Nos últimos dias tenho andado a pensar nisto de ser vegetariana... e se vale a pena impôr-me este rótulo. Apesar de, no geral, me sentir bem desde que deixei de comer carne e peixe, há mais de 3 meses, há certos aspectos do vegetarianismo que são menos positivos:
- Tenho andado com o estômago inchado, sobretudo quando como mais feijão, o que não é nada agradável.
- As opções vegetarianas que encontro fora de casa nem sempre são, a meu ver, saudáveis. A verdade é que sinto que a minha alimentação era mais saudável quando comia carne e peixe do que agora.
- Essas opções vegetarianas incluem lasanhas, tortilhas, quiches (de legumes, alho francês, bróculos, etc.), com imensos ovos e molhos; eu não comia lasanha de carne porque achava aquilo uma bomba, e agora tenho que gramar com lasanhas de outras coisas... e os ovos então, já não os posso ver à frente...
- Como em casa temos que fazer duas refeições diferentes (o J. faz para ele e para os miúdos e eu faço para mim), as duas refeições não costumam ficar prontas ao mesmo tempo. O que acontece é que como tenho que esperar pela minha comida enquanto os homens da casa estão a comer, não comemos todos juntos à mesa, o que me chateia bastante.
- Como não tenho feito menus semanais, visto que o J. está totalmente responsável pela comida dele e dos miúdos, as refeições que ele prepara costumam ser acompanhadas de... batata frita - coisa que também me chateia. Quando eu fazia menus semanais, planeava refeições mais equilibradas...
- Não sei se está relacionado, mas é um facto que desde que deixei de comer carne e peixe tenho imensa dificuldade em levantar-me cedo como costumava fazer. Dantes, mesmo no inverno, noite cerrada lá fora, não tinha qualquer problema em levantar-me às 5 da manhã. Agora, às 6h o sol brilha e os pássaros cantam e eu só penso em dormir...
Por estes motivos, vou largar o rótulo de vegetariana.
Vou comer carne e peixe, de preferência grelhados, quando me apetecer, e vou fazer refeições vegetarianas quando me apetecer.
Vou continuar a não comer pão, cereais e laticínios (só um pãozinho com queijo muito raramente), eliminar/diminuir o arroz (que é sempre integral) e diminuir nos feijões, lentilhas e coisas do género.
Vou voltar a comer poucos ovos (entenda-se, gemas) e eliminar lasanhas, tortilhas e similares da minha alimentação.
Vou aumentar mais as verduras frescas e não exagerar na fruta por causa do açúcar.
Vou fazer salame de chocolate e bolos em casa (faço com farinha integral e açúcar amarelo) e não comprar já feito.
Vou substituir a farinha de trigo (mesmo sendo integral) por outras farinhas (de amêndoa, alfarroba ou côco).
Vou deixar de beber chá preto e talvez chá verde (por causa da cafeína) e beber apenas chás de ervas. E muita água.
Do vegetarianismo ficou-me uma maior consciência do sofrimento dos animais que são criados em condições terríveis para a nossa alimentação. Como não quero contribuir para isso, vou começar a comprar carne e ovos biológicos - mesmo sendo mais caros.
Não consigo ler mais o rótulo dos ovos que costumo comprar, que falam em gaiolas melhoradas - essas gaiolas melhoradas têm que ter uma área mínima de 750 cm quadrados por galinha. Isto corresponde a um quadrado com menos de 28 cm de lado - por galinha... Não, eu quero ovos de galinhas felizes, criadas ao ar livre!
Adorei este post da Ema (e todos os outros posts dela sobre produtos biológicos) - diz ela: "De qualquer maneira se este é o preço (2.44€ por 6 ovos) para não cortarem o bico às galinhas que põem os ovos que como, nem para as encafuarem em espaços mínimos e fechados, nem para matarem os pintainhos machos de formas horríveis, eu aceito-o." E isto resume o que eu penso. Vamos ver como corre...