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16/06/2015

Yoga, crianças, vegetarianismo... respostas a algumas questões

Às vezes recebo emails e comentários de leitores que querem saber mais sobre o meu percurso no yoga, sobre a prática de yoga dos meus filhos, e sobre a minha alimentação.

Um desses emails tocou-me bastante, pois descreve o blog de uma forma muito simples, mas que revela uma grande compreensão acerca de mim. Escreve a Sofia: 

Gostaria de a congratular como autora do interessante blogue The Busy Woman and the Stripy Cat que acompanho, de há uns meses a esta parte, e considero verdadeiramente inspirador. Trata-se de um espaço onde emana o desejo constante de aperfeiçoamento pessoal, desempenhando o yoga e a meditação um papel determinante, com uma tónica acentuada nos campos interrelacionados da organização e da gestão do tempo. A força de vontade e a determinação que manifesta, numa linha de fazer sempre mais e melhor, movem-me a seguir em idêntico trilho. 

A Sofia continua e pergunta-me com que idade é que os meus filhos começaram a praticar yoga e se eu notei diferenças no seu comportamento.

Eles começaram a praticar pouco depois de eu ter começado, deviam ter 6-7 anos (agora têm 9 e 10). Nunca fizeram aulas regulares, mas fazem um pouco aqui e um pouco ali. De vez em quando fazem em casa, às vezes vão a aulas fora de casa. 

O que eles fizeram de forma regular durante todo este ano letivo foi meditação para crianças, num formato de aulas individuais, uma vez por semana, com a professora que escreveu este livro. Ao mesmo tempo, fazia (e faço) meditação com eles em casa, que consiste basicamente em contar histórias que eles visualizam. É como uma viagem dentro das suas cabeças. Eles gostam muito. 


O que eu faço mais com eles são ensinamentos informais. Tento que eles vivam o yoga no dia a dia. Conto histórias com uma moral por trás, como esta, e já sabem melhor que a maior parte dos adultos quem foi o Buda e conceitos como karma e dharma. Falando em termos de Yoga, tento transmitir-lhes os Yamas e Niyamas, mais que o Asana. As aulas de yoga para crianças são, na sua maioria, brincadeiras, e, por agora, prefiro ensinar-lhes valores morais. Eles já fazem muito desporto, portanto prefiro que a sua prática de Yoga seja mais calma e interna. Já os ensinei a respirar como deve ser, e a parar, fechar os olhos e focarem-se na respiração para acalmar. 

Mais importante ainda, sobretudo, para crianças que têm sempre coisas para fazer e estão sujeitos a distrações vindas de todos os lados - tento ensiná-los o dolce fare niente. Fazer nada. Serem capazes de estar, sem precisar de fazer. Este é o treino mais difícil...

A Sofia pergunta-me também acerca da minha passagem pelo vegetarianismo. Escreve ela:

Sinto, há longo tempo, um apelo para me tornar vegetariana, ou melhor, para abolir a carne da minha dieta alimentar, mantendo, contudo, algumas refeições semanais de peixe e o consumo de produtos lácteos. Tenho uma amiga próxima que, ao fazê-lo, sentiu falhas de memória e teve, segundo o seu testemunho, de passar a ingerir alguma carne de aves. Acha que, para evitar riscos, deveria recorrer a um nutricionista especializado na área? Gostaria de, a propósito deste tema, conhecer melhor a sua perspectiva – encontrei alguma informação no blogue. Tornou-se vegetariana gradualmente? De início, sentiu alguns efeitos colaterais? Toma algum suplemento alimentar?

Eu fui vegetariana durante pouco tempo, uns 3-4 meses apenas. Durante esse período tive vários problemas, o maior deles a sensação de inchaço no estômago, e até engordei um pouco. Voltei a comer carne e fui pesquisando o que é que me faz sentir bem, com energia, o que é que me faz engordar, o que é que me faz sentir inchada... Percebi que, embora adore feijões e lentilhas, só posso comê-los de vez em quando. Percebi que o que não me deixa emagrecer é sobretudo o muito arroz que como (adoro arroz). Percebi que prefiro muito mais almoçar um peixe grelhado com salada do que uma lasanha vegetariana.

Percebi também que gosto dos alimentos pouco ou nada processados. Quanto mais próximo do seu estado natural, melhor. Agora, sigo mais ou menos a alimentação do paleolítico, com muita fruta, hortaliça, sementes e frutos secos, carne, peixe e ovos, e nenhuns (ou muito poucos) açúcares, hidratos de carbono complexos (pão, arroz, massas, cereais) e grãos que me fazem inchar. Gosto de comer bem e não ficar com aquela sensação de inchada depois das refeições.

um almoço no trabalho - restos de carne bolonhesa com pepino e tomate

Como em tudo na vida, penso que isto da alimentação é uma questão de bom senso. Devemos comer aquilo que nos faz sentir bem, que nos dá energia, que nos torna mais saudáveis. Claro que para sabermos que alimentação é essa, há que experimentar... Houve uma altura em que apontava na agenda tudo o que comia, e assim podia associar determinada disposição a determinados alimentos.

Já ouvi dizer, de professores de yoga vegetarianos, que a prática de yoga acaba por tornar uma pessoa vegetariana. Permito-me discordar. Para mim, a prática de yoga permite conhecermos melhor o nosso corpo e assim conseguimos ouvi-lo melhor. Com o yoga, sabemos mais facilmente o que é melhor para nós.

Essa ideia que um bom yogi tem que ser vegetariano está errada. Nem o Buda era vegetariano, nem obrigava os seus monges a sê-lo. O Dalai Lama não é vegetariano. De acordo com o Budismo, não há formas de vida superiores a outras; ao comer uma planta, estamos a matá-la. Este assunto é polémico, e este video aborda o conceito da não-violência e da compaixão de forma muito clara.

Portanto, eu como aquilo que me faz sentir bem! E acho que é isso que todos deveríamos fazer, independentemente das expectativas, do comportamentos dos outros, e dos rótulos que nos atribuímos ou nos atribuem...


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20/12/2013

A lição de Ganesha

Relembrar a lição de Ganesha era uma das actividades do meu calendário do Advento. A lição de Ganesha é uma história que às vezes conto aos miúdos, que ensina sobre a bondade e a não-violência.

Já agora, Ganesha é uma divindade hindu muito querida dos yogis, pois é o removedor de obstáculos. Ganesha, o deus com cabeça de elefante, é filho de Shiva e foi o próprio Shiva que, acidentalmente, lhe cortou a cabeça e substituiu-a pela cabeça de um elefante.


Aqui fica a lição de Ganesha...

Um dia, um menino com cabeça de elefante chamado Ganesha foi brincar no bosque do monte Kailasa, onde vivia. Ganesha era um menino travesso e adorava correr, brincar e fingir que era um forte guerreiro.

Um dia, Ganesha levou o seu arco e flechas de brincar para o bosque. 
"Hum, o que é que vou caçar hoje?", pensou ele. Então, ele viu o seu pequeno gato branco e foi atrás do bicho. Ganesha começou a lançar flechas em direcção ao pobre gato, que fugiu cheio de medo. Mas Ganesha pensou que o gato estava a divertir-se. Foi então atrás dele e encontrou o pequeno gato encolhido e assustado atrás de uma árvore.

"Aha, encontrei-te!" gritou Ganesha, e começou novamente a atirar as flechas em direcção do pobre animal. Mas o gato, aterrorizado, fugiu. Mais uma vez, Ganesha foi atrás dele, encontrou-o escondido debaixo de um tronco e desta vez apanhou o gato, esfregou-lhe o focinho na terra suja e jogou-o ao ar. Mas o gato lá conseguiu fugir e Ganesha não conseguiu mais encontrá-lo.

"Bom", disse Ganesha, "isto não é divertido...". E voltou para casa.
Quando chegou a casa, Ganesha viu a sua mãe, Parvati, e parou de repente. Parvati estava suja de lama na cara e nas mãos e arranhões nos braços.
"Mãe, o que é que te aconteceu?", perguntou Ganesha.
Parvati olhou para si própria e disse "Não sei... Foste tu que me fizeste isto?"
"Eu??", exclamou Ganesha. "Claro que não!", afirmou. Mas então, Ganesha baixou os olhos e disse: "Oh, mas sabes uma coisa? Hoje fui mau para o nosso gato..."

"Ah!", exclamou Parvati. "Agora percebo. Sabes, Ganesha, eu sou todo este mundo. O meu corpo é toda a Terra. Sempre que fazes alguma coisa, fazes a mim também. Sempre que magoas a Terra, magoas-me a mim também. Eu era esse pequeno gato. Então, tudo o que lhe fizeste, fizeste a mim também."
"Oh, agora percebo", disse Ganesha. "Todas as minhas acções têm importância. Peço imensa desculpa, mamã. Não voltarei a portar-me mal."

"É impossível nunca fazermos mal", disse Parvati, "mas podemos prestar muita atenção ao que fazemos e assim fazer o menos mal possível."
Ganesha agradeceu à sua mãe pela lição e foi brincar de novo com o pequeno gato, mas desta vez sem o arco e as flechas...


Depois de ler a história aos miúdos, faço algumas perguntas para reflectirmos sobre o tema:

>> Como é que podemos ter consciência das nossas acções? Como é que sabemos que efeito é que as nossas acções têm nos outros?

>> Dá exemplos de causa e efeito. Se passares um sinal vermelho, o que é que te acontece? Se lutares com alguém em vez de fazeres as pazes, o que é que acontece?

>> Como é que fazemos mal a nós próprios, através de pensamentos negativos, más escolhas, etc.? Como é que podemos ser bondosos para nós próprios?

>> Conta uma história sobre como as tuas acções tiveram um bom ou mau resultado, ou como é que foste mau para ti próprio no passado.


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Posso pedir-te um favor? Preparei um pequeno questionário para saber o que é que os leitores querem ver no blog em 2014... se o preencheres, é uma grande ajuda! Muito obrigada!

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15/05/2013

Relaxamento para crianças

Hoje em dia as crianças vivem dias agitados com a escola, as actividades extracurriculares, a sua vida social (muitas vezes mais activa que a dos pais)... Os meus filhos chegam muitas vezes a casa cansados, desmotivados e só querem sentar-se em frente à televisão. Como sou apaixonada pelo yoga, tenho feito algumas posturas (asanas) com eles. À noite, antes de dormir, fazemos uma sessão de relaxamento que envolve algumas asanas simples e um pouco de meditação. A meditação para crianças é diferente da meditação que os adultos geralmente fazem. Não é pôr as crianças a observar a sua respiração nem a entoar o OM. É com exercícios de visualização - histórias em que eles são os protagonistas.

Em primeiro lugar, a criança deita-se na cama de barriga para cima para fazer algumas asanas simples, que mantém durante alguns momentos. Aqui está um dos meus filhos a demonstrá-las.

1. Joelhos ao peito - com os joelhos juntos, puxá-los em direcção ao peito e abraçar com os braços.

2. Bebé feliz - a criança agarra os pés pelo lado de dentro e abre as pernas, levando os joelhos em direcção ao chão.

3. Pés ao alto - levar as pernas para o alto; também pode usar-se a parede para encostar as pernas.

4. Shavasana - pose de relaxamento com as pernas estendidas e os braços ao longo do corpo, todo o corpo relaxado. A criança fica nesta posição durante a história.

Depois destas posturas de relaxamento, chegou a vez da história. No quarto fica apenas uma luz suave (para que eu consiga ler a história) e gosto de pôr música a tocar. Adoro este album Indigo Dreams: Kid's Relaxation Music (há excertos no you tube e o album completo no Spotify).

Aqui fica uma história (adaptada deste livro), que deve ser lida pausadamente com uma voz calma e relaxada.

Um dia na praia

Imagina que estás na praia, a caminhar na areia. Sente a areia quente nos teus pés. A areia está seca ou molhada? Aproxima-te da beira-mar e continua a caminhar, sentido a água salgada a molhar os teus pés e pernas. De vez em quando páras para observar as conchas que o mar traz consigo. Apanha um concha e observa-a. Leva contigo a concha e continua a andar pela praia.
Agora encontraste um sítio bonito na praia e estendes a tua toalha na areia. Deita-te na toalha e sente o sol quente na pele. Sentes também uma leve brisa, suave e refrescante.
Ouve as ondas a rebentar na praia. Ouve as crianças que brincam lá ao fundo, divertidas, e ouve as gaivotas que cantam. Ouve o som das ondas do mar. A onda vem até à costa e depois volta para trás, para o oceano. 
Continuas deitado na areia. Agora, coloca a mão na tua barriga. Sente a barriga a subir quando o ar entra pelo teu nariz. Sente a barriga a descer quando o ar sai. Para cima, para baixo, tal como as ondas do mar.

No fim da história, a criança permance na cama e eventualmente acaba por adormecer...


namaste,
Rita

25/03/2013

Meditação e yoga para crianças



Desde que comecei a meditar que queria pôr os meus filhos a fazê-lo também. As vantagens da meditação são inúmeras, tanto para os adultos como para as crianças. Acalma as crianças hiperactivas, as que têm déficit de atenção conseguem concentrar-se melhor, a auto-estima e confiança são desenvolvidas e, basicamente, tal como nos adultos, a meditação torna as crianças mais felizes.
Mas pôr as crianças a meditar não é fácil. Não posso dizer-lhes para se sentarem de olhos fechados e focarem-se na respiração.
Comecei por ver vídeos no youtube que sugeriam, por exemplo, usar um animal como foco da meditação, ou seja, a criança visualiza um animal e repete, para si, o seu nome. Depois descobri o livro "Meditação para crianças" da Isabel Leal (comprei na wook), que traz um cd com meditações guiadas e ainda outras sugestões de meditações para os miúdos. Agora ponho os meus filhos a meditar com o cd. Os resultados são positivos. Um mais calmo, o outro mais concentrado. Meditam antes de ir dormir e às vezes antes de fazer os trabalhos de casa. Quero começar a fazer de manhã antes de irem para a escola. As meditações são curtas, mas até a mim me fazem bem (quando eles meditam com o cd, eu medito com eles).

Queria também iniciá-los no yoga. Em Faro não abundam aulas de yoga para crianças (nem para adultos), mas lá encontrei um sítio com uma aula com horário compatível. Eles foram experimentar. Um dos miúdos, o mais energético, veio de lá parecia outro... super calmo... Adorou a aula e quer começar a ir todas as semanas. O outro miúdo, o mais calmo, achou o yoga uma seca... Vá-se lá perceber isto... 


E tu, os teus filhos fazem yoga e meditação?
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