05/03/2012

Criar ligações emocionais com as coisas

Há uns dias, um(a) leitor(a) deixou-me este comentário ao post “O que é o minimalismo”:

não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos? por exemplo, algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro. também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo? e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?

Eu respondi:

Felizmente nunca ninguém me ofereceu tal coisa, pois iria odiar! Prefiro que um familiar desses que me é muito querido me ofereça o seu tempo (estarmos juntos) do que um objecto qualquer que não tem utilidade nenhuma para mim (não é oferecendo coisas que se demonstra o amor pelos outros).
E se já olhou bem para as fotos da minha casa, não é um espaço demasiado branco e demasiado vazio. A minha sala é, para mim, o lugar mais confortável do mundo. As coisas que tenho são as necessárias e são as que me fazem feliz.
Mas em relação ao exemplo da secretária, eu não crio ligações emocionais com os objectos. Reservo isso para as pessoas e para os animais.


Quis passar este comentário e a sua resposta para um post, pois fiquei com vontade de desenvolver mais o assunto...


não é demasiado tentar quebrar uma ligação que poderíamos, eventualmente, criar relativamente aos objectos?


Os nossos relacionamentos são com as pessoas e é em relação às pessoas que devemos criar ligações. Claro que podemos gostar muito de algum objecto, alguma peça de mobília, alguma peça de roupa, mas daí a criar uma ligação emocional com a coisa que depois será demasiado tentar quebrar... a mim parece-me é que ligações emocionais às coisas são um sinal de problemas mais profundos. As pessoas que se ligam desta maneira aos objectos fazem-no para se sentir seguras (o falso conceito que ter coisas traz felicidade) ou para se agarrarem ao passado e às memórias (as memórias estão dentro de nós, não nas coisas; acho que se uma pessoa precisa de um objecto para se lembrar de alguém que lhe é querido, é muito mau sinal).

algum familiar que te é muito querido oferece-te uma daquelas secretárias bonitas, cheias de gavetinhas, que por sua vez já vêm cheias de pequenos tesouros dentro.

Que horror, se alguém me oferecesse tal coisa!! Felizmente, nenhum familiar que me é muito querido me ofereceria uma secretária muito bonita, cheia de gavetinhas com pequenos tesouros dentro - porque os familiares que me são muito queridos conhecem-me. E porque os familiares que me são muito queridos sabem que o importante são os relacionamentos - não as coisas (e nenhum deles é minimalista como eu).
Prefiro que me ofereçam o seu tempo (um almoço, um jantar, uma tarde bem passada) do que um objecto (toma lá esta secretária e até qualquer dia). Aliás, isto é o que fazem muitos pais ausentes: tentam comprar o amor dos filhos com coisas... em vez de fortaleceram os seus relacionamentos passando tempo de qualidade juntos.
Mas por que é que as pessoas acham que é oferecendo coisas que se mostra o amor?? Porque na sociedade apressada e materialista de hoje, é muito mais fácil e rápido oferecer uma coisa para colmatar a falta de tempo do que tentar arranjar tempo (eliminando o desnecessário) para fortalecer relacionamentos.

também te virias livre dela, só por não ser entrar nessa corrente do minimalismo?

Aqui o(a) autor(a) do comentário só pode estar a falar do minimalismo como estilo decorativo, o que é distinto do minimalismo como estilo de vida... O minimalismo de que falo no blog não é uma “corrente”. É uma opção, um estilo de vida, que não implica seguir um estilo decorativo em particular. Sim, eu livrar-me-ia da secretária porque já tenho uma secretária que me serve perfeitamente, portanto não preciso de outra (a não ser que a secretária oferecida fosse muito mais gira e mais funcional que a minha; assim ficava com a nova e livrava-me da outra). Mas as gavetinhas cheias de tesouros é que me assusta! Tesouros são os meus filhos!

e quando entras em casa, num espaço demasiado branco e demasiado vazio? não sentes que falta aconchego e conforto? por ser tudo (os objectos, a mobília) desprovido de emoções. expliquei-me bem?

Esta parte não percebi bem... Então num espaço demasiado branco e demasiado vazio falta aconchego e conforto? Mas o que é preciso para dar conforto a um espaço? Cor e muita tralha? Mais coisas para arrumar, organizar e limpar? Isso para mim é o oposto de aconchego e conforto.
Rodear-me de tralha significa mais pó e sujidade acumulados, mais tempo perdido a limpar e mais tempo perdido a arrumar. Um lar aconchegante e confortável é aquele onde passo momentos felizes; passar o tempo a limpar coisas de que não gosto só porque foram herdadas ou oferecidas por familiares muito queridos, não é a minha ideia de tempo de qualidade.
E não percebi bem, então os meus objectos e mobília são desprovidos de emoções? Quer isto dizer que há objectos e mobília que têm emoções?? Volto a dizer, as emoções e as memórias estão dentro de nós, não nas coisas.

Em relação à minha casa ou a qualquer outra, sejam elas demasiado brancas e vazias ou não, quem tem que se sentir bem são as pessoas que lá vivem. Se eu (nós) não me sentisse bem em casa, se não me sentisse aconchegada e confortada, já teria feito mudanças há muito tempo. Porque quando as coisas estão mal, devemos ter coragem para mudá-las. E não é só na decoração, é em tudo na vida.

Isto da decoração é, como em quase tudo, uma questão de gostos. Há quem se sinta bem rodeado de coisas, há quem se sinta bem em espaços mais vazios. Ficam aqui algumas fotos de espaços um pouco vazios mas, para mim, super confortáveis e esteticamente agradáveis (e que fácil deve ser limpar espaços assim!):

 via

04/03/2012

E o vencedor é...

... recebi +120 comentários, mas alguns estavam repetidos; depois de apagá-los, para ser um comentário por leitor, fiquei com 110. Usei o random.org para escolher o número vencedor, seguindo a ordem dos comentários.
E o número escolhido foi:

90! Corresponde à Rosa Maria, que escreveu o seguinte:

"Os comentários são a melhor parte dos blogs"
Foi a cereja em cima do bolo, isto é, comecei por gostar deste blog, acabo de o recomendar a uma amiga e, como gostei do saco .... resolvi colocar um comentário ! Qual não é o meu espanto, acabo por receber a resposta a uma dúvida que sempre tive e que nunca coloquei a ninguem: - Será que os autores dos blogs ligam minimamente aos comentários ? Pelos vistos .... Bjs e parabens Rosa Maria

Rosa Maria, envie-me um email para rita.busywoman (at) gmail.com com os seus dados para poder enviar-lhe a mala.
Como esta leitora não me deixou email e assim não tenho maneira de contactá-la, se não me responder dentro de 7 dias, farei novo sorteio no domingo à noite.

Obrigada a todos pela participação!! Fiquei muito feliz com o número de comentários! Quando chegar aos 1000 seguidores faço novo sorteio, mas desta vez com prémios para o 2º e 3º lugares!

Aproveito ainda para agradecer o feedback no facebook em relação à minha questão da frequência de publicação de posts aqui no blog. Continuo a achar que 5 posts por semana é um bocadinho demais (falo por mim, claro, como leitora de outros blogs) e 3 posts sabe a pouco. Assim, vou apontar para 4 posts por semana! Os temas: 2ª minimalismo, 3ª simplificar e organizar, 5ª projectos do One Bite at a Time, 6ª tema livre. Posso seguir este esquema ou não - é como me apetecer! Obrigada por continuarem desse lado!

02/03/2012

Como organizo o computador

O computador é aquele depósito de tralha digital que por mais que se tente ter arrumado, é sempre muito difícil consegui-lo. No outro dia lancei mãos à obra e decidi destralhar e reorganizar os computadores.

Agora uso um novo sistema para organizar as pastas. É baseado no livro The Joy of Less da Francine Jay.  Ela sugere o uso dos conceitos de Inner Circle (círculo interior), Outer Circle (círculo exterior) e Deep Storage (armazenamento profundo) para classificarmos os nossos pertences e sabermos onde guardá-los consoante a sua frequência de utilização. É óbvio que não faz sentido ter a nossa melhor louça que nunca é usada num armário com fácil acesso na cozinha e a louça que usamos todos os dias na prateleira mais alta do armário. Eu apliquei estes conceitos aos meus ficheiros.

Assim, no Inner Circle estão pastas com ficheiros que uso com bastante frequência. São ficheiros de projectos em que estou a trabalhar no momento, artigos que estou a escrever, fotos recentes, coisas do blog, ficheiro das contas e orçamento, entre outros.
No Outer Circle tenho ficheiros que uso com menos frequência, menos de uma vez por semana ou mensalmente, como o CV, inventários, etc.
No Deep Storage tenho ficheiros que raramente necessito, como projectos terminados, fotos antigas, documentos digitalizados, comprovativos de IRS, etc.

Tenho assim 3 pastas grandes (inner, outer, deep storage) e cada uma está dividida em pessoal e work. Dentro de cada sub-pasta ponho então pastas com assuntos e ficheiros específicos.
Como a pasta mais pesada é a Deep Storage, não a tenho em nenhum dos meus 3 computadores. Tenho-a no disco externo e depois dividida em várias pens e CDs com as fotografias, mas quero arranjar outro disco externo para fazer o backup.
Em cada computador, no disco externo e no Dropbox tenho as pastas do Inner Circle e Outer Circle.

Este sistema simplificou-me imenso a vida. Parece-me que tem muito mais lógica dividir as pastas e ficheiros por frequência de utilização e depois por temas, como é costume, do que ter ficheiros que não uso (mas são importantes) a ocupar espaço no computador e a encher visualmente as pastas.

Agora a segunda parte - a mais radical! Já há muito tempo que me sentia tentada a fazer como o Leo Babauta, a Rachel Meeks e muitos outros e manter (quase) todos os meus ficheiros online, para não ter que me preocupar com sincronizações entre computadores (uso 3 diferentes e às vezes um outro que está no laboratório).
A grande vantagem é essa: não ter que me preocupar com as sincronizações. É que é mesmo difícil conseguir ter os 3 computadores sincronizados ao mesmo tempo!

Então agora, quando abro um ficheiro para trabalhar, abro a pasta do Dropbox e é esse ficheiro que altero. A sincronização com as pastas do Dropbox que tenho nos outros computadores é automática, por isso não tenho que me preocupar com nada! Se por acaso não tiver internet (o que é raro, muito raro), posso à mesma abrir a pasta do Dropbox e o ficheiro que me interessa (pois fica um pasta armazenada no computador), e quando voltar a internet, ele logo faz a sincronização... o pior é se tiver alterado o ficheiro noutro computador e não tiver internet para o ficheiro ser actualizado no computador que estou a usar - mas tal coisa nunca aconteceu!
Mantenho à mesma pastas e ficheiros no disco rígido dos computadores e disco externo e actualizo-os de vez em quando, só porque não sou assim tão corajosa para ter tudo apenas online...  

Há quem tenha aquelas preocupações do Google e outras empresas andarem a ler os nossos ficheiros, mas não tenho nada secreto nos meus, por isso quero lá saber...

E vocês, como organizam o computador?

Se quiserem aderir ao Dropox (é grátis), podem usar este link, e assim eu ganho alguns megabytes de armazenamento extra! Obrigada!

29/02/2012

Como vivo a vida

Auto-retrato ao espelho...

Adoro quando as leitoras me mandam emails a contar um pouco das suas vidas e com questões sobre vários assuntos. Fico sempre com ideias para posts!

Já recebi alguns emails a perguntar, basicamente, como é que consigo. Como é que faço as coisas, como é que me organizo, como é que consigo escrever, tratar da casa e da família e por aí fora...

Então, em primeiro lugar, eu falho. Sou um ser humano e falho. Nem sempre me levanto às 5 da manhã, nem sempre faço tudo o que planeei fazer, nem sempre tenho a casa limpa e arrumada, nem sempre tenho paciência para os miúdos, nem sempre ando bem disposta e sorridente. Mas sei que isso é normal e não me vou abaixo por causa de um mau dia.

Em segundo lugar, quando decidi conscientemente que queria ser minimalista, todo um novo mundo se abriu para mim. Perceber que não são as coisas nem as aparências que são importantes, mas sim os relacionamentos e aquilo que nos dá prazer, permitiu-me livrar-me não só de tralha física como também de preocupações inúteis que tinha. Os minimalistas são pessoas mesmo felizes!

Em terceiro lugar, acredito que o planeamento é o segredo para tudo. “Failure to plan is planning to fail”. Basicamente é isto: se planear as coisas, tudo corre bem, se não as planear, muito fica por fazer.

Em quarto lugar, acredito que para viver a vida que quero, tenho que ter disciplina e uma série de hábitos e rotinas bem definidas. É fácil ter disciplina? Claro que não! Mas torna-se mais fácil se visualizar duas situações: uma em que sou disciplinada e consigo fazer tudo o que quero e o dia corre-me quase na perfeição; outra em que sou preguiçosa e procrastinadora e chego ao fim do dia, não fiz quase nada e estou demasiado cansada para fazer seja o que for. A vida é feita de opções e esta escolha entre a disciplina e a preguiça nós é que controlamos. Portanto, é só escolher. E mantermo-nos fiel a essa escolha, como se a nossa vida dependesse disso... porque é tão mais fácil desligar o despertador e dormirmos mais um pouco... mas se estivesse em causa a nossa sobrevivência, saltávamos logo da cama, certo?

Mas falando de coisas mais práticas, eu tenho uma série de hábitos, formados ao longo dos anos (um hábito não se forma de um dia para o outro), que resultam comigo. Por exemplo, preparo a roupa e mochilas na véspera para perder menos tempo de manhã; levo comida para o trabalho (fruta, frutos secos, bolachas, água, etc.) para não gastar dinheiro; não começo a semana de trabalho com roupa por lavar ou por passar a ferro (geralmente passo a roupa que foi lavada ao longo da semana ao sábado de manhã); lavo a louça e arrumo a cozinha logo a seguir ao jantar (nem saio da cozinha antes disto tudo feito); quase não vejo televisão (mas vejo o How I met your mother todos os dias); limpo o caixote dos gatos de manhã e à noite; queimo incenso para a casa cheirar bem; faço sempre a cama de manhã antes de sair de casa (há uns anos nunca fazia a cama); passo 15 minutos (ou mais) todos os dias a arrumar o que estiver desarrumado; leio na cama antes de dormir; tento não perder muito tempo na internet a passar de site em site ou de blog em blog; estabeleço prazos para mim própria para completar projectos, etc... e tenho muitas destas coisas por escrito, afixadas na parede, para não me esquecer de fazê-las. Resulta! Devo dizer que o facto de ter um trabalho sem horários dá-me imensa margem de manobra para planear as coisas à minha maneira. Além disso, o trabalho fica a 5 minutos de casa (de carro). 


Cá em casa somos uma equipa. Eu não trato do marido (era o que faltava!). Trabalhamos os dois fora de casa, e em casa fazemos as coisas em conjunto e dividimos tarefas. Os dois tratamos dos nossos filhos e dos animais. Tenho empregada uma vez por semana para as limpezas maiores, mas com crianças e gatos, a casa tem que ser limpa com mais frequência, o que faço de bom grado, pois além de gostar de fazer limpezas, é um bom exercício físico (eu não gosto é de cozinhar...)! E devo dizer que os meus filhos já não dão assim tanto trabalho quanto isso. É uma das vantagens de serem dois rapazes quase da mesma idade (têm 10 meses e meio de diferença). Muitas vezes eu quero brincar com eles e eles não querem - estão demasiado envolvidos um com o outro e com as suas coisas (ou com a televisão que têm no quarto, que há-de desaparecer de lá um dia destes...).

Como já disse, uma coisa que o minimalismo me fez ver com clareza foi a importância de não perdermos tempo com coisas que não são importantes e fazermos apenas aquilo de que gostamos. Eu, há uns anos, metia-me em tudo, desde desporto, política, demasiados projectos no trabalho. Não sabia dizer não. E depois a vida familiar e o meu próprio tempo pessoal sofriam. Agora já não. Agora digo não. Agora sei identificar o essencial e eliminar o resto.

Por exemplo, acho que sabem que eu jogo ténis. Nunca competi, a não ser em torneios sociais, e andava a pensar começar a treinar mais a sério para começar a ir a competições. Mas depois pensei, para quê? Eu quero jogar ténis e jogar cada vez melhor, mas apenas porque isso me dá prazer. Não quero perder fins de semana em torneios nem fazer treinos intensos todos os dias. Já não tenho idade para me tornar uma das manas Williams nem uma Maria Sharapova... Então, para quê perder tempo com isso? Jogo porque gosto e porque me dá prazer jogar e é dos melhores exercícios físicos que há, mas não quero ter essa obrigação de jogar cada vez mais e melhor.
Outro exemplo. Há quase 10 anos atrás eu fazia musculação mesmo a sério. Cheguei a pesar mais 10 quilos do que peso agora e não estava gorda (era tudo músculo e água...). Treinava todos os dias e pesava toda a comida, como se deve fazer, para controlar bem o que ingeria. Mas para quê? Eu nunca quis ir a competições de culturismo nem de fitness... Para quê perder tanto tempo a pesar a comida e a treinar feita maluca?? Deixei-me disso, claro. Adoro fazer musculação e devia até levar os treinos um bocadinho mais a sério, mas nunca como fazia dantes.

E quem diz o ténis e a musculação, diz outras coisas. Envolvemo-nos sempre em muitas actividades, mas são elas assim tão importantes para nós? O que é que é de facto importante? É nisso que devemos reflectir e depois fazer as nossas escolhas. Foi o que fiz, e foi assim que disse não a muitas coisas na minha vida. E agora tenho mais tempo para o que é realmente importante. Mas, pensam vocês, o que é que é realmente importante para mim? É fácil: é aquilo que me faz realmente feliz. Mas que coisas são essas?

A minha família. Quero educar bem os meus filhos, fazê-los boas pessoas com os valores no sítio, e passar tempo de qualidade com o meu companheiro.

O meu trabalho. Apesar de ser um trabalho precário e mal pago, como é qualquer trabalho científico em Portugal, adoro o que faço.

Contribuir para a sociedade. Isto é uma coisa que o meu trabalho não permite, a curto ou médio prazo (os frutos da ciência não são imediatos). Sempre senti necessidade de contribuir de forma mais imediata para a sociedade, para colmatar essa falha do meu trabalho científico. Quero muito fazer voluntariado, mas ainda não comecei. Este blog é uma maneira de contribuir  e é por isso que fico imensamente feliz com os vossos emails e comentários!

Viver uma boa vida, do ponto de vista emocional e físico. Faço desporto, tenho cuidado com a alimentação, leio, ouço música, aprendo coisas novas. Tudo isto me faz feliz.

Para acabar, que este post já está enorme, o Leo Babauta tem uma capacidade de síntese fantástica. Ele escreveu um pequeno guia para a vida que traduzo em baixo. É basicamente assim que quero/tento viver:

menos televisão, mais leitura
menos compras, mais ar livre
menos tralha, mais espaço
menos pressa, mais calma
menos consumo, mais criação
menos lixo, mais comida a sério
menos ocupações, mais impacto
menos condução, mais andar a pé
menos ruído, mais solidão
menos foco no futuro, mais no presente
menos trabalho, mais recreação
menos preocupações, mais sorrisos
respire




~~~~~~


Não se esqueçam do sorteio da mala feita por mim que está a decorrer até Domingo! Participem - é só deixar um comentário no post.

27/02/2012

Ser ou não ser... minimalista - parte II

Continuando com o post da semana passada, ser ou não ser minimalista...

Como saber se somos minimalistas? Era basicamente esta a questão que a leitora que me enviou o email que deu origem a este post me fazia. Como saber se uma pessoa é ou não minimalista?

As pessoas com quem lido diariamente, aquelas mais próximas de mim, sabem que sou minimalista apenas porque já lhes falei acerca disso (se bem que a maior parte não compreende o que é o minimalismo e outras até gozam...). Quem não me conhece tão bem, não faz ideia nenhuma acerca das minhas opções. Quem vem a minha casa percebe que realmente eu tenho pouca tralha e tem tudo um ar muito clean, mas isso pode ser apenas na decoração e até posso ter a cabeça e outras áreas da minha vida cheias de coisas desnecessárias. O minimalismo não é uma coisa que esteja assim à vista!

A verdade é que não há uma lista de critérios para avaliar o grau de minimalismo de alguém. Isso é uma coisa muito pessoal e cada um é que pode avaliar-se da melhor forma.

O princípio básico do minimalismo é este: identificar o essencial e eliminar o resto.

Uma pessoa que tem apenas aquilo que para ela é essencial, não tem coisas que não usa e que não fazem falta, não compra coisas desnecessárias, não se envolve em coisas que não lhe interessam, e dedica-se às coisas que realmente são importantes para si - sim, em princípio será minimalista.
O minimalismo de uma pessoa acaba por reflectir-se em tudo o que a pessoa faz, no seu espaço físico e até na sua maneira de vestir. Uma pessoa que tem tralha em casa não é minimalista (a não ser que a tralha seja de outros membros da família, claro). Uma pessoa que se veste tipo árvore de Natal não é minimalista. Uma pessoa que guarda tudo o que lhe oferecem não é minimalista. Uma pessoa que se mete em mil e uma actividades não é minimalista.

É difícil definir o conceito melhor que isto... Cada um sabe de si, mas uma coisa comum a todos os minimalistas é que eles gostam de se auto-intitular minimalistas (eu gosto!).

A Courtney Carver, do blog Be more with less, tem um post fantástico intitulado 25 reasons you might be a minimalist, ou seja, 25 razões pelas quais você pode ser um minimalista. Vou aqui traduzir algumas:

- se tem um sótão ou despensa vazios
- se não tem dívidas ou está a pagá-las a grande velocidade
- se andar em centros comerciais fá-lo sentir-se desconfortável
- se os seus filhos estão zangados consigo porque cancelou a TV cabo
- se não consegue parar de dar coisas, e o seu cão estão preocupado em ser o seguinte a ir
- se um amigo quer ir consigo às compras, mas você prefere ir ao dentista
- se não tem uma gaveta da tralha
- se nunca teve tanto tempo livre como agora
- se a tralha o deixa maluco
- se tem menos de 100 amigos no facebook ou segue menos de 100 pessoas no twitter
- se calendariza tempo para fazer nada
- se faz sestas
- se lê um livro e depois dá-o a alguém

e a melhor de todas:

- se preferia passar um dia com o Leo Babauta em vez da Oprah Winfrey!

Para terminar, deixo aqui algumas fotos de bloggers minimalistas famosos. Não têm todos um ar clean e feliz?



Leo Babauta, Zen Habits

Francine Jay, Miss Minimalist

Ryan Nicodemus e Joshua Fields Millburn, The Minimalists

Tammy Strobel, Rowdy Kittens

26/02/2012

Sorteio!!!

Então, como prometido, vou sortear uma peça feita por mim para comemorar e agradecer os +500 seguidores do blog, os +770 subscritores no reader, os +780 fãs da página no facebook e as mais de 1000 visitas diárias!

A peça é esta:




Um saco feito em chita portuguesa! Padrão floral, ideal para a Primavera!

Para participar no sorteio, basta deixar um comentário a este post e dizer por que é que lê o blog! Fácil!

Vou sortear o vencedor da mala no próximo domingo, dia 4 de Março, às 22h00.

Já agora, aproveito para anunciar algumas novidades aqui no blog. Coloquei lá em cima um separador para downloads, onde vou pôr ficheiros pdf feitos por mim que poderão ser úteis. Vou pôr também o meu livro para download mais fácil. Também adicionei um gadget na barra lateral para subscrições por email, se por acaso der mais jeito a alguém, e vou abrir um espaço para publicidade/patrocínios no blog (mais info aqui).

Por fim, depois de ler este post do Leo Babauta e visto que tenho andado a experimentar novos hábitos e a testar novas formas de me organizar, repensei o que escrevi aqui acerca do calendário editorial e dos 5 posts por semana. Novidades nesta área talvez estejam a chegar...

E pronto, por hoje é tudo! Fico à espera da vossa participação no sorteio, mesmo daqueles leitores que me lêem sempre mas nunca se pronunciam!


24/02/2012

Supermercados e preços

Depois das recentes idas à televisão da Mónica e da Orquídea por causa do uso dos talões e vales de desconto, promoções e coisas do género, fiquei novamente a pensar no assunto das compras de supermercado e na melhor maneira de poupar dinheiro sem me chatear muito.

Apesar de admirar imenso pessoas como elas que têm paciência para fazer compras da maneira que fazem e poupar imenso dinheiro, eu, infelizmente, não tenho paciência para isso (pelo menos por enquanto). Mas também não quero gastar dinheiro podendo poupar...

Basicamente, estou chateada... Chateada com o Pingo Doce por não terem sistema de compras online. Como se devem lembrar, no início deste mês fiz muitas compras no Continente online e adorei a experiência! Não ter que sair de casa e não ter que carregar as compras escadas acima!... Mas eu sempre tive a sensação que o Pingo Doce, onde geralmente faço as compras, era mais barato que o Continente, pelo menos para o meu cabaz... No outro dia andei com a minha mãe pelo Pingo Doce a apontar preços das coisas que geralmente compro e depois comparei com os preços do Continente online... e de facto, o Pingo Doce é bem mais barato, pelo menos para as coisas que geralmente compro.

Ficam aqui alguns exemplos:

Marcas brancas (Pingo Doce - Continente)

bolacha maria 0,74 (pack de 4) - 1,19 (pack de 3)
chocolate culinária 200 g 0,75 - 1,29
salsichas frankfurt 0,42 (8 unids.) - 0,73 (10 unids)
manteiga com sal dos açores 1,09 - 1,26
ovos classe M 0,75 - 0,79
leite meio gordo 1 L 0,49 - 0,52
feijão preto 420 g 0,42 - 0,55
polpa tomate 0,25 (210 g)- 0,26 (200 g)
arroz carolino 1 kg 0,74 - 0,94
azeite virgem extra litro 2,65 - 3,19
farinha com fermento 1 kg 0,35 - 0,72
farinha sem fermento 1 kg 0,33 - 0,72

Outros produtos, como a sílica para os gatos, o vinagre, o esparguete ou o arroz agulha, é ao mesmo preço nos dois sítios. Outros produtos, sejam eles mais baratos ou não, gosto mais dos do Pingo Doce (água, néctares). No geral, gosto muito dos produtos de marca branca do Pingo Doce. Os produtos da marca É do Continente aproximam-se mais dos do Pingo Doce em termos de preço, mas em qualidade não sei...
Portanto... acho que se acabaram as compras online no Continente... Irei ao Continente apenas para aproveitar os descontos em cartão...

Em relação à fruta, legumes e peixe, o mercado de Olhão ao sábado é o sítio para ir! Fruta e legumes de produtores locais, super baratos (e bons) e peixe muito mais barato que no mercado de Faro (ou em qualquer supermercado). A carne oscilo entre o Pingo Doce e o Algartalhos aqui ao pé de casa...

Quanto a produtos de limpeza e beleza, compro muito poucos. A maior parte faço eu em casa, portanto nisto poupo bastante.

E vocês, fazem como a Mónica e a Orquídea (quem me dera!)? Que estratégias usam para poupar dinheiro no supermercado?

23/02/2012

Criar uma rotina matinal

Todas as quintas-feiras falo um pouco de cada um dos projectos do e-book da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time, e de como os implemento na minha vida.


Hoje é o projecto nº 3 - Criar uma rotina matinal.

Já aqui falei das vantagens de ter rotinas bem definidas. As rotinas simplificam a minha vida, aumentam a minha produtividade e dão-me mais tempo.

A minha rotina matinal é simples mas talvez um pouco radical; no entanto, quando a sigo à risca, o dia corre muito melhor, sou mais produtiva e mantenho níveis elevados de energia até à hora de deitar.

Resumidamente, a minha rotina matinal é a seguinte:

5h - levantar
- fazer chá preto
- trabalhar ao computador
6h45 - pequeno-almoço
7h-8h - ginásio, banho, vestir
8h-9h - preparar miúdos, levá-los à escola
9h - trabalho

O levantar às 5 da manhã nem sempre consigo, sobretudo no Inverno porque está frio e ainda é noite cerrada a esta hora.

Mas como é que criei esta rotina? Foi basicamente por necessidade. Eu sou uma pessoa matinal, gosto de me levantar cedo e a minha cabeça funciona muito melhor de manhã... Mas 5 da manhã? Pura necessidade. O meu trabalho é exigente e não consigo fazer tudo o que tenho para fazer nas 8h que passo na universidade. Quem trabalha em ciência sabe do que falo. Estamos sempre envolvidos em demasiados projectos e um horário de trabalho normal não é suficiente para tudo. Como passo muito tempo no laboratório, fica-me a faltar tempo para estar ao computador a tratar dados e a escrever artigos. É isso que faço em casa de manhã. Podia fazê-lo à noite e deitar-me mais tarde, mas eu funciono melhor de manhã. E sabe tão bem ver o nascer do Sol e ouvir o silêncio da manhã!...

O segredo para as manhãs correrem bem é só um: planear tudo na noite anterior.
Por exemplo, se eu não tiver coisas bem definidas para fazer ao computador logo de manhã, não me levanto. Se não tiver a roupa do ginásio pronta para vestir e o saco preparado, não vou ao ginásio. Se não tiver a chávena de chá pronta ao lado do fogão, com o pacotinho de chá lá dentro, o mais provável é não fazer chá.
Tenho que ter tudo planeado para que de manhã quando o despertador toca, não arranjar desculpas para ficar na cama. A verdade é que tem sido cada vez mais fácil levantar-me cedo. No outro dia esqueci-me de pôr o despertador para as 5 e acordei às 6 sozinha. Aos fins-de-semana tenho acordado naturalmente às 7h.

Claro que não precisam ser tão radicais como eu. Um dos objectivos da rotina matinal é fazer as coisas com calma para não começar o dia logo com stress. Se as suas manhãs são uma correria, por que não levantar-se 15 minutos mais cedo? Ou meia hora?
Imagine como seria o seu dia ideal (de forma realista, claro). Agora, é só ter força de vontade suficiente para fazer algumas pequenas mudanças que vão melhorar bastante a sua vida!

22/02/2012

Como organizo e giro este blog

Há quase 3 anos criei o meu primeiro blog, no dia em que descobri A Dona de Casa Perfeita. A partir daí não parei. Já tive vários, mas é com este que sinto que encontrei o meu lugar na blogosfera. Neste post vou falar um pouco sobre como organizo e giro o blog.


Ideias para os posts
As ideias vêm de vários sítios: experiências minhas e coisas que me passam pela cabeça, coisas que leio noutros sitios, perguntas que as leitoras me fazem nos comentários ou por email, etc. Quando tenho uma ideia para um post faço logo um documento no google docs com essa ideia e depois é nesse documento que escrevo o post (não escrevo directamente no blogger). Se não tiver o computador, aponto a ideia no Moleskine.



Planear os posts
Sou uma grande fã da máxima do Winston Churchill, popularizada pela Jillian Michaels do Biggest Loser, “Failure to plan is planning to fail”. Os posts planeados e escritos com calma são muito mais ricos e interessantes. Estabeleci um calendário editorial (usando o google calendar) com os títulos dos posts para cada dia. Estabeleci também assuntos diferentes para cada dia da semana (2ª minimalismo; 3ª DIY e decoração; 4ª simplificar e organizar; 5ª one bite at a time; 6ª tema livre), para me ajudar a ter ideias para os posts e não me focar demasiado num só assunto.

Investigação para os posts
Alguns posts exigem alguma investigação prévia sobre o assunto. Gosto de fazer isso ao serão, depois da casa arrumada e os miúdos na cama, sentada no sofá da sala, com o J. ao meu lado a ver televisão. Os posts interessantes que leio noutros blogs costumo guardar no Evernote e agora comecei a partilhá-los mais activamente nas redes sociais (facebook, twitter e google+).

Escrever os posts
A escrita tem que ser feita de manhã. É quando a minha cabeça funciona melhor. Desde que implementei o calendário editorial, tento publicar 5 posts por semana e tento escrever os 5 ao fim-de-semana, para durante a semana ficar com as manhãs (entre o acordar às 5h e o ginásio às 7h) para escrever coisas do trabalho. Tento ter os posts escritos com uma semana de antecedência, mas o ideal, dizem os entendidos, é ter um mês inteiro de posts preparados. Muitos posts implicam também tirar fotografias e já aconteceu não publicar posts porque não consegui boas fotografias. Por exemplo, as fotos deste post foram tiradas de manhã antes de sair de casa, quando o quarto, virado a Este, está inundado de luz.

Redes sociais
Além da página do blog no facebook, que já criei há alguns meses e continua a crescer todos os dias (OBRIGADA!), aderi finalmente ao google+ e reactivei a minha conta no twitter. Uso estas redes sociais não só para publicitar os posts do blog (que é automático, usando o NetworkedBlogs), mas também para partilhar coisas interessantes que vou descobrindo na internet. Isto pode parecer uma enorme perda de tempo, mas graças aos botões de partilha do Chrome ou aos botões que já vêm nas páginas, é muito rápido (se tivesse que entrar em cada uma das minhas contas para partilhar links, então não o faria...). Quando quero publicar alguma coisa minha no facebook e twitter, uso o Hootsuite, que permite agendar os posts e tweets. É assim que faço com as dicas diárias no facebook - escrevo-as ao fim-de-semana e ficam agendadas, sendo publicadas diariamente às 9h30. O Hootsuite ainda não permite publicar no google+, por isso aí tenho mesmo que entrar no meu perfil para escrever alguma coisa.

Eu gosto de ter o computador bem organizado e livre de tralha digital. O browser que uso é o Google Chrome (como sabem, sou fã dos produtos google) e nos meus 3 computadores tenho alguns marcadores e extensões que me facilitam bastante a vida. Aqui está uma imagem do meu chrome:

Os botões de partilha são os que estão no canto direito: o elefante é a extensão que permite capturar coisas para o Evernote, a seguir está o botão do Google+, do Twitter, do Facebook e finalmente o P para capturar imagens para o Pinterest.
Nos marcadores do Chrome tenho aquilo que mais uso: Gmail, Toodledo, Google Calendar, Google Docs, Google Reader, Blogger, Evernote, Pinterest, Flickr, Facebook, Google+, Twitter e HootSuite (no computador do trabalho tenho mais uns quantos marcadores).

Comentários e e-mails
Esta é das melhores partes dos blogs - o feedback dos leitores. Leio todos os comentários aos posts e todos os comentários e likes no facebook. Quando me fazem perguntas nos comentários, tento responder logo... às vezes não o faço porque estou concentrada noutra coisa e depois acabo por esquecer... Os e-mails também leio mal os recebo, mas geralmente só respondo ao fim-de-semana, com calma. Gosto sobretudo quando os leitores me fazem perguntas que dão origem a posts ou quando fazem comentários pertinentes que me deixam a pensar! E também adoro que partilhem comigo um pouco da vossa vida nos comentários!

Para terminar, se quiserem ler mais sobre o processo de criar e gerir um blog, este post da Thais está muito bom (em português)!

E vocês? Como gerem e organizam os vossos blogs?

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