12/06/2013

Como acordar cedo

A premissa é simples: quem se levanta cedo tem mais tempo para fazer o que quer. Este fenómeno e as suas implicações têm gerado livros, blogs, cursos, workshops e até estudos científicos - tudo para que possamos adquirir o hábito de sair da cama quando toda a casa ainda dorme.

Para acordar cedo, pôr o despertador não basta. O espaço em que dormimos, a hora a que nos deitamos na noite anterior, a motivação para sair da cama e outros fatores, são bem mais importantes que o despertador.

Em primeiro lugar, torna o teu quarto num espaço relaxante, confortável e convidativo. Mantém apenas a mobília necessária (eu nem mesas de cabeceira tenho) e remove toda a tralha que está à vista (e a que está escondida também). Decora o quarto com cores relaxantes, como azul, roxo e verde (o meu é muito branco com algum cinzento). Usa roupa de cama confortável; eu prefiro um edredão de penas leve do que mantas e colchas pesadas. Visto que passas cerca de um terço da tua vida na cama, escolhe bem o colchão e a almofada, e substitui-os sempre que necessário. Antes de te deitares, verifica a temperatura do quarto, que deve ser agradável, nem demasiado quente nem muito fria. Podes também pulverizar a almofada com óleo essencial de alfazema ou colocar um saquinho de alfazema junto da almofada. E, claro, mantém o quarto sempre limpo, não esquecendo de aspirar e virar o colchão com regularidade.

A maioria de nós cresceu com o conhecido provérbio deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. Deitar cedo parece ser condição sine qua non para acordar cedo na manhã seguinte. No entanto, sempre me pareceu uma perda de tempo ir para a cama, tentar dormir, quando não tenho sono. Prefiro ouvir o corpo e ir para a cama dormir apenas quando começo a sentir sono, não antes. De qualquer modo, cada pessoa sabe mais ou menos quantas horas de sono precisa para acordar bem. Eu fico bem com 7-8 horas de sono, mas há quem precise mais e outros, sortudos, que precisam de menos horas. O conceito das 8h horas de sono por noite está muito enraizado, mas estudos mostram que a taxa de sobrevivência é superior nas mulheres que dormem entre 5 e 6 horas e meia por noite (Kripke et al., 2011).

Quando o despertador toca, deves ter boas razões para sair da cama. É que não faz sentido nenhum levantar cedo para não fazer nada... Temos que ter alguma coisa de que gostamos muito para fazer, algo que é mesmo a nossa paixão, para termos força para sair da cama. Caso contrário, continuamos lá. Isso, para mim, é escrever e praticar yoga.

E assim, quando o despertador toca, e tendo boas razões para saires da cama, é mesmo isso que deve acontecer: sair da cama quando o alarme toca. É tão simples quanto isso. Não devemos tentar racionalizar, não devemos pensar em desculpas para continuarmos na cama, não devemos pensar, ponto. Devemos sim sair da cama (é melhor pôr o alarme longe da cama) e não voltar. Eu sei que é difícil... Eu levanto-me, vou à casa de banho e muitas vezes arrasto-me para a cama outra vez... e adormeço.

Quando não volto para a cama e consigo realmente ficar a pé, começo a trabalhar imediatamente na minha paixão. Deixo o computador na sala, ligo-o, vou à cozinha fazer uma chávena de chá de ervas (já não bebo chá preto e não bebo café), sento-me no sofá e escrevo. Não consigo fazer yoga logo quando acordo pois o corpo está demasiado rígido. Não me ponho a limpar a cozinha, não me visto, não ligo a televisão. Foco-me naquilo que realmente gosto de fazer, no motivo que me faz levantar tão cedo enquanto toda a gente está quentinha e confortável a dormir.

E não há dúvida que os dias em que me levanto cedo correm sempre melhor!

Se quiseres ler mais sobre isto do acordar cedo, podes ver outros outros posts que escrevi sobre o assunto e livros que li (links afiliados, grata pelo apoio):


Early to rise, Andy Traub

10/06/2013

Porquê acordar cedo

Todos nós já ouvimos dizer que as pessoas que se levantam cedo são mais produtivas e têm tempo para tudo. Muitas pessoas bem sucedidas em áreas distintas, quer nos negócios, na ciência, ou nas artes, levantam-se cedo. E levantar cedo significa levantar bem antes da hora limite a que teríamos que levantar para sair de casa a horas.

A jornalista americana Laura Vanderkam no seu livro “What the most successful people do before breakfast” afirma mesmo que antes do resto do mundo tomar o pequeno-almoço, já as pessoas de maior sucesso fizeram o suficiente para ganharem o dia. De acordo com Vanderkam, a força de vontade, o otimismo e a energia são maiores de manhã, fazendo deste período o ideal para nos dedicarmos a tarefas que requerem uma maior motivação interna, como exercício físico, meditação, ler, escrever, ou qualquer outra atividade que é importante para nós, mas não é urgente nem esperada ou recompensada pelo mundo exterior.

Eu sempre me senti imensamente atraída pelo conceito. Levantar-me cedo, antes dos miúdos, e ter tempo para mim, para escrever, para beber chá calmamente, e até para fazer exercício físico, parecia a solução para a falta de tempo que muitas vezes sentia e para contrabalançar um dia a dia de correria. O minimalismo acabou com as correrias e o levantar cedo trouxe-me, de facto, mais tempo.

Dependendo da vontade, ou da preguiça, a alvorada dá-se agora entre as 5 e as 7 da manhã, quando a minha hora limite para sair da cama e começar o dia é às 8. Mas não foi fácil. É sobretudo difícil nos dias frios e escuros de inverno, mas muito mais fácil no verão. (e após umas semanas de grande preguiça, as coisas estão a melhorar...)

Os madrugadores aprenderam a vencer a preguiça e a optimizar o seu organismo para acordar antes das outras pessoas. Os madrugadores trabalham, relaxam, fazem desporto, têm tempo para si e, sobretudo, não se queixam de falta de tempo como o resto do mundo - tudo porque levantam-se cedo e aproveitam bem essas horas extra em que ainda não há distrações, nem solicitações, nem emails a cair na caixa de entrada, nem crianças a pedir o pequeno-almoço, nem chefes a exigir um qualquer relatório. Quem se levanta cedo ganha algumas horas diárias de tranquilidade - e quem é que não quer isso neste mundo agitado em que vivemos?

07/06/2013

Começa o estudo sério...

... dos textos clássicos do Yoga.

Primeiro, o Bhagavad Gita, que tenho que ler para um curso que vou fazer.


Depois, o Yoga Sutras de Patanjali.

Estou mesmo de alma e coração nisto.

A vida simples de pessoas reais - Tânia


Já sei que o minimalismo é uma corrente de pensamento e estilo de vida muito na moda por estes dias. Supreendente? Não. A crise, esta palavra que já não tem significado de tantas vezes proferida, é mãe de muitas desgraças, mas inovadora em muitos aspectos.

Como a minha mãe dizia há uns dias atrás, a crise é um mal necessário, porque os bens materiais estavam a ser idolatrados demais, a correria aos empréstimos para mostrar que se pode ter um carro, um apartamento ou casa num local em que os preços fossem exorbitantes... Enfim, não se pode negar que é uma verdade este stress todos apenas por coisas, coisas essas que devem ser úteis e não a razão de ser de cada um.

Não concordo totalmente com a minha mãe. A crise nunca é necessária, mas quando estamos apertados e com medo, ou quando algo não corre tão bem, recorre-se aos neurónios para processar a informação e aí então pensar nos traços que queremos desenhar na nossa vida. Pensa-se umas vezes que a vida é curta, outras vezes que a vida é longa demais e que a partir dos 30 é complicado, com os filhos, com a pressa de amealhar para ter uma vida sossegada quando as rugas minarem os nossos rostos.

O minimalismo é uma tentaiva de acalmar a vida, de nos livrarmos das coisas que não nos fazem falta, se possível através da doação desses mesmos artigos a quem mais precisa ou da reciclagem de materiais já sem vida. O minimalismo é meu amigo há muito tempo, sem que eu o percebesse. Ter coisas para mim é um stress. Arrumar, limpar. Depois acresce aquela sede de viajar e ter a noção que quando viajo, fica tudo para trás, indo apenas o essencial.

Vai comigo a roupa mais confortável, os livros mais úteis e interessantes, o computador, o calçado mais confortável e mais adequado para o local de destino. No fundo, vão connosco os objectos que nos servem da melhor forma, física e espiritualmente. E são esses objectos que devemos ter na nossa casa. Felizmente os bibelôs estão a sair de cena. Já não se usam naperons para ganhar pó. As molduras com fotos? Essas ainda estão na moda, mas eu prefiro colar na parede de forma a não danificar. De vez em quando limpo as paredes, colando essas imagens num caderno preto simples de supermercado, ficando aí a tralha organizada, mas de forma mais compacta que as molduras que, com o tempo, se fundem com a fotografia, impossibilitando a sua reutilização, sob pena de rasgar tal memória tão querida. Livros? Uso o kindle, mas não compro livros. Ainda. Porquê? Ainda tenho tantos para ler! Não compro mais literatura de entretenimento até acabar de ler todos os livros físicos que tenho. Depois de os ler, ficam apenas os muito bons e os clássicos. Os livros que não ficam cá no coração, seguem caminho. Trocas, doações, etc.

O minimalismo é simplificar. E há muito que sigo pelas receitas mais simples (muita soja e legumes), pelas roupas mais simples, pelas tardes de domingo mais simples como pegar numa bicicleta ou caminhar ou, quando chove, ver um filme, escrever ou fazer malha ou tricot! É bom para o stress e poupa-se no guarda-roupa. Barato e personalizado.

O minimalismo é libertar tempo e espaço e está aliado à ecologia. Libertar tempo e espaço para o que mais gostamos. E é uma caminhada contínua. 

Como conclusão, a minha vida mudou quando racionalizei e tomei consciência desta forma de vida: quando encontrei o blogue da Rita. Todos os dias o visito para me inspirar e não saberia escrever este texto se não fosse por o ter lido desenfreadamente e aplicado o melhor que pude à minha vida. Aperfeiçoei a minha organização e tornei-me mais produtiva. Destralhei mais e arrastei comigo alguns amigos para a mesma corrente. Obrigada Rita! Que recebas a dobrar tudo o que de bom tens partilhado.

Tânia


~

Queres participar? Envia-me um texto a contar a tua jornada em direcção a uma vida mais simples para o email rita (at) busywomanstripycat.com, com o assunto "guest post". Obrigada!

04/06/2013

Soul Seeker - em busca da alma

Soul Seeker é um programa do Travel Channel apresentado por Jo Sinnott. Foram realizados 5 episódios que têm passado no nosso Travel Channel (a Meo tem, a Zon não sei). 

Nestes 5 episódios, Jo Sinnott viaja pelo mundo para experimentar várias disciplinas antigas e modernas, como o yoga e o tai chi, que prometem bem-estar físico, mental e espiritual. Escusado será dizer que adorei o programa da primeira vez que o vi, há já vários meses, e gravei-o agora que voltou a dar na tv.

No primeiro episódio, Jo viaja até à Índia para explorar o mundo dos ashrams e aarti; na Índia, Jo pratica yoga, medita, entoa cânticos e assiste a cerimónias hindus. 

aula de yoga para crianças na Índia

O segundo episódio leva Jo até à Isle of Wight, onde participa num revolucionário bootcamp onde corre descalça, nada nas águas frias do sul da Grã-Bretanha e come refeições feitas apenas com ingredientes recolhidos na ilha.

fitness na praia na Isle of Wight

O terceiro episódio é o meu favorito. Jo viaja até à California à procura da derradeira experiência alternativa. A viagem começa em Santa Monica, onde há mais estúdios de yoga que bares e discotecas... Jo conhece um yogi do riso em Palm Springs que põe toda a gente a rir e bem disposta, e parte depois para Ojai, onde encontra uma comunidade New Age a viver na mesma casa, partilhando recursos e comendo comida crua. Jo segue viagem até Sierra Mountains para participar num retiro de yoga (foi a minha parte preferida). Finalmente, Jo vai até San Francico e junta-se a um jam de acro yoga (yoga + ginástica acrobática).

yoga nas montanhas da California

No quarto episódio, Jo viaja até a uma ilha grega para para umas férias holísticas, onde se envolve nas actividades diárias da comunidade e desenvolve a sua criatividade, escrevendo canções e cantando. Por fim, o quinto episódio leva Jo até à China, o lar espiritual do Tai Chi, uma arte marcial omnipresente na China, que é praticada tanto no campo como nas grandes cidades.

Tai Chi na China

Isto tudo para dizer que aconselho vivamente esta série, para quem gosta destas coisas. É capaz de passar mais vezes no Travel Channel, por isso fiquem atentos!

03/06/2013

Abrandar ao fim de semana...

... e trocar o carro pela bicicleta. 
Foi o que fizemos no fim de semana passado. Fomos para Monte Gordo e a vida desacelerou. 

Saímos de Faro no sábado à tarde, depois de um dia intenso com jogo de futebol de manhã, jogo de futebol à tarde e festa de anos. Os miúdos ficaram em Faro. Fomos de carro pela quase vazia Via do Infante (o trânsito diminuiu consideravelmente desde que foram introduzidas as portagens). Fomos devagar - só nós os dois, sem coisas marcadas para mais tarde, sem pressa em chegar. Estacionámos o carro à porta de casa, tirámos as bicicletas e a pouca bagagem que levámos, e só voltámos a abrir o carro no dia em que fomos embora.

Andámos sempre de bicicleta. Fomos de bicicleta para todo o lado. Porque na zona de Monte Gordo - Vila Real de Santo António há condições para isso. 

Há ciclovias dignas desse nome.


Há estacionamento para as bicicletas na rua, no supermercado (na foto, o Lidl de VRSA), à porta do nosso prédio, até na praia, na areia!!



Fomos à praia, apanhámos sol, olhámos para o oceano, pedalámos muito, descansámos e até vimos alguns filmes do Gendarme de Saint-Tropéz. 


Na fila do Lidl, o senhor à nossa frente insistiu para que passássemos à sua frente, que nós tínhamos pouca coisa, mas nós agradecemos e recusámos - não há problema, não estamos com pressa...


A vida abrandou mesmo. 

O meu dia a dia já é bastante relaxado, mas mesmo assim ainda dou por mim a andar depressa demais e demasiado preocupada com as horas. Como fazer para viver devagar sempre? Viver devagar no dia a dia, todos os dias? Tenho pensado bastante nestas e noutras questões... ver se passo as minhas reflexões para o papel... ou para o teclado do computador...

31/05/2013

A vida simples de pessoas reais - Cristina


Há alguns anos para cá comecei a seguir alguns blogs sobre minimalismo, principalmente depois da crise do subprime nos EUA. Nada como uma cultura extremamente consumista como a americana para nos mostrar o que é o consumismo absurdo e extremo (alugar armazéns para guardar coisas que nunca se usam?!). Com o subprime, muitas pessoas perderam o seu poder de comprar, já para não falar das suas casas (e respectivos armazéns alugados). Começaram a surgir imensos blogs sobre finanças pessoais, expressões como decluttering, e a admiração por filosofias como a frugalidade e a vida simples.

Fiquei fascinada pela alteração tão profunda de mentalidades, pelas boas intenções que todas estas pessoas tinham,  deixar o lado mais material da vida e dedicarem o seu tempo, espaço e dinheiro ao que realmente importava.
Se assistir a todas essas experiências me influenciou? Sim. Se me fez moderar os hábitos de consumo e mudar de atitude? Claro que não.

Existe sempre mais uma peça de roupa, mais um par de sapatos, mais uns pratos de cozinha azuis giríssimos a juntar aos 30 que já tenho (eu vivo sozinha), mais um livro para as estantes. Um absurdo. E por mais vendas de Ebay que eu fizesse àquele guarda-fatos, por mais coisas de cozinha que "oferecesse" à minha mãe, a minha casa de 30 (?!) metros quadrados estava sempre cheia, cheia de coisas.
Até que a vida se encarregou de me dar uma lição.

Vim parar à Àfrica. E ao final de 8 meses posso já notar umas diferenças...
Neste momento vivo numa casa de 200 m2 (acho) que está, digamos... arejada. Tenho 2 divisões vazias. Saber que temos de voltar para Portugal e que apenas podemos levar uma mala de 30 quilos limita-nos um pouco as coisas em que queremos gastar dinheiro porque, depois, não as podemos trazer no regresso.

Um sofá. Uma televisão. Uma secretária com a sua cadeira. Não há candeeiros, quadros, cortinados. Na cozinha, para mal dos meus pecados, ofereceram-me uns copos na mesma semana em que tinha comprado os meus. 6 cadeiras, 6 pratos, 6 copos, 6 conjuntos de talheres - o suficiente para dar uma jantarada simpática. Terrinas de servir? Não, temos os tachos. "Ah e tal... olha estes pratos tão giros...." "Não!".
Esperem: pratos giros viram-se na África do Sul, porque onde estou, em Moçambique, não há lojas. Há uma ou outra loja do chinês, uma ou outra drogaria, mas nada que nos dê propriamente vontade de "ir às compras". E nada melhor do que refrear um instinto consumista do que.... não ter lojas!

Roupa: uso 10% do que trouxe. Saltos altos? Impossível. Os passeios são praticamente inexistentes e há demasiada areia e pedras para se conseguir andar de saltos sem se estragarem. Os pés e os sapatos. E há sempre tanto calor e tanta humidade no ar que apenas as roupas mais leves são toleráveis. Para trabalhar aqui é sempre casual friday. Resultado: já dei imensa roupa que trouxe para cá. E também não há cá Zara e afins, por isso... no shopping.

Livros? Desde que tenho um Kindle que a minha vida mudou. E ainda bem: que se quisesse comprar aqui livros tinha de pagar 30 ou 40 euros por um titulo que na Fnac custa 15. Para além de que a oferta é extremamente limitada... Quero ler alguma coisa, faço download (a Amazon tem imensos títulos gratuitos, por exemplo) e fica dentro do meu Kindle, arrumadinho, sem ocupar espaço. Para quem tem mais de 1000 livros em casa e outros tantos em casa dos pais, é realmente revolucionário. 

Comida. Existem imensos legumes e frutas frescas. Mas tudo o que é embalado e não é feito cá é caríssimo - tudo tem de ser importado. Moral da história: menos ingredientes, menos complicações a preparar refeições e, neste caso, mais saudável! Minimalismo culinário é algo de fascinante.

Por isso, passados 8 meses, posso dizer que algumas coisas se alteraram: consigo viver sem os meus 30 pares de sapatos e sem o meu guarda-fatos proibitivamente grande. Sem a minha cozinha cheia de gadgets. Sem Fnac. Passei a gostar da decoração clean e despojada de uma casa sem móveis. Basicamente, passei a gostar de viver com muito menos.

Em dois meses vou regressar a Portugal. Se vou continuar a viver assim, com esta vontade de viver com pouco? Duvido muito: não nego que estou cheia de ganas de mergulhar de cabeça numa Zara. Ou em qualquer centro comercial. Em saltos de 10 centímetros. 

Mas não nego que há coisas que se alteraram: a sensação de leveza e de liberdade que se ganha. Porque temos menos coisas às quais temos de olhar, arrumar, dar atenção e dedicar tempo. É inegável. E isso não quero, decididamente, deixar de ter.

Cristina

~

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30/05/2013

As superfícies horizontais atraem tralha

É mesmo. As superfícies horizontais são como ímans para a tralha. Quanto maior a superfície, maior a quantidade de tralha que lá se acumula. Não acreditas? Olha em redor. Olha para a tua mesinha de centro. Para a mesa de jantar. Para as mesas de cabeceira e as cómodas da roupa. 
Eu tenho tentado diminuir a quantidade de coisas que se vão instalando nas superfícies horizontais cá de casa. 

Já não tenho mesas de cabeceira. A roupa interior que tinha nas gavetas das mesinhas coube numa cómoda grande que substituiu 1 cómoda e 2 camiseiros (muita roupa foi fora, claro). As poucas coisas que preciso junto de mim durante a noite cabem perfeitamente nos bed pockets que fiz.


E o candeeiro de leitura não precisa de uma superfície horizontal...


Outra superfície que acumulava tralha (copos, pratos, brinquedos, livros, etc.) era a mesinha de centro da sala. Cheguei a ter uma mesa grande, com prateleira por baixo...


que foi substituída por uma mesinha mais pequena...


que foi substituída... por nada.

(ok, a sala parece mais feia aqui, mas esta foto foi tirada com o telemóvel...)

Já não tenho a mesa para pôr os pés, mas agora ponho-os ou na parte da chaise-longue do sofá ou na bola de pilates (que é muito mais confortável que a mesa). Os copos e pratos colocamos num tabuleiro com pés que está ao lado do sofá. Os livros, brinquedos e outras coisas que ficavam em cima da mesa... são arrumados depois de usados.

Mais recentemente, tratei de outra superfície horizontal que me preocupava... pois era tão grande que facil e rapidamente se enchia de papéis meus, desenhos dos miúdos, lápis, canetas, material de costura e por aí fora... a minha secretária.
A minha secretária era um tampo de mesa de jantar que foi pintado de branco, levou umas pernas novas e assim foi convertido em secretária. Era grande, pois eu queria espaço para o portátil e para a máquina de costura. Mas, claro, rapidamente apercebi-me de que não precisava de tanto espaço horizontal. E esse espaço a mais era um íman de tralha.

Assim, a minha secretária enorme...


foi substituída por um tampo muito mais pequeno... 


igual às secretárias dos meus filhos.


Outra superfície horizontal que desapareceu já há algum tempo foi esta prateleira no hall de entrada...


A prateleira era usada para colocar as chaves e esse tipo de coisas ao entrar em casa. O resto da prateleira servia para acumular pó.
Tirámos a prateleira, os quadros e pintámos o hall para tapar os buracos... (continuou cinzento)


Encurtei a almofada que tinha no banco e coloquei uma taça branca grande para servir de apanha-tudo. A prateleira de cima também já anda a incomodar-me, mas os camarões na parte inferior são muito usados para pendurar casacos e malas...
A parede está agora demasiado vazia (vê-se reflectida no espelho), mas queria aproveitar esse espaço para escrever e pintar a frase do Thich Nhat Hanh "Smile, breathe and go slowly". Essa parede é a primeira e a última coisa que vejo quando entro e saio de casa - seria, portanto, um bom lembrete para começar e terminar o meu dia...

E vocês, como estão as vossas superfícies horizontais?

28/05/2013

Duas ferramentas para organizar a vida

Eu já perdi a conta à quantidade de ferramentas, digitais e de papel, que já experimentei para organizar o meu dia, as minhas listas de coisas a fazer, os meus projectos... Há já algum tempo, porém, que uso apenas duas ferramentas e aquela vontade de experimentar coisas novas não se tem manifestado (felizmente).

Não são ferramentas novas nem desconhecidas nem complicadas. São o Google Calendar e o Google Tasks. As duas têm dois aspectos que me atraem muito: o design é simples e não têm muitas opções/definições. Mas como é que as uso?

Google Calendar

É a minha agenda. Não uso agenda de papel, mesmo a Moleskine de que tanto gosto. Agora que tenho um smartphone com internet, não preciso mais de andar carregada com papel. A agenda do google é suficiente para mim e para a família. Já não tenho não sei quantos calendários diferentes na agenda. Tenho um calendário para cada membro da família. Sim, um calendário para mim, com coisas pessoais e profissionais. Eu sou só uma, por isso não faz sentido dividir a minha vida em calendários diferentes...

Que tipo de coisas é que aponto na agenda? Compromissos, tarefas que têm que ser feitas num determinado dia, aulas de yoga, ginásio. A novidade na forma como utilizo o GCal é esta:


Comecei a usar o campo da descrição para apontar as tarefas de trabalho que tenho para esse dia.

Um dia típico no meu Gcal será qualquer coisa assim (dia inventado, só para terem uma ideia):


No topo, tarefas importantes para esse dia (dar a leitura da luz, pagar os almoços da escola, coisas desse género) ou lembretes (um dos miúdos não tem aula de ginástica, por exemplo).

Coloco as horas de trabalho (work) no Gcal e é lá dentro, na descrição, que aponto as tarefas para esse dia específico. Isto permite-me não me esquecer de pequenas coisas que tenho que fazer em certos dias, pois todos os dias de manhã (e na véspera, antes de sair) abro o Gcal para ver o que me espera. Não posso pôr um visto numca caixinha depois de completar cada tarefa, mas posso escrever OK à frente de cada tarefa - que é o que faço.

Como disse, cada um de nós tem um calendário e cada calendário tem uma cor diferente (o do J. é cinzento). Assim, visualmente, é mais fácil ver as actividades de cada membro da família (se bem que com o Gcal podemos escolher qual ou quais calendários queremos visualizar).


Google Tasks

Simplicidade é cada vez mais a palavra de ordem e, portanto, simplifiquei as várias listas que tinha no Gtasks (falei do Gtasks neste e neste post).
As primeiras quatro listas entendem-se - são listas de coisas para fazer, mas sem data específica. Não ordeno as coisas por prioridades nem objectivos. Quando se simplifica a vida e elimina-se o que não interessa, não se fica assim com tanta coisa para fazer que seja necessário ordenar as coisas por ordem de importância (eu sei bem o que é mais importante - o que não é importante, é mais certo ser eliminado). 

As duas listas seguintes são coisas de trabalho ou pessoais que têm que ser feitas numa data específica. No início do mês verifico a lista respectiva e agendo as tarefas no google calendar.

groceries list - sim, é a lista de compras. Usei o Out of Milk durante algum tempo, mas o Gtasks serve perfeitamente - e assim é menos uma app que tenho no telemóvel.

reading list - eu quero ler tantos livros, que tenho que fazer uma lista, não me vá esquecer de algum...

someday/maybe e waiting - funcionam como descrito no GTD, mas não as separo em listas diferentes por contextos. Em vez disso, uso dois contextos apenas (work e others) que coloco como tarefas e as coisas de que estou à espera ou que estou a pensar fazer um dia, como sub-tarefas:


 (como vêm, só estou à espera de coisas de trabalho... é o que dá simplificar...)

Além destas duas ferramentas, continuo fã do Gmail e do cronograma em excel para planear o trabalho a médio prazo. E é isto!
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