13/10/2019

O meu quarto minimalista

Tenho um post antigo que mostra a evolução na decoração do meu quarto na minha antiga casa. Na casa nova, onde estou há cerca de ano e meio, o quarto ainda não está perfeito, mas lá chegaremos!
Vejamos o que tenho no quarto:

A cama tem apenas um lençol-capa e a capa de edredão, que agora serve como lençol. Quando tem o edredão posto, a cama fica com um ar muito mais confortável... E, claro, gatos e cão em cima da cama = cama desarrumada (real life!)

> Cama - é um estrado metálico de 160 cm por 200 cm com um bom colchão da Molaflex. Fiz a saia da cama, não para esconder tralha que esteja debaixo da cama (porque não tenho lá nada!), mas sim para tapar o próprio estrado, que é feio. Gostava de arranjar um outro estrado, de madeira, que pudesse estar à vista, para livrar-me da saia - a saia da cama é mais uma coisa para lavar, passar a ferro, tratar...

> Mesa de cabeceira - é uma mesa rebatível do Ikea que uso como mesa de cabeceira (já não tenho os bed pockets) para colocar livros, lenços, coisas dessas, e às vezes abro para trabalhar no computador. Tem um candeeiro para ler na cama. Do lado do J., não há nada. Durante a noite, geralmente deixamos os telemóveis, que usamos como despertador, na casa de banho do quarto.

Na verdade, acho demasiado uma cadeira e um cabide. Quero chegar ao ponto em que arrumo logo a roupa quando a dispo, e assim não ter necessidade de um cabide para a colocar... Já o J.... precisa mesmo da cadeira para por a roupa... Ao lado da cadeira está a porta do quarto.

> Cómoda - é a mesma cómoda Malm do Ikea que já tinha na outra casa. Das 6 gavetas, 5 têm coisas minhas, e a outra tem os lençóis da cama.

> Cadeira - cadeira velha renovada, que veio da casa das Caldas da Rainha. É para o J. por a sua roupa.

> Cabide - ainda está para ser lixado e pintado de branco. É para a minha roupa.

> Roupeiro embutido - Toda a roupa do J. cabe lá, o resto da minha roupa também, o cesto com a roupa para passar a ferro, e na prateleira superior, tudo o que é mantas e edredões que não estão a ser usados.

> Decoração - Dois quadros a óleo grandes em cima da cómoda. Um cortinado na janela. Uma orquídea no parapeito da janela. Duas almofadas grandes na cama que fazem de cabeceira quando a cama está feita (ai o feng shui!!). Um candeeiro de teto em papel que gostava de substituir por um deste estilo (cada vez mais aprecio a qualidade, mesmo que custe mais - mas também dura mais) e um candeeiro de mesa para ler na cama.

> Espaço - Não se vê nas fotos, mas tenho bastante espaço do lado esquerdo da cama. Em vez de colocarmos a cama no centro do quarto, como era suposto, chegámo-la mais para a direita, para o lado da janela, para ficar muito espaço livre entre a cama e a parede oposta à janela (onde está a porta da casa de banho). Uso esse espaço para fazer yoga ou simplesmente para descansar os olhos. Olhar e ver só chão e paredes brancas, nenhuma mobília, nenhuns bibelots, nenhuma tralha, aahh!

> Simetria - Eu tenho uns traços obsessivo-compulsivos, e a mobília tem que estar perfeitamente alinhada, nomeadamente a cama, a cómoda e o quadros. Daria-me uma coisa má se o centro da cómoda não estivesse alinhado com o centro da cama, e se os quadros não estivessem perfeitamente centrados com a cómoda.

> Cores - As cores são o branco e o cinzento, o castanho da madeira do chão e do roupeiro, e alguns detalhes coloridos nos quadros. Cada vez gosto mais de pouca cor, tanto na decoração como na roupa, pois relaxa-me; muitas cores stressam-me. 

O que não tenho no quarto:

> mesas de cabeceira "a sério"
> espelhos
> tapetes
> tralha debaixo da cama
> tralha dentro do roupeiro
> televisão
> rádio-despertador
> montes de almofadas decorativas em cima da cama
> bibelots

08/10/2019

Ainda sou minimalista?


Há algum tempo, alguém perguntou no Instagram se eu ainda sou minimalista. A resposta é afirmativa. Sim, os princípios do minimalismo ainda norteam a minha vida.

Quais são esses princípios e como os aplico na minha vida?

> os minimalistas identificam o essencial e eliminam o resto

"Uma vida minimalista é despojada do desnecessário, de modo a ter espaço para o que nos dá alegria. O minimalismo é uma ferramenta para nos livrarmos do excesso e focarmo-nos naquilo que é importante, de modo a encontrarmos felicidade, realização, liberdade, paz e leveza."

Nunca isto foi tão importante para mim como agora. A verdade é que este ano fiz... 40 anos... e cada vez tenho menos vontade de fazer coisas que não quero ou ter coisas que não me interessam. Já não me preocupo com coisas que não consigo controlar e o que faço, tem de me dar prazer, tem de ser uma fonte de felicidade.

Um exemplo: aquela conversa dos ginásios e de muitos PTs, tem que doer, ou no pain, no gain, para mim é um monte de bullshit. Mas eu vou lá perder tempo a fazer coisas que me fazem sofrer??? Nem pensar!

O que faço, e sobretudo quando não são obrigações, tem de me dar prazer! Caso contrário, é uma perda de tempo. E assim, desisti de vez de tentar correr (não gosto), de fazer aulas de grupo no ginásio (não tenho paciência), de fazer o que dizem os PTs (prefiro ouvir o meu corpo). Em vez destas coisas, foco-me no que gosto: yoga, natação, treinar em casa (desculpem os exemplos com o exercício físico, mas é uma área muito importante na minha vida).

Outro exemplo, a roupa - cada vez tenho menos e cada vez gosto mais do que tenho (mas vou deixar este tópico para outro post).



> os minimalistas estabelecem limites

"Uma estratégia para impedir, não digo a entrada, mas a instalação da tralha em casa é estabelecer limitesEstabelecer, por exemplo, que os livros não podem ocupar mais que 4 prateleiras, a roupa interior não pode ocupar mais que 1 gaveta, os lápis e canetas não podem ocupar mais que 1 copo na secretária, e por aí fora..."

Sim, ainda tenho limites cá em casa. Os livros têm de caber todos em sete prateleiras (na foto), a roupa tem de caber no roupeiro embutido e na cómoda Malm de seis gavetas, e por aí fora... Ao estabelecer limites às coisas que entram em casa, conseguimos manter apenas o essencial. E como sabem, mudei de casa há pouco mais de ano e meio para um apartamento maior, mas com uma cozinha mais pequena -  foi a oportunidade perfeita para destralhar ainda mais!


> os minimalistas poupam dinheiro

"As pessoas gastam dinheiro que não têm, para comprar coisas de que não precisam, para impressionar pessoas de quem não gostam."

Quando penso no dinheiro que gastava em coisas, sobretudo em roupa e sapatos, mas também em livros, ebooks, decoração, cursos online, coisas que, na sua maioria, não aproveitei como devia ser, até me dá arrepios!! Mas isso acabou, ou pelo menos, melhorou bastante!

Em relação à roupa, sapatos e malas, por exemplo, prefiro ter menos, mas de melhor qualidade. Prefiro ter duas malas, uma preta e uma castanha, de boa qualidade, clássicas, com um design intemporal, e, sim, caras, do que ter dez malas de várias cores e feitios que ao fim de alguns meses de uso começam a romper e a descolar. Aliás, tenho andado à procura de duas malas, uma preta e uma castanha, boas, caras, intemporais, que me durem muitos e muitos anos, mas ainda não encontrei nada suficientemente bom. A longo prazo, sim, poupa-se dinheiro optando pela qualidade em vez da quantidade.

> os minimalistas gostam de rotinas

"Geralmente ouvimos que as rotinas são restritivas e que devemos viver cada momento da vida à medida que a vida acontece, em vez de a planearmos. Não concordo. Estabelecer rotinas diárias e semanais ajuda-me imenso. As rotinas são de facto um dos aspectos fundamentais de uma vida simples e produtiva."

Há uns dias estive com motards que falavam do fugir às rotinas, como isso é importante, sair do trabalho, fim-de-semana a entrar, pegar na mota e ir por aí; pessoas que mudaram de vida, deixaram as rotinas que tinham e agora só fazem o que querem. Muitas pessoas falam das rotinas como se fosse uma coisa má. Eu discordo e acabo por me sentir um extraterrestre quando digo que adoro as minhas rotinas.

As rotinas criadas por mim, ajustadas à minha vida, aos meus objetivos, dão-me um conforto imenso. Saber que tenho o dia planeado de maneira a ter tempo para fazer tudo o que quero, saber que vou chegar a casa (no inverno) e tenho a lareira acesa, saber o que vai ser o jantar em cada dia... estas coisas, estas certezas tornam a vida mais fácil. Eu gosto das minhas rotinas. Fugir às rotinas para fazer coisas diferentes de vez em quando, sim, mas querer escapar às rotinas porque são tediosas - nunca!

> os minimalistas vêem as coisas pelo que elas são

"As coisas que temos são úteis, são bonitas ou são emocionais. 
As coisas úteis são, como é óbvio, coisas que utilizamos no dia a dia, coisas que nos fazem falta e coisas que, de facto, tornam a nossa vida mais simples.
As coisas bonitas são aquelas que não são necessárias, mas que mantemos porque são bonitas e gostamos de olhar para elas, ou porque a sua presença faz-nos mais felizes.
As coisas emocionais são aquelas que mantemos porque nos trazem recordações, como lembranças de viagens ou coisas herdadas de familiares."

É como diz a Marie Kondo. Se não é útil e se não me traz alegria, porquê manter essa coisa? Continuo a trabalhar o desapego, a tirar fotos a coisas que deito fora, a esforçar-me por não ter coisas de que não preciso. É um processo e às vezes não é fácil, porque está sempre aquela vozinha cá dentro a perguntar "e se um dia precisar disto??"

> os minimalistas não criam ligações emocionais às coisas

"Os nossos relacionamentos são com as pessoas e é em relação às pessoas que devemos criar ligações. Claro que podemos gostar muito de algum objecto, alguma peça de mobília, alguma peça de roupa, mas daí a criar uma ligação emocional com a coisa que depois será demasiado tentar quebrar... a mim parece-me é que ligações emocionais às coisas são um sinal de problemas mais profundos. As pessoas que se ligam desta maneira aos objectos fazem-no para se sentir seguras (o falso conceito que ter coisas traz felicidade) ou para se agarrarem ao passado e às memórias (as memórias estão dentro de nós, não nas coisas; acho que se uma pessoa precisa de um objecto para se lembrar de alguém que lhe é querido, é muito mau sinal)."

Quando escrevi este texto sobre as ligações emocionais não imaginava sequer que iria estudar psicologia, mas agora que passei por isso, podia discorrer ainda mais sobre este assunto... Não o vou fazer e continuo convicta que o apego é uma fonte de sofrimento. Não sou perfeita nisto. Há coisas que se estragam, que se partem, e eu fico mesmo chateada - mas depois penso, são só coisas, são substituíveis... E as memórias estão cá dentro, não nas coisas.

Ah, o maravilhoso mundo do minimalismo!! ;)

07/10/2019

O estado das coisas

Ultimamente tenho pensado muito acerca do futuro deste blog. Não escrever mais mas deixá-lo online, encerrá-lo de vez, ou voltar a escrever...

Desabafei na página do blog no facebook que não sei se volte a escrever ou se deixe de escrever de vez... não estava à espera de tantas respostas, de tanta vontade vossa de me voltar a ler! Obrigada!!

A verdade é que gosto de escrever aqui - mas nos últimos 5 anos, o tempo livre que usava para escrever foi ocupado com fazer trabalhos e estudar para frequências... Desde que ingressei, em 2014, na licenciatura em Psicologia, o meu tempo livre reduziu exponencialmente!!

Terminei a licenciatura em 2017, entrei no mestrado em Psicologia Clínica e, ao mesmo tempo, no doutoramento em Psicologia. Para quem não sabe, já tenho um conjunto de 3 graus académicos na área da biologia marinha... Bom, pois fui fazer mais 3, noutra área! A licenciatura está feita, o mestrado só falta a defesa da tese, e a tese de doutoramento vou entregar em breve...

Tenho mais tempo agora. Trabalho o dia todo, a fazer investigação, preparar e dar aulas, orientar alunos no laboratório, mas tenho mais tempo. Chego a casa, faço yoga, faço tarefas domésticas, e depois do jantar já não tenho que estudar. Voltei a ter esse tempo e, na verdade, prefiro aproveitá-lo para ler ou escrever do que ver Netflix (que é o que tenho feito nos últimos tempos - as duas últimas séries que devorei - La Casa de Papel e Elite). Mas adiante...

Quero voltar a escrever? Sim, tenho vontade. Tenho assuntos? Bem, para publicar posts todos os dias, não, mas de vez em quando, 1 ou 2 por semana, acho que se arranja tema... Que temas me interessam? Os de sempre - minimalismo, yoga, vida simples e saudável.

Vamos ver se isto vai para a frente! E obrigada por continuarem desse lado!


24/07/2019

Para elas menos é mais

É o título de um artigo publicado em janeiro na Revista Sábado, para o qual fui entrevistada... Sei que tenho andado desaparecida - e tenho recebido alguns emails e comentários a pedir o meu regresso (Obrigada!), mas por enquanto aqui fica o link do artigo!


29/07/2018

Livro para estudantes de doutoramento - The A-Z of the PhD Trajectory: a Practical Guide for a Successful Journey



Sigo há muitos anos a Eva Lantsoght e o seu fantástico blog PhD Talk, onde ela escreve sobre o processo de fazer um doutoramento, a vida no meio académico, dicas de gestão de tempo, de escrita científica, de self-care, e por aí fora. Recentemente foi publicado pela Springer o seu primeiro livro, The A-Z of the PhD Trajectory: a Practical Guide for a Successful Journey, e claro que aproveitei as minhas férias para o comprar e ler. Neste post vou então escrever um pouco sobre este livro da Eva Lantsoght.

O livro destina-se principalmente a estudantes de doutoramento nas áreas da ciência e tecnologia, mas também a professores/orientadores, para que possam ajudar os seus alunos ao longo deste processo. Os principais tópicos discutidos são a definição da questão de investigação, como fazer uma revisão da literatura, preparar e executar experiências, gestão do tempo, escrita científica, apresentações académicas, e preparar uma carreira após o doutoramento.

O livro está organizado em duas partes. A parte I engloba os vários aspetos do percurso do doutoramento, ao longo de 14 capítulos, e a parte II é um glossário (o A-a-Z) com muita informação sobre tópicos específicos.

O que é que eu achei do livro?

Primeiro, as coisas más - ou a coisa má: o livro é muito caro. Paguei cerca de 63 euros pela versão kindle, valor este que está fora do orçamento de muitos estudantes de doutoramento, pelo menos em Portugal. Nestes casos, fará mais sentido o professor/orientador comprar o livro para si e disponibilizá-lo aos seus alunos.

Agora, as coisas boas - adorei o livro! Eu gosto muito da escrita da Eva, é leve, fluida, e consegue agarrar-me até ao fim. O livro é extenso (a versão em papel tem quase 400 páginas) e consegui ler tudo em uma semana. Adorei os exemplos pessoais que a Eva dá para ilustrar os vários capítulos. Vê-se que é alguém que fala por experiência própria, que partilha os seus sucessos mas também os seus erros, e isso é muito motivante - ficamos a pensar, se estas estatégias resultaram com a Eva, também vão resultar comigo!

As minhas partes preferidas do livro? A gestão do tempo, claro, que é um tema que me apaixona. A Eva dá inúmeras dicas sobre como organizar as coisas a fazer e otimizar o tempo que temos. Por exemplo, ela fala sobre a importância de reservarmos um bocadinho todos os dias para escrever (a tese, artigos, seja o que for), pois a escrita, como geralmente não tem prazos, fica esquecida no meio das outras coisas todas... Ela aconselha também um horário semanal das atividades, para que possamos encaixar não só o tempo para escrever, como as outras coisas que têm que ser feitas (como ela mostra aqui). Ela sugere também o uso dos pomodoros (que eu adoro! Já escrevi sobre isso aqui) como estratégia para aumentar o foco. Outra coisa que ela sugere (que eu já fiz, mas depois deixei e agora tenho que voltar a fazer outra vez - será sexta-feira à tarde!) é reservar um tempo específico para ler os artigos que vão sendo publicados - é a única maneira de nos mantermos a par dos progressos em cada área.

Mas devo dizer que o capítulo que teve mais impacto em mim foi o capítulo 9 - Communicating Science in the 21st Century. Aqui a Eva fala acerca dos blogs como forma de disseminação da investigação, o uso do Twitter, e a importância do online branding. Termos uma presença online visível, ativa e positiva pode conduzir a novas oportunidades, e por isso, mal acabei de ler este capítulo, atualizei o meu perfil no ResearchGate e voltei para o Twitter (e graças a isso já soube de oportunidades que desconhecia, já aprendi coisas novas e já me ri imenso).

Para concluir, gostei muito do livro. Já li outros livros sobre a mesma temática, mas este tocou-me mais por ter tanto da experiência da Eva lá dentro. É um livro que recomendo, embora o preço seja um pouco proibitivo. Por isso, seria interessante se as bibliotecas universitárias o adquirissem, disponibilizando-o para toda a comunidade académica.

(o livro na Amazon e na Springer)

04/07/2018

Estou livre!!

No passado dia 19 de junho fiz o meu último exame na universidade. O último! Acabaram-se 4 anos de aulas (como aluna), de estudar para frequências e exames, de trabalhos, de estudar, de perder fins-de-semana a estudar ou a fazer trabalhos. Há um ano atrás estava a acabar a licenciatura em psicologia, agora acabei a parte curricular do mestrado em psicologia clínica. No próximo ano letivo tenho apenas a tese, que para mim é easy peasy, visto que fazer investigação científica é o meu trabalho, e o estágio. O estágio assusta-me mais, pois... é o estágio - dar consultas, ajudar as pessoas. Na investigação sinto-me super à vontade, visto que é o que faço há uns 15 anos, mas dar consultas como estagiária de psicologia... nunca fiz isso na vida e não sei bem o que me espera... Seja como for, não tenho mais frequências nem exames, nunca mais!!!!

Sinto-me livre!! Livre para passar uma manhã inteira de sábado na praia ou na piscina e uma tarde inteira de domingo a ler. Livre para vegetar, para não fazer nada! Livre para organizar o meu tempo ao meu jeito, sem os deadlines dos trabalhos ou os dias das frequências. 

Agora estou de férias, o mês todo de julho, como sempre. Trouxe trabalho para fazer nas férias, como sempre. Mas em agosto começa a minha nova vida, sem ter que pensar em aulas ou frequências ou trabalhos. 

Sim, já estou a repetir-me demasiado, mas a sensação de liberdade é tão boa!

E para quem acha que eu não vou ficar por aqui e ainda vou tirar outro curso: não, já não tenho parede para pendurar os diplomas (se bem que os cursos de desporto e de nutrição agradam-me...) ;))

14/06/2018

Partilhar a vida pessoal online - a minha opinião

Acabei de ler este post da Lénia e lembrei-me de um comentário que deixei há muitos anos no blog da Astrid, precisamente sobre a partilha da vida pessoal nos blogs. 

A Lénia diz que a sua vida pessoal tem pouquíssimo interesse. A Astrid refletia sobre a partilha da sua vida pessoal no blog e perguntava-nos o que é que achamos fascinante na vida das outras pessoas. E eu respondi assim à Astrid isto foi em agosto de 2011!!!):

I also love to see how other people live, for many reasons. For instance, I like to read about other people's daily routines, their thoughts and ideas about living and everyday issues, how they plan their lives, how they decorate their homes... The purpose of that is basically to get inspired and thus improve my own life... 


My life has indeed changed so much (for the better) when I started reading blogs - if you remember, you inspired me to leave my car at home and walk to work! Other blogs have influenced me in so many good ways! Here are some changes I made inspired by other people I met online: I started to sew, I got into the crafting world, I opened an Etsy shop, I started to take control of my finances, I became much more organized (both at home and at work), I finaly discovered my style, in terms of fashion and home decor, I started taking more pictures (inspired by you) and bought a nice camera, I rediscovered shooting film and my dad's old Nikon camera (also inspired by you), I'm in the process of becoming an early riser, and overall, I believe I became a better mum and wife.


So, yes, getting a glimpse into other people's lives made my life much better. 


As for my own blog and sharing my life online, I obviously only share a small part of it - an edited version, as you put it. Why, because many times life is too ordinary, or there isn't enough time to write and take pictures of the interesting parts... Anyway, the best comments I get on my blog are those saying "you have inspired me to do this" - because that's precisely how I feel reading many other blogs - such as yours. So, if I can inspired just one person to improve their life just a tiny bit, I'd be happy! 

A minha opinião continua a ser esta. Eu gosto de olhar para a vida das outras pessoas (não de todas, obviamente), porque me inspira! As pessoas inspiram-me a fazer melhor, a lutar pelo que quero, a mudar o que está mal. Desde que comecei a ler blogs, penso que no verão de 2009, a minha vida mudou consideravelmente. Vi o que estava mal, o que estava bem, vi como é que as outras pessoas fazem as coisas e vi como posso aprender com os outros e fazer alterações positivas na minha vida.

Eu não descobri a pólvora! O que descrevo aqui é, simplesmente, a aprendizagem social. A aprendizagem social é uma das formas que nós usamos para aprender, por observação de um modelo (ou seja, de outra pessoa). Além de usarmos a aprendizagem social no dia a dia, muitas vezes sem nos apercebermos, esta é uma técnica que também é usada em psicoterapia, quando se quer mudar um comportamento, através da observação e imitação de um modelo que é competente no comportamento alvo.

Além disso, acho que as pessoas são interessantíssimas! A nossa personalidade, as nossas motivações, os nossos comportamentos, tudo isso me fascina (ou não tivesse eu ido estudar psicologia). Por isso, Lénia, não digas que a tua vida pessoal tem pouquíssimo interesse. Podemos achar isso da nossa vida, mas podemos ser uma fonte de inspiração para outras pessoas - o modelo que outra pessoa vai usar para mudar algum comportamento. Compreendo que não devemos e não podemos partilhar tudo da nossa vida, obviamente! Mas, como escrevi à Astrid, o que apresentamos online é uma versão editada da nossa vida. Não é preciso partilhar todos os podres ou todas as alegrias. Às vezes basta uma frase, ou uma foto, para acender a luz na cabeça de outra pessoa - e assim fazer toda a diferença na vida de alguém.


09/06/2018

Psicólogos e pseudoterapeutas - a minha opinião

Sendo praticante de yoga, sou também alvo de muitos estereótipos. As pessoas assumem que sabem como eu sou ou até como deveria ser.

Que eu gosto das "terapias" alternativas e new age, que eu gosto de velinhas, incenso e aromaterapia, que devia usar medicamentos homeopáticos, que devia ser vegetariana ou mesmo vegan, que gosto de lugares calmos e silenciosos, que comecei a fazer yoga para aliviar o stress e a ansiedade... por aí fora. Estas foram algumas que já ouvi.

Só para esclarecer, gosto de incenso, sim. 

Não uso medicamentos homeopáticos. Tiram-me o paracetamol, tiram-me tudo!

Gosto de lugares calmos e silenciosos como qualquer pessoa. Às vezes são precisos. Mas a verdade é que adoro viver na cidade, ter tudo à distância de alguns passos, ver e ouvir carros e pessoas na rua. 

Como carne, adoro e não pretendo parar. Fui vegetariana durante 3 meses e desisti. O meu sistema gastrointestinal não aguentou.

Comecei a fazer yoga porque me apeteceu, não por causa do stress e ansiedade, coisas de que nunca sofri muito, felizmente.

Mas onde eu queria chegar é aqui. Não gosto de "terapias" new age, que passam cá para fora como tendo uma base científica, quando na verdade não passam de pseudociência, que usurpam e deturpam a ciência. A física quântica, por exemplo, agora é (mal) usada para justificar tudo e mais alguma coisa. Por favor... Sendo cientista, tendo anos e anos e anos de estudos em duas áreas da ciência (biologia e psicologia), vejo com maus olhos o bloom de terapeutas disto e daquilo que hoje se vê por aí. Tiram cursos da farinha amparo, aprendem umas coisinhas de psicologia (os psicólogos a sério têm no mínimo 6 anos de formação) e ficam habilitados a fazer terapia?? A lidar com pessoas que podem ter psicopatologias sérias?? A usar mambo-jambo, conversas e conceitos confusos, que não se entendem (se calhar o objetivo é esse), para explicar os problemas das pessoas? Para dar conselhos às pessoas?? Pessoas sem formação de base em psicologia, ou noutra área da saúde, são terapeutas familiares, terapeutas de casal, terapeutas emocionais?? 

O reverso da medalha. Lá um por um psicólogo ser psicólogo, ou até psicoterapeuta (que implica ainda mais anos de formação), não quer dizer que seja bom profissional. O mesmo para os pseudoterapeutas. E um pseudoterapeuta pode até ser mais empático, ter mais competências interpessoais, de comunicação, etc. que um psicólogo cheio de diplomas. Há pessoas e pessoas, claro.

Mas, do que tenho visto por aí, a maioria é treta. Pseudociência, pseudoterapeutas. Cursos rápidos e caros, diploma na mão, com o qual se pode depois ganhar dinheiro fácil. 

A sério, por favor, se têm um problema que vos causa um mal-estar significativo, que afeta o vosso dia a dia - vão ao psicólogo. Podem não acertar no psicólogo à primeira, pode não se estabelecer aquela aliança terapêutica que é fundamental no processo, mas o psicólogo é o profissional de saúde a consultar. As técnicas usadas são validadas empiricamente, sabe-se que funciona. É mais caro, sim, há falta de psicólogos no SNS, sim, mas estamos a falar da nossa saúde. É um investimento que vale a pena. Não queiram curas rápidas, milagrosas, porque essas não existem. A sério, psicólogo. 

E era isto que eu queria dizer hoje. 

13/03/2018

Update da vida

Tenho muitas saudades de escrever aqui no blog. Espero que vocês aí desse lado tenham saudades de me ler... A verdade é que, como já referi inúmeras vezes, desde que fui estudar Psicologia, o meu tempo livre diminuiu consideravelmente. Felizmente que estou quase no fim - este é o meu último semestre de aulas! Depois, espero voltar à programação habitual!

Mas afinal o que tenho feito? A minha vida tem sido escrever artigos, rever artigos, fazer trabalhos do curso; yoga, natação e ginásio; cuidar mais da casa, até porque na casa nova não tenho empregada; ler, ouvir música; andar a pé mais, agora que vivo no meio da cidade! Tem sido bom, estou contente com esta mudança e com os dias super ocupados. 

Reorganizei-me novamente. Fico em casa a trabalhar um dia e meio por semana. Os outros dias divido entre o trabalho no gabinete e as aulas do mestrado. À noite, no sofá, aproveito para adiantar alguma coisa, geralmente trabalhos do curso. Vai-se fazendo, é cansativo, rouba-me muito tempo, mas eu gosto.

Tenho saudades de dar passeios de bicicleta e de brincar na praia. (é verdade que não tem estado tempo para isso...) Tenho saudades de escrever aqui. Tenho saudades de me sentar numa esplanada a observar o mundo à minha volta. Falando em observar, lembram-se deste texto que escrevi há 5 anos? Incrivelmente, ontem conheci a rapariga do texto, num evento de trabalho! Não percebi logo que era ela, mas mais tarde lembrei-me. O mundo é pequenino! (devia entrar em contacto com ela e mandar-lhe o link do texto, não?)

Os dias correm assim, apressados, ocupados - e saborosos.


14/02/2018

Eu e a cidade



Eu gosto de cidades. Nasci em Lisboa (apesar de hoje em dia ser muito mais algarvia que alfacinha...) e vivi até aos 18 anos numa rua movimentada da capital. Adormeço muito melhor com o barulho dos carros a passar na rua do que com o silêncio do campo.

Há 14 anos que vivo no Montenegro, uma freguesia de Faro a meio caminho entre Faro e a praia. Mas agora surgiu uma oportunidade de ir viver para Faro, para a cidade - e aproveitei-a!
Perdi a vista para o mar, mas mantenho a vista para a serra. Ganhei uma vista desafogada sobre a paisagem urbana - de que gosto bastante. Continuo a ouvir os pássaros a cantar - esta manhã até passou uma gaivota por uma das minhas varandas! E, mais importante, tenho imenso sol que entra pela casa dentro o dia todo. 


Tenho supermercado, correios, bancos, mercado municipal, piscinas, complexos desportivos, ginásios, tudo a pouca distância a pé. Era o que eu queria - ser menos dependente do carro para me deslocar. No Montenegro, qualquer coisa tinhamos que ir de carro... A única desvantagem é que os miúdos já não podem ir de bicicleta para a escola e eu não posso ir a pé para a universidade... Mas de resto... viver na cidade tem, para mim, muito mais vantagens. Overall, estou contente com a minha casinha nova!
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