20/10/2019

O canto da tralha - versão 2019

Em julho de 2012 escrevi um post sobre o canto da tralha. Na altura tinha duas zonas em casa onde era possível acumular tralha - a arrecadação e um canto no escritório. Isto foi no início da minha vida minimalista e desde então o canto da tralha deixou de existir ou existe às vezes, mas temporariamente. 

Atualmente, tenho um canto da tralha na casa nova, além da arrecadação na cave (que tem alguma tralha que não devia ter, mas tem muito menos que a arrecadação da casa antiga, porque a nova arrecadação... tem metade do tamanho da antiga - menos espaço, menos tralha).


Este canto no corredor, à entrada do meu quarto, tem neste momento:

> Uma caixa de arrumação com roupa minha. Esta roupa não está a ser usada, nem sei se vou usar no futuro, e enquanto não me decidir, está na caixa. Resultou de um destralhamento recente ao roupeiro. Se a roupa não for usada ao longo do próximo ano, irá embora. A caixa, entretanto, deverá ir para a cave, para não atravancar o corredor. 

> Sacos de roupa e sapatos para dar. É só uma questão de levar os sacos para o carro e ir entregá-los, mas ainda não o fiz... 

> Um saco com livros escolares. Também quero dar, mas não sei onde...

> Aspirador. Desde que viemos para esta casa, que o aspirador está sempre aqui. O motivo é simples. Aspiramos a casa várias vezes por semana (3 gatos e 1 cão) e não vale a pena estar sempre a arrumar o aspirador... Poderia arranjar outro solução, como arrumá-lo no armário do hall (podes ver este "armário"no meu Instagram, no destaque Home sweet home, 4ª story - na verdade é um sistema de arrumação aberta Algot tapado com painéis), mas ainda não me deu para isso.

Hum, escrever este texto e tirar esta foto deu-me a motivação necessária para tratar deste canto da tralha!

16/10/2019

Construindo um armário-cápsula || As minhas regras

Ultimamente tenho lido muito (e visto muitos videos no youtube, sobretudo este canal) sobre roupa, sobre guarda-roupa minimalista e, claro, sobre o armário-cápsula. Quem acompanha o blog há muito tempo sabe que destralhar e minimizar a roupa foi sempre um grande desafio para mim. Ao contrário de coisas como livros, bibelots, louça, etc., ando constantemente a destralhar a roupa, porque continuo a comprar roupa que acabo por não gostar e/ou não usar (mas muito, muito menos que antigamente!!).

Outro problema é ter passado por vários estilos até encontrar o estilo que realmente é a minha cara. Aqui e aqui falei um pouco sobre a evolução do meus estilo (mas são textos já antigos... e a evolução continuou). Há já alguns anos que voltei para o preto, cinzento e branco. São as cores com que me sinto eu. Gosto de ser discreta e gosto de estar confortável - e com a idade vem a constatação de que cada vez me importo menos com regras e com o que os outros pensam ou com o que achamos que é esperado de nós. E fui desenvolvendo as minhas regras (ou seja, podes não concordar com nenhuma delas, nem tens de concordar com elas - é o que funciona, neste momento, para mim):

> Poucas cores. A maioria da minha roupa é preta, branca e cinzenta, e tenho algumas coisas em vermelho e azul, que combinam com o resto. Para que um armário-cápsula ou um guarda-roupa minimalista resultem, as várias peças de roupa devem combinar entre si; se tiver peças de cores muito variadas, isso é mais difícil...

Parece aborrecido... mas eu gosto!

Só uso jeans de cintura baixa - não gosto de medium-rise e muito menos high-rise. Acho horrível e desconfortável, e o rabo fica do dobro do tamanho. Low-rise only. Só consigo encontrar cintura baixa na Salsa. É caro, sim, mas de excelente qualidade. Neste momento tenho 3 calças de ganga (duas azuis, umas pretas) e quero adicionar umas brancas.
Low-rise jeans only!

> Poucos acessórios. Gosto da máxima da Coco Chanel "Before you leave the house, look in the mirror and take one thing off." Por exemplo, sempre foi impensável para mim usar brincos e colar (uma coisa ou outra), ou um colar comprido e um cinto, ou pulseiras nos dois braços, ou anéis nas duas mãos, ou brincos compridos com echarpes, ou echarpe com colar. Estão a ver a ideia? Menos é mais.

Num evento "bem vestido" com a magnífica Mafalda Ribeiro. Vestido preto, casaquinho preto porque foi em março e estava frio, sapatos de salto alto pretos, e um colar de pérolas. Nada de brincos, pulseiras, relógios, nada.

> Os sapatos devem combinar com a mala - exceto com roupa de cocktail/cerimónia, aí os sapatos devem combinar com o resto da roupa. Não cumpro sempre esta regra, mas geralmente, sim, se os sapatos são pretos, a mala é preta, se os sapatos são castanhos, a mala é castanha. Com sapatos de verão é mais difícil (por exemplo, tenho sandálias brancas, mas nenhuma mala branca), mas tento que as coisas sejam harmoniosas.

Uso duas cores no máximo. Preto e branco, preto e cinzento, branco e cinzento, e por aí fora. Custa-me muito usar mais que duas cores, a não ser que a terceira seja ganga (não conta), ou o castanho da mala e dos sapatos, ou ainda se as cores estiverem numa peça só (por exemplo, uma camisola ou sapatilhas estampadas, como na foto), ou se uma das cores for branco (como na foto). Mas usar qualquer coisa como calças pretas, blusa cinzenta e casaco azul, para mim não dá. Demasiada mistura. 

Calças pretas, top vermelho, sapatilhas de várias cores, incluindo preto e vermelho. A mala era preta e tinha também um blusão de ganga.


> Uso só um estampado de cada vez. Nem consigo conceber a ideia de usar, por exemplo, uma parte de baixo às riscas e uma parte de cima às bolinhas, ou misturar um estampado leopardo com um de tigre, nem que seja em peças mais afastadas, como umas calças e uma echarpe estampadas. É coisa que em 40 anos de vida nunca fiz nem me vejo a fazer. O que gosto e uso muito é, por exemplo, calças, blusa, sapatos e mala (e casaco, se houver) da mesma cor (geralmente preto) e uma echarpe estampada colorida para quebrar todo o preto.

> Sair da zona de conforto, às vezes. Às vezes meto-me em aventuras com alguma peça ou alguma cor. Para este outono-inverno, o que me fez sair da minha zona de conforto foi ter finalmente comprado uma peça que queria há muito - um trench coat (ou gabardine, em Português). Primeiro, achava que os trench coats eram só para mulheres mais bem vestidas (que não é o meu caso), mas depois percebi que também ficam muito bem com calças de ganga e sapatilhas. Segundo, saí mesmo da minha zona com a cor. Inicialmente queria um cinzento, para combinar com o resto, depois em bege, porque os trench coats são tipicamente beges, mas acabei por encontrar um maravilhoso em... verde azeitona! É este. Ao vivo é mais bonito que nestas fotos. Estou desejosa de o usar!

Fiquei muito feliz quando vi este video com 10 dicas de estilo das mulheres francesas, e muitas dessas dicas são iguais às minhas - terei uma costela francesa?? Resumidamente, as dicas são:

1. Não misturar preto e castanho - ou um ou outro. Check! Eu só uso castanho e preto se for roupa preta e acessórios castanhos (sapatos e mala, ou casaco de cabedal castanho), mas, por exemplo, umas calças pretas e uma blusa castanha, nem pensar.

2. Não usar mais de duas cores ao mesmo tempo. Exceção - ganga azul. Se usar uma peça estampada, o resto deve ser em cores sólidas.  Check!

3. Não usar roupa de ginásio na rua. Nunca! Check! Esta é mais recente para mim, mas já não me sinto bem a usar leggings, sapatilhas, roupa de ginásio no geral para ir às compras ou para andar por aí ao fim de semana. 

4. Não usar demasiados acessórios, nem misturar ouro e prata. Menos é mais! Check! Como escrevi acima, geralmente só uso brincos ou um colar, e prefiro a prata e pérolas ao ouro.

5. Não andar sempre a mudar de estilo. Quase check! Os últimos anos foram de aprendizagem e descoberta do meu estilo, mas cada vez mais prefiro ter menos coisas, mas ter coisas de boa qualidade, caras, com design intemporal, que nunca saem de moda e ficam sempre bem. 

6. Os sapatos devem combinar com a mala: sapatos pretos com mala preta, sapatos castanhos com mala castanha. Exceção: vestidos de cocktail e de noite; aqui os sapatos devem combinar com o vestido. Check!

7. O guarda-roupa das mulheres francesas é constituído sobretudo por cores neutras, às quais adicionam uma cor forte para quebrar a monotonia, que pode ser uma echarpe à volta do pescoço, um chapéu, uns brincos grandes, um colar vistoso, ou uma grande pulseira num dos braços. Ou um look totalmente preto com um baton vermelho! Check! Tal e qual como eu gosto!

8. Unhas e lábios vermelhos. A Justine diz que as marcas internacionais há anos que tentam lançar em França vernizes e batons de várias cores (como se usa cá), mas a moda não pega. As francesas só usam vermelho, tanto nas unhas como nos lábios. Quase check! Quando pinto as unhas, é só vermelho, e tem de ser um vermelho escuro. Já usei outras cores, mas not anymore... Nos lábios, gosto de rosas escuros e suaves. Vermelho parece-me demais, mas a verdade é que nunca experimentei.

9. Meias pretas com sapatos pretos ou escuros, meias brancas com sapatos brancos ou claros. Não há mais cores de meias. Check! Só tenho meias pretas.

10. A roupa deve assentar bem. Nem demasiado curto nem demasiado comprido, nem demasiado largo nem demasiado apertado. Se necessário, levar a roupa à costureira para ajustar. Check! Faço isto várias vezes, ou ajusto eu a roupa, ou levo à costureira, de forma a que a peça me assente bem. Não faço com todas as peças, mas sobretudo com calças. 

E vocês, têm regras destas??

13/10/2019

O meu quarto minimalista

Tenho um post antigo que mostra a evolução na decoração do meu quarto na minha antiga casa. Na casa nova, onde estou há cerca de ano e meio, o quarto ainda não está perfeito, mas lá chegaremos!
Vejamos o que tenho no quarto:

A cama tem apenas um lençol-capa e a capa de edredão, que agora serve como lençol. Quando tem o edredão posto, a cama fica com um ar muito mais confortável... E, claro, gatos e cão em cima da cama = cama desarrumada (real life!)

> Cama - é um estrado metálico de 160 cm por 200 cm com um bom colchão da Molaflex. Fiz a saia da cama, não para esconder tralha que esteja debaixo da cama (porque não tenho lá nada!), mas sim para tapar o próprio estrado, que é feio. Gostava de arranjar um outro estrado, de madeira, que pudesse estar à vista, para livrar-me da saia - a saia da cama é mais uma coisa para lavar, passar a ferro, tratar...

> Mesa de cabeceira - é uma mesa rebatível do Ikea que uso como mesa de cabeceira (já não tenho os bed pockets) para colocar livros, lenços, coisas dessas, e às vezes abro para trabalhar no computador. Tem um candeeiro para ler na cama. Do lado do J., não há nada. Durante a noite, geralmente deixamos os telemóveis, que usamos como despertador, na casa de banho do quarto.

Na verdade, acho demasiado uma cadeira e um cabide. Quero chegar ao ponto em que arrumo logo a roupa quando a dispo, e assim não ter necessidade de um cabide para a colocar... Já o J.... precisa mesmo da cadeira para por a roupa... Ao lado da cadeira está a porta do quarto.

> Cómoda - é a mesma cómoda Malm do Ikea que já tinha na outra casa. Das 6 gavetas, 5 têm coisas minhas, e a outra tem os lençóis da cama.

> Cadeira - cadeira velha renovada, que veio da casa das Caldas da Rainha. É para o J. por a sua roupa.

> Cabide - ainda está para ser lixado e pintado de branco. É para a minha roupa.

> Roupeiro embutido - Toda a roupa do J. cabe lá, o resto da minha roupa também, o cesto com a roupa para passar a ferro, e na prateleira superior, tudo o que é mantas e edredões que não estão a ser usados.

> Decoração - Dois quadros a óleo grandes em cima da cómoda. Um cortinado na janela. Uma orquídea no parapeito da janela. Duas almofadas grandes na cama que fazem de cabeceira quando a cama está feita (ai o feng shui!!). Um candeeiro de teto em papel que gostava de substituir por um deste estilo (cada vez mais aprecio a qualidade, mesmo que custe mais - mas também dura mais) e um candeeiro de mesa para ler na cama.

> Espaço - Não se vê nas fotos, mas tenho bastante espaço do lado esquerdo da cama. Em vez de colocarmos a cama no centro do quarto, como era suposto, chegámo-la mais para a direita, para o lado da janela, para ficar muito espaço livre entre a cama e a parede oposta à janela (onde está a porta da casa de banho). Uso esse espaço para fazer yoga ou simplesmente para descansar os olhos. Olhar e ver só chão e paredes brancas, nenhuma mobília, nenhuns bibelots, nenhuma tralha, aahh!

> Simetria - Eu tenho uns traços obsessivo-compulsivos, e a mobília tem que estar perfeitamente alinhada, nomeadamente a cama, a cómoda e o quadros. Daria-me uma coisa má se o centro da cómoda não estivesse alinhado com o centro da cama, e se os quadros não estivessem perfeitamente centrados com a cómoda.

> Cores - As cores são o branco e o cinzento, o castanho da madeira do chão e do roupeiro, e alguns detalhes coloridos nos quadros. Cada vez gosto mais de pouca cor, tanto na decoração como na roupa, pois relaxa-me; muitas cores stressam-me. 

O que não tenho no quarto:

> mesas de cabeceira "a sério"
> espelhos
> tapetes
> tralha debaixo da cama
> tralha dentro do roupeiro
> televisão
> rádio-despertador
> montes de almofadas decorativas em cima da cama
> bibelots

08/10/2019

Ainda sou minimalista?


Há algum tempo, alguém perguntou no Instagram se eu ainda sou minimalista. A resposta é afirmativa. Sim, os princípios do minimalismo ainda norteam a minha vida.

Quais são esses princípios e como os aplico na minha vida?

> os minimalistas identificam o essencial e eliminam o resto

"Uma vida minimalista é despojada do desnecessário, de modo a ter espaço para o que nos dá alegria. O minimalismo é uma ferramenta para nos livrarmos do excesso e focarmo-nos naquilo que é importante, de modo a encontrarmos felicidade, realização, liberdade, paz e leveza."

Nunca isto foi tão importante para mim como agora. A verdade é que este ano fiz... 40 anos... e cada vez tenho menos vontade de fazer coisas que não quero ou ter coisas que não me interessam. Já não me preocupo com coisas que não consigo controlar e o que faço, tem de me dar prazer, tem de ser uma fonte de felicidade.

Um exemplo: aquela conversa dos ginásios e de muitos PTs, tem que doer, ou no pain, no gain, para mim é um monte de bullshit. Mas eu vou lá perder tempo a fazer coisas que me fazem sofrer??? Nem pensar!

O que faço, e sobretudo quando não são obrigações, tem de me dar prazer! Caso contrário, é uma perda de tempo. E assim, desisti de vez de tentar correr (não gosto), de fazer aulas de grupo no ginásio (não tenho paciência), de fazer o que dizem os PTs (prefiro ouvir o meu corpo). Em vez destas coisas, foco-me no que gosto: yoga, natação, treinar em casa (desculpem os exemplos com o exercício físico, mas é uma área muito importante na minha vida).

Outro exemplo, a roupa - cada vez tenho menos e cada vez gosto mais do que tenho (mas vou deixar este tópico para outro post).



> os minimalistas estabelecem limites

"Uma estratégia para impedir, não digo a entrada, mas a instalação da tralha em casa é estabelecer limitesEstabelecer, por exemplo, que os livros não podem ocupar mais que 4 prateleiras, a roupa interior não pode ocupar mais que 1 gaveta, os lápis e canetas não podem ocupar mais que 1 copo na secretária, e por aí fora..."

Sim, ainda tenho limites cá em casa. Os livros têm de caber todos em sete prateleiras (na foto), a roupa tem de caber no roupeiro embutido e na cómoda Malm de seis gavetas, e por aí fora... Ao estabelecer limites às coisas que entram em casa, conseguimos manter apenas o essencial. E como sabem, mudei de casa há pouco mais de ano e meio para um apartamento maior, mas com uma cozinha mais pequena -  foi a oportunidade perfeita para destralhar ainda mais!


> os minimalistas poupam dinheiro

"As pessoas gastam dinheiro que não têm, para comprar coisas de que não precisam, para impressionar pessoas de quem não gostam."

Quando penso no dinheiro que gastava em coisas, sobretudo em roupa e sapatos, mas também em livros, ebooks, decoração, cursos online, coisas que, na sua maioria, não aproveitei como devia ser, até me dá arrepios!! Mas isso acabou, ou pelo menos, melhorou bastante!

Em relação à roupa, sapatos e malas, por exemplo, prefiro ter menos, mas de melhor qualidade. Prefiro ter duas malas, uma preta e uma castanha, de boa qualidade, clássicas, com um design intemporal, e, sim, caras, do que ter dez malas de várias cores e feitios que ao fim de alguns meses de uso começam a romper e a descolar. Aliás, tenho andado à procura de duas malas, uma preta e uma castanha, boas, caras, intemporais, que me durem muitos e muitos anos, mas ainda não encontrei nada suficientemente bom. A longo prazo, sim, poupa-se dinheiro optando pela qualidade em vez da quantidade.

> os minimalistas gostam de rotinas

"Geralmente ouvimos que as rotinas são restritivas e que devemos viver cada momento da vida à medida que a vida acontece, em vez de a planearmos. Não concordo. Estabelecer rotinas diárias e semanais ajuda-me imenso. As rotinas são de facto um dos aspectos fundamentais de uma vida simples e produtiva."

Há uns dias estive com motards que falavam do fugir às rotinas, como isso é importante, sair do trabalho, fim-de-semana a entrar, pegar na mota e ir por aí; pessoas que mudaram de vida, deixaram as rotinas que tinham e agora só fazem o que querem. Muitas pessoas falam das rotinas como se fosse uma coisa má. Eu discordo e acabo por me sentir um extraterrestre quando digo que adoro as minhas rotinas.

As rotinas criadas por mim, ajustadas à minha vida, aos meus objetivos, dão-me um conforto imenso. Saber que tenho o dia planeado de maneira a ter tempo para fazer tudo o que quero, saber que vou chegar a casa (no inverno) e tenho a lareira acesa, saber o que vai ser o jantar em cada dia... estas coisas, estas certezas tornam a vida mais fácil. Eu gosto das minhas rotinas. Fugir às rotinas para fazer coisas diferentes de vez em quando, sim, mas querer escapar às rotinas porque são tediosas - nunca!

> os minimalistas vêem as coisas pelo que elas são

"As coisas que temos são úteis, são bonitas ou são emocionais. 
As coisas úteis são, como é óbvio, coisas que utilizamos no dia a dia, coisas que nos fazem falta e coisas que, de facto, tornam a nossa vida mais simples.
As coisas bonitas são aquelas que não são necessárias, mas que mantemos porque são bonitas e gostamos de olhar para elas, ou porque a sua presença faz-nos mais felizes.
As coisas emocionais são aquelas que mantemos porque nos trazem recordações, como lembranças de viagens ou coisas herdadas de familiares."

É como diz a Marie Kondo. Se não é útil e se não me traz alegria, porquê manter essa coisa? Continuo a trabalhar o desapego, a tirar fotos a coisas que deito fora, a esforçar-me por não ter coisas de que não preciso. É um processo e às vezes não é fácil, porque está sempre aquela vozinha cá dentro a perguntar "e se um dia precisar disto??"

> os minimalistas não criam ligações emocionais às coisas

"Os nossos relacionamentos são com as pessoas e é em relação às pessoas que devemos criar ligações. Claro que podemos gostar muito de algum objecto, alguma peça de mobília, alguma peça de roupa, mas daí a criar uma ligação emocional com a coisa que depois será demasiado tentar quebrar... a mim parece-me é que ligações emocionais às coisas são um sinal de problemas mais profundos. As pessoas que se ligam desta maneira aos objectos fazem-no para se sentir seguras (o falso conceito que ter coisas traz felicidade) ou para se agarrarem ao passado e às memórias (as memórias estão dentro de nós, não nas coisas; acho que se uma pessoa precisa de um objecto para se lembrar de alguém que lhe é querido, é muito mau sinal)."

Quando escrevi este texto sobre as ligações emocionais não imaginava sequer que iria estudar psicologia, mas agora que passei por isso, podia discorrer ainda mais sobre este assunto... Não o vou fazer e continuo convicta que o apego é uma fonte de sofrimento. Não sou perfeita nisto. Há coisas que se estragam, que se partem, e eu fico mesmo chateada - mas depois penso, são só coisas, são substituíveis... E as memórias estão cá dentro, não nas coisas.

Ah, o maravilhoso mundo do minimalismo!! ;)

07/10/2019

O estado das coisas

Ultimamente tenho pensado muito acerca do futuro deste blog. Não escrever mais mas deixá-lo online, encerrá-lo de vez, ou voltar a escrever...

Desabafei na página do blog no facebook que não sei se volte a escrever ou se deixe de escrever de vez... não estava à espera de tantas respostas, de tanta vontade vossa de me voltar a ler! Obrigada!!

A verdade é que gosto de escrever aqui - mas nos últimos 5 anos, o tempo livre que usava para escrever foi ocupado com fazer trabalhos e estudar para frequências... Desde que ingressei, em 2014, na licenciatura em Psicologia, o meu tempo livre reduziu exponencialmente!!

Terminei a licenciatura em 2017, entrei no mestrado em Psicologia Clínica e, ao mesmo tempo, no doutoramento em Psicologia. Para quem não sabe, já tenho um conjunto de 3 graus académicos na área da biologia marinha... Bom, pois fui fazer mais 3, noutra área! A licenciatura está feita, o mestrado só falta a defesa da tese, e a tese de doutoramento vou entregar em breve...

Tenho mais tempo agora. Trabalho o dia todo, a fazer investigação, preparar e dar aulas, orientar alunos no laboratório, mas tenho mais tempo. Chego a casa, faço yoga, faço tarefas domésticas, e depois do jantar já não tenho que estudar. Voltei a ter esse tempo e, na verdade, prefiro aproveitá-lo para ler ou escrever do que ver Netflix (que é o que tenho feito nos últimos tempos - as duas últimas séries que devorei - La Casa de Papel e Elite). Mas adiante...

Quero voltar a escrever? Sim, tenho vontade. Tenho assuntos? Bem, para publicar posts todos os dias, não, mas de vez em quando, 1 ou 2 por semana, acho que se arranja tema... Que temas me interessam? Os de sempre - minimalismo, yoga, vida simples e saudável.

Vamos ver se isto vai para a frente! E obrigada por continuarem desse lado!


24/07/2019

Para elas menos é mais

É o título de um artigo publicado em janeiro na Revista Sábado, para o qual fui entrevistada... Sei que tenho andado desaparecida - e tenho recebido alguns emails e comentários a pedir o meu regresso (Obrigada!), mas por enquanto aqui fica o link do artigo!


29/07/2018

Livro para estudantes de doutoramento - The A-Z of the PhD Trajectory: a Practical Guide for a Successful Journey



Sigo há muitos anos a Eva Lantsoght e o seu fantástico blog PhD Talk, onde ela escreve sobre o processo de fazer um doutoramento, a vida no meio académico, dicas de gestão de tempo, de escrita científica, de self-care, e por aí fora. Recentemente foi publicado pela Springer o seu primeiro livro, The A-Z of the PhD Trajectory: a Practical Guide for a Successful Journey, e claro que aproveitei as minhas férias para o comprar e ler. Neste post vou então escrever um pouco sobre este livro da Eva Lantsoght.

O livro destina-se principalmente a estudantes de doutoramento nas áreas da ciência e tecnologia, mas também a professores/orientadores, para que possam ajudar os seus alunos ao longo deste processo. Os principais tópicos discutidos são a definição da questão de investigação, como fazer uma revisão da literatura, preparar e executar experiências, gestão do tempo, escrita científica, apresentações académicas, e preparar uma carreira após o doutoramento.

O livro está organizado em duas partes. A parte I engloba os vários aspetos do percurso do doutoramento, ao longo de 14 capítulos, e a parte II é um glossário (o A-a-Z) com muita informação sobre tópicos específicos.

O que é que eu achei do livro?

Primeiro, as coisas más - ou a coisa má: o livro é muito caro. Paguei cerca de 63 euros pela versão kindle, valor este que está fora do orçamento de muitos estudantes de doutoramento, pelo menos em Portugal. Nestes casos, fará mais sentido o professor/orientador comprar o livro para si e disponibilizá-lo aos seus alunos.

Agora, as coisas boas - adorei o livro! Eu gosto muito da escrita da Eva, é leve, fluida, e consegue agarrar-me até ao fim. O livro é extenso (a versão em papel tem quase 400 páginas) e consegui ler tudo em uma semana. Adorei os exemplos pessoais que a Eva dá para ilustrar os vários capítulos. Vê-se que é alguém que fala por experiência própria, que partilha os seus sucessos mas também os seus erros, e isso é muito motivante - ficamos a pensar, se estas estatégias resultaram com a Eva, também vão resultar comigo!

As minhas partes preferidas do livro? A gestão do tempo, claro, que é um tema que me apaixona. A Eva dá inúmeras dicas sobre como organizar as coisas a fazer e otimizar o tempo que temos. Por exemplo, ela fala sobre a importância de reservarmos um bocadinho todos os dias para escrever (a tese, artigos, seja o que for), pois a escrita, como geralmente não tem prazos, fica esquecida no meio das outras coisas todas... Ela aconselha também um horário semanal das atividades, para que possamos encaixar não só o tempo para escrever, como as outras coisas que têm que ser feitas (como ela mostra aqui). Ela sugere também o uso dos pomodoros (que eu adoro! Já escrevi sobre isso aqui) como estratégia para aumentar o foco. Outra coisa que ela sugere (que eu já fiz, mas depois deixei e agora tenho que voltar a fazer outra vez - será sexta-feira à tarde!) é reservar um tempo específico para ler os artigos que vão sendo publicados - é a única maneira de nos mantermos a par dos progressos em cada área.

Mas devo dizer que o capítulo que teve mais impacto em mim foi o capítulo 9 - Communicating Science in the 21st Century. Aqui a Eva fala acerca dos blogs como forma de disseminação da investigação, o uso do Twitter, e a importância do online branding. Termos uma presença online visível, ativa e positiva pode conduzir a novas oportunidades, e por isso, mal acabei de ler este capítulo, atualizei o meu perfil no ResearchGate e voltei para o Twitter (e graças a isso já soube de oportunidades que desconhecia, já aprendi coisas novas e já me ri imenso).

Para concluir, gostei muito do livro. Já li outros livros sobre a mesma temática, mas este tocou-me mais por ter tanto da experiência da Eva lá dentro. É um livro que recomendo, embora o preço seja um pouco proibitivo. Por isso, seria interessante se as bibliotecas universitárias o adquirissem, disponibilizando-o para toda a comunidade académica.

(o livro na Amazon e na Springer)

04/07/2018

Estou livre!!

No passado dia 19 de junho fiz o meu último exame na universidade. O último! Acabaram-se 4 anos de aulas (como aluna), de estudar para frequências e exames, de trabalhos, de estudar, de perder fins-de-semana a estudar ou a fazer trabalhos. Há um ano atrás estava a acabar a licenciatura em psicologia, agora acabei a parte curricular do mestrado em psicologia clínica. No próximo ano letivo tenho apenas a tese, que para mim é easy peasy, visto que fazer investigação científica é o meu trabalho, e o estágio. O estágio assusta-me mais, pois... é o estágio - dar consultas, ajudar as pessoas. Na investigação sinto-me super à vontade, visto que é o que faço há uns 15 anos, mas dar consultas como estagiária de psicologia... nunca fiz isso na vida e não sei bem o que me espera... Seja como for, não tenho mais frequências nem exames, nunca mais!!!!

Sinto-me livre!! Livre para passar uma manhã inteira de sábado na praia ou na piscina e uma tarde inteira de domingo a ler. Livre para vegetar, para não fazer nada! Livre para organizar o meu tempo ao meu jeito, sem os deadlines dos trabalhos ou os dias das frequências. 

Agora estou de férias, o mês todo de julho, como sempre. Trouxe trabalho para fazer nas férias, como sempre. Mas em agosto começa a minha nova vida, sem ter que pensar em aulas ou frequências ou trabalhos. 

Sim, já estou a repetir-me demasiado, mas a sensação de liberdade é tão boa!

E para quem acha que eu não vou ficar por aqui e ainda vou tirar outro curso: não, já não tenho parede para pendurar os diplomas (se bem que os cursos de desporto e de nutrição agradam-me...) ;))

14/06/2018

Partilhar a vida pessoal online - a minha opinião

Acabei de ler este post da Lénia e lembrei-me de um comentário que deixei há muitos anos no blog da Astrid, precisamente sobre a partilha da vida pessoal nos blogs. 

A Lénia diz que a sua vida pessoal tem pouquíssimo interesse. A Astrid refletia sobre a partilha da sua vida pessoal no blog e perguntava-nos o que é que achamos fascinante na vida das outras pessoas. E eu respondi assim à Astrid isto foi em agosto de 2011!!!):

I also love to see how other people live, for many reasons. For instance, I like to read about other people's daily routines, their thoughts and ideas about living and everyday issues, how they plan their lives, how they decorate their homes... The purpose of that is basically to get inspired and thus improve my own life... 


My life has indeed changed so much (for the better) when I started reading blogs - if you remember, you inspired me to leave my car at home and walk to work! Other blogs have influenced me in so many good ways! Here are some changes I made inspired by other people I met online: I started to sew, I got into the crafting world, I opened an Etsy shop, I started to take control of my finances, I became much more organized (both at home and at work), I finaly discovered my style, in terms of fashion and home decor, I started taking more pictures (inspired by you) and bought a nice camera, I rediscovered shooting film and my dad's old Nikon camera (also inspired by you), I'm in the process of becoming an early riser, and overall, I believe I became a better mum and wife.


So, yes, getting a glimpse into other people's lives made my life much better. 


As for my own blog and sharing my life online, I obviously only share a small part of it - an edited version, as you put it. Why, because many times life is too ordinary, or there isn't enough time to write and take pictures of the interesting parts... Anyway, the best comments I get on my blog are those saying "you have inspired me to do this" - because that's precisely how I feel reading many other blogs - such as yours. So, if I can inspired just one person to improve their life just a tiny bit, I'd be happy! 

A minha opinião continua a ser esta. Eu gosto de olhar para a vida das outras pessoas (não de todas, obviamente), porque me inspira! As pessoas inspiram-me a fazer melhor, a lutar pelo que quero, a mudar o que está mal. Desde que comecei a ler blogs, penso que no verão de 2009, a minha vida mudou consideravelmente. Vi o que estava mal, o que estava bem, vi como é que as outras pessoas fazem as coisas e vi como posso aprender com os outros e fazer alterações positivas na minha vida.

Eu não descobri a pólvora! O que descrevo aqui é, simplesmente, a aprendizagem social. A aprendizagem social é uma das formas que nós usamos para aprender, por observação de um modelo (ou seja, de outra pessoa). Além de usarmos a aprendizagem social no dia a dia, muitas vezes sem nos apercebermos, esta é uma técnica que também é usada em psicoterapia, quando se quer mudar um comportamento, através da observação e imitação de um modelo que é competente no comportamento alvo.

Além disso, acho que as pessoas são interessantíssimas! A nossa personalidade, as nossas motivações, os nossos comportamentos, tudo isso me fascina (ou não tivesse eu ido estudar psicologia). Por isso, Lénia, não digas que a tua vida pessoal tem pouquíssimo interesse. Podemos achar isso da nossa vida, mas podemos ser uma fonte de inspiração para outras pessoas - o modelo que outra pessoa vai usar para mudar algum comportamento. Compreendo que não devemos e não podemos partilhar tudo da nossa vida, obviamente! Mas, como escrevi à Astrid, o que apresentamos online é uma versão editada da nossa vida. Não é preciso partilhar todos os podres ou todas as alegrias. Às vezes basta uma frase, ou uma foto, para acender a luz na cabeça de outra pessoa - e assim fazer toda a diferença na vida de alguém.


09/06/2018

Psicólogos e pseudoterapeutas - a minha opinião

Sendo praticante de yoga, sou também alvo de muitos estereótipos. As pessoas assumem que sabem como eu sou ou até como deveria ser.

Que eu gosto das "terapias" alternativas e new age, que eu gosto de velinhas, incenso e aromaterapia, que devia usar medicamentos homeopáticos, que devia ser vegetariana ou mesmo vegan, que gosto de lugares calmos e silenciosos, que comecei a fazer yoga para aliviar o stress e a ansiedade... por aí fora. Estas foram algumas que já ouvi.

Só para esclarecer, gosto de incenso, sim. 

Não uso medicamentos homeopáticos. Tiram-me o paracetamol, tiram-me tudo!

Gosto de lugares calmos e silenciosos como qualquer pessoa. Às vezes são precisos. Mas a verdade é que adoro viver na cidade, ter tudo à distância de alguns passos, ver e ouvir carros e pessoas na rua. 

Como carne, adoro e não pretendo parar. Fui vegetariana durante 3 meses e desisti. O meu sistema gastrointestinal não aguentou.

Comecei a fazer yoga porque me apeteceu, não por causa do stress e ansiedade, coisas de que nunca sofri muito, felizmente.

Mas onde eu queria chegar é aqui. Não gosto de "terapias" new age, que passam cá para fora como tendo uma base científica, quando na verdade não passam de pseudociência, que usurpam e deturpam a ciência. A física quântica, por exemplo, agora é (mal) usada para justificar tudo e mais alguma coisa. Por favor... Sendo cientista, tendo anos e anos e anos de estudos em duas áreas da ciência (biologia e psicologia), vejo com maus olhos o bloom de terapeutas disto e daquilo que hoje se vê por aí. Tiram cursos da farinha amparo, aprendem umas coisinhas de psicologia (os psicólogos a sério têm no mínimo 6 anos de formação) e ficam habilitados a fazer terapia?? A lidar com pessoas que podem ter psicopatologias sérias?? A usar mambo-jambo, conversas e conceitos confusos, que não se entendem (se calhar o objetivo é esse), para explicar os problemas das pessoas? Para dar conselhos às pessoas?? Pessoas sem formação de base em psicologia, ou noutra área da saúde, são terapeutas familiares, terapeutas de casal, terapeutas emocionais?? 

O reverso da medalha. Lá um por um psicólogo ser psicólogo, ou até psicoterapeuta (que implica ainda mais anos de formação), não quer dizer que seja bom profissional. O mesmo para os pseudoterapeutas. E um pseudoterapeuta pode até ser mais empático, ter mais competências interpessoais, de comunicação, etc. que um psicólogo cheio de diplomas. Há pessoas e pessoas, claro.

Mas, do que tenho visto por aí, a maioria é treta. Pseudociência, pseudoterapeutas. Cursos rápidos e caros, diploma na mão, com o qual se pode depois ganhar dinheiro fácil. 

A sério, por favor, se têm um problema que vos causa um mal-estar significativo, que afeta o vosso dia a dia - vão ao psicólogo. Podem não acertar no psicólogo à primeira, pode não se estabelecer aquela aliança terapêutica que é fundamental no processo, mas o psicólogo é o profissional de saúde a consultar. As técnicas usadas são validadas empiricamente, sabe-se que funciona. É mais caro, sim, há falta de psicólogos no SNS, sim, mas estamos a falar da nossa saúde. É um investimento que vale a pena. Não queiram curas rápidas, milagrosas, porque essas não existem. A sério, psicólogo. 

E era isto que eu queria dizer hoje. 
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