19/03/2012

Viver com não minimalistas

Destralhar, simplificar, minimizar, é tudo muito bonito e fácil quando uma pessoa vive sozinha ou com alguém que está na mesma onda... Mas quando o resto da família não está para aí virado, tentar destralhar e simplificar o espaço à nossa volta pode ser exasperante. Aqui, felizmente, não falo por experiência própria, pois o meu companheiro já era minimalista sem o saber (ele só acumula ferramentas e coisas dessas, mas está quase tudo devidamente arrumado na cave) e a única coisa que ele referia quando eu andava em destralhamentos era o dinheiro todo que eu tinha gasto nas coisas que agora estava a jogar fora... mas isso é um bom lembrete para quando me der vontade de comprar coisas que não preciso (sobretudo roupa e sapatos).

Seja como for, aqui ficam algumas ideias para simplificar e minimizar uma casa partilhada com não-minimalistas.

1. Preocupe-se primeiro consigo
Destralhe a sua mesa de cabeceira, as suas gavetas da cómoda e o seu lado do armário. Destralhe a sua secretária e os outros sítios onde tem as suas coisas. Se a cozinha pertence ao seu domínio, aproveite e destralhe-a também. Preocupe-se primeiro consigo, com as suas coisas, com a sua tralha.

2. Seja o exemplo a seguir 
Ao destralhar as suas coisas, está a dar o exemplo aos restantes membros do agregado familiar. Pode ser que eles vejam e compreendam as maravilhas da simplicidade e decidam seguir o seu exemplo. Mas não imponha nada a ninguém. Vá destralhando a sua parte, dê pequenos passos, mostre como é mais feliz assim, e pode ser que arranje seguidores.

3. Estabeleça limites
Não deixe que as suas gavetas vazias ou o espaço vazio na sua secretária seja ocupado por coisas de outras pessoas! A tralha tem a capacidade de se expandir para ocupar o espaço disponível, por isso tem que estabelecer limites e ser muito firme. O espaço, vazio ou não, continua a ser seu, por isso não é para ser ocupado pela tralha dos outros!

4. Respeite o espaço dos outros
Da mesma forma que o seu espaço deve ser respeitado, não imponha a sua vontade de destralhar aos outros.  Destralhe as suas coisas, as coisas comuns se conseguir, mas se tem um marido que guarda todos os cabos e demais parafernália informática ou uma mulher que ocupa o armário da casa de banho com dezenas de vernizes que não usa, deixe estar... (ah, exemplo tão preconceituoso...) Pode ser que, olhando para o seu exemplo, eles percebam um dia que não precisam dessa tralha para nada.

5. Peça ajuda
Peça ajuda aos seus familiares para destralhar e organizar as coisas em casa. Faça-os ver que não precisam de tantos pratos e tantos tachos e que, com menos coisas, é muito mais fácil manter a casa limpa e arrumada. Nunca recebem ninguém em casa porque têm vergonha da constante desarrumação? Aqui está um bom motivo para destralhar!

6. Eduque
Fale com os seus familiares sobre vida simples, minimalismo, vantagens de viver com menos tralha. Ofereça-lhes o meu livro! Leia-lhes este blog! Faça uso das suas capacidades de persuasão. 
Aqui ficam alguns posts que podem ser úteis:



16/03/2012

Leituras para o fim de semana

~ Disclaimer da Thais sobre publicidade paga nos blogs - concordo com tudo e revejo-me no que ela escreveu. A Thais acertou na mouche!

~ Mais um grande post da Thais sobre estabelecer prioridades e reduzir o resto, em termos de trabalho e outras ocupações - importante sobretudo quando chegamos ao limite das nossas forças.

~ A Magda enviou-me o link para a versão pdf do livro "Eat that frog" - muito bom, muito bom, muito bom! Já tinha ouvido falar tanto do livro, queria mesmo comprá-lo, e a versão pdf, grátis, não podia ter vindo em melhor altura! São 21 dicas para acabar com a procrastinação e a aumentar a produtividade! Obrigada, Magda!

~ Mais uma vez vindo da Magda, entrevista com a Dr. Laura Markham dividida em duas partes, primeira e segunda, sobre parentalidade. Só para aguçar a curiosidade, aqui a cito "Dirias que o teu marido te deve amor e respeito mas que te devia dar uma palmada de vez em quando porque a mulher deve respeitar o seu marido?" - bom, muito bom!

~ E por fim, para quem quer implementar algumas regras de Feng Shui em casa, espreitem as dicas da Hazel (o blog da Hazel, Casa Claridade, é, para mim, um dos lugares mais confortáveis da internet - vale a pena uma visita bem demorada, com uma chávena de chá na mão, incenso a queimar e as músicas que ela tem no blog a tocar...)


Deixo também aqui alguns dos meus últimos posts, caso tenham perdido algum...




Simplificar e organizar

~ Destralhe e minimize a carteira

~ Criar uma rotina matinal e uma noturna

~ Como organizo o computador

~ Como organizo e giro este blog

~ Fazer um orçamento mensal

~ Fazer o pior logo de manhã



Minimalismo

~ Como vivo a vida (o post mais pessoal e introspetivo que já escrevi)

~ 5 coisas que pode fazer já para se tornar mais minimalista

~ O que é o minimalismo

~ As origens do minimalismo

~ Criar ligações emocionais com as coisas

~ O desapego das coisas

~ Ser ou não ser minimalista parte I, parte II

~ Uma família comum e a solução para os seus problemas


E pronto! Tenham um bom fim de semana e obrigada por continuarem a passar por aqui!

15/03/2012

Planear os menus

Todas as quintas-feiras falo um pouco de cada um dos projectos do e-book da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time, e de como os implemento na minha vida.

Hoje é o projecto nº 5 - Planear os menus.

Acho que a maioria das pessoas (pelo menos as que têm blogs...) já faz isto e todos sabemos as inúmeras vantagens de planear as refeições com antecedência. A Tsh fala no livro das várias maneiras de planear os menus, da frequência do planeamento, das ferramentas a usar, etc.
Vou mostrar apenas como é que eu planeio os meus menus - e o meu método é muito simples (ou não fosse eu minimalista!).

1. Criei uma lista de pratos que gostamos de comer cá em casa. Além de serem pratos que nos agradam, são na sua maioria pratos saudáveis, fáceis de fazer e que não precisam de muitos ingredientes nem receitas mais complicadas que protocolos laboratoriais...
Quando faço os menus, não preciso puxar pela cabeça para me lembrar de pratos - basta-me olhar para a lista. Devo referir que cozinhar não é comigo, não gosto de inventar pratos, experimento receitas novas muito raramente e cá em casa quem cozinha mais é o meu companheiro (eu lavo a louça e arrumo a cozinha a seguir!).

2. Planeio só 5 refeições por semana. Aos dias de semana geralmente almoçamos fora; houve uma altura em que levava almoço ou vinha almoçar a casa, mas agora como sempre peixe grelhado na universidade (prefiro gastar um pouco mais para comer peixinho grelhado, que adoro e é super saudável). Nos dias em que fico a trabalhar em casa como os restos do jantar. Ao fim de semana costumo ir a casa dos meus pais, vamos comer fora e comemos restos. No entanto, tenho sempre comida suficiente para fazer mais refeições que essas 5, mas não as planeio. 

3. Escrevo as refeições num quadro magnético, mas não lhes atribuo dias da semana. Assim é mais flexível. Decido de manhã o que vamos jantar nesse dia e ponho a descongelar se for necessário. Há sempre fruta para a sobremesa, bolo de chocolate às vezes, e sopa de vez em quando (adoro sopa, mas as minhas não são lá muito boas...).


E basicamente é isto! E vocês, como fazem?

14/03/2012

Criar uma lista de compras mestra

Eu não vou às compras sem uma lista. Isto é ponto assente há muito anos. Mas ao longo destes anos, a minha abordagem às listas de compras foi mudando. Já usei listas feitas por outras pessoas e disponíveis na internet, divididas em categorias e com os vários produtos discriminados* (a maior parte dos quais eu não compro), já usei pedaços de papel onde vou escrevendo os produtos que fazem falta ao longo da semana, e já criei a minha própria lista em word, dividida em categorias de produtos...

Até que descobri o tipo de lista que me dá mais jeito: a minha própria lista de compras mestra, dividida, não por categorias, mas por zonas de arrumação dos produtos (frigorífico, congelador, despensa**, casa de banho, e por aí fora).


À medida que dou pela falta de um produto vou apontando na lista e no dia das compras ou na véspera, abro o frigorífico, o congelador, a despensa e as portas dos armários e vejo o que faz falta - o que está na lista para cada zona e não tenho. Muito mais fácil!

A vantagem das listas de compras por categoria é, para mim, só uma: no supermercado, os produtos de cada categoria costumam estar mais ou menos no mesmo sítio. Mas para elaborar a lista e não me esquecer de nada, é mais fácil ter uma lista mestra por zonas de arrumação em casa.

Para fazer uma lista destas é preciso um papel e um lápis. Comece numa ponta da cozinha, num dia em que tenha ido às compras para ter tudo bem atestado, vá abrindo os armários e escreva os vários produtos que lá tem. Depois, faça uma lista toda bonita no computador, imprima-a e coloque-a na cozinha (acho que a maioria das pessoas põe a lista na porta do frigorífico, não?). Vá apontando os produtos que precisa e no dia das compras, pegue na lista e dê uma volta aos armários para ver o que não tem.
Também pode fazer o download da minha lista e modificá-la à medida das suas necessidades.


* nota de português, só porque me apetece: discriminar = separar, diferenciar, distinguir (ele foi acusado de discriminar a colega por ser mulher); descriminar = absolver, inocentar (descriminação do aborto) - atenção que descriminar é o mesmo que descriminalizar (a segunda é um neologismo)
** despensa = compartimento para guardar produtos, normalmente alimentares (eu guardo a comida na despensa); dispensa = isenção, permissão para não cumprir algo a que se está obrigado (ex, dispensa do serviço militar)

13/03/2012

Um escritório minimalista

O meu escritório é provavelmente a divisão da casa que já passou por mais mudanças. Já esteve pintado de várias cores (branco, amarelo torrado, verde claro) e já por lá passaram várias mobílias e acessórios (várias secretárias, várias estantes, vários sofás e maples, e muitos, muitos cortinados). O escritório era a divisão da casa onde se acumulava mais tralha (toda minha), sobretudo papeladas de trabalho.

Estas fotos mostram várias versões do escritório há uns anos atrás.




Como vêem, eu tinha muita papelada - a maior parte era tralha. E ainda tinha mais papelada do trabalho na cave. Foi por aí que comecei. 

Primeiro, joguei fora todos os dossiers das disciplinas da licenciatura e mestrado, por três motivos: 1) desde que acabei o curso nunca precisei de nenhum dossier e mesmo que precisasse, 2) muita da informação já estaria provavelmente desactualizada (que a ciência está sempre a avançar) e, de qualquer modo, 3) se precisar de informação sobre algum assunto, sei como procurá-la, sem recorrer a dossiers antigos. Portanto, aconselho todos os leitores que têm as coisas dos cursos guardadas a fazerem o mesmo que eu fiz. É uma sensação de alívio indescritível.

Depois vi os dossiers e pastas um a um. Tive que ser muito fria e esquecer o vir a precisar das coisas algum dia (mais uma vez, se precisar, sei onde procurar, não preciso de papeladas em casa a ocupar espaço e a ganhar pó). Joguei fora quase tudo. Alguns dossiers importantes levei para o meu gabinete na Universidade, mas a maior parte foi para a reciclagem.

Também tinha pastas com recortes de revistas de decoração, moda, musculação e fitness e muitas outras coisas. O que me interessava digitalizei. O resto, foi fora. 

Dei também uma grande volta aos meus tecidos. Restos de tecidos foram fora. Fiquei só com peças de que realmente gosto.

Isto foi um processo que demorou algum tempo. Não foi feito tudo num dia nem numa semana. E ainda hoje continuo a deitar coisas fora. 

Claro que a jogar tanta coisa fora, as estantes foram ficando vazias... Substitui as várias estantes que tinha por uma só - onde cabe tudo.




Então o que tenho agora no escritório, além do piano e do terrário da iguana, é uma estante, uma secretária feita a partir de um tampo de mesa de jantar, o qual pintámos de branco e adicionámos pernas Vika Curry, um bloco de gavetas Vika Alex e duas cadeiras, uma para o computador, outra para a máquina de costura.



Em relação aos papéis, não tenho praticamente nada do trabalho em casa, a não ser os livros que se vêem na foto e uma cópia de cada uma das minhas três teses que estão no arquivador Flyt ao lado da aparelhagem. 

Já não tenho os dossiers de arquivo que mostrei aqui. Deixou de fazer sentido ter papéis importantes que não uso mas não posso deitar fora, como certificados dos graus académicos e assim, junto com extractos do banco que mais cedo ou mais tarde vão fora. Alterei toda a minha maneira de organizar os papéis.

Comprei as pastas de arquivo brancas que se vêem na foto para guardar papéis importantes que não são usados com frequência. Uma das pastas tem os meus livros de piano e outra tem as minhas papeladas de musculação e fitness, e também moldes e tutoriais de costura. A última pasta, que se vê na foto abaixo, tem as declarações de IRS e uma pastinha de plástico para cada um de nós (e outra para a casa) com papéis importantes usados com pouca frequência (diplomas, contratos de trabalho, avaliações da escola, exames médicos, etc.). 


Agora, em vez dos tais quatro dossiers de arquivo que tinha, tenho um, o preto que se vê na prateleira abaixo dos livros. Aí sim, guardo papéis mais usados, como contas, informações da escola, recibos de ordenado, correspondência vária, extractos do banco (os poucos que ainda recebo em papel), seguros, etc. Esta pasta, que está devidamente organizada com separadores, é constantemente destralhada. Por exemplo, em relação aos seguros dos carros, guardo só o último que paguei. Papéis da escola, horários, informações variadas, guardo só os do ano lectivo que está a decorrer. Se quiser guardar algum papel que pode ser importante ou necessário, mas se não for preciso o original em papel, digitalizo. As contas que recebo por email ficam guardadas no gmail e de vez em quando apago as mais antigas. Não imprimo nada a não ser que seja mesmo, mas mesmo necessário. E por aí fora...  Cada vez digo mais não a papeladas que não preciso. Além de ser bom para a minha saúde mental e visual, é bom para o ambiente! 

Tudo o que é material de escritório (lápis, borrachas, agrafador, clips, cola, e por aí fora) está guardado nas gavetinhas de madeira. Entre as gavetas e o dossier estão papéis que estou a usar no momento (são as coisas do trabalho que faço entre as 5 e as 7 da manhã...).

Na prateleira seguinte tenho a multifunções prestes a morrer e a ser substituída por uma mais pequenina e uma caixa com fotos ainda por digitalizar (quando estiver tudo digitalizado, ficará aí mais um espaço vazio!).

Por fim, na prateleira debaixo estão duas caixas de arrumação de plástico, uma com tecidos, outra com peças prontas.

No bloco de gavetas debaixo da secretária a tralha não é muita, a saber:

1ª inbox e tickler file, como mostrei aqui
2ª cabos, carregadores e demais parafernália
3ª papel (envelopes, blocos, folhas soltas, etc.)
4ª guilhotina de papel, esquadro, CDs e DVDs virgens
5ª acessórios de costura (linhas, agulhas, botões, elásticos, etc.)

E pronto, é isto o meu escritório minimalista - não tão minimalista como os exemplos abaixo (de bloggers minimalistas famosos), mas para lá caminho...


 via


12/03/2012

As origens do minimalismo

O minimalismo como resposta ao consumismo e materialismo desenfreados do mundo ocidental é um fenómeno recente nascido nos Estados Unidos e divulgado sobretudo através da internet. No entanto, o minimalismo como estilo de vida tem as suas origens no Budismo Zen e na estética japonesa Wabi Sabi.

Alguns princípios do Budismo Zen formam a base do minimalismo: o desapego às coisas, a redução do sofrimento, a procura da felicidade, o foco, a atenção, a compaixão. De acordo com esta filosofia, as únicas posses que devemos ter são apenas as essenciais, e o materialismo como forma de gratificação pessoal e posição social deve ser rejeitado.

A estética Wabi Sabi deriva do Budismo Zen e reverencia a austeridade, a natureza e o dia-a-dia. Wabi Sabi surgiu no século XV na China como resposta ao luxo e riqueza emergentes. Esta estética dá valor à simplicidade em detrimento da ostentação e privilegia a beleza da imperfeição, o conforto e o bem-estar. Wabi Sabi defende a vida modesta e a eliminação do supérfluo - o conceito do menos é mais.

O minimalismo é comummente permutável e confundido com outros conceitos e filosofias de vida como o downshifting, a simplicidade voluntária e o ascetismo. Estes quatro conceitos são, no entanto, diferentes, embora todos eles possam ser classificados como estilos de vida simples.

O ascetismo é o mais radical destes conceitos. O ascetismo pressupõe um estilo de vida austero em que os prazeres mundanos são recusados, em favor da procura da espiritualidade.

O downshifting é uma redução da velocidade e da intensidade com que vivemos. É simplesmente parar, respirar e começar a viver mais devagar num mundo que anda cada vez mais depressa, tendo como objecto reduzir o stress e os danos psicológicos e físicos de uma vida apressada. Em Portugal até existe um movimento de downshifting!

A simplicidade voluntária vai mais além que o downshifting. Uma vida simples é desprovida de excessos e caracterizada pela despreocupação em relação ao quanto mais melhor (ou o keeping up with the Joneses). Motivos financeiros, ecológicos, religiosos, espirituais e de saúde podem conduzir a uma simplificação intencional da vida, assim como a tomada de consciência em relação aos perigos do consumismo e do materialismo. Uma vida simples começa com a eliminação da tralha que temos em casa e continua com a poupança de dinheiro, comportamentos mais ecológicos, valorização das experiências e relações em vez dos bens materiais e, no geral, com o viver a vida de forma mais sustentável.

Uma vida minimalista é desprovida de excessos, é frugal e sustentável - mas nunca asceta! O minimalismo não tem nada a ver com pobreza voluntária, como o ascetismo. O minimalismo pode ser encarado como uma extensão da vida simples. Não é só livrarmo-nos das coisas, da tralha que temos nas nossas casas. Não é só simplificarmos as coisas complexas. É livrarmo-nos do desnecessário, eliminarmos as distracções, recusarmos deliberadamente tudo aquilo que nos afasta dos nossos propósitos e mantermos apenas o que é essencial. O objectivo é simplesmente focarmo-nos naquilo que realmente é importante para nós.

09/03/2012

Destralhe e minimize a carteira

Desde os meus 16 ou 17 anos que praticamente só uso carteiras/porta-moedas da Mango. Uso as carteiras até se estragarem e só depois compro outra, mas como são de boa qualidade, têm durado muito tempo. No entanto, sempre que compro uma carteira nova, tenho tendência para comprar uma maior que a sua antecessora. A última carteira que comprei era enorme, com imensas divisórias, bolsinhas, espaço para cartões, porta-moedas - até espelho tinha! Grande parte das divisórias ficaram vazias, pois não tinha nada para lá pôr...

Mas, como boa minimalista, senti que chegou a altura de... minimizar a carteira e o seu conteúdo. Comprei esta branquinha e destralhei cartões, papéis e outra tralha que andava sempre comigo...

Aqui ficam algumas dicas para simplificar a carteira:

1. Tenha na carteira apenas os cartões de débito e de crédito que usa com frequência. E o ideal, claro, é ter o menor número possível de cartões e contas bancárias.

2. Tenha apenas os cartões de lojas onde vai com frequência - e só se o cartão valer a pena (ainda não percebi para que é que serve o cartão da Staples...).

3. Tenha apenas os documentos de identificação necessários para o dia-a-dia. Cartão do cidadão, carta de condução e pouco mais...

4. Não transforme a carteira num álbum fotográfico. Ou precisa mesmo das fotografias para se lembrar dos seus entes queridos?

5. Não  transforme a carteira numa lista telefónica. Precisa mesmo de todos aqueles cartões de visita que lhe vão dando? Se forem importantes, passe os números para o telemóvel.

6. Não faça da carteira um arquivo de papel. Ao longo do dia vá guardando os talões do multibanco, recibos e outras papeladas, mas quando chegar a casa, tire-os da carteira e dê-lhes um destino (arquive-os se forem mesmo importantes ou jogue-os fora).

7. Não ande com cheques na carteira - ou melhor ainda, acabe de vez com os cheques na sua vida!

8. Tenha sempre algum dinheiro na carteira, pois pode ser preciso para alguma emergência e não haver um multibanco por perto...


PS - Depois de ter escrito este post, encontrei este da Hazel, sobre como aplicar o Feng Shui na carteira - sim, no próximo Domingo vou colocar 3 grãos de arroz na minha carteira!

08/03/2012

Criar uma rotina noturna

Update: já viram a Visão de hoje? Estou lá, na página 75, num artigo intitulado "A arte de viver (bem) com menos"!


Mais um projeto do livro da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time: criar uma rotina noturna (e vou tentar escrever à moda do Novo Acordo Ortográfico...).

Já aqui falei da importância de estabelecer rotinas e da minha rotina matinal. Para mim, a rotina matinal define o tom do resto do dia: se fiz o que tinha a fazer de manhã, o dia corre bem. Se me deixo dormir de manhã, não vou ao ginásio ou arranjo desculpas para procrastinar, o resto do dia custa mais a passar e a minha produtividade é mínima.

A rotina noturna é essencial para preparar a manhã seguinte, e assim garantir que o dia seguinte corre como planeado. As coisas que tenho a fazer em casa depois do trabalho não têm uma ordem definida, mas são as seguintes:

Miúdos
- verificar os trabalhos de casa do mais velho
- preparar a roupa para o dia seguinte
- verificar as mochilas
Eu
- preparar a minha roupa para o dia seguinte e o saco do ginásio
- atualizar o ficheiro das contas
Casa
- tratar da roupa (tirar do estendal, dobrar, etc.)
- arrumar o que estiver desarrumado (15-20 min)
- arrumar a cozinha depois do jantar e deixar os lanches do dia seguinte adiantados

Muitas vezes faço isto tudo, excepto arrumar a cozinha, antes do jantar e assim tenho o serão todo para relaxar. É bom!

Tirar a roupa do estendal

Preparar a roupa dos miúdos

Um jantar nada saudável (mas às vezes sabe tão bem...)

A louça lavada

A sala preparada para o serão

Incenso

De todas estas coisas, eu diria que as mais importantes são preparar o saco para o ginásio (senão não vou...) e deixar a cozinha arrumada (odeio chegar à cozinha de manhã e ter louça para lavar e migalhas no chão para varrer...). Mesmo quando fazemos jantares cá em casa, deixo tudo arrumado nessa noite, mesmo que esteja morta de cansaço. O impacto visual que tem uma cozinha desarrumada logo de manhã é demais para mim... fico logo mal disposta. E sinto o mesmo se chegar a casa à tarde e tiver a cama por fazer... Por isso, antes de sair de casa faço sempre a cama.

Quando cumpro esta rotina, tenho tempo para relaxar, ver um pouco de televisão (agora voltou a dar o Mayday Desastres Aéreos no National Geographic - adoro!!), brincar com os miúdos, costurar um pouco e ler antes de dormir. 

Se ainda não tem uma rotina noturna, aqui ficam algumas ideias:

- quando chega a casa, relaxe durante 10 minutos (não é por 10 minutos que o resto das coisas se vão atrasar...); não é nada agradável chegar a casa cansado e pôr-se logo a tratar do jantar ou dos miúdos - esses 10 minutos fazem maravilhas
- esvazie a cabeça - passe para o papel os pensamentos, ideias, compromissos, etc., que tenha guardado na cabeça ao longo do dia (este é mais um dos projectos da Tsh)
- esvazie a mala - limpe-a, organize-a, livre-se de papelinhos que acumulou ao longo do dia, mas não comece o dia seguinte com a mala cheia de tralha
- arrume o que conseguir em 15 minutos (mas mexa-se de forma rápida!)
- deixe a cozinha arrumada depois do jantar e prepare logo a louça para o pequeno-almoço
- verifique a agenda para o dia seguinte e prepare o que for necessário
- e, o mais importante - não procrastine! Encare estas tarefas como tarefas do trabalho - têm mesmo que ser feitas! Não se afunde no sofá a ver televisão cheio de sentimentos de culpa - se cumprir a sua rotina noturna, pode relaxar depois e vai sentir-se imensamente satisfeito por ter feito tudo o que tinha a fazer!

07/03/2012

Book review ~ Minimalism: live a meaningful life

Vou começar a divulgar e fazer críticas aos livros que leio - a maioria são e-books em inglês e nos últimos tempos têm girado em torno do minimalismo (what else?), mas como esse é o tema principal deste blog, aplica-se perfeitamente! Como os livros são em inglês, faço as críticas também em inglês (têm lógica, certo?), porque também as publico na Amazon. 

Todas as semanas tenho falado dos 52 projectos para simplificar a vida do livro da Tsh Oxenreider, One Bite at a Time, e também já vos apresentei o Simple Blogging da Rachel Meeks, que nos explica como escrever um blog e perder o mínimo de tempo possível com isso.

Hoje falarei sobre um livro escrito pelos autores de um dos meus blogs preferidos: Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, The Minimalists.

O livro só está à venda na Amazon em formato Kindle (não é preciso ter um kindle; a amazon disponibiliza um app para windows e outros sistemas operativos que permite ler os livros em formato kindle no computador).




This is a book about minimalism. But this book will not teach you how to declutter your closet or how to get rid of your TV or how to live with 100 things. This book goes much deeper. It is focused on the five dimensions that will allow you to live a meaningful life: health, relationships, passions, growth and contribution.

Many of Joshua and Ryan’s words hit me like a rock. For instance, these phrases had a huge impact on my life: “The best advice we can give you is to test it yourself—stop eating meat for at least 10 days and notice the difference it makes. Then decide for yourself.” I’ve tried several diets and dietary changes and read books, blogs and articles on the subject over the years, but none has had such an impact in my life as these words. I rarely eat meat now. And I’m immensely happy with this change – thank you, guys!

Overall, this is a page-turning read and I’d recommend it for everyone. I’m going to read it a second time and take notes!

06/03/2012

O meu hall branco e cinzento

Como é que sabemos que finalmente acertámos na decoração? Quando o tempo passa e não temos vontade de mudar. É o que tem acontecido com a minha casa. Já por aqui passaram várias mobílias, vários objectos decorativos, muitos cortinados e muitos têxteis. A certa altura percebi qual o estilo decorativo que mais tem a ver comigo (escandinavo) e comecei a mudar a decoração nesse sentido. 
O hall de entrada e corredor escapou ao branco nas paredes, que foram pintadas de cinzento porque adoro o contraste desta cor com o branco da mobília.


Fiz um cortinado para tapar a porta da entrada (copiei a ideia da Benita). O tecido, tal como os vários tecidos da almofada do banco, são do Ikea. O banco é uma prateleira (também Ikea) igual à de cima, que foi transformada em banco. As duas foram pintadas com esmalte branco.


Aqui o hall visto perto da entrada para a cozinha e para a sala. O candeeiro Orgel e os espelhos Sörli são Ikea (claro!). A prateleira (que não é Ikea!) serve de apoio para pousar as chaves. Os gatos na parede são reproduções de Steinlen.


O armário de madeira de mogno era da minha avó e é das melhores peças de mobiliário que tenho em casa. Lá dentro estão os meus sapatos (os meus 20 pares de sapatos... quando eram mais de 50 estavam alguns no armário que se esconde atrás do cortinado das flores), malas, toalhas de mesa, cachecóis, óculos de sol, pilhas, lista telefónica, e outras coisas... Atrás do cortinado, que ainda não tem as bainhas feitas e é por isso que está um pouco torto, está um armário embutido que tem casacos e os sapatos dos homens da casa. Os dois cortinados foram feitos com tecidos Kajsastina (que também foi usado na mala que está pendurada).


O corredor com a entrada para os quartos com candeeiro Varmluft branco e uma pequena estante que pintámos de branco, onde guardamos toalhas, lençóis e outros têxteis.


O tecido nas portas do armário sobrou das bainhas dos cortinados Matilda que temos na sala e escritório.
O quadro por cima do armário é um desenho a carvão feito por um aluno da minha avó (que era professora de inglês). Representa a última ceia - que, ao olhos do miúdo, na altura com 12 anos, foi um piquenique. Muito giro!
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