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15/02/2017

A vida simples de pessoas reais - Maria José

Voltamos aos testemunhos dos minimalistas...

Não me considero propriamente "minimalista" - mas esta filosofia de vida tem muitos pontos de contacto com a minha/nossa (o meu marido pensa como eu...) forma de estar na vida. 
Por "estranho" que possa parecer, chegamos a uma atitude muito próxima do Minimalismo pela tomada progressiva de consciência religiosa... :-)
A sério: somos católicos convictos - e aos poucos fomos interiorizando que tudo o que tivéssemos "a mais", de certeza que estaria a fazer falta a Outros, e/ou a prejudicar o Planeta, ou a dificultar o nosso progresso Espiritual. 
Assim, decidimos fazer várias opções que são estranhadas socialmente, mas que nos fazem muito felizes! 
Reduzimos o nosso guarda-roupa ao mínimo indispensável - cabe tudo, de ambos, num roupeiro e numa cómoda. Tudo mesmo! Roupa de verão, de inverno, de praia, sapatos…

Só temos um carro (e trabalhamos ambos a 30 km de casa sem transportes públicos) - damos boleia um ao outro.

Toda a mobília foi escolhida e comprada em segunda mão - exceto duas ou três peças do IKEA. 

Fazemos "auto-produção" (legumes, aromáticas, fruta... No próximo ano, vamos avançar para coisas mais "pesadas": batatas, cebolas e hortícolas - porque terreno não nos falta)

Temos um menino de 3 anos - toda a sua roupa cabe numa pequena cómoda. Todos os seus brinquedos, material de "artes" e livros cabem numa única estante. O que não "serve" é doado. 

Na nossa sala comum há espaço para comer (família enooorme, ok? É fácil juntar 20 pessoas...) - e para ver TV, brincar, ler, trabalhar ("home office"), fazer música (piano incluído!)... Porque reduzimos tudo ao mínimo: o chão é opção para sentar. E o sofá. E as cadeiras que vêm do resto da casa! 

Os detergentes e os cosméticos são feitos por nós. 

"Destralhamos" tudo o que podemos. 
Reutilizamos tudo o que conseguimos. 
Sentimo-nos cada vez mais LIVRES. 
A nossa casa respira! 
Não temos empregada doméstica.

Quase não temos electrodomésticos - na verdade, temos uma máquina de lavar, um frigorífico e um fogão. (Não usamos aspirador, nem aqueles acessórios de cozinha que nunca mais acabam, nem máquina de café, nem... pronto! Mais  nada!)
Temos um pequeníssimo televisor - não temos canais por cabo, nem pacotes de Net, nem minutos infindáveis de telemóvel...
O "destralhamento" pessoal chegou também ás redes sociais: não temos FB, nem Instagram, nem... nenhuma.
Ainda temos muitas coisas que um minimalista consideraria "a mais" - eu  não consigo desapegar-me de certas coisas que me parecem "fazerem parte da minha vida" - objectos antigos de família e livros, sobretudo. O meu marido não consegue prescindir do monte de ferramentas de bricolage... :-)
Talvez um dia o percurso natural nos leve a um desapego maior! 
Mas estamos verdadeiramente gratos por termos descoberto o seu blog: tem sido fantástico como inspiração e orientação!

22/08/2016

5 motivos para parares de procrastinar o teu desenvolvimento pessoal

Um guest post da Mafalda do blogue It’s (not)so simple! Obrigada Mafalda!

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Tenho a certeza de que a ideia já cruzou o teu pensamento dezenas, quiçá centenas, de vezes. E, de todas essas vezes, reprimiste-a. Razões como “agora não é momento certo”, ou “onde vou arranjar o dinheiro?”, ou ainda “para quê cansar-me se depois o meu patrão não me vai valorizar?”. Cada pessoa tem os seus motivos, sejam eles estes, ou outros, mais ou menos complexos.

Não estou aqui para julgar os teus motivos. O meu único intuito é fazer-te pensar, dar-te mais razões para considerares a hipótese de aprenderes novas coisas e de desenvolveres o teu eu.

Afinal de contas, sei que te sentes imensamente inspirada pela nossa Rita e pelo seu exemplo de força, determinação e dedicação: ser mãe, investigadora, yogini, blogger e estudante universitária é uma bela carga de trabalhos, não é?

Então, vamos falar das razões mais comuns que damos (seja a nós, seja aos outros) para não investirmos no nosso desenvolvimento pessoal e de como podemos contrariá-las e deixar de procrastinar o investimento na nossa própria formação.

1. Não tenho tempo! Bom, isto é algo que dizemos muitas vezes e não só a propósito deste tema. “Tenho filhos pequenos.” “Tenho uma casa para cuidar.” “Estou cheia de trabalho…” Aquilo que eu acho, aquilo que eu tenho aprendido, é que, se realmente quisermos fazer determinada coisa, arranjaremos tempo para ela. O exemplo clássico: quantas pessoas conheces que tiraram a carta de condução enquanto estudavam, ou trabalhavam? Arranjaram tempo para ir às aulas, estudar o manual, fazer testes, fazer o exame de código e ter aulas de condução em tempo quase record. A grande lição é: quando realmente queremos muito uma coisa, ou quando algo nos faz muita falta e tem um grande impacto na nossa vida, encontramos tempo. Mesmo que para isso tenhamos de pedir ajuda, deixar coisas menos importantes de parte, roubar ao sono (esta não recomendo, mas cada um faz o que for preciso), parar de ver televisão, pôr as saídas à noite em standby… Vale tudo para atingirmos os nossos objetivos!

2. Onde é que vou arranjar o dinheiro? Não pretendo intrometer-me na carteira de ninguém. Porém, investir em formação pode trazer grandes benefícios pecuniários no médio/longo prazo. Cada um tem de saber o que é que valoriza mais e ter a capacidade de gerir os seus rendimentos da melhor forma. No entanto, aquilo que quero aqui destacar é que podes aprender mais, descobrir novas coisas, sem ter de gastar rios de dinheiro em manuais, sebentas, aulas ou propinas. Sobretudo nos dias de hoje. Podes escolher, na biblioteca da tua cidade, por exemplo, um livro que te ensine uma nova capacidade. Ou procurar uma versão digital, normalmente menos dispendiosa. Pedir emprestado. Ou comprar em segunda mão. E, claro, podes encontrar na nossa amiga Internet uma grande aliada: procura informação fiável sobre o tema do teu interesse, lê tudo o que puderes e coloca em prática o que fizer mais sentido. Se a tua “cena” forem línguas estrageiras, experimenta uma alternativa como o Duolingo (https://www.duolingo.com/). Se procuras algo mais ligado aos negócios, ou às ciências socias, e nem queres sair da frente do PC, tens de espreitar o Coursera (https://www.coursera.org/). Depois agradeces-me… Aumenta os teus conhecimentos sem gastar um cêntimo!

3. O meu patrão não ia valorizar-me mais por isto. Isto, para mim, levanta duas questões: A) Queres fazer isto por quem, realmente? Não o faças pelos motivos errados, por favor. Fá-lo por ti! Para te sentires bem contigo, para te levar mais além. Adicionalmente, poderás querer fazê-lo para inspirar os que te rodeiam, ou para dar um bom exemplo aos teus filhos. O teu patrão e o teu emprego vêm, quando muito, em terceiro lugar. B) Achas mesmo que o teu chefe não te vai valorizar? Ainda que a tua decisão implique estares menos disponível para o trabalho (porque tens aulas, por exemplo), tenho a certeza de que o teu patrão vai ver a tua decisão como algo positivo. Pode até não o demonstrar, mas todos os chefes gostam de empregados pró-ativos, interessados e que vão à luta. E, em alguns casos, pode até acontecer que o teu chefe tenha apenas medo de te perder: capacidades aumentadas equivalem a progressão de carreira potenciada, ao seu lado, ou longe dele. Portanto, seja para te sentires bem contigo própria, ou para aumentar as tuas hipóteses no mundo do trabalho, investir na tua formação compensa SEMPRE!

4. Não sei o que estudar! Isto, minha amiga, é um excelente problema para se ter. Podes decidir enveredar por temas que te seduziam na infância, ou na adolescência, e que tiveste de deixar para trás por achares que não tinham futuro, ou por algo que só agora descobriste. Avalia várias hipóteses, pesquisa um pouco sobre cada uma e decide. E, lembra-te, nada tem de ser definitivo: hoje podes ler sobre física quântica, e amanhã ter aulas de crochet. E depois avançar para a filosofia. Ou para uma qualquer arte marcial. O céu, caríssima, é o limite!

5. Já não tenho idade para isso! Hum… Sinceramente, já ouvi desculpas melhores! Se há algo que eu considero absolutamente extraordinário no ser humano é a sua capacidade para aprender, para mudar formas de agir e de pensar. Tudo, com a orientação mental certa, poder ser (re)aprendido. Certos temas com maior facilidade, outros com menos, é certo, mas, se realmente te interessa, tu chegas lá. Não te esqueças que um cérebro em movimento é um cérebro que envelhece mais devagar. Portanto, deves isto a ti própria: estuda, para o teu bem!

Confia em mim: este é o momento certo para fazeres algo mais por ti e para aumentares os teus conhecimentos. Tudo conta: os cinco minutos a ler enquanto esperas pelo autocarro, aquele bocadinho da tua hora de almoço para completar mais uma unidade de Espanhol, acordar 30 minutos mais cedo para estudar contabilidade financeira… Tu lá sabes.

Tu mereces o investimento que vais fazer em ti própria. Por todos os motivos e também por mais este: por teres a hipótese de provar a ti própria, uma vez mais, que vales muito, que tens grandes capacidades, sejam estas intelectuais, de organização, culturais, técnicas, motoras, analíticas ou de julgamento.

E isto parece-me importante sobretudo se te debates frequentemente com uma sensação de que estás a estagnar, de que te faltam conhecimentos importantes para o teu dia-a-dia, ou que precisas de te levar mais além e ocupar-te com novas aprendizagens.

Portanto, e inspirada pela nossa Busy Woman, segue em frente e começa já a aprender algo novo.
Já agora, se precisares de informação sobre esta temática e, mais particularmente sobre o Estatuto do Trabalhador-Estudante, passa pelo meu cantinho. Será um gosto ter-te por lá.

Atreve-te a ser feliz!

Não posso terminar sem agradecer à Rita por me ter recebido tão bem aqui no seu blogue. Foi uma honra poder partilhar com quem a lê estas minhas singelas dicas. Continuação de imenso sucesso, Rita!

19/07/2016

NEVOAZUL – Uma revista sobre menos e mais

Um guest post da Inês sobre o seu novo projeto, uma revista sobre minimalismo!


Era Abril e a amena primavera prometia alegria às horas de trabalho que se avizinhavam pela frente. Que loucura! - pensei. Não só quero sensibilizar para a importância do minimalismo, da sustentabilidade e do consumo consciente como quero fazê-lo através do meio mais ingrato (e mais belo) que conheço, o papel. Mas eu estava determinada. Farta de folhear revistas sem conteúdo, onde a publicidade é rainha e os leitores são meros consumidores, vi no meu fascínio pelo meio editorial uma oportunidade de criar uma revista onde o minimalismo perde a sua pureza e se mistura com a arte, o consumo cede à literatura e a sustentabilidade à cultura. Tudo em nome deste meu desejo de criar um futuro melhor do que o presente.

Houve dias em que acordei às quatro da manhã para filmar o reflexo da lua cheia na água e para estrear a areia da praia antes do início do verão. Houve noites em que escrevi até às duas da manhã, quando os olhos já pediam descanso mas o entusiasmo exigia trabalho.
Cedi assim ao idealismo e rendi-me às artes. Sujei as mãos de tinta azul e fiz gravuras do Stonehenge. Escrevi sobre técnicas de restauro ancestrais, elogiei a impermanência e entrevistei aqueles que encontram equilíbrio no minimalismo e na simplicidade.
Apesar de vivemos numa era onde a velocidade, a abundância e o desperdício dominam, eu acredito que chegou a hora de dar uma nova oportunidade à eficiência, à criatividade e à qualidade.

Este foi o início da NEVOAZUL - uma revista sobre menos e mais, onde o consumismo, o minimalismo e a sustentabilidade se cruzam com a cultura, a literatura e a arte.
Numa cultura motivada pelo consumismo e pela memória, o primeiro número da NEVOAZUL reflete sobre as vantagens de aceitar a impermanência como catalisadora da simplicidade. Nas suas páginas vão poder descobrir como o algodão orgânico melhora a vida dos agricultores em redor do mundo, as razões porque o Einstein era um minimalista,  a arte ancestral do Kintsugi, pinturas feitas com materiais vulcânicos que simbolizam a beleza e a fragilidade da natureza, um artigo sobre uma rede social onde tudo  o que partilhamos expira em 24 horas, a história da youtuber Aileen Xu responsável pelo canal Lavendaire e muitos mais artigos, entrevistas e ensaios.


Com esta revista eu quero sensibilizar sobre a importância da responsabilidade social, da sustentabilidade e do consumo ético. Podemos viver numa era frenética em que os humanos invejam a velocidade das máquinas em prol de um futuro que consome o presente. Podemos comprar de forma cada vez mais rápida e barata, desprezando séculos de sabedoria e tradição. Mas eu acredito que as coisas não precisam de ser assim. A mudança está nas pequenas escolhas que fazemos diariamente e a minha escolha foi criar a NEVOAZUL, uma revista sobre menos e mais, um convite ao equilíbrio e uma ode à mudança. O meu maior desejo é que esta revista seja um porto de abrigo para todos aqueles que aspiram a uma vida mais simples mas significativa.
  
APOIA A NEVOAZUL: igg.me/at/nevoazul

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09/05/2016

O minimalismo nos dias de hoje

Enquanto o meu tempo não estica ou as minhas obrigações diminuem... para o blog não ficar pendurado, aqui tens uma excelente leitura! 

É um guest post da Ana Martins, que escreve sobre minimalismo e outras coisas no Ana, Go Slowly.

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O minimalismo enquanto estilo de vida tem vindo a ganhar cada vez mais novos adeptos.
Apesar de em Portugal se ter começado a ouvir falar deste estilo de vida em 2012/2013, ultimamente o tema tem sido divulgado junto do grande público e não apenas junto de certos nichos de mercado como anteriormente.
Parece-me que nunca numa altura como agora o minimalismo fez tanto sentido.

Vivemos numa sociedade de extremos.

Se por um lado temos cada vez mais a cultura do fast e isso tem-se sentido sobretudo devido ao desenvolvimento das tecnologias de informação que vêm acelerar a nossa vida em todos os aspectos, e também na indústria da moda, em que cada vez mais lojas apostam em peças mais baratas e de menor qualidade para serem mais acessíveis a todos e permitirem que se compre uma maior quantidade de roupa.
Por outro lado surgem cada vez mais movimentos opostos: slow food, slow fashion, slow living...

Também acho que não é por acaso que o método konmari tem tido tanto sucesso em todo o mundo…

Andamos todos cansados de termos tantas coisas para fazer e tantos objectos para cuidar… E precisamos desesperadamente de ajuda!

Com a correria das nossas vidas e com a panóplia de responsabilidades e papéis que vamos assumindo (papéis na vida real e na vida virtual), diria que é expectável que queiramos reduzir algumas coisas na nossa vida.

As solicitações chegam de todo o lado, há cada vez mais coisas novas e queremos estar a par de tudo. Todos os dias há novas formas de mantermos contacto com amigos e desconhecidos e o nosso telefone não para de piscar.
Tudo está à distância de um clique ou de um toque. E se isso pode ser bem vantajoso às vezes, na maioria das vezes é esmagador!

Queremos corresponder às expectativas de todos, afinal todos respondem a tudo imediatamente, comparamos cada vez mais a nossa vida à dos outros e depois sentimo-nos mal.
Como é que ela é mãe de duas crianças, tem dois cães, trabalha, faz voluntariado e ainda tem tempo para correr?
Queremos ser capazes do mesmo! E ficamos super desiludidos e aborrecidos connosco próprios por não conseguirmos acompanhar.

Num cenário como este, o "menos" é urgente!

Não é só o nosso corpo que tem que descansar, a nossa mente também! Não chega descansar a mente apenas 7 ou 8 horas por dia no momento em que dormimos. Além disso, andamos tão agitados todo o dia que depois temos dificuldade em adormecer!
Por isso nunca se falou tanto em meditação e em mindfullness. São diversos os estudos que compravam os seus benefícios e numa vida agitada como a que vivemos, nem precisamos de ler as conclusões desses estudos para perceber que todos ganharíamos com a inclusão destas práticas nas nossas vidas.

E é neste cenário que surge o minimalismo enquanto parte da solução para nos ajudar a manter uma vida onde menos é efetivamente mais.
Mesmo que não queiramos abraçar este estilo de vida por completo, há sempre pequenas coisas que podemos ir adoptando.

Muito resumidamente o minimalismo diz-nos que devemos viver com o essencial, aquilo que nos faz realmente felizes e que nos faz sentir bem.
Mas nem sempre é fácil fazer esta análise, pois estamos de tal forma condicionados que muitas vezes consideramos o acessório como essencial. É preciso libertarmo-nos daquilo que nos é imposto, pararmos um pouco e pensarmos: o que me faz realmente falta? Não conseguiria viver sem…?

Apesar de já ter adoptado este estilo de vida em 2012, 4 anos depois continuo como toda a gente a ser posta à prova diariamente.
Afinal não vivo isolada do mundo, continuo a viver numa grande cidade, a trabalhar, a ter uma família e uma casa normal como toda a gente.
Mas é justamente aqui que aplicar o minimalismo nos poderá ajudar.
Quem vive no meio da natureza não precisará certamente de minimalizar a sua vida.

Como podes aplicar o minimalismo na tua vida em 2016?

Roupa
Adopta um armário cápsula - escolhe cerca de 30/35 peças a cada 3 meses e vive apenas com essas peças. Mais sobre este assunto aqui.
Adopta um uniforme - imagina que gostas de usar calças de ganga, t-shirt/blusa e ténis. Este pode ser o teu uniforme. Tendo isto em mente é muito mais fácil decidir o que vestir, basta ires mudando as peças.
Livra-te da roupa que já não te serve mas que ainda acreditas que algum dia te irá servir, da roupa que usaste apenas uma vez e daquela que nunca usaste.

Compras
Da próxima vez que comprares roupa compra algo que estejas a precisar, que adores e que te faça sentir bem. Prefere peças que são fáceis de cuidar e que não precisam de ser passadas a ferro.
Compra peças versáteis, por exemplo casacos que dão para todo o ano: no inverno usamos o casaco com a parte interior e no verão retiramos.
Faz uma lista em papel ou no telemóvel (até pode ser na loja online que estiveres a ver) com tudo aquilo que queres comprar. Após 30 dias volta à lista e vê se ainda queres comprar todos os itens.

Dia-a-dia
Tira tudo da mala/mochila: papéis, talões, cartões, agenda, lenços, etc e faz uma limpeza. Precisas mesmo de andar assim tão carregado(a)? Lembra-te daquilo que é realmente essencial e que usas diariamente.
Se ainda não tens esse hábito mantém uma lista diária com aquilo que tens que fazer. Se pelo contrário te vicias rapidamente em listas , mantém apenas aquilo que é mesmo importante e elimina o resto.

Cozinha
Tira tudo dos balcões (podes arrumar nos armários) - esta dica foi de facto a que fez mais diferença na minha cozinha, passei a ter espaço para cozinhar devidamente.
Mantém apenas a louça/utensílios que usas.
Se recebes frequentemente gente em casa guarda as coisas extra em armários menos acessíveis.
Mais dicas aqui.

Telemóvel
Desinstala as aplicações que raramente ou nunca utilizas.
Desliga o máximo de notificações - nós não nos esquecemos de consultar as nossas apps favoritas. Por isso para quê manter as notificações? Quando lá formos vemos tudo. Interessa sim manter alertas para determinadas tarefas que temos que fazer ou determinados compromissos (de trabalho ou pessoais).

E-mail
Coloca todos os teus compromissos numa agenda e sincroniza com a agenda do trabalho, de outros familiares, etc.
Aplica filtros no e-mail e organiza logo os e-mails quando os recebes.
Mantém a caixa de entrada a zero.

Computador
Mantém o ambiente de trabalho limpo (sem pastas ou ficheiros). Se necessitares deixa apenas os atalhos das coisas mais utilizadas (os atalhos não sobrecarregam o computador).
Desinstala/apaga o que não interessa (programas, documentos, fotografias).
Faz backup das fotos e documentos importantes (podes guardar na dropbox)
Elimina tudo o que está na reciclagem.

Papel
Guarda apenas aquilo que tem mesmo que ser guardado (papéis IRS, coisas do banco; escritura da casa; certificados de cursos).
Tudo o resto pode ser digitalizado e guardado no computador ou online (evernote, google drive, dropbox).
Livra-te de caixas de telemóveis, electrodomésticos e outras que tenhas guardadas.

Limpezas
Elimina os 1001 produtos que utilizas e usa apenas vinagre e bicarbonato de sódio.

Lembranças
Tira uma foto à lembrança e guarda apenas a foto. Se gostares mesmo do objecto pensa em expô-lo num sítio bonito e visível da tua casa.

Mente
Pega num papel e escreve todos os teus compromissos diários/mensais. Elimina os menos importantes e aqueles que só te dão chatices.
Começa a meditar nem que seja apenas 2 minutos por dia - a meditação é uma espécie de declutter mental. Aos poucos vais ver que as cismas e o a tendência de estar sempre a pensar no passado/futuro desaparecem.
Planeia tempo para não fazer nada, nem que seja apenas 5 minutos por dia. Fica apenas contigo por alguns momentos, se te custar muito não insistas, volta a tentar no dia seguinte.
Cerca de uma hora antes de te deitares começa a dizer ao teu corpo que é hora de dormir, desliga a net, e tenta fazer algo relaxante.
Foca-te nas coisas boas sobretudo em dias que correm menos bem.

Em jeito de resumo, foca-te nas tuas coisas favoritas e reduz aquilo que não interessa e que não te faz feliz.

Uma vida mais simples, mais organizada, mais de acordo com aquilo que gostamos e com aquilo que somos, traz uma tranquilidade e paz de espírito enormes.


Vamos minimalizar? 

30/05/2014

A vida simples de pessoas reais - Raquel

Eu tive conhecimento sobre este estilo de vida minimalista por acaso. Há um ano andava a passear pela blogosfera e encontrei o blog da Rita, e adorei tudo o que li. Foi o que me levou a procurar mais pelo assunto e aprofundar os meus conhecimentos. E assim decidi que iria começar uma vida mais minimalista.     

Já está mais que sabido que o Minimalismo como estilo de vida significa basicamente: viver mais com menos. E quem segue um estilo de vida minimalista sabe que no início começamos sempre por retirar o excesso de tralha física que temos em casa. Para mim até foi uma tarefa fácil, porque eu não sou uma pessoa que se apega muita às coisas. Mas o mais importante é que com o tempo apercebi-me que o minimalismo é muito mais do que um estilo de vida. É uma ferramenta que pode ajudar-me, ao me livrar dos excessos, a concentrar-me no que realmente importa para alcançar a minha felicidade e, principalmente, a liberdade. É isto que me fez gostar deste estilo de vida!

Eu nunca vivi uma vida consumista, pelo contrário, eu nunca tive muitas coisas. Mas o problema é que isso não era por escolha minha, mas sim por ter algumas dificuldades financeiras. Mesmo tendo a consciência de que a felicidade é raramente encontrada em bens materiais, nesta era de consumismo desenfreado não é fácil ser-se feliz com pouco. Então tinha alguns momentos de frustração, decepção e infelicidade, porque não podia ter o que as pessoas "normais" tinham. 

Posso dizer que ao conhecer o minimalismo fez-me pensar que é possível ter esta felicidade, aprendendo a deixar de pensar no que não tenho e deixar de sobrecarregar a minha cabeça de coisas e de sentimentos que me angustiam. E sim simplificar a vida e dar mais atenção às coisas que o dinheiro não pode comprar: todos os momentos passados com a minha filha, o meu companheiro e com a família e amigos. Hoje em dia tento sempre lembrar-me que mais importante do que ter é ser. 

A descoberta do minimalismo também me levou a fazer outras alterações na minha vida, que andava a adiar a algum tempo. A principal alteração foi eliminar um hábito terrível: deixar de fumar. Passei a dar mais importância à minha pessoa, a procurar ser mais organizada, mais saudável e mais responsável pela minha pegada ecológica (isto tudo com grande influência do blog da Rita). Passei a viver mais o presente e a deixar o passado que me perseguia e só me fazia mal para trás. Resumindo passei a ser mais Feliz.

Claro que nada muda do dia para a noite, mas o importante é que a partir do momento que vi a necessidade de uma vida mais minimalista, decidi percorrer esse caminho. E mesmo com pequenos passos e adequando-me a ela na medida das minhas possibilidades, tenho a certeza que a minha vida vai melhorar cada vez mais.

Raquel Silva, blog Just Happy With Less




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16/05/2014

A vida simples de pessoas reais - Inês Catarina Pinto

Acredito que uma das principais razões porque uma pessoa integra um estilo de vida minimalista é porque atingiu um ponto de exaustão em relação às posses materiais, pelo menos foi o que me aconteceu a mim, especialmente no que se refere às posses materiais relacionadas com a moda.

Eu acordava cansada só de pensar que não ia ter nada para vestir, apesar de ter o armário cheio de roupa, gastava dinheiro em coisas que se revelavam inúteis assim eu chegava a casa e começava a ficar farta de ler revistas e blogues de moda em que o consumo era a palavra de ordem.

Tudo isto levou-me a querer combater o consumismo desenfreado com um minimalismo consciente, resumindo, eu queria encontrar um equilíbrio, queria provar que é possível termos um estilo bonito, cuidado e de acordo com os nossos ideais de beleza sem termos de gastar fortunas em peças de roupa novas todos os meses.

Quando comecei a ser mais organizada e a estruturar melhor as coisas que eu usava em função do meu estilo pessoal, decidi que tudo o que eu precisava era de comprar menos roupa mas de melhor qualidade. Só assim podia ajudar a combater o consumismo enquanto mantinha um estilo bonito e cuidado. Passado algum tempo apercebi-me que estava a comprar uma nova peça de roupa por estação, sem ter de fazer nenhum sacrifício. Ao apostar em coisas que realmente gostava, em vez de comprar roupa apenas por ser barata ou por estar na moda, consegui diminuir a quantidade de “tralha” no meu armário e tornar o meu estilo melhor do que alguma vez esteve. Com isto acabaram-se as manhãs sem nada para vestir, as gavetas desarrumadas e os gastos desnecessários em peças de roupa!

Contudo, apesar de estar feliz com a minha mudança, continuava a ficar desiludida quando folheava algum blogue ou revista de moda. A ideia de que ter um estilo melhor está associada a comprar mais e mais parecia estar sempre presente. Aí apercebi-me que talvez devesse partilhar aquilo que sei e mostrar que um estilo melhor pode ser conseguido mais facilmente se seguirmos valores minimalistas do que valores consumistas. Foi neste contexto que criei o blogue Minimal, um local onde tento provar que a simplicidade pode ser o melhor caminho para uma vida e um estilo melhor.

Inês Catarina Pinto, Minimal



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02/05/2014

A vida simples de pessoas reais: Marta Chan

Olá sou a Marta, prazer!

Conheci o blog da Rita através de uma amiga que é super organizada e assim que comecei a ler o blog fiquei logo entusiasmada pelos temas abordados como minimalismo, vida simples, yoga e meditação, “destralhar”, produtos de limpeza naturais e tudo em português! Tudo isto para mim é sustentabilidade e creio que quanto mais auto-suficientes formos mais felizes somos, vivendo de forma saudável e tranquila.

Na verdade nunca fui uma pessoa muito consumista. Ia às compras para roupa de Verão e de Inverno, portanto duas vezes por ano mas por vezes comprava roupa que não utilizava. Com o tempo fui-me apercebendo que era absurdo abrir o roupeiro e ver roupas com etiqueta! 

Aos 20 anos já tinha vendido algumas vezes nas Feiras das Velharias objetos e roupa que já não tinham utilidade para mim e comecei também a comprar tudo em Segunda Mão. Apercebi-me que poderia comprar uma blusa por 3€ em vez de 20€ poupando para outras necessidades, que estava a reusar e consequentemente a ajudar o meio ambiente, que estava a dar o meu dinheiro a pessoas locais e não a multinacionais milionárias e que ao vender ainda ganhava uns trocos. 

Mas quando comecei a viajar pelo Mundo é que realmente apercebi-me da importância do minimalismo e da redução de vestuário pois andava de mochila às costas, pesando bastante e as inevitáveis dores e mau estar permaneciam. Algumas vezes voltava para Portugal e percebia que nem utilizara algumas peças. Assim, na minha viagem à India levei apenas 7 quilos e a roupa que tinha no corpo. Pelo caminho ia comprando vestuário que realmente precisasse. Na última viagem que fiz, 5 semanas em Marrocos, inspirada nas publicações da Rita, levei apenas duas mudas de roupa, uma para dormir e outra para o dia-a-dia. Existe o trabalho de lavar com maior regularidade mas só o sentimento de poder andar livre horas e horas com a mochila às costas faz tudo valer a pena.

Mas o minimalismo não é um caminho fácil. Até porque, se por um lado considero-me minimalista, por outro adoro tralha. Coleciono peças antigas (ou vintage, como está na moda) e gosto de vê-las espalhadas pelo meu quarto, servindo de inspiração. Mas é algo que faz parte de mim e dos meus interesses e por isso não quero mudar. Assim, haverá sempre minimalismo na minha casa mas pelo menos uma divisão da casa destinada às minhas coleções.

Espero que o meu texto vos tenha inspirado de alguma forma a mudar hábitos, especialmente com o consumismo que é a entrave principal para o minimalismo. Ao termos pouco a nossa mente fica mais vazia, mais harmoniosa e daí sentimos a tão desejada paz interior. Costumo dizer: “Quanto menos tenho, mais rica me sinto”. 

Saudações minimalistas, 




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02/12/2013

Quem são os meus filhos daqui a 20 anos || Hoje, no Mum's the Boss

A Magda, aka Mum's the Boss, perguntou-me quem são os meus filhos daqui a 20 anos e o que é que eu faço todos os dias nesse sentido. Pergunta difícil e a resposta veio do coração. Aqui está ela.

18/10/2013

A vida simples de pessoas reais - Josi

Conheci seu blog através do blog Vida Organizada. A princípio buscava informações sobre como organizar melhor minha vida, mas seu blog me levou ao caminho do minimalismo e fiquei muito envolvida com o assunto, pois havia uma inquietação muito grande dentro de mim em relação ao consumo. 


Sempre fui consumista, daquelas que gostava de comprar tudo em pares e uma coisa de cada cor, não me contentava em comprar apenas uma peça, e com isso minha vida financeira foi se acostumando a ficar no vermelho. Tinha sempre muita roupa, mas aquela sensação horrível de que precisava comprar mais tomava conta de mim. Eu não usava um terço do que comprava, pois o gasto era tanto que eu não tinha dinheiro para sair e usufruir das roupas recém compradas. Era um vazio que eu preenchia estourando o cartão de crédito e meu saldo acabava no vermelho todo final de mês. 


Seu blog me levou para um caminho sem volta. A descoberta o minimalismo foi um marco na minha vida e há 4 meses tenho vivido em profunda reflexão sobre o tema e colocado em prática de forma bem intuitiva e consciente. Aos poucos os espaços em casa estão se abrindo, os caminhos profissionais se expandindo e as emoções que antes davam espaço para a tralha emocional se abrem para as novas sensações. Com isso estou conquistando leveza e alegria de viver. Confesso que a prática do destralhamento me causa um pouco de angústia, estou aprendendo a lidar com tudo isso e meu maior objetivo ultimamente tem sido destralhar, destralhar e destralhar...até no banho eu fico pensando nisso, me causa um pouco que inquietude, mas eu sinto que estou no caminho certo. 


Meu apartamento é pequeno e moro com meus 4 gatos que amo de paixão, são companheiros agradáveis e que tornaram minha vida melhor. Com seu blog aprendi a necessidade de criar uma poupança para meus animais. A saúde deles exige cuidados e para isso estou poupando todo mês. Outra coisa interessante que aprendi no seu blog é a força que a cor branca carrega na energia da casa, impressionante como torna a decoração limpa e harmoniosa, tudo ficou melhor lá em casa com a cor branca. 


Rita, sou eternamente grata a você pela mudança que fez em minha vida. Não tenho palavras para descrever o que estou vivendo e graças ao seu blog, tenho a certeza que minha vida vai melhorar cada vez mais. Deus às vezes fala pelas pessoas e você foi escolhida para tocar meu coração, me trouxe a consciência e força que eu precisava para modificar minha vida. Eu acredito muito no poder da palavra e este é um dom maravilhoso que você tem, de modificar as pessoas. Torço para que você seja muito feliz e que sua vida seja repleta de saúde e harmonia.

Josi

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Queres participar? Envia-me um texto a contar a tua jornada em direcção a uma vida mais simples para o email rita.busywoman (at) gmail (dot) com, com o assunto "guest post". Obrigada!

11/10/2013

A vida simples de pessoas reais - Ana Margarida

Há cerca de 1 ano e meio descobri o teu blog, quando procurava alguma receita para fazer ao jantar...
Comecei a ler. Achei interessante a maneira como escreves, os temas que abordas.
Achei graça teres estudado na mesma universidade que eu e estares a viver na cidade onde eu nasci e vivi até aos 27 anos (altura em que sai por ter encontrado um trabalho fora).
Ainda vou a Faro muitas vezes... Tenho aí toda a minha família e sinto saudades!
Quando estou em Faro, às vezes penso em ti! E se de repente me cruzasse contigo na rua! Mas eu sou um bocado despistada, e se calhar nem te reconheceria...

Mas voltando ao tema do blog... Nunca tinha pensado em ser minimalista. Não sabia o que era isso e nem estava no horizonte de uma pessoa acumuladora e desorganizada como eu. Nessa altura eu nem tinha consciência que era acumuladora, pensava que era apenas uma pessoa desorganizada.
O certo é que vir ler aqui diariamente tornou-se um vício para mim. Acho que tinha esperança de algum dia conseguir aplicar algumas dessas dicas de organização que dás aqui no blog.
Sempre tive o desejo de ser mais organizada e produtiva, contudo o esforço que fazia não tinha o efeito desejado.

A partir do teu blog conheci outros blogs que seguem a mesma linha. Passei também a seguir alguns desses.
Percebi que necessitava de tomar uma decisão relativamente às tralhas que guardo como medo de vir a precisar.
Tornei-me cada vez mais interessada no processo de libertação da tralha que os minimalistas atravessam. As partilhas mais emocionais das blogers (as que leio, em português, são todas mulheres) foram essenciais neste processo.
Nesta altura também estava a lutar com o equilíbrio da minha situação financeira. Desejava muito conseguir equilibrar as minhas contas.
Acho que quem é organizado e tem uma situação financeira confortável não sabe a dificuldade que uma pessoa de características opostas tem para conseguir organizar-se e assumir o controlo da sua vida.

Um certo dia, há cerca de uns 3 meses atrás tomei a decisão: "Também eu quero ser minimalista!"

Decisão tomada, trilhar o caminho do minimalismo, da vida frugal e simples. 
Contudo, sentia-me paralisada relativamente às ações que sabia que necessitava implementar. Tinha medo de libertar-me de coisas que, de facto, não utilizo mas que poderão voltar a ser necessárias. A minha situação financeira, apesar de ser adequada à satisfação das necessidades básicas, não me permite fazer compras de itens extra. Isto justificava (e ainda justifica) o facto de eu ter muitas coisas sem uso.
Quanto mais lia os testemunhos dos blogs, mais me consciencializava de que um dia eu ia mesmo ter que decidir se ficava na mesma ou se fazia algo para mudar.

Finalmente, um dia senti que estava preparada para passar da teoria à prática.
Nos últimos 10 dias decidi assumir de facto este caminho e fiz uma grande limpeza em casa. Consegui libertar cerca de 20% da tralha. Sei que ainda é pouco, um pequeno passo no caminho, mas para mim significou um passo de gigante.

Agora sei que estou no caminho, nesse caminho que quero trilhar, por uma vida mais leve, mais livre.

Ana Margarida

06/09/2013

A vida simples de pessoas reais - Diana

Comecei a acompanhar o seu blog há pouco tempo, o qual revelou-se uma grande inspiração para mim. Fez-me questionar novamente algumas coisas que definem a pessoa que sou.

Não é que tenha mudado muito. 
Nunca liguei muito a modas, nunca segui tendências, o meu estilo sempre se baseou naquilo que eu gostava, mesmo quando era gozada por grande parte da escola!
Nunca gastei dinheiro com telemóveis caros ou grandes marcas e compro essencialmente a roupa de que preciso.
Adoro abrir os armários com roupas mais antigas que a minha mãe e a minha tia guardam e dar-lhes uso novamente. Gostava de costurar tão bem como a minha mãe e fazer as minhas próprias roupas!

No entanto... nos últimos tempos, com a mudança de país, um ordenado mais desafogado e algum tempo livre, às vezes sozinha, tornou-se fácil passar parte das minhas folgas em lojas a fazer compras. Não é que tenha comprado um exagero de bens materiais e gasto uma fortuna...mas comecei a sentir-me um pouco diferente.

Entretanto encontrei este blog.
Além disso vou mudar de casa em breve, o que avizinha malas cheias e possíveis dores de costas.
Decidi fazer uma revisão ao guarda-roupa e separar o que me faz falta e realmente me fica bem, do que não me interessa e que posso dar a alguém. 

Na verdade, não preciso de muita coisa. Nem convém acumular muitas malas estando a viver temporária e indefinidamente fora do país. 
O que realmente importa carregar são as experiências, a felicidade e os sorrisos. Uma mala cheia de boas experiências que tenho a sorte de partilhar com o meu namorado, que está aqui comigo, e com a nossa família que nos apoia. As saudades...também se carregam, mas estar longe às vezes também ajuda a dar outro valor às coisas, as pequeninas coisas que marcam a diferença mas muitas vezes passam despercebidas.

Comecei também a sentir falta das minhas práticas regulares de Yoga, que tanto bem me fazem.
Há tanta coisa e cada vez mais, que nos afasta do nosso centro, do nosso equilíbrio, da nossa felicidade.
Há um consumismo desenfreado, há muita falta de preocupação com coisas essenciais, como a nossa saúde que é atacada diariamente com quase tudo o que comemos e no ar que respiramos, porque a competição e o lucro falam mais alto.
No entanto, esse lucro é ilusório.
E é dessa ilusão que devemos ter consciência e tentar melhorar a nossa vida, a começar pelo interior.

Deixo aqui uma humilde reflexão sobre a vida e um obrigado à Rita pela sua presença no mundo virtual.

Diana A.

23/08/2013

A vida simples de pessoas reais - Cátia

Actualmente encontro-me a viver em Londres. Tenho 30 anos e confesso que me sinto o retrato da geração jovem portuguesa que pela falta de oportunidades no seu país, teve de procurar um novo rumo.

Há dez meses atrás e após seis meses de desemprego em Portugal eu decidi emigrar para Londres. Em Portugal deixei toda a minha família, incluindo namorado, amigos e a maior parte dos meus objectos pessoais.

Quando cheguei a Londres foi uma das fases mais difíceis da minha vida, porque estava sozinha e apesar de compartilhar casa com duas pessoas da minha nacionalidade, eu nunca as tinha visto antes. Porque tinha que obrigatoriamente me integrar numa língua e numa cultura diferente, porque estava sozinha num local quase desconhecido. Fiz várias viagens a Londres anteriormente para preparar a minha vinda. Essas viagens preparam-me para alguns aspectos do que viria a ser a minha vida aqui, mas não me preparam para o essencial, viver sozinha num país que não é o meu.

Na verdade, quando comecei esta nova etapa na minha vida, comecei a dar um grande valor às coisas simples e a valorizar que mais importante do que ter é ser e que o valor da vida está nas pequenas coisas. Eu comecei a aproveitar coisas simples como ler um livro, caminhar pelas ruas, respirar fundo para evitar situações de stress e encontrar tempo para fazer as coisas que realmente gosto. 

Penso que comecei o meu caminho como minimalista, até porque viver em Londres ensina-nos a tornar-nos naturalmente minimalista, quando queremos efectivamente mudar as nossas vidas.  Andamos a pé e de transportes, partilhamos casa e por isso não há espaço ao consumismo e à acumulação de coisas e começamos a valorizar coisas simples como ir ao parque para ler um livro ou andar de bicicleta. 

Devo também uma palavra ao meu namorado que é um minimalista sem ele próprio saber, que sempre me foi incentivando a viver de forma simples.

Após 10 meses em Londres, sinto-me muito feliz com a minha vida. Trabalho na minha área, ensinar crianças com necessidades educativas especiais, aprendi a valorizar os pequenos e doces momentos com aqueles que gosto, passei a escrever mais regularmente (a minha grande paixão) tenho estado a trabalhar na minha primeira história para crianças que vai ser publicada dentro de alguns meses em versão ebook .

Eu conheci o minimalismo na verdadeira acepção da palavra através do seu blog. Foi através dele que consegui entender que estava a caminhar no sentido correcto, viver uma vida simples, com pouco, mas muito feliz. 

Penso que a crise económica que estamos a viver tem vindo a ensinar as pessoas que o segredo das vida está nas coisas simples. Não precisamos de ter uma grande casa e um grande carro se iremos passar o resto da vida a pagar esta divida ao banco, não precisamos de encher a casa de objectos se não conseguimos  usufruir deles porque estamos absolutamente concentrados em comprar mais e mais. Não precisamos de um guarda roupa cheio de roupa se só precisamos de meia duzia e se mais alguém precisa de uma, apenas uma para vestir e não tem nenhuma. 

Eu acredito que o mundo começará a caminhar numa nova direcção, viver feliz com menos.

Obrigada Rita por este blog que tanto nos inspira e ensina todos os dias. Eu continuarei a ser com certeza uma fiel seguidora enquanto ele existir. 

Cátia
blog, facebook


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