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14/06/2022

Já não sou madrugadora - e ainda bem!


Ser madrugadora fazia parte da minha identidade.

Fartei-me de escrever sobre isso aqui no blog. Escrevi sobre estratégias para adormecer mais depressa,  partilhei métodos para acordar mais cedo, justifiquei-me por ser madrugadoraquestionei as 8 horas de sono, admiti a minha inveja das pessoas que precisam de dormir menos... Enquanto madrugadora assumida, apareci na revista Sábado e na Visão, e até criei um grupo no Facebook para madrugadores.

Ser madrugadora permitiu-me fazer muitas coisas para as quais não teria tido tempo, se me levantasse a horas "normais". A minha prática de yoga, a escrita deste blog (que foi muito fértil nos primeiros anos), e muitas outras coisas só aconteceram devido a esse hábito de me levantar às 5 ou às 6 da manhã.

Mantive o hábito de madrugar, de forma mais ou menos consistente, dependendo das alturas, durante anos... até que veio a pandemia.

A pandemia e aquele primeiro confinamento não me afetaram de forma significativa (felizmente). As primeiras 3 semanas souberam a férias, com o trabalho em "serviços mínimos", e pus em dia todas as séries que queria ver. Descansei, li, fiz yoga, fui sempre à rua, várias vezes por dia, porque tenho um cão (agora tenho 2), comi bem, não me stressei por ter os miúdos em casa porque eles já são grandes, e... dormi maravilhosamente bem! 

Deixei de por o despertador, claro. Para mim, começar a trabalhar às 9h ou às 12h, é indiferente. E comecei a acordar naturalmente, quando o corpo sentia que já tinha dormido o suficiente. Devo reiterar - dormi maravilhosamente bem nessas semanas. Tão bem, que nunca mais pus o despertador!! (exceto quando tenho algum compromisso mais cedo, não vá dormir demasiado e atrasar-me)

E outras coisas maravilhosas aconteceram a seguir. Por exemplo, nunca mais estive doente. Vá, as minhas doenças eram só 2 ou 3 constipações por ano. Nunca mais aconteceu. Nada! Outro exemplo, raramente me sinto cansada - e nada que uma boa noite de sono não resolva. Sinto-me com muito mais energia. Nunca mais senti sonolência durante o dia. Nunca mais tive de me deitar um pouco após o almoço (como fazia nos meus tempos de madrugadora). E, muito importante para mim, que sempre tive dificuldades em adormecer... comecei a adormecer muito mais facilmente. 

Claro que, pensando um bocadinho, não há aqui nenhum segredo... O sono é fundamental para o sistema imunitário, para a longevidade, para a performance física e cognitiva, e por aí fora. A falta de sono crónica está associada a muitas alterações metabólicas, a problemas cardiovasculares e até mesmo a alguns tipos de cancro (ver, por exemplo, este estudo).

Independentemente do que dizem os estudos, não há nada como uma experiência n = 1, isto é, uma experiência para testar uma hipótese, onde o sujeito experimental é só uma pessoa, que sou eu mesma! E comprovei ao longo dos últimos dois anos que dormir bem é uma das componentes mais importantes (talvez mesmo A mais importante) de um estilo de vida saudável. 

Portanto, já não sou madrugadora. Tenho o meu ritmo circadiano muito mais alinhado com a natureza, o que significa que no inverno durmo naturalmente mais - vou mais cedo para a cama (21h30-22h00) e levanto-me mais tarde (por volta das 8h00), e no verão deito-me mais tarde (23h00) e acordo mais cedo (6 e tal da manhã). Basicamente, vou para a cama quando tenho sono e acordo quando o corpo já descansou o suficiente. Há dias em que tenho de por o despertador, mas são raros.

Voltar a ser madrugadora? Não está nos meus planos para o futuro próximo. Viver mais em harmonia com a natureza e de acordo com as expectativas genéticas do Homo sapiens? É o meu objetivo!


19/03/2017

Coisas que devem ser desmistificadas em relação ao paleo

Sendo uma mulher da ciência, há muita coisa que leio por aí que me irrita, mesmo. Agora, estando quase a terminar o curso de psicologia, até percebo melhor porque é que as pessoas se comportam de certas maneiras e porque é que têm crenças tão ridículas e enraizadas. Mas ler certas coisas, parvoíces, ideias completamente absurdas que não fazem nenhum sentido do ponto de vista científico, deixa-me exasperada. Parece que uma das missões do cientista é, ou deveria ser, desmisitificar estas ideias, e por isso eu tento fazer a minha parte aqui no blog. 

O motivo desta introdução é o que leio num grupo sobre alimentação paleo no facebook. Acho que é o maior grupo no facebook e o seu fundador faz um ótimo trabalho a tentar informar as pessoas sobre a alimentação paleo. No entanto, também caiem no grupo pessoas que não fazem ideia nenhuma do que é o paleo; outras que acham que ser paleo é continuar a comer todos os bolos e doces que quiserem, substituindo a farinha e o açúcar por ingredientes aceitáveis. Outras pessoas estão completamente perdidas, pedem conselhos aos outros leitores e recebem um chorrilho de disparates em troca. Outras pessoas baseiam o seu "conhecimento" naquilo que lêm nos meios de comunicação social e, pior, no facebook e outras redes sociais. E, claro, também há muitas pessoas no grupo que sabem do que estão a falar (mas essas parecem-me, infelizmente, uma minoria).

O que me levou ao post de hoje foi um comentário de uma leitora à entrevista do Dr. Manuel Pinto Coelho no Alta Definição. Escreve ela que "até concordo com alguns princípios desta dieta, mas quando ele diz que no paleolítico se vivia muito... nunca se viveu tanto como agora e isso deve-se à nossa alimentação diferente dos restantes animais. Não aprecio fundamentalismos! Com tantas restrições ao açúcar, ao glúten, ao leite, transforma-nos todos em intolerantes."

Isto, para mim, é de bradar aos céus! Então nós hoje em dia vivemos muito graças à nossa alimentação?? Vamos lá ver o que nos diz a ciência.




Acham mesmo que a pouca diferença que existe entre os norte-americanos e as várias sociedades caçadoras-recoletoras se deve à fantástica alimentação que os americanos fazem? Ou será que é por eles terem acesso a medicina e tecnologias que lhes prologam a vida, enquanto os caçadores-recoletores não têm nada disso? 

Outra coisa, é o medo que as pessoas têm da gordura - que comer gordura engorda, provoca doenças cardiovasculares e coisas dessas. Que o melhor mesmo é usarmos os hidratos de carbono como fonte de energia e fazermos uma alimentação baixa em gordura. Bem... há gordura e gordura, e a investigação cientifica que mostra como esta ideia é completamente errada é tanta, que vou só referir alguns estudos.

Primeiro, foi graças à nossa dieta rica em gordura, em comparação com os outros primatas, que o cérebro do Homo sapiens se tornou maior e mais complexo. O ser humano mostra uma preferência evolutiva por comidas ricas em gordura e tem uma maior capacidade para digerir e metabolizar dietas ricas em gordura do que os outros primatas. O nosso tracto gastrointestinal é consistente com o consumo de grandes quantidades de alimentos de origem animal, ao contrário de primatas como gorilas e chimpazés. Este artigo tem todas estas evidências científicas e muitas mais.

Segundo, ensaios clínicos controlados mostram que dietas ricas em gordura e baixas em hidratos de carbono ganham sempre relativamente às dietas pobres em gordura e ricas em hidratos de carbono. Alguns exemplos: 

A dieta baixa em hidratos de carbono (LC = low carb) foi mais eficaz na perda de peso em adolescentes com excesso de peso e não prejudicou o perfil lipídico (ou seja, não fez aumentar o colesterol nem os riglicéridos).

A dieta baixa em hidratos de carbono é mais eficaz que a dieta baixa em gordura para perda de peso a curto-prazo; após 6 meses, a dieta baixa em hidratos de carbono não está associada a aumento de fatores de risco cardiovascular.

Quem estava na dieta baixa em hidratos de carbono não desistiu tanto do programa como aqueles que estavam na dieta baxa em gordura, e a perda de peso foi maior. Na dieta baixa em hidratos de carbono, os níveis de triglicéridos diminuiram (o que é bom) e o colesterol HDL (o bom colesterol) aumentou, relativamente à dieta baixa em gordura.


Bom, aqui fica alguma food for thought. Voltarei em breve com mais ciência para desmistificar outras crenças...

20/02/2017

As boas e as más gorduras

Ultimamente tenho feito bolos - de iogurte, de cenoura... de chocolate é que não, porque não quero comê-los (e eu só como de chocolate). A maioria das receitas que encontro inclui óleo vegetal - e eu recuso-me a usar óleo!! Costumo substituir por manteiga, que é uma boa gordura - e ainda me falta fazer o maravilhoso bolo de chocolate com manteiga em vez de óleo, mas de certeza que vai ficar excelente!

Mas afinal, qual é o problema dos óleos vegetais?

Comecemos pelo princípio. As gorduras foram a principal fonte de energia para os seres humanos durante quase 2,5 milhões de anos e foi a dieta rica em gordura que permitiu a complexificação do cérebro do Homo sapiens - há 10 mil anos, com o advento da agricultura, passaram a ser os hidratos de carbono a principal fonte de energia. As gorduras fornecem mais do dobro da energia que os hidratos de carbono e as proteínas (9 kcal/g versus 4 kcal/g).

No nosso corpo, a gordura está presente em duas formas: ácidos gordos, que estão na corrente sanguínea, disponíveis para serem usados como energia, e triglicéridos, que são a forma de armazenamento nas células adiposas; os triglicéridos também podem usados como energia, mas têm que ser decompostos em ácidos gordos para tal.

A insulina é a principal hormona que controla o que acontece com as gorduras que ingerimos, ou seja, se ficam em circulação sob a forma de ácidos gordos, prontos a serem utilizados como energia, ou se ficam presos nas células adiposas sob a forma de triglicéridos. Uma dieta que produz muita insulina, ou seja, uma dieta rica em hidratos de carbono, faz com que tanto as gorduras ingeridas como os hidratos de carbono ingeridos em excesso sejam convertidos em triglicéridos e armazenados. Numa dieta baixa em hidratos de carbono onde, consequentemente, a produção de insulina é reduzida, não vai haver tanto armazenamento de gordura, simplesmente porque não há insulina para tal... O que nos faz engordar, portanto, são os hidratos de carbono, não as gorduras.

Mas sabemos bem que as gorduras não são todas iguais!!

Basicamente podemos dividir as gorduras que ingerimos em dois grandes tipos: as saturadas, que são sólidas à temperatura ambiente, e as insaturadas, que são líquidas à temperatura ambiente.

As gorduras saturadas são uma excelente fonte de energia e não têm efeitos adversos para a saúde; pelo contrário, elas contribuem para funções metabólicas críticas, aumentando a absorção de nutrientes, melhorando o sistema imunitário, protegendo contra o stress oxidativo, etc. São ótimas para cozinhar, porque são muito resistentes à temperatura. Fontes importantes de gorduras saturadas são os produtos animais e o óleo de coco.

A verdade é que, infelizmente, as gorduras saturadas ainda assustam muita gente. É normal! Crescemos a ouvir dizer que não se pode comer mais que um ovo por dia, e que a margarina (uma mistura de óleos vegetais, produzida artificialmente) é muito melhor para o coração que a manteiga (feita da nata do leite)... Aliás, as recomendações de muitas instituições de saúde ainda são essas - gorduras saturadas fazem mal, a margarina e os óleos vegetais devem substituir a manteiga e outras gorduras de origem animal... Felizmente que cada vez aparece mais investigação científica que mostra o contrário - não são as gorduras saturadas que fazem aumentar os níveis de colesterol nem o risco de doenças cardiovasculares... Este post do Mark aborda em pormenor esta questão da gordura saturada.

Posso contar a minha experiência pessoal com as gorduras. Há uns anos, a comer no máximo 1 ovo  por dia (e não comia todos os dias!), becel, óleos vegetais e afins, houve uma altura em que tive o colesterol acima dos 200, o que me assustou, pois achava que o que comia não justificava tal valor... Hoje, a comer bastante gordura saturada, pelo menos 2 ovos por dia, e nada de óleos vegetais, trans, hidrogenados, etc. (só aqueles que vêm escondidos no chocolate...), tenho o colesterol (e os triglicérios e todos os outros indicadores) dentro dos valores normais.

Continuado, temos também gorduras monoinsaturadas, presentes no azeite, no abacate, nos frutos secos, que também são vistas como saudáveis, embora sejam menos estáveis com a temperatura, não devendo, por isso, ser usadas para cozinhar a altas temperaturas. Eu já comecei a substituir o azeite por banha de porco em muitos cozinhados...

As gorduras polinsaturadas, ou PUFAs (poliunsaturated fatty acids) são geralmente líquidas e são muito susceptíveis a danos devido à exposição a altas temperaturas, luz e oxigénio. Dividem-se em duas categorias: omega-6 e omega-3. Os omega-6 são geralmente vistos como maus, promotores de inflamação, e os omega-3 como bons, com efeitos anti-inflamatórios, mas não é bem assim... Os dois são necessários e o que importa mais é o rácio entre eles, ou seja, o rácio omega-6:omega-3.

Alimentos ricos em omega-3 são peixes como o salmão, a sardinha, cavala, arenque, anchova, e carnes e ovos de animais "livres", que não são alimentados a cereias. Produtos ricos em omega-6 são os óleos vegetais que usamos na cozinha, como o óleo de girassol ou de soja, e também os frutos secos, se bem que o rácio O6-O3 é muito variável dentro dos frutos secos. Enquanto o rácio O6:O3 dos nossos antepassados caçadores-recoletores era 1:1 ou 2:1, o rácio numa dieta americana típica é 20:1!! O problema destas gorduras é o consumo excessivo dos produtos que têm mais omega-6, pois estão em todo o lado - na comida processada, embalada, congelada, nos chocolates, bolos, pastelaria... é difícil fugir-lhes! Estima-se que na dieta americana, 70% dos PUFAs consumidos são omegas-6, que têm um valor nutritivo baixo e causam stress oxidativo... e, claro, o consumo de omega-3 não é suficiente, daí que se vejam tantos suplementos de omega-3 à venda...

Por fim, temos as gorduras hidrogenadas, parcialmente hidrogenadas, trans... são palavrões para gorduras que são produzidas artificialmente. Basicamente, a gordura insaturada (ex, um óleo vegetal) é aquecido a alta temperatura e alta pressão e misturado com solventes metálicos tóxicos para saturar as ligações de carbono com hidrogénio e assim tornar a gordura sólida à temperatura ambiente. As parcialmente hidrogenadas ficam sólidas mas derretem ao cozinhar. Estas gorduras alteradas oxidam facilmente, formando radicais livres, e estão presentes, tal como as PUFAs, em quase todo o lado... excepto nos produtos naturais e não processados, claro!

Este post já vai longo, mas aqui ficam as principais diferenças entre os vários tipos de gordura! Vamos lá deixar de ter medo das gorduras saturadas! Como em tudo, não há nada como experimentar... 

13/02/2017

A gordura não engorda! Mas os hidratos de carbono sim...

A maioria de nós cresceu a ouvir que só devemos comer um ovo por dia, porque a gema tem muita gordura e, portanto, aumenta o colesterol, ou que a manteiga faz mal, e o melhor é ingerirmos pouca gordura. Estas ideias surgiram nos anos 50 com um estudo científico que, ou teve os seus problemas ou foi mal interpretado, mas o facto é que começámos a associar o consumo de gordura às doenças cardiovasculares. A gordura passou assim a ser o diabo e as dietas baixas em gordura e altas em hidratos de carbono tornaram-se a referência saudável.

Hoje sabemos que não é bem assim. Sabemos que o consumo de gordura saudável não faz aumentar os níveis de colesterol no sangue nem provoca doenças cardiovasculares. E sabemos também que os hidratos de carbono é que são os grandes culpados do excesso de peso. As gorduras, portanto, não nos engordam. Para que fique claro, quando falo em gorduras, refiro-me sempre às boas gorduras - as saturadas e monoinsaturadas, e as boas fontes de omega-3, ou seja, a gordura dos produtos animais, do azeite, dos frutos secos, do óleo de coco, do peixe azul, etc. - não é a gordura dos óleos vegetais!!

As gorduras  têm sido o principal combustível para o Homem desde há 2,5 milhões de anos (o consumo excessivo de hidratos de carbono só surgiu com a agricultura, há 10 mil anos). Foi graças às gorduras que o cérebro humano se desenvolveu e se tornou mais complexo, ultrapassando os cérebros dos outros primatas que tinham dietas mais vegetarianas. As gorduras dão imensa saciedade, sendo praticamente impossível comê-las em demasia, como acontece com os hidratos de carbono.

O nosso metabolismo tem dois modos de funcionamento: ou está adaptado a queimar glucose para obter energia, ou está adaptado a queimar gordura (o que o Mark Sisson chama de fat-burning beast). 

A maioria de nós, graças ao nosso consumo tradicionalmente excessivo de hidratos de carbono, prefere usar glucose como energia. Para quem queima preferencialmente glucose, o que se segue é tudo verdade:

> o pequeno-almoço é a refeição mais importante, porque acordamos cheios de fome depois de 8-10 horas sem comer
> temos que comer regularmente, de 2 em 2 ou 3 em 3 horas, para manter os níveis de energia  e os níveis de açúcar no sangue estáveis
> para tal, precisamos de hidratos de carbono, como cereais integrais, que nos dêem essa energia

O que este consumo constante de hidratos de carbono provoca é uma produção excessiva de insulina. A insulina é necessária para retirar o açúcar do sangue, visto que quantidades elevadas de açúcar no sangue são tóxicas. Portanto, quanto mais hidratos de carbono (que são rapidamente convertidos em glucose quando ingeridos), mais insulina é necessária para processá-los.

E o que é que a insulina faz à glucose que não é imediatamente usada como energia? Armazena-a como gordura nas células adiposas (assim como as gorduras ingeridas, que, por excesso de hidratos de carbono, não poderão ser usadas como energia). O excesso de hidratos de carbono e, consequentemente, de insulina, desequilibra as hormonas envolvidas na fome/saciedade, diminuindo a leptina (hormona da saciedade) e aumentando a grelina (hormona da foma), o que provoca... fome.

Pelo contrário, quando estamos adaptados a usar gordura como fonte de energia, a produção de insulina é reduzida; sem insulina, não é possível armazenar gordura. A gordura ingerida fica em circulação no sangue sob a forma de ácidos gordos, prontos a serem usados como energia. Se a produção de insulina for alta devido ao consumo de hidratos de carbono, então a gordura será também armazenada sob a forma de triglicéridos, em vez de ser queimada...

Uma pessoa adaptada a queimar gordura em vez de glucose tem uma série de vantagens, como por exemplo:

> tem menos necessidade de ingerir glucose porque o corpo vai buscar energia à gordura acumulada no tecido adiposo, produz glucose através da gluconeogenese (conversão de aminoácidos em glucose) e pode também produzir corpos cetónicos que são usados como energia

> não é só glucose... é mesmo menos necessidade de ingerir calorias, visto que o corpo é muito mais eficiente a usar as calorias que são ingeridas; já aqui referi que quando faço o exercício de quantificar o que como, é incrível como a minha ingestão de calorias é baixa pelos padrões convencionais - entre 1000 e 1300 kcal diárias - mas, sendo uma fat-burning beast, é o suficiente para ter imensa energia ao longo do dia!

> não tem picos de açúcar no sangue nem quebras de energia quando o açúcar baixa e, portanto, mantém níveis de energia estáveis ao longo do dia

> não precisa de estar sempre a comer; eu como 3 vezes por dia e muitas vezes até salto o pequeno-almoço - e não tenho fome! Os snacks a meio da manhã e a meio da tarde já não fazem parte da minha vida...

> não precisa de comer depois de fazer grandes esforços físicos; para mim isto é óbvio nos dias em que tenho natação... tomo o pequeno-almoço às 8h, nado à hora de almoço e só almoço depois da 14h; há uns dias só consegui almoçar às 15h30 e foi na boa, não estava prestes a desmaiar de fraqueza nem nada que se pareça

> tem mais facilidade em emagrecer e em manter um peso saudável, visto que é mais fácil aceder às reservas de gordura e usá-las como energia, uma vez que não tem a insulina sempre a mandar o que se come para o armazenamento

Para concluir, o que hoje se sabe é que este modo de "dependência" da gordura e não dos hidratos de carbono representa o metabolismo normal e ideal do Homo sapiens. Pode custar um bocadinho a fazer a transição mas depois vale mesmo a pena viver assim!!

29/01/2017

Podemos reprogramar os nossos genes?

Acho que a maioria de nós tem aquela ideia de que a informação genética que recebemos dos nossos pais é um dado adquirido, imutável, e, ou temos a sorte de ter bons genes e sermos saudáveis, ou temos azar em termos nascido numa daquelas famílias onde existem imensas doenças. 

Os genes da nossa família predispõem-nos para certas condições - mas não significa que esse vai ser, inevitavelmente, o nosso destino! Os nossos genes podem, na verdade, ser "reprogramados" e otimizados!

A influência do ambiente na expressão genética é imensa - há toda uma disicplina científica, a epigenética, que estuda a influência do ambiente na expressão dos genes, e uma outra, a nutrigenómica, que estuda a influência da alimentação na expressão genética. E o que é que isto nos diz? Que nós podemos, através dos nossos comportamentos do dia-a-dia, influenciar a expressão dos nossos genes.

Há genes sobre os quais o ambiente tem pouca ou nenhuma influência, como os genes da cor do cabelo ou dos olhos; também temos predisposições familiares para certas condições e doenças, como a obesidade, doenças cardiovasculares, cancro, performance atlética, e por aí fora. Temos também genes relacionados com a saúde e o bem-estar, que afetam a forma como funciona o nosso metabolismo, como armazenamos gordura, como respondemos a processos inflamatórios, etc. Estes genes são influenciados pelo ambiente, ou seja, pelos nossos comportamentos do dia-a-dia. Assim, tendo comportamentos adequados, podemos otimizar a expressão genética no sentido do bem-estar e da saúde. 

No fundo, o que queremos é ultrapassar as nossas predisposições familiares negativas através de comportamentos baseados na evolução do Homem, que promovem uma expressão genética ótima. Muita, mas mesmo muita investigação científica tem mostrado que nós, Homens do século XXI, somos geneticamente iguais aos nossos antepassados do Paleolítico, antes do advento da agricultura, há 10 mil anos atrás, e, portanto, os nossos genes vão expressar-se de forma ótima através de comportamentos baseados nos nossos ancestrais paleolíticos. Este modelo de saúde baseia-se, portanto, na biologia evolutiva e faz imenso sentido do ponto de vista científico - é por isso que estou tão apaixonada por este assunto desde que descobri o Primal Blueprint, há quase 2 anos, e comecei agora a tirar a certificação em Primal Health Coach.

Esta questão da "reprogramação" dos genes é muito interessante, mas talvez um pouco difícil de entender. É óbvio que não podemos alterar o nosso genoma, o nosso DNA que está presente nas células, a informação que está codificada nos nossos genes -  mas podemos alterar a forma como essa informação se expressa. É como um computador - não mexemos no hardware (o genoma), mas podemos mudar o software (o epigenoma), que é o que vai dizer ao computador quando, quanto e como trabalhar.

Na prática, como é que podemos "reprogramar" os nosso genes?

Os nossos antepassados sofreram durante milhões de anos pressões seletivas que guiaram a evolução humana, nomeadamente a fome e os predadores. Estas pressões basicamente desapareceram com o advento da agricultura e da civilização, há 10 mil anos atrás. Desde então, podemos dizer que a evolução do Homo sapiens parou (embora ocorram algumas mutações e deriva genética, a maioria sem grandes implicações). 

Os registos fósseis mostram que os nossos antepassados caçadores-recoletores eram robustos, inteligentes (os seus cérebros eram maiores que os nossos), e gozavam de excelente saúde (não existiam doenças modernas como obesidade, diabetes tipo 2, doenças de coração, etc.). Os que tinham a sorte de não morrerem nas garras de predadores ou por infeções ou outros azares, conseguiam viver muitos anos (muito mais que os 33 anos, que era a expectativa de vida na altura, expectativa esta devida aos perigos que referi, não a problemas de saúde). A expressão genética destes nossos antepassados era ótima, pois, devido às pressões seletivas, os indivíduos menos aptos não conseguiam chegar à idade reprodutiva e, portanto, os seus genes "maus" eram eliminados.

A reprogramação dos nossos genes baseia-se, então, nas coisas boas que os nossos ancestrais faziam. É isso que é chamado de Primal Blueprint, ou seja, as instruções para uma expressão genética ótima, que se podem resumir em 10 leis:

1. Comer plantas e animais
2. Evitar coisas venenosas (como os cereais, açúcares, produtos processados, etc.)
3. Mover-nos com frequência
4. Levantar coisas pesadas
5. Fazer sprints de vez em quando (como se estivessemos a fugir de um predador!)
6. Dormir o suficiente
7. Brincar
8. Apanhar sol suficiente
9. Evitar erros estúpidos
10. Usar o cérebro

Este post já vai longo, mas quero ver se vou partilhando aqui algumas das coisas giras que ando a aprender. O que me faz estar tão entusiasmada com isto é muito simples - resulta. Quando decidi há uns tempos "fazer dieta" segui estas orientações e consegui de facto perder 3 kg num mês. Agora, que sigo um estilo de vida primal/paleo, tenho comprovado os seus inúmeros benefícios!
Por isso, preparem-se para alguns posts sobre este assunto!!

22/01/2017

Os meus podcasts favoritos



Quando comecei a andar mais a pé, nomeadamente a ir a pé para o trabalho, ainda antes deste blog nascer, percebi que a música tinha que ser uma companhia nas minhas caminhadas. É impensável para mim ir a pé para a universidade ou ir fazer uma caminhada sem levar música comigo (entenda-se, o telemóvel, os phones e o spotify). 

Mas recentemente comecei a ouvir podcasts - parece-me um melhor uso do meu tempo. Já ouço bastante música quando estou ao computador (quem entra no meu gabinete sabe que estou sempre, mas sempre com os phones nos ouvidos) e quando estou a estudar. Havia uma série de podcasts interessantes que eu queria ouvir, mas parecia difícil arranjar tempo para tal. Por isso, quando ando a pé é a altura perfeita (ou quando estou a estender roupa, a cozinhar ou a fazer limpezas... ou quando simplesmente não me apetece ler).

Os meus podcasts preferidos, que mais tenho ouvido e recomendo a quem se interessar por estes temas, são estes (são todos em inglês):

The Minimalists Podcast  - uns velhos conhecidos, um dos primeiros blogs sobre minimalismo que devorei... o Joshua e o Ryan também já aderiram à moda dos podcasts e ainda bem, pois os assuntos que discutem são sempre pertinentes e eles os dois têm uma dinâmica muito engraçada. Ainda esta manhã fiz uma caminhada ao som do último podcast deles, sobre organização.

Primal Blueprint Podcast - Todos os temas relacionados com o estilo de vida Primal/Paleo podem ser encontrados neste podcast, desde fitness, saúde, nutrição, perda de peso, exposição solar, sono, suplementação, e por aí fora. Gosto muito!

Primal Endurance Podcast - Este podcast também está ligado ao Primal Blueprint, mas é mais focado em questões de treino desportivo, nomeadamente no treino de resistência. Adoro a posição deles contra o chamado cardio crónico, que é aquilo que vejo a maioria das pessoas a fazer nos ginásios...

The Paleo View Podcast - Apresentado por duas bem conhecidas bloggers do Paleo, adoro este podcast porque uma delas é uma ex-cientista, ou seja, fala sempre sobre os estudos que têm sido publicados e que comprovam os benefícios do Paleo a vários níveis - e eu adoro ver as coisas comprovadas cientificamente!

Queria encontrar um bom podcast sobre o outro assunto que me apaixona - o Yoga - mas ainda não encontrei nenhum... alguém conhece? 
E que podcasts vocês ouvem? Existem podcasts em português, feitos por portugueses? (de certeza que sim, eu é que ainda não conheço nenhum...)


16/01/2017

Mais movimento ao longo do dia

Não escondo que sou grande fã do estilo paleo/primal e sobretudo do Mark Sisson, o homem por trás do Primal Blueprint e autor do famosíssimo blog Mark's Daily Apple. Recomecei a fazer o desafio de 21 dias, que já tentei fazer várias vezes (e uma delas até comecei a partilhar aqui no blog), mas descarrilei sempre. Agora que já tenho a alimentação praticamente controlada (excepto na parte do chocolate) e estou num período sem aulas, tenho mais tempo para me dedicar a um desafio de 21 dias. A minha ideia é, no fim, partilhar o diário, fornecido no livro, onde aponto como correm as coisas...



Mas hoje queria escrever, não sobre alimentação, mas sim sobre maneiras de nos mexermos mais. É um dos passos para viver de forma mais Primal - movimentarmo-nos o mais possível, a um ritmo lento. A forma mais fácil de o fazer é andar mais a pé, mas há muitas outras maneiras de incrementarmos o movimento e passarmos menos tempo parados.

Fiz um brainstorming para me lembrar de maneiras de me mexer mais ao longo do dia. Aqui ficam algumas ideias...

> ir a pé para o trabalho (coisa que já fiz bastante, mas agora nem por isso; hoje vim a pé e espero voltar a fazê-lo sempre que possível)

> dar um passeio depois do jantar (agora está demasiado frio para isso, mas quando o tempo aquecer, sem dúvida que é uma boa ideia)

> fazer pausas regulares do trabalho, levantar da cadeira e dar uma volta ao edifício (quando tenho que ir a outros edifícios no campus ou à biblioteca também ando um pouco)

> para quem tem cão (que não é o meu caso), ir à rua passeá-lo também permite mais movimento diário

> usar uma stand-up desk (no trabalho não tenho, mas em casa consigo pôr o portátil mais alto e trabalhar de pé - é muito bom!)

> se puder ir a pé, ir a pé; se puder ir de bicicleta, ir de bicicleta; para as deslocações diárias onde não há muita pressa, tentar deixar o carro em casa o mais possível

> quando estou à espera de alguma coisa, mexer-me! Por exemplo, quando estou na cozinha a fazer comida, posso fazer agachamentos, esticar os ombros na parede, fazer fundos na bancada e exercícios para os abdominais! 



E tu, que ideias tens para nos mexermos mais ao longo do dia?


03/01/2017

O que comer?

Nas últimas semanas andei a pensar muito na alimentação, nos desafios de 21 ou 30 dias, nas milhentas dietas que abundam na internet, nos estudos científicos que suportam cada uma delas... E hoje deparo-me com esta foto da Sofia onde ela escreve "Resoluções para este ano? Comer de tudo. Não há sem lactose, sem glúten, vegetariano, paleo, etc etc, nem nada rígido todos os dias a toda a hora. Comer apenas com equilíbrio!!!"

Isto vem mais ou menos na linha do que andei a experimentar nas últimas duas semanas do ano (com pausas nos dias festivos porque... dias festivos é para comer porcarias). Nestas duas semanas apontei, medi, pesei tudo o que comi. Queria ter uma noção da minha ingestão diária de calorias e das quantidades de proteína, hidratos de carbono e lípidos que como.

Escolhi os alimentos que me fazem sentir bem. Para mim, isso é o paleo/primal. Os cereais fazem-me sentir cheia e inchada, as leguminosas, que adoro, fazem-me mal aos intestinos. Não tenho problemas com os laticínios, mas raramente como, e só queijo ou manteiga. O chocolate continua a ser a minha perdição, o meu pior vício, mas está sob controlo (já consigo estar vários dias seguidos sem tocar em chocolate!).

O paleo é o que me faz sentir bem, com energia, sem fome e sem me sentir cheia e inchada. Por isso, estou com a Sofia - comer de tudo, mas tudo aquilo que me faz sentir bem. 

O que me faz sentir bem, são 3 refeições por dia. Como um bom pequeno-almoço, com ovos, muitos vegetais, alguma fruta, às vezes restos de batata (sobretudo nos dias em que tenho natação), e um abacate. Ao almoço e jantar é peixe ou carne, grelhado, frito, estufado, cozido, de uma maneira qualquer, desde que não sejam usados óleos vegetais; só azeite e gorduras animais, como manteiga ou banha. Acompanho com muita verdura, batata branca e/ou doce, e fruta se me apetecer. 

Comprovei que as ideias do Mark Sisson, a cabeça por trás do estilo Primal, fazem todo o sentido, pelo menos para mim. Ele refere (suportado por muita investigação científica) que nós precisamos de muito menos calorias do que aquelas que geralmente ingerimos. A maioria das nossas calorias devem vir das gorduras e são as gorduras que permitem controlar a sensação de saciedade ou fome - absolutamente verdadeiro! Não precisamos de tanta proteína como se pensava - as recomendações atuais são de 1,1 g de proteína por kg de massa magra. E não precisamos de hidratos de carbono para ter energia, pois o corpo prefere usar a gordura para obter energia - é preferível sermos uma fat-burning beast do que estarmos dependentes de hidratos de carbono a toda a hora, picos de açúcar no sangue e produção excessiva de insulina... 

Comprovei tudo isto em mim. A maior ou menor ingestão de gordura é o que faz com sinta fome ou saciedade. O meu grande pequeno-almoço, tomado geralmente entre as 8 e 8h30, aguenta-me a manhã toda, permite-me ter energia para a aula de natação à hora de almoço e não estar esfomeada a seguir; almoço depois da 2h e sinto-me na boa. (e nem estou a contar com as prática de yoga, que também costumam ser puxadas...) 

O almoço tem que ter hidratos de carbono mais complexos - batatas brancas e/ou doces, ou umas castanhas assadas, que gosto tanto! Se a comida não tiver azeite, junto uns frutos secos como fonte de gordura, e assim me aguento sem fome até à hora de jantar. Ao jantar, a mesma coisa, mas nem sempre com hidratos de carbono com amido. Pode ser só a verdura e proteína, e alguma gordura. 

Comprovei que assim não tenho picos de açúcar no sangue, não tenho quebras, não sinto fome. Os meus níveis de energia são constantes ao longo do dia. Comprovei que, de facto, podemos passar daquele estado de fome constante, em que o corpo precisa sempre de hidratos de carbono para ter energia, para uma máquina de queimar gordura, assente no uso de lípidos e não de glucose. E é uma sensação fantástica!

Relativamente às calorias, de facto, ingiro muito menos do que pensava... Andei entre as 1000 e as 1300 kcal por dia (de acordo com a internet, a minha ingestão diária recomendada deveria ser à volta das 1500 kcal). Cerca de 60% dessas calorias vieram dos lípidos, 25% das proteínas e 15% dos hidratos de carbono, mais coisa menos coisa (mesmo comendo batata ao pequeno-almoço, almoço e jantar - 100 g de batata tem mais ou menos 20 g de hidratos de carbono). 

É tal como o Mark Sisson refere. Numa alimentação baseada em produtos naturais, não processados, sem medo das gorduras (que já está mais que comprovado que as gorduras não engordam, mas sim a produção excessiva de insulina provocada pela enorme ingestão de hidratos de carbono das dietas ocidentais), precisamos de muito menos comida... Os nossos antepassados caçadores-recoletores, pré-revolução agrícola, também não comiam de 3 em 3 horas... aguentavam-se muito tempo sem comer e eram saudáveis e atléticos; os registos fósseis mostram que os nossos antepassados de há 10 mil anos atrás morriam de acidentes, de infecções, mas não das doenças que nos assolam hoje.

Eu comprovei isso em mim. E fiz isto ao mesmo tempo que iniciei as aulas de natação - que me puxam mesmo muito pelo cabedal. Perdi peso, senti-me cheia de energia, não senti fome a meio da manhã nem a meio da tarde. Aliás, muitas vezes nem tinha fome à hora de jantar... 

Por isso, sim, quero comer de tudo - mas tudo aquilo que me faz sentir bem. É ir contra a maré, contra a sabedoria convencional, mas cada vez mais a investigação científica mostra que tantas ideias que nós temos, profundamente enraizadas, sobre a alimentação, estão... erradas...







01/01/2016

O que traz 2016

Bom Ano, caros leitores!!

Já aqui escrevi várias vezes que adoro a semana entre o Natal e a passagem de ano. Para mim, é uma altura de recolhimento e reflexão (agora, é também altura de estudo para os dois exames que vou fazer em janeiro...)

Após o Natal fui uns dias para Vila Nova de Milfontes praticar ashtanga yoga com os meus professores. Foi fantástico, como sempre. Continuei a observar as minhas escolhas alimentares e é incrível como já nem penso em arroz (arroz, que era um dos meus alimentos preferidos... e engordativos). Tem sido mais difícil cortar no chocolate, mas uma coisa de cada vez...

Inspirada pelos escritos da Kimberly Wilson, tracei os meus sonhos para 2016, nas diferentes áreas da minha vida. Primeiro cortei post-its grandes em tiras pequenas. Depois, fui escrevendo o que me veio à cabeça - coisas que gostava de fazer ou melhorar em 2016.



Depois, organizei os post-its em diferentes áreas:

> criatividade
> espiritualidade
> self-care & saúde
> relacionamentos
> carreira
> dinheiro
> casa
> comunidade

E, finalmente, com base nos muitos post-its e na sua distribuição, fiz uns mind-maps para cada uma destas áreas de foco.



Preparei também uma nova agenda. É um caderno A5 quadriculado da Staples, onde desenho calendários mensais, listas de coisas a fazer mensais e semanais, checklists mensais, semanais e diárias, e as páginas diárias com horários e tarefas (mais ou menos como descrevi aqui).

As checklists mensais, semanais e diárias são baseadas num livro da Kimberly Wilson, adaptadas, claro, à minha vida e interesses.



Mensalmente, quero: 

> escrever os meus sonhos para esse mês (não são bem objetivos, são sonhos, mesmo, que poderão tornar-se realidade)
> fazer uma manicure e pedicure (desde que comei a dar aulas de yoga com frequência é que me apercebi da importância de ter as mãos e os pés sempre arranjados)
> fazer uma massagem ou um tratamento facial (preciso relaxar mais!)
> fazer sempre o orçamento mensal (isto não é nada de novo, faço-o sem falhar há anos!)
> fazer voluntariado (dando tempo ou dinheiro; costumo dar dinheiro, donativos, coisas assim; agora, quero dar mais tempo)
> criar alguma coisa (voltar a costurar, acabar trabalhos que deixei a meio, escrever...)

Semanalmente, vou:

> planear as refeições (super importante agora que o J. tem um novo emprego sem sítios para comer ao redor)
> fazer compras de supermercado uma vez por semana (e não dia sim, dia não)
> passar toda a roupa a ferro num só dia, ao mesmo tempo que vejo um filme na tv (de preferência sábado ou domingo à noite; não gosto nada de começar a semana com roupa para passar)
> destralhar aqui e ali, para não acumular
> verificar o orçamento, para ver se está tudo bem encaminhado
> planear a semana seguinte, coisa que também já faço
> ler 1 livro (digamos, em média; há livros que leio num dia, outros, demoro 2 ou mais semanas a acabar; em 2015 li 47 livros, mas em outubro e novembro não li... culpa do curso)
> escrever uma nota de amor (já o fiz, para os meus filhos, e coloquei-a no estojo da escola - tiveram uma surpresa muito boa quando viram o meu papelinho!)
> beber um smoothie (já lá vai o tempo em que bebia todos os dias de manhã, mas não era pequeno-almoço suficiente para mim)
> fazer uma sessão de sprint (trabalho cardiovascular intenso - será uma aula de Jump, que comecei a fazer em novembro e adoro!)
> fazer duas sessões de PEM = Primal Essential Movements; consiste em elevações (comprei uma barra e tudo!), flexões, agachamentos e prancha; comecei a fazer em dezembro e é bom ver a força a aumentar!
> Brincar!! Todos os adultos já foram crianças, mas poucos se lembram disso...

E, finalmente, todos os dias, tenciono:

> praticar yoga e meditação
> comer o mais Primal possível
> apontar as despesas diárias
> planear o dia seguinte
> estar com os miúdos de consciência plena (seja a conversar, a verificar TPCs, a brincar, a passear)
> escrever brain-dumps e gratidão no diário
> ler, de preferência na cama

Ah, gosto deste plano!!

10/10/2015

A história do meu peso e mais um esforço

A evolução do meu peso desde o início da "dieta"

Em julho, de férias, na praia, decidida a perder os kilos a mais, consegui fazê-lo. Perdi cerca de 3 kilos, o que, em mim, nota-se e faz diferença. Agora ando à volta dos 55 kg, mas queria perder mais 2 ou 3 - aqueles chatos que ninguém vê a não ser eu, mas eu sei bem que eles estão cá. Desde o fim das férias consegui manter o peso, com as normais oscilações. Agora tanto posso ter 54,5 como 55,5 kg. 

Mas quero perder o que falta! Em julho partilhei aqui tudo o que comi durante mais de 30 dias e o meu peso diário. Resultou muito bem, espero ter motivado outras pessoas, e decidi fazê-lo de novo!
Nova "dieta", nova partilha de resultados.

A minha dieta não é uma "dieta" propriamente dita. O que eu gosto de comer e me faz sentir bem é mais ou menos o que é chamado de Primal (parecido com o Paleo, mas muito menos restritivo). Sei que há coisas que me fazem engordar (como os jantares de chouriça assada, pão, queijo e camarões) e coisas que ajudam a emagrecer (fazer exercício físico à tarde e não comer hidratos de carbono complexos ao jantar).

Nestes últimos meses tenho comido de tudo um pouco e, tal como já referi, o peso oscila, mas isso é perfeitamente natural. Não tenho ganho peso nem perdido peso. Mantenho-me à volta dos 55 kg. O objetivo agora é perder mais 3 kg. 

Sei que vai ser mais difícil. Não estou de férias, tenho que comer fora mais vezes, tenho que arranjar refeições rápidas e fáceis ao fim do dia. Mas vou tentar. E começo já hoje. Não é preciso começar a uma segunda-feira ou no primeiro dia do mês. Para mim, o momento presente é o ideal!



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31/07/2015

A minha dieta || Os últimos dias e o resultado final

E assim chegámos ao fim dos 31 dias… Perdi (quase) 3 kg, desde dia 29 de junho até esta manhã. Dizem que não se deve perder mais de meio quilo por semana, portanto acho que estou bem. Ainda não cheguei ao meu objetivo, que eram os 54 kg, mas olhando para mim, penso que não me fará mal mudar esse valor para os 52 kg. Veremos o que diz o espelho.

Em relação à minha alimentação, o que comi está na linha do estilo Primal, do qual falei aqui. Não fiz os 31 dias da Ágata Roquette nem nenhuma outra dieta. O que fiz, basicamente, foi cortar nos hidratos de carbono complexos (arroz, pão, massas, etc.). Quase todos os almoços e jantares foram de grelhados no carvão, porque estávamos na praia e é o que se faz na praia. Agora que vamos voltar para casa, estava com medo de voltar também a comida de tacho, mas comprámos um grelhador a gás que se pode usar numa varanda de apartamento, pois não faz praticamente fumo nenhum – assim, os grelhados serão para manter.

Uma das coisas mais importantes, não só para quem quer fazer dieta mas para qualquer pessoa preocupada com o que come, é saber exatamente o que é que vai comer durante o dia, para não cometer erros como… comer um pacote de bolachas ao lanche… O planeamento das refeições terá, portanto, de ser obrigatório. De férias é fácil, há mais tempo para pensar nas coisas – no dia-a-dia as coisas têm que ser planeadas, senão acabamos por encomendar uma pizza ou vamos jantar fora…

Costumava comer a meio da manhã, mas agora não o tenho feito; é verdade que tenho tomado o pequeno-almoço mais tarde, mas também almoço mais tarde. Não sei como vai ser a partir da próxima semana, de volta aos horários normais, mas terei comigo uma peça de fruta e um queijinho caso seja necessário a meio da manhã – mas só comerei se tiver fome. Para mim (e para a Ayurveda e outros pontos de vista que fogem ao convencional ocidental) não faz sentido comer só porque “temos” que comer de 3 em 3 horas… prefiro comer quando tenho fome.

Incrivelmente, não sinto falta do arroz, que é das comidas que eu mais adoro (e mais consumia). Ainda não estou no meu peso pretendido, mas quando lá chegar quero experimentar comer o que me apetecer à hora de almoço e ter mais cuidado com as restantes refeições. Assim, posso comer arroz, feijão de vez em quando, e comidas deliciosas como bacalhau com natas… Baseada na minha experiência passada, penso que o peso não subirá comendo hidratos de carbono complexos apenas até à hora de almoço.

E o mais incrível é que não fui só eu que não comi arroz! Os nossos almoços e jantares de férias eram à base de grelhados no carvão e saladas! Para os miúdos também! E ninguém se queixou nem passou fome!

Ao pequeno-almoço, o que me faz sentir mesmo bem e satisfeita é o iogurte grego com a mistura de aveia, sementes e frutos secos, e uma peça de fruta, e as duas tostinhas de trigo integral com queijo. Gosto muito de comer ovos mexidos de manhã, mas não me enche tanto, e a ideia para o pequeno-almoço é comer mesmo muito bem.

Eu gosto de chocolate e não tenciono deixar de comê-lo. Durante estes 31 dias comi chocolate todos os dias – mas, geralmente, chocolate preto com mais de 70% de cacau. Li algures um guru do fitness e da comida afirmar que podemos comer os doces que quisermos – desde que sejamos nós próprios a fazê-los em casa. Adoro esta ideia! Dá-me muito mais prazer fazer um bolo de chocolate ao fim de semana ou uns crepes para o pequeno-almoço de domingo, do que comprar um chocolatinho aqui e outro ali, ou comer uma mousse de chocolate no restaurante (até porque a minha mousse é muito melhor!). Para já, quero voltar a fazer o tal pequeno-almoço de crepes ao domingo, para mim e para os miúdos, mas desta vez sem peso na consciência. E, quando chegar ao peso pretendido, os jantares de domingo de pão e chouriça assada!

Em relação ao exercício físico, o yoga ficou esquecido nesta última semana, pois levantei-me sempre tarde, demasiado tarde para praticar. No entanto, fiz as caminhadas depois do jantar (que, verdade seja dita, já não me cansam… são apenas 4 km). E, mais importante, brinquei muito na praia – joguei raquetes (e eu esforço-me, eu corro atrás da bola), fiz imensos pinos, dei muitos mergulhos…

Como disse, a dieta ainda não acabou. Ainda tenho peso a perder. Mas, de facto, comer bem não é uma “dieta”, é um estilo de vida. Quero continuar a comer assim, mesmo quando tiver o peso pretendido. É este doseamento dos hidratos de carbono complexos que, em mim, me faz engordar ou emagrecer; no futuro, será com isso que vou jogar, mas mantendo as bases do Primal, que faz imenso sentido para mim – e sabe muito bem!

Como já referi, quero almoços mais livres, porque almoço geralmente fora, na universidade – e, como sou de novo aluna, pago apenas 2,5€ por um almoço completo na cantina (e a cantina da Universidade do Algarve faz comida muito boa!). As outras refeições serão mais controladas, sobretudo o jantar – para o meu metabolismo, é esta a refeição que faz a diferença no peso do dia seguinte!

Mas chega de conversas! Aqui fica a comida dos últimos dias. Hoje, dia 31, não vou apontar o que como nem vou mais partilhar convosco as minhas refeições. Talvez umas fotos no Instagram daqui para a frente (sim, agora já tenho boa internet de novo!).

28 julho 2015, 3ªf – 55,8 kg

1030 – iogurte grego, aveia, sementes, frutos secos, pêssego paraguaio, 2 tostinhas integrais com 2 fatias de queijo flamengo
1330 – entrecosto grelhado, salada montanheira, fatia de melão, sumo de laranja natural
1700 – pêssego paraguaio, 3 fatias de queijo flamengo
1930 – entrecosto grelhado, tomatinhos (cherry), cenoura ralada, sumo de laranja natural
2230 – 2 quadradinhos de chocolate preto

29 julho 2015, 4ªf – 55,6 kg

0930 - iogurte grego, aveia, sementes, frutos secos, melão
1330 – 4 carapaus, salada montanheira, 2 fatias de pão, sumo de laranja, sumo de laranja natural
1430 – chá verde, 2 quadradinhos de chocolate preto
1930 – um pouco mais de meio pacote de bolachas (waffles) de chocolate…
2100 – 2 almôndegas (não tinha fome…)
45 min caminhada
2300 – 3 fatias de queijo curado de mistura

30 julho 2015, 5ªf – 55,5 kg

1000 - iogurte grego, aveia, sementes, frutos secos, pêssego paraguaio, 3 tostinhas integrais com queijo curado
1330 – peixe grelhado (1 carapau e 2 besugos), salada montanheira, sumo de laranja natural, fatia de melão
1430 – chá verde, 2 quadradinhos de chocolate preto
1700 – meio pacote de bolachas de chocolate…
1900 – búzios (muitos), 2 fatias de pão com queijo curado, alperce
45 min caminhada

31 julho 2015, 6ªf – 55,3 kg!!!!!!!!!!!!!!


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15/07/2015

O estilo de vida Primal



Já aqui referi várias vezes que a dieta do paleolítico faz muito sentido para mim. Foi a pensar em aprender um pouco mais sobre o Paleo que comprei o livro Energia Paleo do Mark Sisson. Quando comecei a ler, percebi que o título em português é enganador - o livro não é sobre a dieta Paleo, mas sim um estilo de vida ao qual o autor chama Primal. A dieta é baseada no Paleo, mas muito menos restritiva. As semelhanças são muitas, mas há algumas diferenças importantes. Este livro, Primal Blueprint no original, fez ainda mais sentido para mim que o Paleo. Além de directrizes em relação à alimentação, o autor também argumenta em relação ao exercício físico, aos medicamentos, ao sono, ao sol - ou seja, é um estilo de vida baseado na do Homem de há 10 mil anos atrás, período em que a espécie Homo sapiens atingiu o seu pico evolutivo (antes do advento da agricultura).

É mais ou menos este tipo de alimentação que tenho tentado seguir nestas últimas semanas. Já perdi quase 2 kg (em 2 semanas), tenho cometido alguns excessos (a minha desculpa é sempre "eu não tenho assim tanto peso para perder, por isso um chocolatinho ou uma bola de berlim não me vão fazer mal..."), e sinto-me cheia de energia. Tenho praticado yoga quase todas as manhãs e caminhadas em passo rápido depois do jantar, além de nadar, brincar, jogar raquetes e fazer pinos na praia.

Como escrevi aqui, há muitos estudos sobre muitas dietas, e tanto encontramos estudos a favor do paleo, como a favor do veganismo, como a favor do crudivorismo... Há que ter bom senso, ouvir o corpo e perceber o que é que é melhor para nós próprios. Eu estou muito contente com a alimentação que ando a fazer! Sobretudo poder comer mais que 1 ovo por dia sem ficar com um peso na consciência!

Hoje queria deixar-vos as linhas gerais do Primal. As fotos são da parte final do livro, cuja leitura aconselho (assim como o blog do autor, Mark's Daily Apple), e relembro que em vez de Paleo, deve ler-se Primal (não gostei muito da tradução do livro - não li o original em inglês, mas há coisas que estão claramente mal traduzidas...).








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08/07/2015

Nem dieta dos 31 dias, nem paleo, nem vegan, nem mediterrânica...

A nutrição é um assunto que sempre me interessou. Começou há muitos anos, quando fazia musculação a sério (para ter músculo!) e tinha que ter muito cuidado com o que comia. Este mês já li uma série de livros sobre dietas e fiz muitas pesquisas na internet.

Sendo cientista, gosto de ver a informação corroborada por estudos científicos (o meu preferido é aquele que conclui que afinal podemos comer ovos à vontade!). O problema é que muitos estudos têm problemas metodológicos (não testam experimentalmente os efeitos das variáveis), outros são mal interpretados pela comunidade não científica (por exemplo, uma correlação entre duas variáveis não implica causalidade, ou seja, uma não causa necessariamente a outra). E o pior é que tanto podemos encontrar estudos que apoiam a dieta paleo, assim como tantos outros que apoiam uma dieta vegan. 

Perante tantos livros, tantas dietas, tantos estudos, onde é que ficamos? Qual dieta devemos escolher? Já aqui referi mais que uma vez que a dieta do paleolítico atrai-me bastante - mas ao mesmo tempo acho-a demasiado restritiva. Ser vegan ou vegetariana também não dá para mim - os meus meses de vegetarianismo resultaram em problemas digestivos porque não posso comer leguminosas. Estas dietas não são coisas passageiras para perder peso - são sim estilos de vida. Em relação às dietas com uma duração limitada e vocacionadas para a perda de peso, a dieta dos 31 dias, a Atkins, a South Beach e outras têm aspetos que me parecem altamente errados - por exemplo, deixar de comer fruta... É verdade que eu não tenho muitos kilos para perder - se tivesse mesmo excesso de peso, talvez reconsiderasse. 

O que acredito é que devemos ouvir o nosso corpo - o nosso corpo dir-nos-á se a nossa alimentação é correta ou não. Para uns, o vegetarianismo é o que os faz sentir bem - fantástico! Para outros, viver sem carne é impensável - fantástico! Desde que as pessoas se sintam bem e tenham saúde, o que é que interessa se seguem esta ou aquela dieta? Na minha opinião, estas coisas das dietas e da alimentação têm dois grandes problemas. Primeiro, a maioria das pessoas não ouve o corpo - ignoram sinais de alarme, não se apercebem de alterações subtis que vão ocorrendo, não são capazes de relacionar certos sintomas à alimentação que fazem. Segundo, as pessoas à nossa volta tentam convencer-nos que a sua alimentação é que é a alimentação certa. Tenho sentido isto sobretudo da parte de alguns vegetarianos/vegan - já recebi vários emails e comentários que me tentam "convencer" a adoptar essa alimentação, ou que afirmam que quando fui vegetariana fiz tudo mal e foi por isso que não resultou (como se soubessem o que é que eu comi durante esses meses...).

Este post serve, na verdade, para responder a uma leitora, Teresa, que me perguntou o que tenho feito em relação à fruta e sopa, que a dieta dos 31 dias elimina nos primeiros 15 dias. Ora bem, a minha intenção nunca foi seguir a dieta da Ágata. Os seus livros inspiraram-me, sim, a começar uma dieta a sério. A perder de vez estes 3 ou 4 kilos a mais. Eu nunca seria capaz de seguir religiosamente um plano alimentar como esses dos livros de dieta porque, em primeiro lugar, não sou eu que cozinho cá em casa e, em segundo lugar, seguir regras com as quais não concordo nunca foi o meu forte. Eu gravito em direção ao paleo, desde sempre, embora também coma muito arroz (agora não). No entanto, o paleo também não me agrada completamente. O primal, que é uma variante do paleo, já admite alguns laticínios, tubérculos e arroz selvagem, enquanto o paleo não.

O que tenho feito agora, que estou ativamente a tentar perder alguns kilos, é aquilo que eu sei, por experiência, que me faz sentir bem e perder peso - o mais importante é cortar os hidratos de carbono complexos, sobretudo ao jantar (ao almoço não faz mal, mas como quero mesmo perder peso, estou a cortá-los ao almoço também). Como muita fruta e verduras porque gosto. Não me interessa se a fruta tem alto ou baixo índice glicémico porque nunca senti que a ingestão de fruta me provocasse grandes picos de açúcar no sangue. Não tenho comido sopa (que adoro) simplesmente porque com este calor não me apetece. Ando a comer mais ovos que o habitual (uns 2 por dia - e desde que conheci o estudo que referi acima, já não sinto um peso na consciência por comer mais ovos que o tradicionalmente recomendado). Tenho comido muito peixe, carne e marisco, não porque a dieta paleo recomenda, mas sim porque peixe e marisco abundam aqui na praia, gosto deles e de carne também, e deixam-me saciada, mas sem aquela sensação desconfortável de ter comido demais como acontecia quando comia leguminosas, arroz ou outros hidratos de carbono complexos. Não bebo leite, mas como produtos fermentados de leite - queijo e iogurtes. Tenho comido umas tostinhas de trigo e alguma aveia integral ao pequeno-almoço, porque os meus intestinos funcionam logo a seguir. E, claro, uns quadradinhos de chocolate preto. E basicamente, é isto. 

De todas as dietas que conheço e dos livros que já li, a dieta que se aproxima mais do que como agora é a Dieta Viva da Ana Bravo. Não há cá fundamentalismos nem muitas restrições, mas sim tudo com conta, peso e medida. No início deste ano, o médico americano Mark Hyman cunhou o termo pegan - uma combinação do melhor do paleo e do vegan. Revejo-me absolutamente naquilo que ele escreve - ide ler, é um texto muito bom mesmo!

Mas, enfim... o objetivo agora é emagrecer... no fim do mês veremos se esta minha abordagem resultou ou não... ;)


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