet a passar de site em site ou de blog em blog; estabeleço prazos para mim própria para completar projectos, etc... e tenho muitas destas coisas por escrito, afixadas na parede, para não me esquecer de fazê-las. Resulta! Devo dizer que o facto de ter um trabalho sem horários dá-me imensa margem de manobra para planear as coisas à minha maneira. Além disso, o trabalho fica a 5 minutos de casa (de carro). 


Cá em casa somos uma equipa. Eu não trato do marido (era o que faltava!). Trabalhos os dois fora de casa, e em casa fazemos as coisas em conjunto e dividimos tarefas. Os dois tratamos dos nossos filhos e dos animais. Tenho empregada uma vez por semana para as limpezas maiores, mas com crianças e gatos, a casa tem que ser limpa com mais frequência, o que faço de bom grado, pois além de gostar de fazer limpezas, é um bom exercício físico (eu não gosto é de cozinhar...)! E devo dizer que os meus filhos já não dão assim tanto trabalho quanto isso. É uma das vantagens de serem dois rapazes quase da mesma idade (têm 10 meses e meio de diferença). Muitas vezes eu quero brincar com eles e eles não querem - estão demasiado envolvidos um com o outro e com as suas coisas (ou com a televisão que têm no quarto, que há-de desaparecer de lá um dia destes...).

Como já disse, uma coisa que o minimalismo me fez ver com clareza foi a importância de não perdermos tempo com coisas que não são importantes e fazermos apenas aquilo de que gostamos. Eu, há uns anos, metia-me em tudo, desde desporto, política, demasiados projectos no trabalho. Não sabia dizer não. E depois a vida familiar e o meu próprio tempo pessoal sofriam. Agora já não. Agora digo não. Agora sei identificar o essencial e eliminar o resto.

Por exemplo, acho que sabem que eu jogo ténis. Nunca competi, a não ser em torneios sociais, e andava a pensar começar a treinar mais a sério para começar a ir a competições. Mas depois pensei, para quê? Eu quero jogar ténis e jogar cada vez melhor, mas apenas porque isso me dá prazer. Não quero perder fins de semana em torneios nem fazer treinos intensos todos os dias. Já não tenho idade para me tornar uma das manas Williams nem uma Maria Sharapova... Então, para quê perder tempo com isso? Jogo porque gosto e porque me dá prazer jogar e é dos melhores exercícios físicos que há, mas não quero ter essa obrigação de jogar cada vez mais e melhor.
Outro exemplo. Há quase 10 anos atrás eu fazia musculação mesmo a sério. Cheguei a pesar mais 10 quilos do que peso agora e não estava gorda (era tudo músculo e água...). Treinava todos os dias e pesava toda a comida, como se deve fazer, para controlar bem o que ingeria. Mas para quê? Eu nunca quis ir a competições de culturismo nem de fitness... Para quê perder tanto tempo a pesar a comida e a treinar feita maluca?? Deixei-me disso, claro. Adoro fazer musculação e devia até levar os treinos um bocadinho mais a sério, mas nunca como fazia dantes.

E quem diz o ténis e a musculação, diz outras coisas. Envolvemo-nos sempre em muitas actividades, mas são elas assim tão importantes para nós? O que é que é de facto importante? É nisso que devemos reflectir e depois fazer as nossas escolhas. Foi o que fiz, e foi assim que disse não a muitas coisas na minha vida. E agora tenho mais tempo para o que é realmente importante. Mas, pensam vocês, o que é que é realmente importante para mim? É fácil: é aquilo que me faz realmente feliz. Mas que coisas são essas?

A minha família. Quero educar bem os meus filhos, fazê-los boas pessoas com os valores no sítio, e passar tempo de qualidade com o meu companheiro.

O meu trabalho. Apesar de ser um trabalho precário e mal pago, como é qualquer trabalho científico em Portugal, adoro o que faço.

Contribuir para a sociedade. Isto é uma coisa que o meu trabalho não permite, a curto ou médio prazo (os frutos da ciência não são imediatos). Sempre senti necessidade de contribuir de forma mais imediata para a sociedade, para colmatar essa falha do meu trabalho científico. Quero muito fazer voluntariado, mas ainda não comecei. Este blog é uma maneira de contribuir  e é por isso que fico imensamente feliz com os vossos emails e comentários!

Viver uma boa vida, do ponto de vista emocional e físico. Faço desporto, tenho cuidado com a alimentação, leio, ouço música, aprendo coisas novas. Tudo isto me faz feliz.

Para acabar, que este post já está enorme, o Leo Babauta tem uma capacidade de síntese fantástica. Ele escreveu um pequeno guia para a vida que traduzo em baixo. É basicamente assim que quero/tento viver:

menos televisão, mais leitura
menos compras, mais ar livre
menos tralha, mais espaço
menos pressa, mais calma
menos consumo, mais criação
menos lixo, mais comida a sério
menos ocupações, mais impacto
menos condução, mais andar a pé
menos ruído, mais solidão
menos foco no futuro, mais no presente
menos trabalho, mais recreação
menos preocupações, mais sorrisos
respire




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Não se esqueçam do sorteio da mala feita por mim que está a decorrer até Domingo! Participem - é só deixar um comentário no post.

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