18/07/2016

Aproveitando as férias para destralhar

Apesar de estar de férias na praia, tenho vindo a casa de vez em quando, para ir às compras ou tratar de coisas... Tenho aproveitado para ir destralhando roupa, acessórios, utensílios de cozinha... enfim, tudo aquilo que durante o ano não consegui fazer, por causa do trabalho e curso de psicologia, estou a aproveitar agora para fazer. Afinal, destralhar não é uma coisa que se faz uma só vez na vida - há que manter!

Então, comecei com as malas. Os critérios para decidir o que vai e o que fica são simples: gosto? uso? fica-me bem? uso mesmo? ou só guardo porque gosto, mas na verdade não uso?
Quero ter apenas coisas de que gosto E que uso. Com isso em mente, passei destas malas (não as contei):


para estas:


e arrumei-as:



estas são para dar:



Fiz o mesmo aos lenços e gorros. Destes todos:


passei para estes:



E ainda juntei esta roupa toda para ir embora:


Ah, fico sempre tão mais leve quando destralho!!

13/07/2016

Uma relação saudável com o chocolate

Estive 4 dias inteiros sem tocar em chocolate. Tinha gelado de chocolate no congelador e chocolate preto no frigorífico. Não toquei em nenhum. Nos primeiros 3 dias passei a tarde a pensar em chocolate. Não fiquei zangada nem triste por não poder comer, como da primeira vez que fiz isto. Mas pensei bastante no chocolate. No quarto dia já não pensei muito. E no quinto menos ainda. E aí percebi: será que já me consigo controlar em relação ao chocolate?

Para quem acha que estou a ser demasiado dura comigo própria por querer acabar com este vício, ou que não se pode comparar o vício do chocolate com outros vícios, tem razão até certo ponto. Claro que o vício no chocolate não provoca os problemas de saúde e sociais que o alcoolismo ou a toxicodependência provocam. Mas os problemas psicológicos e comportamentos desadaptivos que já vi em mim... são assustadores. Comer chocolate às escondidas para ninguém ver e para não ter que partilhar, comer chocolate dos meus filhos sem lhes pedir, ir de propósito ao supermercado, todos os dias, para comprar chocolate, arranjar desculpas super racionais para justificar o chocolate, devorar todo o chocolate que vejo à frente... e depois sentir-me imensamente culpada por isto tudo... desculpem, mas para mim isto É um problema. E os problemas são para ser resolvidos, e não tolerados, comendo à mesma uns quadradinhos de chocolate preto por dia (que era a minha dose mínima diária), porque não faz mal nenhum.

O que eu pretendo em relação ao chocolate é ter com ele a mesma relação que tenho com o chá. Adoro chá, sou capaz de estar sempre com uma chávena de chá na mão, dá-me imenso prazer beber chá - mas se não tiver chá disponível, nem penso nisso. Quando não tenho chá, não vou ao supermercado de propósito nem fico o tempo todo a pensar nisso. Adoro chá e tenho com ele uma relação saudável. É o que pretendo para o chocolate.

E acho que estou mais perto dessa relação saudável. Ontem, no 5º dia sem chocolate, estava imenso calor aqui na praia. Apetecia-me mesmo uma coisa fresca. A única coisa fresca que tinha era o tal gelado de chocolate. Comi um pouco, o equivalente a pouco mais de 1 bola. Consegui controlar-me, não comi demasiado, fiquei satisfeita com a quantidade que comi, e não fiquei com nenhum peso na consciência. 

Podem ter passado apenas 5 dias, mas sinto que consigo controlar isto. Hoje vou ao supermercado e vamos ver como me comporto...

11/07/2016

Armário-cápsula?

Ultimamente tenho lido tanto sobre o armário-cápsula que decidi investigar o assunto mais a fundo.

A ideia partiu de Caroline, uma blogger americana, que no seu blog Un-fancy começou a falar de um guarda-roupa minimalista, com poucas peças, mas todas elas "usáveis" e versáteis, a que chamou de armário-cápsula. O conceito pegou e muitos bloggers começaram a criar o seu armário-cápsula, com poucas peças, mas peças de qualidade que são de facto usadas de várias maneiras diferentes e ficam bem.

Eu já não tenho tanta roupa como tinha há uns anos, antes do grande destralhamento, mas mesmo assim tenho peças que não uso. De vez em quando dou uma volta à roupa toda e ponho de parte o que não uso ou o que já não gosto... mas fico sempre com peças no armário que gosto mas não uso, ou que só consigo usar de uma maneira, ou, pior, peças que gosto, ficam-me bem, mas não sei como as devo usar... Então agora decidi experimentar este conceito do armário-cápsula.

Inicialmente, a Caroline estabeleceu várias regras para o armário-cápsula, se bem que depois alterou-as. A ideia inicial era escolher 37 peças de roupa para usar durante 3 meses (uma estação do ano). Mais tarde, ela flexibilizou a sua abordagem, focando-se num pequeno número de peças (não necessariamente 37) que ficam bem, são adequadas ao estilo de vida e à estação do ano.

A história das estações do ano é difícil aqui no Algarve. Basicamente já não temos Outono (a minha estação preferida...); o calor (não tanto calor como no Verão, mas mesmo assim, calor) prolonga-se até meados de novembro, e depois começa o inverno. Depois do Inverno vem o novamente o calor e o Verão. Portanto, está aí a primeira dificuldade - não ter estações do ano bem definidas onde vivo.

Mas lá tirei a roupa toda do armário e fotografei-a, peça a peça. Peguei num caderno e para cada peça de roupa escrevi várias maneiras de usá-la. Há peças de roupa que consigo usar de várias maneiras, outras que só me vejo a usar de uma única maneira.

Depois ataquei as gavetas. Lá foram mais umas quantas peças de roupa para dar e outras, aquelas que me deixam indecisa, guardei numa caixa de plástico no armário. São peças que se não forem usadas nos próximos meses, irão fora também.

Por fim, os sapatos. Tenho pouco mais de 20 pares, incluindo chinelos e ténis de desporto. Mesmo assim tenho 2 ou 3 pares de sapatos que não calço, mas como cabem no armário, por enquanto ficam lá.

Depois de fazer esta arrumação e de olhar com outros olhos para a roupa, percebi que não tenho assim tanta roupa quanto isso (já tive muita, mas muita mais...) e uso a maioria das peças que tenho. O meu desafio daqui em diante será, sim, tentar usar as poucas peças que não uso - essas que não uso é porque não sei como usá-las. Por exemplo, tenho uma camisa branca que adoro, mas só me vejo a usá-la com calças de ganga. No entanto, só uso jeans no inverno, quanto já está frio para a camisa branca. É este tipo de problemas que tenho que resolver...

Vou tentar seguir estas regras: para cada parte de baixo, devemos ter 5 partes de cima e basicamente tudo no armário deve ser coordenável entre si. Quero simplificar mais um pouco as coisas e libertar espaço - se bem que continuo a obedecer às minhas regras dos limites: a minha roupa continua a caber toda no espaço a ela destinado. Esta coisa do armário-cápsula atrai-me e em agosto quero dedicar-me mais seriamente a este projeto!

09/07/2016

Eu, viciada, me confesso

A confissão que se segue foi escrita há pouco mais de 1 mês. Em baixo, atualizei.

Escrito no início de junho

Eu sou viciada em chocolate. Mais precisamente, no cacau. Não é o açúcar; posso comer um doce, um bolo, qualquer coisa com açúcar, que não me satisfaz tanto como uns quadrados de chocolate preto. 

Só me apercebi da realidade e da magnitude deste problema no fim de maio, quando comecei a fazer o Whole30. Resumidamente, o Whole30 é uma dieta paleo de eliminação, a ser seguida por 30 dias, com o objetivo de identificar intolerâncias alimentares e melhorar a saúde de forma geral. Claro que se perde peso no processo, mas esse não deve ser o objetivo principal. Eu queria eliminar os laticínios para ver se melhorava os meus problemas com a rinite alérgica e produzia menos muco. Como disse, é uma alimentação tipo paleo, mas mais restritiva. Eliminam-se cereais, leguminosas, laticínios e açúcares adicionados. Por mim, tudo bem. Eu já faço uma alimentação paleo a maior parte do tempo, por isso não achei que fosse difícil (e foi assim que perdi 3 kg num mês, o ano passado).

Mas... não podia comer chocolate. Nem os dois quadradinhos de chocolate preto que como sempre depois do almoço. Nos dois primeiros dias do Whole30 comi o chocolate preto. Depois, joguei o resto da tablete pela sanita abaixo. Segui a dieta durante 5 dias, 3 deles sem chocolate. 

Em 5 dias, perdi 1 kg e senti-me bem, tirando uma ligeira dor de cabeça a seguir ao almoço, que dizem ser normal no início. Psicologicamente, foi horrível. Os desejos de chocolate eram imensos. Só pensava na quantidade de bolos que iria fazer e comer no fim dos 30 dias. Um dia fiquei mesmo muito zangada por não poder comer chocolate. Nos outros dias ficava triste. Ao 6ª dia, o desejo de chocolate era tanto que... enchi-me de pão com manteiga (não tinha chocolate em casa). Pão com manteiga!! Uma coisa que raramente como, e só em restaurantes! E depois, claro, veio o chocolate.

Isto revela que tenho uma relação emocional completamente tóxica e disfuncional com o chocolate. Eu sinto-me muito bem com uma alimentação baseada em proteína animal, frutas, verduras, sementes, frutos secos e coisas dessas. Não sinto falta de pão nem de doces... Mas o chocolate... é como uma droga. Se não como os 2 quadrados depois do almoço, não consigo pensar em mais nada. É horrível. 

Isto é um problema e tenho que começar a resolvê-lo. Poderia, com grande esforço, eliminar de vez o chocolate preto, mas não o quero fazer durante este mês de junho, pois tenho imenso trabalho e 3 exames. Em julho vou estar de férias e logo vejo.

O que quero fazer agora é voltar ao Whole30, mas manter os 2 quadrados de chocolate preto depois do almoço. Quero ver se os laticínios influenciam mesmo as alergias e a ranhoca... E quando não como cereais nem leguminosas, os meus intestinos trabalham de forma fantástica. 

Em julho logo verei o que fazer em relação ao chocolate. Mas admito que tenho um problema - e sei que tenho que lidar com ele...

Escrito hoje, a 9 de julho

Estou no 2º dia sem chocolate (nem outros açúcares adicionados, claro). Tenho que resolver este problema e como estou de férias, pode ser que consiga! Hoje tenho um jantar, com muitas sobremesas... e espero conseguir resistir.

Sinto falta do chocolate, sobretudo durante a tarde. Estou sempre a pensar em chocolate. Nem quero ir ao supermercado para não me sentir tentada (ontem fui e consegui resistir!). E apercebi-me que o vício é também de açúcar. As bolas de Berlim que comi esta semana em substituição do chocolate mostraram-me isso; não fiquei completamente satisfeita, mas ajudou bastante.

Continuo a seguir uma alimentação paleo quase 100% (hoje ao almoço, por exemplo, comi umas fatias de pão com as sardinhas), que não me custa nada (não tenho partilhado porque não tenho apontado...). Mas não comer chocolate custa imenso. Mesmo. Mas depois penso nalgumas pessoas que conheço que conseguiram largar vícios bem piores de um dia para o outro - e estou eu aqui a queixar-me por causa do chocolate? Eu consigo!

04/07/2016

Hoje

Acordei com o despertador às 7 horas. Fui à casa de banho, vesti-me, abri a porta da rua e encontrei um dia cinzento... Não me importo, estes dias fazem-me lembrar o outono e eu adoro o outono. E depois do calor que esteve ontem, um dia mais fresco e sem sol é muito bem-vindo. Estendi o tapete de yoga no pátio e pratiquei durante 45 minutos. A minha prática tem andado pelas ruas da amargura por causa da lesão nas costas. Tenho que recomeçar com calma. Depois, já de casaco vestido, pequeno-almoço: omelete, salada e fruta. Enquanto comia, naveguei na net. Redes sociais, blogs. Demorei-me no blog da Lénia e pesquisei alguns posts antigos que me marcaram e fizeram pensar quando os li, como este e este e este. Agora estou a escrever isto. Daqui a pouco vamos para casa, porque é dia de anos (dos meus anos) mas tenho imensas coisas a fazer. E, de qualquer modo, está demasiado frio para estar na praia.

19/06/2016

Os mitos que comemos



É o título do livro de Pedro Carvalho, nutricionista. Ao passar pelo livro no supermercado, gostei da capa e das questões: Qual a melhor dieta? Um ovo por dia é demais? Leite: sim ou não? Comprei o livro e devorei-o enquanto Portugal jogava contra a Islândia.

Este livro tem, ao contrário da maioria dos livros sobre alimentação e dietas, uma coisa que eu, como cientista, valorizo muito - referências bibliográficas. O que o Pedro escreve está devidamente suportado por centenas de estudos científicos. 

Depois, pareceu-me ser uma pessoa com muito bom senso. Do estilo, se tolera bem o leite de vaca e o bebe moderadamente, continue. Em relação ao glúten, não precisa ser radical, mas quanto menos melhor. Ou ainda, coma fruta na altura em que lhe sabe melhor.  E a minha preferida: o chocolate é algo demasiado precioso para passar a vida a resistir-lhe, por isso, se gostar faça por comê-lo todos os dias mas em quantidades muito moderadas.

Ou seja, bom senso, moderação, fazer escolhas mais saudáveis. Nada de fundamentalismos nem radicalismos.

O livro está dividido em várias partes. Para começar, o Pedro escreve sucintamente sobre os principais nutrientes (proteínas, gorduras e hidratos de carbono) e depois analisa algumas dietas famosas. Fiquei feliz por ler mais uma vez acerca dos benefícios de uma alimentação paleo e gostei que ele referisse várias vezes que carnes vermelhas não é o mesmo que carnes processadas (porque há quem ponha tudo no mesmo saco). 

Depois, um capítulo dedicado ao leite e ao glúten. Em Portugal estima-se que a intolerância à lactose seja de 40%, bastante menor que os valores a nível mundial; portanto, se gostas de leite e não te faz mal, bebe à vontade mas sem exageros. Gosto desta abordagem. O mesmo em relação ao glúten: se conseguires passar sem pão, melhor ainda, mas se gostas mesmo do pãozinho ao pequeno-almoço, não faz assim tão mal quanto isso.

De seguida, os mitos clássicos. A investigação científica mostra que não há nenhuma relação entre o açúcar e comportamentos hiperativos (embora o açúcar e as outras coisas lá misturadas façam mal a outras coisas, claro), os suplementos vitamínicos não abrem o apetite, pode-se comer fruta e beber água sempre que nos apetecer, antes, durante e depois das refeições, os testes de intolerância alimentar não têm qualquer suporte científico, e, outra das minhas preferidas, não é por comer menos ovos que o colesterol vai baixar (não são as gorduras saturadas dos alimentos de origem animal os grandes culpados, mas sim gorduras trans, açúcares e cereais refinados - enchidos, fritos, salgados, bolachas, e coisas dessas).

Por fim, uma capítulo dedicado ao novos super-alimentos - será que são mesmo super ou banha da cobra? Por exemplo, da próxima vez que estiver no hipermercado, em vez de ir ao corredor das bagas goji, experimente ir ao das nossas amoras, mirtilos e morangos. As sementes de chia são interessantes, mas não virá mal ao mundo se não as ingerir diariamente.  Há uma série de cereais que agora estão na moda e que são vistos como super alimentos mas apenas por serem diferentes, como o bulgur, o couscous e o millet. Na verdade, são apenas versões mais caras do arroz, esparguete e batata... E o Pedro dá-nos uma tabela com a composição nutricional de várias fontes de hidratos de carbono e... super alimento é mesmo a batata-doce!

Concluindo, gostei do livro. Gosto destas abordagens que primam pelo bom senso e pelo suporte científico, ao contrário daquelas que proibem a ingestão de fruta mas permitem salsichas e presunto... Por isso, se queres tirar algumas dúvidas em relação a estes mitos que estão tão enraizados na nossa cabeça, este livro é excelente!


02/06/2016

Minimalismo na LuxWoman

Só agora consegui ver a entrevista que me fizeram o ano passado, sobre minimalismo, claro.

Está fixe! (tirando o pormenor da minha idade... tenho 36, não 38 anos!! sou muito sensível a estas coisas...) :)

Podes ler aqui. (obrigada, Marta, pelo link!)





Há meio ano que não mudo o meu sistema de organização!!

No passado escrevi muito sobre agendas e como organizo as coisas que tenho a fazer... Ao longo dos últimos 4-5 anos experimentei sistemas diferentes, softwares, agendas em papel, fiz umas, comprei outras, voltei ao digital... sempre na tentativa de encontrar o que melhor se adequa a mim, à minha vida neste momento, às minhas necessidades.

Sou conhecida por mudar com frequência os sistemas. A cada 2-3 meses, lá estava eu a experimentar uma coisa nova. Mas apercebi-me que uso a mesma agenda e o mesmo sistema desde o início deste ano; se o uso há tanto tempo, então é porque parece que funciona!

Mas qual é este maravilho sistema? Muito simples:

> Agenda em papel tamanho A6 (1 dia por página)

Quando a comprei, fiquei com muitas dúvidas por causa do tamanho. A6 parecia-me pequeno demais para todos os meus afazeres... Mas tem funcionado! Percebi que não dava ter uma parte para as coisas com hora marcada e outra parte com as coisas a fazer (como aqui ou aqui); preciso de ter tudo junto para perceber quando é que posso fazer as diferentes tarefas, sobretudo agora que tenho aulas e tenho que encaixar as coisas nos buracos.



Esta agenda tem um dia por página e as horas marcadas. Aponto os compromissos com hora marcada, como aulas e reuniões, e nos espaços livres aponto as tarefas que tenho para fazer. Tem funcionado muito bem! Há uns meses pensei trocar esta agenda por uma igual mas maior, tamanho A5, mas não me parece necessário... Tenho treinado a escrita com letra mais pequena...

> Google Calendar

Continuo a ser completamente dependente do GCal. Uso-o mais ou menos como descrevi aqui. No início de cada semana passo o que tenho marcado no GCal para a agenda, e estão os dois sempre sicronizados.

> Workflowy

Este programa continua a ser o meu preferido para organizar projetos e listas de coisas a fazer. Falei sobre ele aqui.


É um sistema bastante simples - mas tem funcionado muito bem!





20/05/2016

Revisitando os meus sapatos

Só agora me apercebi que este blog fez 5 anos no passado dia 18, há 2 dias atrás! Bem sei que já não escrevo como escrevia, não por falta de vontade ou por não ter nada para escrever, mas sim por falta de tempo... Desde que me meti na licenciatura em Psicologia, o tempo que eu dispendia a pesquisar e a escrever para o blog é agora passado a estudar, a fazer trabalhos... enfim, vida de trabalhadora-estudante, mãe, e outras coisas é assim...

Mas agora que tenho um tempinho vou relembrar um dos posts que mais gostei - aquele em que mostrei como diminuí a minha coleção de sapatos. Ora, na altura, em setembro de 2011, tinha 55 pares de sapatos. Estava a iniciar-me no minimalismo, entusiasmada em simplificar as coisas, e consegui desapegar-me dos sapatos e livrar-me daqueles que não usava ou que não eram confortáveis. Nessa altura, reduzi o número de sapatos para 33 pares.



Pouco tempo depois, minimizei ainda mais os sapatos.

Desde essa altura, nunca mais deixei acumular. Perdi o interesse em comprar sapatos para colmatar outras coisas... perdi o interesse em gastar dinheiro em coisas que não preciso... Abracei mesmo o minimalismo e isso tem-se mantido até agora.

Atualmente, tenho 24 pares de sapatos. Ei-los na foto abaixo (as sapatilhas em baixo à direita foram fora; estavam demasiado velhas e as solas descoladas; tenho ainda umas botas castanhas de cabedal que estão guardadas e não aparecem na foto).



Quando olho para as fotos antigas, sim, tenho saudades de alguns dos sapatos. As sabrinas vermelhas, por exemplo. Mas se bem me lembro, faziam doer os pés... Pelo menos 8 pares já tinha na foto de 2011 e ainda os tenho - estão a durar!! Livrei-me de muitos outros sapatos e fui comprando alguns pelo caminho. Destes 20 e tal pares, não calço todos. 

Os 2 pares de sapatos fechados de salto alto e as sandálias castanhas de cunha não uso (os pares 3, 4 e 5 da fila de cima, da esquerda para a direita). As sandálias pretas ao lado raramente... 
Passei o inverno praticamente todo com os dois pares de botas da fila de trás, umas pretas, outras beges. 
As sabrinas, uso e gosto, mas este ano parece que passámos da chuva diretamente para o verão, ou seja, das botas para as sandálias. 
E quando é preciso um calçado mais fechado, a minha escolha vai a para sapatilhas - essas duas all star da frente são as minhas preferidas. 
Relativamente às sandálias, vejo um par que não uso e dois que precisam de substituição (as sandálias castanhas e brancas da fila do meio). 
E só tenho 2 pares de chinelos, os azuis e os pretos do lado direito da foto.

Olhando para a foto, reconheço que preciso de ir às compras. Mas agora, em vez de comprar só por comprar, compro porque preciso mesmo. Para ser mais exata, as sandálias castanhas e as brancas  (ao lado das sabrinas) estão em muito mau estado; duvido que aguentem mais um verão. Também preciso de um par de chinelos; os chinelos pretos da foto (no lado direito, fila do meio) foram comprados no Jumbo há uns dois anos e têm-se aguentado muito bem, mas é hora de arranjar outros; estes ficam para a praia.

Vinte e poucos pares de sapatos, é isto. E não os uso todos! Será que consigo minimizar ainda mais??

09/05/2016

O minimalismo nos dias de hoje

Enquanto o meu tempo não estica ou as minhas obrigações diminuem... para o blog não ficar pendurado, aqui tens uma excelente leitura! 

É um guest post da Ana Martins, que escreve sobre minimalismo e outras coisas no Ana, Go Slowly.

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O minimalismo enquanto estilo de vida tem vindo a ganhar cada vez mais novos adeptos.
Apesar de em Portugal se ter começado a ouvir falar deste estilo de vida em 2012/2013, ultimamente o tema tem sido divulgado junto do grande público e não apenas junto de certos nichos de mercado como anteriormente.
Parece-me que nunca numa altura como agora o minimalismo fez tanto sentido.

Vivemos numa sociedade de extremos.

Se por um lado temos cada vez mais a cultura do fast e isso tem-se sentido sobretudo devido ao desenvolvimento das tecnologias de informação que vêm acelerar a nossa vida em todos os aspectos, e também na indústria da moda, em que cada vez mais lojas apostam em peças mais baratas e de menor qualidade para serem mais acessíveis a todos e permitirem que se compre uma maior quantidade de roupa.
Por outro lado surgem cada vez mais movimentos opostos: slow food, slow fashion, slow living...

Também acho que não é por acaso que o método konmari tem tido tanto sucesso em todo o mundo…

Andamos todos cansados de termos tantas coisas para fazer e tantos objectos para cuidar… E precisamos desesperadamente de ajuda!

Com a correria das nossas vidas e com a panóplia de responsabilidades e papéis que vamos assumindo (papéis na vida real e na vida virtual), diria que é expectável que queiramos reduzir algumas coisas na nossa vida.

As solicitações chegam de todo o lado, há cada vez mais coisas novas e queremos estar a par de tudo. Todos os dias há novas formas de mantermos contacto com amigos e desconhecidos e o nosso telefone não para de piscar.
Tudo está à distância de um clique ou de um toque. E se isso pode ser bem vantajoso às vezes, na maioria das vezes é esmagador!

Queremos corresponder às expectativas de todos, afinal todos respondem a tudo imediatamente, comparamos cada vez mais a nossa vida à dos outros e depois sentimo-nos mal.
Como é que ela é mãe de duas crianças, tem dois cães, trabalha, faz voluntariado e ainda tem tempo para correr?
Queremos ser capazes do mesmo! E ficamos super desiludidos e aborrecidos connosco próprios por não conseguirmos acompanhar.

Num cenário como este, o "menos" é urgente!

Não é só o nosso corpo que tem que descansar, a nossa mente também! Não chega descansar a mente apenas 7 ou 8 horas por dia no momento em que dormimos. Além disso, andamos tão agitados todo o dia que depois temos dificuldade em adormecer!
Por isso nunca se falou tanto em meditação e em mindfullness. São diversos os estudos que compravam os seus benefícios e numa vida agitada como a que vivemos, nem precisamos de ler as conclusões desses estudos para perceber que todos ganharíamos com a inclusão destas práticas nas nossas vidas.

E é neste cenário que surge o minimalismo enquanto parte da solução para nos ajudar a manter uma vida onde menos é efetivamente mais.
Mesmo que não queiramos abraçar este estilo de vida por completo, há sempre pequenas coisas que podemos ir adoptando.

Muito resumidamente o minimalismo diz-nos que devemos viver com o essencial, aquilo que nos faz realmente felizes e que nos faz sentir bem.
Mas nem sempre é fácil fazer esta análise, pois estamos de tal forma condicionados que muitas vezes consideramos o acessório como essencial. É preciso libertarmo-nos daquilo que nos é imposto, pararmos um pouco e pensarmos: o que me faz realmente falta? Não conseguiria viver sem…?

Apesar de já ter adoptado este estilo de vida em 2012, 4 anos depois continuo como toda a gente a ser posta à prova diariamente.
Afinal não vivo isolada do mundo, continuo a viver numa grande cidade, a trabalhar, a ter uma família e uma casa normal como toda a gente.
Mas é justamente aqui que aplicar o minimalismo nos poderá ajudar.
Quem vive no meio da natureza não precisará certamente de minimalizar a sua vida.

Como podes aplicar o minimalismo na tua vida em 2016?

Roupa
Adopta um armário cápsula - escolhe cerca de 30/35 peças a cada 3 meses e vive apenas com essas peças. Mais sobre este assunto aqui.
Adopta um uniforme - imagina que gostas de usar calças de ganga, t-shirt/blusa e ténis. Este pode ser o teu uniforme. Tendo isto em mente é muito mais fácil decidir o que vestir, basta ires mudando as peças.
Livra-te da roupa que já não te serve mas que ainda acreditas que algum dia te irá servir, da roupa que usaste apenas uma vez e daquela que nunca usaste.

Compras
Da próxima vez que comprares roupa compra algo que estejas a precisar, que adores e que te faça sentir bem. Prefere peças que são fáceis de cuidar e que não precisam de ser passadas a ferro.
Compra peças versáteis, por exemplo casacos que dão para todo o ano: no inverno usamos o casaco com a parte interior e no verão retiramos.
Faz uma lista em papel ou no telemóvel (até pode ser na loja online que estiveres a ver) com tudo aquilo que queres comprar. Após 30 dias volta à lista e vê se ainda queres comprar todos os itens.

Dia-a-dia
Tira tudo da mala/mochila: papéis, talões, cartões, agenda, lenços, etc e faz uma limpeza. Precisas mesmo de andar assim tão carregado(a)? Lembra-te daquilo que é realmente essencial e que usas diariamente.
Se ainda não tens esse hábito mantém uma lista diária com aquilo que tens que fazer. Se pelo contrário te vicias rapidamente em listas , mantém apenas aquilo que é mesmo importante e elimina o resto.

Cozinha
Tira tudo dos balcões (podes arrumar nos armários) - esta dica foi de facto a que fez mais diferença na minha cozinha, passei a ter espaço para cozinhar devidamente.
Mantém apenas a louça/utensílios que usas.
Se recebes frequentemente gente em casa guarda as coisas extra em armários menos acessíveis.
Mais dicas aqui.

Telemóvel
Desinstala as aplicações que raramente ou nunca utilizas.
Desliga o máximo de notificações - nós não nos esquecemos de consultar as nossas apps favoritas. Por isso para quê manter as notificações? Quando lá formos vemos tudo. Interessa sim manter alertas para determinadas tarefas que temos que fazer ou determinados compromissos (de trabalho ou pessoais).

E-mail
Coloca todos os teus compromissos numa agenda e sincroniza com a agenda do trabalho, de outros familiares, etc.
Aplica filtros no e-mail e organiza logo os e-mails quando os recebes.
Mantém a caixa de entrada a zero.

Computador
Mantém o ambiente de trabalho limpo (sem pastas ou ficheiros). Se necessitares deixa apenas os atalhos das coisas mais utilizadas (os atalhos não sobrecarregam o computador).
Desinstala/apaga o que não interessa (programas, documentos, fotografias).
Faz backup das fotos e documentos importantes (podes guardar na dropbox)
Elimina tudo o que está na reciclagem.

Papel
Guarda apenas aquilo que tem mesmo que ser guardado (papéis IRS, coisas do banco; escritura da casa; certificados de cursos).
Tudo o resto pode ser digitalizado e guardado no computador ou online (evernote, google drive, dropbox).
Livra-te de caixas de telemóveis, electrodomésticos e outras que tenhas guardadas.

Limpezas
Elimina os 1001 produtos que utilizas e usa apenas vinagre e bicarbonato de sódio.

Lembranças
Tira uma foto à lembrança e guarda apenas a foto. Se gostares mesmo do objecto pensa em expô-lo num sítio bonito e visível da tua casa.

Mente
Pega num papel e escreve todos os teus compromissos diários/mensais. Elimina os menos importantes e aqueles que só te dão chatices.
Começa a meditar nem que seja apenas 2 minutos por dia - a meditação é uma espécie de declutter mental. Aos poucos vais ver que as cismas e o a tendência de estar sempre a pensar no passado/futuro desaparecem.
Planeia tempo para não fazer nada, nem que seja apenas 5 minutos por dia. Fica apenas contigo por alguns momentos, se te custar muito não insistas, volta a tentar no dia seguinte.
Cerca de uma hora antes de te deitares começa a dizer ao teu corpo que é hora de dormir, desliga a net, e tenta fazer algo relaxante.
Foca-te nas coisas boas sobretudo em dias que correm menos bem.

Em jeito de resumo, foca-te nas tuas coisas favoritas e reduz aquilo que não interessa e que não te faz feliz.

Uma vida mais simples, mais organizada, mais de acordo com aquilo que gostamos e com aquilo que somos, traz uma tranquilidade e paz de espírito enormes.


Vamos minimalizar? 
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