16/02/2012

Fazer um orçamento mensal

Hoje vou falar projecto número 28 do ebook da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time: criar um orçamento mensal.

Antes de começar, devo avisar que não sou nenhuma autoridade no assunto. Até há poucos anos atrás tanto eu como o J. éramos bastante desorganizados com o dinheiro, fruto de podermos pedir mais aos papás sempre que fosse preciso. Com a vinda dos miúdos, comecei a aperceber-me que não posso gastar o dinheiro à tola e ficar dependente dos meus pais caso as coisas corram mal. E comecei a ter mais cuidado com o dinheiro. Mas ainda levei uns bons anos até ter o controlo total das minhas finanças, mas hoje em dia posso dizer que já estou no ponto!

Então o primeiro passo em direcção à independência financeira, criar um orçamento mensal!

Para fazê-lo, há uma regra simples mas incontornável:

dinheiro que entra (salários) - dinheiro que sai (despesas) > 0

Ou seja, as despesas nunca podem ser maiores que o que ganhamos. Se assim for, as coisas estão mesmo muito mal e há que fazer cortes imediatos nos gastos.
A Tsh sugere o zero-based budget, que significa que depois do orçamento feito, não sobra dinheiro, isto é, todo o dinheiro tem algum destino (nem que seja a conta-poupança), alterando a regra acima para:

dinheiro que entra - dinheiro que sai = 0

Eu faço os orçamentos e controlo os movimentos bancários num ficheiro excel. Tenho contas só minhas, incluindo conta-poupança e PPR, e uma conta conjunta com o J. onde colocamos o dinheiro para as despesas comuns, como alimentação, miúdos, ginásio, contas de casa, etc.
O meu orçamento pessoal é dividido nas seguintes categorias:

In (salário)
conta conjunta (o que é transferido para a conta das despesas comuns)
PPR
mesada (dinheiro para gasolina e para gastos diários meus)
poupança (tento poupar 40-50% do que entra)

O meu orçamento é simples pois não tenho dívidas nem créditos para pagar.

O orçamento do J. também é muito básico:

In (salário)
conta conjunta
moto4 (prestação que acaba daqui a poucos meses)
mesada
poupança

Finalmente, o orçamento da conta conjunta é que é mais complicado:

In (o meu e o do J., que não é o mesmo - é proporcional ao que cada um ganha, para ser mais justo)
empregada
ginásio
luz
água
tv cabo+internet+telefone
telemóveis
escola miúdos
supermercado
poupança miúdos
poupança gatos
poupança ATL
poupança material escolar

As últimos quatro categorias não são bem poupanças. É dinheiro que pomos de parte para levar os gatos ao veterinário e os miúdos ao pediatra, para pagar o ATL nas férias e para comprar os livros e material escolar no início do ano lectivo. Assim, juntando um pouco todos os meses, custa muito menos na altura - porque já temos o dinheiro e não precisamos de tirar do nosso dinheiro desse mês. Muito, muito mais fácil! A maior parte do dinheiro da poupança dos miúdos é de vez em quando transferida para a conta poupança deles, porque eles só vão ao pediatra uma vez por ano...

Outras coisas sobre o meu sistema:

~ não uso o sistema dos envelopes; já tentei e não me dá jeito, mas resulta muito bem para outras pessoas
~ não aponto os gastos diários; já tentei, mas só conseguia durante alguns dias... Mas não me interessa, eu sei que tenho aquele dinheiro para gastar e controlo os levantamentos de dinheiro no excel
~ pago as contas mal elas chegam (não gosto dos débitos directos) - no próprio dia, mesmo!
~ mal recebemos, faço logo estas transferências de dinheiro todas de umas contas para as outras, senão acontece irmos às compras e pagarmos do nosso dinheiro, e as contas depois complicam-se...
~ também transfiro o dinheiro para as poupanças mal recebemos - para mim, esta é a categoria mais importante!

Bem, acho que é isto! Não é complicado e resulta!

E vocês, como fazem?






15/02/2012

O desapego das coisas


Há tempos recebi um email de uma leitora que se debatia com um problema comum a muitos de nós. Ela queria destralhar, pois estava a pensar emigrar e tem um espaço de armazenamento pequeno para deixar as suas coisas cá em Portugal, mas estava a ser difícil escolher coisas e livrar-se delas, pois essas coisas são tudo o que ela tem.


O apego às coisas - quem é que não sente isso?

Queremos jogar coisas fora, mas cá por dentro sentimos um medo irracional de o fazermos, pois
a) achamos que um dia poderemos precisar das coisas outra vez, ou
b) as coisas têm uma forte carga emocional - coisas que nos lembram alguém ou alguma situação importante da nossa vida.

Em relação às coisas que não jogamos fora porque talvez sejam úteis um dia, é fácil: o velho método de guardar as coisas numa caixa durante x tempo (vá, um ano é mais que suficiente). Se nesse período as coisas forem usadas, então realmente são úteis. Se não forem usadas, provavelmente nunca o serão e não merecem estar a ocupar tanto espaço na nossa vida. Há certas coisas que mais vale pedirmos emprestado a alguém quando precisarmos do que termos coisas dessas a ocupar espaço em casa. Por exemplo, se tem ferramentas ou electrodomésticos que nunca usa, por que não dá-las a amigos ou familiares que os usem, com a condição de poder usá-los quando precisar?
Não há desculpas para mantermos tralha em casa - a tralha não se guarda e não se organiza. A tralha vai fora.

Em relação a coisas com forte carga emocional, este texto do Joshua Fields Millburn diz tudo. A sério, se estão à vontade com o inglês, leiam o texto.
Resumidamente, a mãe do Joshua morreu e ele ficou encarregue de vazar o seu apartamento. Alugou uma daquelas unidades de armazenamento e uma carrinha para guardar todos os pertences da mãe, caso um dia ele precisasse de alguma coisa ou precisasse de ter acesso às coisas por algum motivo.
No apartamento começou a arrumar as coisas da mãe em caixas. Até que olhou para debaixo da cama, atulhada com caixas de cartão seladas. Abriu uma das caixas e no seu interior estavam cadernos dos primeiros 5 anos de escola do Joshua. A mãe do Joshua tinha guardado todas essas coisas para se lembrar do seu filho e tê-lo mais perto de si. Mas era evidente que as caixas com as tais coisas que a fariam recordar o seu filho não eram abertas há muitos, muitos anos. Porque não é nas coisas que estão as recordações - é dentro de nós.
O Joshua apercebeu-se então que não precisava das coisas da mãe para se lembrar dela, tal como a mãe nunca precisou de abrir as caixas seladas para recordar o filho.
O Joshua cancelou a carrinha e a unidade de armazenamento e doou as coisas da mãe para poderem ser úteis a outras pessoas.

As lições que ele aprendeu:

- Não são as coisas que temos que definem quem somos.

- As nossas memórias não estão debaixo da cama. Estão dentro de nós, não nas nossas coisas.

- Um coisa que tem apenas valor sentimental para mim poder ser útil para outra pessoa.

- O apego às coisas tem uma forte carga mental e emocional. O desapego, por outro lado, é libertador.

Penso que a melhor solução, tal como o Joshua propõe, é tirar fotografias a este tipo de coisas. Assim, podemos sempre lembrarmo-nos das coisas olhando para as fotos, sem o fardo de termos as coisas fisicamente presentes na nossa vida (onde só ocupam espaço).

14/02/2012

Como tirar papel de parede - e o meu novo quarto branco

Há muito tempo que eu queria tirar o papel de parede do meu quarto, mas não tinha coragem... O papel tinha sido posto em 2009, portanto não há tanto tempo quanto isso, deu imenso trabalho a pôr e foi caro. Mas eu queria mesmo as paredes do quarto brancas e tive que esquecer o trabalho e o dinheiro e lançar mãos à obra.

Antes de tirar o papel andei a pesquisar na internet como se deve tirar papel de parede de maneira a que saia bem e não se rasgue, pois andar a raspar papel não estava nos meus planos...
Foi até mais fácil do que eu pensava! Fiz assim (até tinha tirado fotos, mas o cartão de memória passou-se e perdi-as...):

1. Num alguidar pus água quente com detergente da louça.
2. Com uma faquinha fiz cortes horizontais no papel, de cima a baixo, espaçados cerca de 20 cm.
3. Com uma esponja molhei bem o papel com a água. É importante que a água entre nos cortes e ensope a parte de trás do papel, para derreter a cola. Teve que ser muita água e o chão ficou todo molhado. Umas toalhas no chão para ensopar a água ajudam.
4. Esperei um bocadinho para a água quente fazer o seu efeito na cola... e depois comecei a puxar o papel desde o topo. Ele sai todo! De vez em quando ficam uns bocadinhos de papel agarrados que saem facilmente com a faquinha.
5. Depois do papel tirado lavei a parede com água quente e sabão para tirar bem os restos de cola, que se ficarem não deixarão a tinta agarrar.

O meu quarto é agora um paraíso branco e minimalista!


Tenho a cama, que é um estrado com o colchão; duas mesas de cabeceira; uma cómoda; uma cadeira; um pequeno built-in closet (que tinha uma porte de fole que foi tirada); um tapete branco; cortinados brancos.
Já não temos televisão no quarto e debaixo da cama está apenas um stepper que já não uso (tenho que pô-lo no freecycle para ver se alguém quer).
Por cima da cama pusemos a tábua de madeira para suporte de quadros. Já tenho o print da Laura Amiss (falta emoldurar) e o de Londres está encomendado.


O melhor é que um quarto assim tão simples limpa-se em menos de nada. Não há muito mobília para arrastar para aspirar o chão nem muitos objectos para tirar para limpar o pó dos móveis. O tapete sacode-se facilmente na varanda e a sujidade que se acumula debaixo da cama limpa-se bem pois só lá está o stepper a atrapalhar.


Em relação aos têxteis do quarto, é o mais simples e mínimo possível. Tenho dois conjuntos de lençóis, cada um com lençol-capa, lençol de cima (compro de solteiro pois os de casal são muito largos e ficam a ver-se as pontas quando a cama está feita - e nem pensar entalar o lençol no colchão como se faz nos hotéis! O colchão tem 1,40 m de largura, mas como somos os dois magrinhos, dá perfeitamente para nós e para os três gatos!), capa de edredon e duas fronhas. Os dois conjuntos que tenho foram comprados na La Redoute.
Por cima da capa de edredon ponho uma coberta fininha branca por causa dos gatos; tenho duas, uma da La Redoute e outra do Ikea, que são substituídas e lavadas com frequência.
Por fim, duas almofadas feitas por mim, uma grande com o tecido Cecilia do Ikea (o dos pássaros beges), igual ao da saia da cama, e outra mais pequena com o tecido Britten Nummer. Estou a pensar fazer um cortinado com este tecido para o closet, inspirada neste da Benita. Já fiz um para a porta da entrada e outro para o armário do hall (mostro depois - só me falta fazer as bainhas).

13/02/2012

O que é o minimalismo



Minimalismo s.m. tendência para simplificação e redução dos elementos constitutivos de (algo); princípio de reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos. In: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2003.

O minimalismo, resumido numa pequena frase, é: identificar o essencial e eliminar o resto.

Uma vida minimalista é despojada do desnecessário, de modo a ter espaço para o que nos dá alegria. O minimalismo é uma ferramenta para nos livrarmos do excesso e focarmo-nos naquilo que é importante, de modo a encontrarmos felicidade, realização, liberdade, paz e leveza.

O minimalismo gira à volta do ter o suficiente – ter apenas aquilo que realmente precisamos, nem coisas a mais, nem coisas a menos. E isto aplica-se a tudo à nossa volta, não só às “coisas”, aos objectos que possuímos, mas também aos compromissos, relacionamentos, trabalho e ao nosso estilo de vida.

Na verdade, a definição de minimalismo é um pouco subjectiva, pois o minimalismo tem diferentes significados para diferentes pessoas. Não existe uma escala que permita medir o grau de minimalismo de alguém, pois o que é essencial e o que é supérfluo é diferente para cada pessoa.

E talvez por ser um conceito difícil de medir de forma quantitativa, há muita confusão e ideias erradas em relação ao minimalismo.


Minimalismo não é viver uma vida ascética. Minimalismo não é pobreza voluntária. Minimalismo não é um estilo de vida radical nem tem nada a ver com contar o número de coisas que possuímos (embora haja quem o faça). Minimalismo não é não ter nada.

É verdade que os minimalistas têm menos coisas que as outras pessoas, mas porque se aperceberam que não precisam de tanta tralha ou tantas responsabilidades para serem felizes. Um minimalista consegue compreender o valor das coisas, consegue não ser emotivo em relação às coisas que possui e consegue livrar-se de qualquer coisa que não tenha significado nem utilidade para uma vida mais feliz.

Em última análise, o minimalismo conduz a uma maior qualidade de vida.

11/02/2012

Estudo sobre dor sexual nas mulheres Portuguesas

Recebi um pedido de uma leitora, psicóloga clínica, para divulgar um estudo que está a ser feito na Universidade de Aveiro sobre a dor sexual e crónica nas mulheres Portuguesas.
Se sofrerem de dor sexual crónica, por favor, participem no estudo. Os inquéritos são online e totalmente anónimos. Aqui fica o email que recebi da Cátia com mais informações.



Encontra-se neste momento a decorrer um estudo online intitulado "Determinantes Psicossociais da Dor Sexual na Mulher", integrado no Projecto de Doutoramento em Psicologia Clínica da Mestre Cátia Oliveira, sob a orientação do Prof. Dr. Pedro Nobre e da Prof. Dra. Sandra Vilarinho. 

Solicitamos a participação de mulheres dos 18 aos 75 anos de idade, nomeadamente mulheres que apresentem dor sexual, mulheres que apresentem dor crónica, mulheres que apresentem dificuldades sexuais e mulheres que não apresentem nenhumas destas dificuldades. 

O principal objectivo do estudo é contribuir para a compreensão do perfil psicossocial das mulheres portugueses que apresentam dor, nomeadamente dor sexual. Pretende-se igualmente avaliar a presença e importância das dimensões cognitiva, afectiva, relacional e orgânica na dor sexual, nomeadamente a forma como estas dimensões se associam para explicar a dor e respectiva intensidade no contexto sexual. 

Para participar basta clicar no seguinte link: http://wsl2.cemed.ua.pt/dpdsm/. 

Todos os questionários são completamente anónimos, não sendo pedidos dados que possam identificar as pessoas que a eles respondam.

Qualquer tipo de informação adicional poderá ser solicitada através do email catioliveira@gmail.com. 

Agradecemos desde já a sua participação.


10/02/2012

Feist, Cat Power e Bon Iver

Hoje que é sexta-feira, aqui vai um post um bocadinho diferente, para começar com o tal calendário editorial de posts - hoje é dia de tema livre. Então hoje vou escrever um pouco sobre música.

A música está muito presente na minha vida. Ligo o rádio na Antena 2 mal acordo, ouço a Antena 2 no carro, no trabalho tenho sempre os phones nos ouvidos e em casa temos cada vez mais deixado a televisão desligada e música a tocar quando jogamos cartas ou fazemos outras coisas (eu se estiver sozinha em casa nem ligo a televisão... mas ponho sempre alguma coisa a tocar).

Acho que já referi várias vezes aqui no blog que ouço muita música clássica e jazz. Ouço música clássica, sobretudo compositores do séc. XIX e início do séc. XX (Claude Debussy é dos meus compositores preferidos), porque habituei- desde pequena a ouvir e a compreender - e a gostar. A música clássica, de tão diversa que é, ouço nas mais diversas situações: para trabalhar, para me concentrar, para relaxar, para me dar energia, etc.

O jazz veio mais tarde, já na Universidade. Comecei a ouvir e comecei a gostar. Mas não gosto de todos os estilos. Gosto sobretudo de cool jazz e músicos como Miles Davis e John Coltrane. O meu album preferido de jazz é a banda sonora do filme francês L'Ascenseur pour l'Echafaud.

Também ouço outros estilos de música claro! Gosto muito de Vangelis, sobretudo dos albuns Soil Festivities e Antarctica - é a minha música para inspiração no trabalho. E continuo a ouvir Guns n' Roses, Pink Floyd, Radiohead e alguns outros.

Mas nos últimos tempos tenho vindo a descobrir músicos que simplesmente me fascinam e com os quais me identifico, não só na música, como também no estilo. São eles: 


Já os tenho todos no meu leitor de mp3 e estes dias cheios de trabalho no laboratório têm sido passados ao som destes cantores/compositores. E se os ouço para trabalhar, é porque gosto mesmo muito.
Também adoro o estilo da Feist e da Chan (aka Cat Power) e as suas franjas tão parecidas com a minha (que by the way sofreu um pequeno acidente com a tesoura e terá que fazer uma visita ao cabeleireiro o quanto antes...).

Aqui fica um video de cada um destes músicos. Espero que ouçam! E que gostem!

Já agora, a Feist vem a Portugal em Março. Alguém vai aos concertos? Já sei que a menina Magda vai (e eu cheia de inveja, que ainda não sei se vou...).







07/02/2012

Uma família comum e a solução para os seus problemas

O maldito despertador acorda a Sara todas as manhãs do seu sono profundo. O João já saiu, pois o seu trabalho fica a 150 km de distância. A Sara joga o braço para desligar o alarme e volta a adormecer. Acorda 20 minutos mais tarde e quando se apercebe que já está atrasada, salta da cama, a tremer, despacha-se rapidamente, veste os miúdos e prepara-lhes o pequeno-almoço. Quer sair de casa, mas o seu filho mais velho ainda não tem a mochila pronta. Sara ajuda-o e procura as chaves da porta, que não encontra em lado nenhum. Lembra-se então que as deixou no bolso do casaco que vestia no dia anterior, e, já nervosa, sai finalmente de casa. Deixa os miúdos na escola e enfia-se no trânsito que a leva ao seu trabalho, onde chega 45 minutos depois. 

O dia de trabalho é igual a todos os outros. Sara tem demasiadas tarefas, demasiadas solicitações e demasiadas obrigações. Faz várias coisas ao mesmo tempo, mas chega ao fim do dia com a sensação que não avançou nada. Pensa muitas vezes que o trabalho não lhe dá prazer nenhum, mas agrada-lhe o ordenado que recebe ao fim do mês, que lhe permite contribuir para os vários empréstimos que ela e o João contraíram nos últimos anos. A moradia e os dois carros de alta cilindrada. A Sara ainda faz horas extraordinárias para poder pagar a nova televisão e o sistema de home entertainment que comprou a crédito. 

Sai do trabalho, mete-se no carro e no trânsito e, depois de passar no supermercado onde comprou uma refeição já pronta, vai buscar os miúdos e chega finalmente a casa. Dá banho aos miúdos e aquece o jantar no microondas, para estar na mesa quando o João chega do seu trabalho, a 150 km de distância. É longe, mas precisam do dinheiro para pagar os empréstimos que contraíram. Jantam apressadamente, e enquanto o João ajuda o filho mais velho com os trabalhos de casa, a Sara arruma a cozinha. Entretanto, já são horas de pôr os miúdos na cama. O João, como tem que se levantar muito cedo, vai também dormir. A Sara senta-se então um pouco no sofá para relaxar e ver televisão, e adormece. Acorda umas horas mais tarde e arrasta-se para a cama. Passado umas horas, o despertador toca e o ciclo repete-se. 

Quando chega o fim-de-semana, a Sara e o João vão ao centro comercial. Como receberam um pouco mais o mês passado devido às horas extraordinárias que fizeram, faz todo o sentido comprarem qualquer coisa, seja o que for, como recompensa pelos seus esforços e dedicação ao trabalho. Decidem-se por novos telemóveis; os seus, comprados há pouco mais de 6 meses, já estão completamente ultrapassados. Usam o cartão da loja para fazer a compra, que lhes permite pagar em prestações com juros suaves.

~~

É assim a vida de muitos de nós. Aprendemos desde crianças que o importante é ganhar muito dinheiro, para termos uma casa grande e bons carros e podermos vestir roupa de marca. Esta é a medida do sucesso. Temos que ter mais e melhor que o vizinho do lado. Uma casa melhor, um carro melhor (e de preferência um carro por cada membro da família), um telemóvel melhor e roupas melhores. O dinheiro que realmente temos no banco não interessa, já que isso só nós sabemos. E temos que ser pessoas muito ocupadas, sempre com muitas coisas para fazer, senão passamos uma imagem de preguiçosos e desinteressantes. Quanto mais coisas tivermos nas nossas vidas, mais espectaculares e invejados seremos.

Mas serão estas pessoas realmente felizes? Ou pelo menos mais felizes que as pessoas que têm casas mais pequenas e carros mais modestos? A nossa felicidade está mesmo dependente do número de coisas que possuímos e de vivermos acima das nossas possibilidades?

Sabemos bem que não, embora tal possa ser difícil de admitir, tão enraizados que estão os costumes consumistas e materialistas. Penso que qualquer pessoa prefere passar uma hora de qualidade com os seus filhos do que fazer uma hora extraordinária no trabalho para que possa pagar um qualquer crédito ao consumo que contraiu. Sabemos que não devemos viver a vida desta forma, preocupados com as aparências e o keeping up with the joneses, mas o ter mais e melhor está de tal forma enraizado na nossa cultura que nem sabemos como quebrar o ciclo e começar a viver para nós, e não para os outros.

A solução para este problema é um estilo de vida minimalista. 

Mudanças no blog (boas!)


Ora bem, hoje tenho vários anúncios a fazer...

1) As checklists mensais serão publicadas na página do facebook e não no blog, tal como as dicas diárias que têm sido publicadas lá desde o início de Janeiro.

2) Não enviarei mais os ficheiros das agendas semanal e diária, pois já falhei com algumas leitoras (apago os emails sem querer e coisas assim) e a verdade é que perco algum tempo a mandar emails com ficheiros que podem ser tirados daqui e facilmente modificados (e prefiro gastar o meu tempo a escrever coisas mais úteis).

3) Estou a pensar fazer um calendário editorial para o blog. Qualquer coisa do tipo um tema para cada dia da semana. Estava a pensar no seguinte esquema, a partir da semana que vem:

segundas - minimalismo, coisas mais teóricas e divagações sobre o assunto
terças - projectos de DIY e decoração
quartas - simplificar e organizar
quintas - os projectos do livro One Bite at a Time
sextas - tema livre
Não prometo que cumprirei este esquema, pois invariavelmente a vida familiar e o trabalho atravessam-se no caminho do blog e há que estabelecer prioridades. Mas prometo que vou tentar!

4) Disse há tempos que estava a trabalhar num segundo livro sobre minimalismo. E estava, mas não consigo fazê-lo sem prejudicar a escrita de outras coisas que tenho mesmo que escrever (coisas do trabalho). Tenho alguns textos mais teóricos sobre minimalismo que eram para o livro e vou começar a publicá-los aqui.
Hoje é o primeiro, que segue dentro de momentos.

06/02/2012

Fazer o pior logo de manhã

A trabalhar desde as 5 da manhã...

Como disse no início de Janeiro, estava a pensar fazer um post sobre cada um dos 52 projectos do livro One Bite at a Time da Tsh Oxenreider. Se ainda não conhecem o livro, vale mesmo a pena uma espreitadela!

Então, o seu primeiro projecto é: 

Eat your frog

que basicamente significa que devemos fazer em primeiro lugar, logo de manhã, aquilo que menos queremos ou aquela tarefa que mais nos custa.
Acordamos cheios de boas intenções, mas milhões de outras coisas atravessam-se no caminho e aquela tarefa chata mas importante acaba por não ser feita.

Duas coisas podem ajudar: estabelecer uma rotina matinal e uma lista das três tarefas mais importantes para esse dia.

Eu não faria metade do que faço sem rotinas bem definidas. As rotinas simplificam a minha vida, aumentam a minha produtividade e dão-me mais tempo.

Definir as tarefas mais importantes, geralmente três, permite organizar o dia de forma a que essas tarefas sejam mesmo realizadas. Se não fizermos mais nada o dia inteiro, pelo menos o mais importante foi feito.

Uma dessas 3 tarefas mais importantes será o tal sapo. A tarefa que não queremos fazer mas tem mesmo que ser...

Por exemplo, eu andava a adiar uma tarefa, fazer a revisão de um artigo para uma revista científica, há 2 ou 3 semanas. Hoje decidi que me levantava às 5 da manhã para o fazer. E levantei-me. E fiz a revisão do artigo. E tirei um enorme peso dos ombros!

Um bom exemplo de uma tarefa que também gosto de fazer logo de manhã e o dia corre-me sempre melhor é ir ao ginásio (às 7h). Fico cheia de energia para o resto do dia e com uma sensação de dever cumprido!

Agora dois apartes...

Não vou mais enviar as folhas da agenda (a diária e a semanal), pois tenho perdido demasiado tempo com isso e de certeza que me esqueci de responder a várias pessoas e isso chateia-me. As folhas originais estão aqui e aqui e não custa nada alterá-las para ficar ao nosso gosto.

Descobri o blog da Fat Mum Slim e adoro os seus passatempos de fotografia. Ela dá ideias para tirarmos uma foto por dia (um projecto que já tentei e falhei), mas gostei sobretudo do projecto Your day in photos (1 foto a cada hora). Hoje vou tentar fazê-lo (a foto de cima é a primeira).

04/02/2012

Gosto disto

- do meu quarto cada vez mais branco


- da nova opção do blogger de responder a comentários
- deste bolo de chocolate
- da correria e canseira que o 6º aniversário do meu filho mais novo me trouxe, que implicou fazer:

um bolo para a escola (o tal)


um jantar de anos para a família


uma festa de anos para os amigos (com o tal bolo também)


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