Há uns dias, um(a) leitor(a) deixou-me este comentário ao post “O que é o minimalismo”:
não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos? por exemplo, algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro. também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo? e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?
Eu respondi:
Felizmente nunca ninguém me ofereceu tal coisa, pois iria odiar! Prefiro que um familiar desses que me é muito querido me ofereça o seu tempo (estarmos juntos) do que um objecto qualquer que não tem utilidade nenhuma para mim (não é oferecendo coisas que se demonstra o amor pelos outros).
não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos? por exemplo, algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro. também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo? e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?
Eu respondi:
Felizmente nunca ninguém me ofereceu tal coisa, pois iria odiar! Prefiro que um familiar desses que me é muito querido me ofereça o seu tempo (estarmos juntos) do que um objecto qualquer que não tem utilidade nenhuma para mim (não é oferecendo coisas que se demonstra o amor pelos outros).
E se já olhou bem para as fotos da minha casa, não é um espaço demasiado branco e demasiado vazio. A minha sala é, para mim, o lugar mais confortável do mundo. As coisas que tenho são as necessárias e são as que me fazem feliz.
Mas em relação ao exemplo da secretária, eu não crio ligações emocionais com os objectos. Reservo isso para as pessoas e para os animais.
Quis passar este comentário e a sua resposta para um post, pois fiquei com vontade de desenvolver mais o assunto...
não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos?
Os nossos relacionamentos são com as pessoas e é em relação às pessoas que devemos criar ligações. Claro que podemos gostar muito de algum objecto, alguma peça de mobília, alguma peça de roupa, mas daí a criar uma ligação emocional com a coisa que depois será demasiado tentar quebrar... a mim parece-me é que ligações emocionais às coisas são um sinal de problemas mais profundos. As pessoas que se ligam desta maneira aos objectos fazem-no para se sentir seguras (o falso conceito que ter coisas traz felicidade) ou para se agarrarem ao passado e às memórias (as memórias estão dentro de nós, não nas coisas; acho que se uma pessoa precisa de um objecto para se lembrar de alguém que lhe é querido, é muito mau sinal).
algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro.
Que horror, se alguém me oferecesse tal coisa!! Felizmente, nenhum familiar que me é muito querido me ofereceria uma secretária muito bonita, cheia de gavetinhas com pequenos tesouros dentro - porque os familiares que me são muito queridos conhecem-me. E porque os familiares que me são muito queridos sabem que o importante são os relacionamentos - não as coisas (e nenhum deles é minimalista como eu).
Prefiro que me ofereçam o seu tempo (um almoço, um jantar, uma tarde bem passada) do que um objecto (toma lá esta secretária e até qualquer dia). Aliás, isto é o que fazem muitos pais ausentes: tentam comprar o amor dos filhos com coisas... em vez de fortaleceram os seus relacionamentos passando tempo de qualidade juntos.
Mas por que é que as pessoas acham que é oferecendo coisas que se mostra o amor?? Porque na sociedade apressada e materialista de hoje, é muito mais fácil e rápido oferecer uma coisa para colmatar a falta de tempo do que tentar arranjar tempo (eliminando o desnecessário) para fortalecer relacionamentos.
também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo?
Aqui o(a) autor(a) do comentário só pode estar a falar do minimalismo como estilo decorativo, o que é distinto do minimalismo como estilo de vida... O minimalismo de que falo no blog não é uma “corrente”. É uma opção, um estilo de vida, que não implica seguir um estilo decorativo em particular. Sim, eu livrar-me-ia da secretária porque já tenho uma secretária que me serve perfeitamente, portanto não preciso de outra (a não ser que a secretária oferecida fosse muito mais gira e mais funcional que a minha; assim ficava com a nova e livrava-me da outra). Mas as gavetinhas cheias de tesouros é que me assusta! Tesouros são os meus filhos!
e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?
Esta parte não percebi bem... Então num espaço demasiado branco e demasiado vazio falta aconchego e conforto? Mas o que é preciso para dar conforto a um espaço? Cor e muita tralha? Mais coisas para arrumar, organizar e limpar? Isso para mim é o oposto de aconchego e conforto.
Rodear-me de tralha significa mais pó e sujidade acumulados, mais tempo perdido a limpar e mais tempo perdido a arrumar. Um lar aconchegante e confortável é aquele onde passo momentos felizes; passar o tempo a limpar coisas de que não gosto só porque foram herdadas ou oferecidas por familiares muito queridos, não é a minha ideia de tempo de qualidade.
E não percebi bem, então os meus objectos e mobília são desprovidos de emoções? Quer isto dizer que há objectos e mobília que têm emoções?? Volto a dizer, as emoções e as memórias estão dentro de nós, não nas coisas.
Em relação à minha casa ou a qualquer outra, sejam elas demasiado brancas e vazias ou não, quem tem que se sentir bem são as pessoas que lá vivem. Se eu (nós) não me sentisse bem em casa, se não me sentisse aconchegada e confortada, já teria feito mudanças há muito tempo. Porque quando as coisas estão mal, devemos ter coragem para mudá-las. E não é só na decoração, é em tudo na vida.
Isto da decoração é, como em quase tudo, uma questão de gostos. Há quem se sinta bem rodeado de coisas, há quem se sinta bem em espaços mais vazios. Ficam aqui algumas fotos de espaços um pouco vazios mas, para mim, super confortáveis e esteticamente agradáveis (e que fácil deve ser limpar espaços assim!):











