07/11/2012

Uma família de minimalistas

Uma questão que me fazem com frequência é como reagiram os meus filhos e companheiro quando decidi tornar-me minimalista - e, consequentemente, arrastá-los comigo para esse estilo de vida. 

Em primeiro lugar, eu não sou uma minimalista radical, como aqueles que têm só 100 coisas, que dormem num colchão no chão, têm só um prato e um copo e só se deslocam de bicicleta. Eu tenho a mobília essencial (não tenho mesas de cabeceira porque não me fazem falta), tenho louça suficiente para nós os quatro (mas não para muito mais), ando a pé e de bicicleta, mas tenho três veículos a motor (o que é um exagero). 

Viver um estilo de vida minimalista significa, para mim:

- rejeitar a comparação com os outros (o keeping up with the joneses) e, por consequência, o consumismo; 

- não dar importância ao que os outros pensam de mim (aqueles que nos avaliam pelas roupas que usamos, pelo carro que conduzimos, pela casa onde vivemos e pelo trabalho que temos);

- ter em casa apenas aquilo de que realmente preciso, uso e gosto, ou seja, não ficar com uma coisa que não me faz falta só porque foi oferecido - não sinto esse apego emocional às coisas;

- preocupar-me com o meio ambiente e fazer escolhas o mais ecológicas possível;

- ter tempo para fazer aquilo que é importante para mim - o meu trabalho, fazer desporto, ler, escrever, estar com a família e, também, ter tempo para não fazer nada;

- gerir bem o dinheiro e não o gastar em coisas desnecessárias - ser frugal q.b.; prefiro gastar mais num bom par de sapatos do que gastar o mesmo em três ou quatro pares de pouca qualidade;

- saber dizer não.

Como vêem, a minha vida minimalista não tem nada de radical! 

Em termos mais práticos, o meu minimalismo traduz-se em não deixar a tralha acumular-se em casa, ou seja, roupa que já não serve, brinquedos estragados ou não usados, papéis sem interesse, vão embora. 

No entanto, não faço os meus filhos terem só dois ou três brinquedos ou apenas meia dúzia de livros - mas estabeleço limites físicos para que eles tomem noção do espaço que as coisas ocupam e percebam que, se forem arrumados, conseguem usufruir melhor daquilo que têm. Seja como for, os miúdos são pequenos e, por isso, adaptam-se com facilidade às mudanças - e mesmo que não fosse minimalista, não ia querer habituá-los a terem tudo e mais alguma coisa.

Com o meu companheiro nunca tive que me preocupar, pois ele já era minimalista sem o saber. Tem muito menos roupa que eu (mas, tirando as t-shirts, é tudo de marca), muito menos sapatos que eu (mas tudo de boa qualidade), não tem livros, quase não tem papéis, tem uns quantos CDs e jogos para a playstation, e, o que destoa, tem muitas caixas de ferramentas. Estimo que os seus pertences (tirando as ferramentas) cabem, no máximo, em duas malas de viagem - isso sim, é que é ser minimalista! Para o J. o que mudou foi eu tornar-me mais parecida com ele - e ficámos com muito mais espaço no roupeiro.

Quanto a mim, eu era de facto a pessoa que tinha mais coisas cá em casa - portanto, o tornar-me minimalista, afectou-me sobretudo a mim, e não o resto da família... Livrei-me de roupa, de livros, de papéis, e de tudo o que não me fazia falta. Mas não me livrei assim de tantas coisas, pois, em comparação com a maior parte das pessoas que conheço, eu não tinha assim tanto quanto isso - e sempre fui organizada, o que ajudou bastante. As mudanças não foram, de facto, radicais, porque a minha família (os meus pais incluídos) nunca foi de acumular tralha.

Portanto, quando me perguntam como reagiu a família... não reagiu, pois para eles não mudou quase nada - mas somos muito mais felizes assim!

18 comentários:

  1. Não consigo nem gostaria de me ver livre dos meus livros. Roupas, papelada e outras coisas que já não uso não me importo e já fiz algumas limpezas seguindo os teus passos, mas os meus livros... Nem pensar. Bjs

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    1. Eu não me livrei de todos os meus livros!! Livros que não gostei ou não tenciono voltar a ler, esses sim, dei à biblioteca. Assim estou a contribuir para o enriquecimento da biblioteca cá da terra e se quiser mesmo ler algum desses livros outra vez, sei onde estão!

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  2. Adoro o seu blog e já sou seguidora, só ainda não consegui ganhar coragem para me livrar de algumas coisas que estão a mais cá por casa.Vai aos poucos.Beijinhos
    http://aromasesaboresdoparaiso.blogspot.pt/

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  3. Olá Rita! Identifico-me (quase) a 100% contigo (não leves o mal o "tu" não andámos na escola, mas além do nome temos a mesma idade! e eu tenho a mania de que tenho uma costela espanhola! LOL).
    Por aqui também não somos demasiado consumistas e até nem nos preocupamos com o que os outros pensam de nós. Prova disso era o nosso móvel de TV que era a coisa mais minimalista (ou quase)! Uma mesa de cabeceira reaproveitada com um enooorme vidro por cima! Foi uma medida encontrada para evitar gastar dinheiro, pois a preocupação número um sempre foi ter comida no frigorífico e a número dois a limpeza. Só há poucos dias convenci o S. de que no IKEA encontraríamos qualquer coisa baratíssima que, sem grandes gastos, nos permitisse dar um ar mais interessante à sala! Isto porque para o S. está sempre tudo bem. Nunca precisa de nada e o pouco deixa-o satisfeito!
    Se gosto de viver com pouco? Adoro. Assim, é muito mais fácil limpar e arrumar e além do mais, a grande vantagem vivendo numa casa alugada, é que as mudanças são muiiito mais fáceis! :)
    Beijinho

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  4. Pois não, a tua vida minimalista não tem nada de radical, embora à primeira vista possa ter parecido a alguns leitores. Talvez por teres iniciado o "movimento destralhar" e pelas ideias de organização, simplificação e gestão que não se encontravam frequentemente?

    Eu não me considero minimalista mas curiosamente, ponto por ponto, penso e vivo da mesma forma, porque acho que é uma questão de equilíbrio e bom senso. A partir daqui claro que a minha opinião não é isenta, mas também não o digo só para ser simpática: acho que as tuas escolhas fazem todo o sentido e podem de facto inspirar outras pessoas.

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  5. Olá Rita,

    Sou brasileira e moro na Argentina. Leio sempre o seu blog e tenho aprendido bastante. A postagem de hoje está ótima e me identifico muito. Meu marido é do mesmo jeito que você descreveu o seu. Caminhamos na mesma direção.

    Um abraço,

    Carla

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  6. Este é o minimalismo que quero para minha vida. Obrigada por resumi-lo.

    beijos

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  7. Olá Rita,
    Acompanho este blog já vai para dois anos e tem sido muito giro ir evoluindo também deste lado no mesmo sentido ! Agora uma pergunta/ observação mais pessoal: não sentes que agora até tens "espaço" para mais um filho? É que eu tenho sentido muito isso nos ultimos tempos, e já tenho três ! Tinha decidido não ter mais filhos, mas agora, sinto que além de ter espaço emocional (o mais dificil de ter), os filhos são mesmo a coisa mais importante que cá temos e a nossa marca que fica no mundo é a maneira como educamos as nossas crianças...
    E não acho que o fator economico pese assim tanto no ter ou não mais um filho, principalmente para os minimalistas!
    Desculpa o desabafo, sei que é muito pessoal, mas queria mesmo partilhá-lo !!
    Bjs e obrigada por tudo !

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    1. Ter "espaço" até tenho, mas não quero mais filhos. Tão simples quanto isso...

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  8. Olá Rita! Olha agradeço imenso o facto de ter exposto as suas ideias de forma tão simples, descobri o seu Blog a um mês exactamente e já fiz mudanças incríveis, no meu caso tive de ser um pouco radical em muitos aspectos, pois estava tudo mal... desde não ter rotina para nada como ser imensamente consumista, mas este verão fiz algo que nunca tinha feito, passamos as férias na Ilha da Armona, onde não há carros, nem lojas e centros comerciais etc, bom você é cá do Algarve deve conhecer... Senti-me tão livre, com tanto espaço, sem ter aquela obrigação que impomos em nós mesmos de roupas, carros, restaurantes e assim por diante, aproveitei cada minuto com minhas filhas (Ana de 6 anos, Mónica 3 anos) só agora apercebi-me como já cresceram, como deixei-me ser levada por uma vida de aparências e tudo naquela de querer mostrar algo que muitas das vezes nem somos, apenas fazemos porque no meio social que vivemos exige-nos isso, é claro nós aceitamos porque queremos mas não quer dizer que somos felizes, pois de facto não era. Já cortei muita coisa, já li os seus e-book e tenho-os na mesa de cabeceira e no meu gabinete do trabalho, já li e reli e vou ler ainda muitas vezes pois estipulei fazer muitas mudanças ainda... claro que não vai ser tudo de um dia para o outro e sim aos poucos mas constante (aprendi isso também). Minha meta para esse resto de ano é organizar o resto da minha casa e conseguir cumprir sempre as rotinas nocturnas e diurnas, chegar a horas no trabalho (coisa que há muito tempo não acontecia, mas já consigo) pagar minhas dividas que esse consumismo fez-me fazer, ter imenso tempo a minha família que ultimamente acabava por ter de deixá-los de lado por não ter rotinas e não conseguir dar conta de tudo. Desculpa o jornal escrito, mas confesso que precisava contar-lhe isso para que você saiba o bem que nos faz o seu Blog! Um beijinho muito carinhoso acompanhado de um obrigado sincero! Geovana

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    1. Geovana, muito obrigada por este testemunho. Fico feliz por ter impulsionado todas essas boas mudanças!

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  9. Que faria eu sem ti rapariga... Bjs
    http://eintagwieheute.blogspot.pt/

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  10. Rita, ali onde você diz "ser frugal, q.b." - o que significa q.b.?

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    1. q.b. = quanto baste. Quer dizer que sou frugal na medida certa, sem exageros.

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  11. Ola Rita, sou brasileira e acabei de descobrir seu blog. Fiquei muito feliz porque realmente nao temos muita informacao sobre minimalismo ou como ir simplificando nossa vida e tenho sentido necessidade disso. Ja diminui muito as coisas ao meu redor, ainda tenho problemas com roupas e sapatos ( compro demais), mas vou mudar porque tenho me sentido sufocada.
    Agora lendo seu blog tenho certeza que terei mais animo para melhorar. Obrigada

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  12. Lia vale a pena você dar uma lida sobre a pobreza cristã. Não impede de vivermos bem, mas nos pede equilíbrio.

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Obrigada pelo comentário!

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