10/04/2014

Os melhores posts de crafts

Como estou de descanso e o blog em modo de pausa, aqui ficam alguns posts mais antigos que podes ainda não conhecer... São tutoriais simples de costura:

Como fazer babetes em tecido

Como fazer bases para copos

Como fazer marcadores de livros em tecido

Como transformar calças em mini-saia

Como fazer uma almofada de envelope

Como fazer uma saia para a cama

E um tutorial de costura a sério, como fazer um saco em tecido reversível!


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09/04/2014

Uma pausa

Tenho andado um pouco desaparecida nos últimos dias, mas é por um bom motivo... os próximos dias serão de férias, descanso, e até um retiro de yoga, o meu primeiro retiro a sério! Decidi fazer uma pausa também no blog, para recarregar energias e voltar mais inspirada!

Vou, no entanto, republicar alguns posts mais antigos durante as próximas semanas... Volto em Maio (ou talvez um pouco antes, logo se vê...)

Obrigada a todos por continuarem desse lado!

03/04/2014

O papel dos cadernos na vida de uma cientista

Há anos que ando a tentar eliminar o papel que uso, tanto em casa como no trabalho. É impossível eliminá-lo de todo, mas já fiz grandes progressos! Já não usamos guardanapos de papel, aproveito bem folhas velhas para rascunhos, não imprimo quase nada...

No trabalho foi onde fiz as maiores mudanças. Quem trabalha em investigação sabe bem a quantidade de artigos ou outras publicações que temos que ler para nos mantermos a par do que se anda a fazer na nossa área e para consultar sempre que temos que escrever algum artigo ou projecto. 

Desde que comecei a trabalhar em investigação científica, quando comecei o estágio da licenciatura, em 2001, habituei-me a imprimir todos os artigos que me interessavam. Usava os dois lados do papel e o fast draft para gastar menos tinta, mas ao longo de todos estes anos fui acumulando caixas e caixas de arquivo com artigos em papel... 

Às tantas, fartei-me de tanto papel e deixei de os imprimir. Comecei a ler os artigos no computador e a usar as funcionalidades do Adobe Reader ou do PDF-XChange Viewer para sublinhar e escrever notas nos artigos. Aprendi a usar o Mendeley para manter os artigos bem organizados em pastas e com etiquetas. Comecei a sacar os pdfs dos artigos que tenho em papel, para me livrar do papel e ficar com o artigo apenas em pdf. 

Hoje em dia ainda tenho muitos artigos em papel que, aos poucos, ando a eliminar... O objectivo é não ter nada em papel, a não ser uma pasta onde tenho uma cópia de cada um dos artigos de que sou autora ou co-autora.

Também simplifiquei o sistema de cadernos que usava no trabalho. É sempre necessário um caderno para o trabalho de laboratório. É uma das coisas que eu faço questão que as pessoas que trabalham comigo tenham sempre; nem pensar ter gente no laboratório a apontar coisas em folhas soltas!! Costumava ter um caderno para cada projecto em que estava a trabalhar (já cheguei a trabalhar em 3 projectos ao mesmo tempo, mais o meu próprio posdoc, ou seja, 4 cadernos...), mas percebi que era demasiado, demasiados cadernos, demasiadas folhas, demasiado espaço ocupado. 

Comecei então a usar um só caderno de laboratório para todo o trabalho prático. Identifico-o na capa com a data de início (e a data de fim, quando o caderno acaba) e também identifico as folhas com a data, para saber o que fiz em cada dia.

Tenho ainda outro caderno para o trabalho de computador. Nele faço, por exemplo, todo o tipo de apontamentos necessários para o artigo que estou a escrever no momento, como pontos importantes a discutir ou artigos para pesquisar. Quando estou a praticar uma apresentação oral, aponto no caderno o que quero dizer. Tiro ainda apontamentos de artigos que leio, escrevo os pomodoros feitos ao longo do dia de trabalho, dúvidas a tirar, enfim... coisas desse tipo, como podes ver na imagem...



Por fim, para o dia a dia, uso o caderno Arc, da forma como já mostrei aqui. É agenda, é caixa de entrada, é diário, é caderno de apontamentos... o meu caderno Arc é realmente polivalente e está sempre comigo, excepto ao fim de semana!

Como não gosto nada de guardar muita papelada, o que tenho feito é digitalizar o que interessa destes cadernos de trabalho e jogar o original fora. A maioria do que está no caderno de laboratório é logo passado para o computador, pois são dados para ser analisados, valores para fazer cálculos e coisas assim... Às vezes faço adaptações de protocolos laboratoriais no caderno ou ando às voltas com contas e equações e chego a conclusões brilhantes ou tenho ideias luminosas para novas experiências, e isso, sim, digitalizo para não se perder e poder então dispensar o caderno... Na verdade, guardo-os durante uns anos e depois é que vão fora, tendo a certeza que todos os dados que lá estão já foram passados para o computador e as folhas importantes digitalizadas. 

O importante, para mim, é manter as coisas simples e eficazes, e assim perder menos tempo com a organização e mais tempo com a produção!

E os outros cientistas que andam por aí, como é que lidam com o papel?


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31/03/2014

O poder do pomodoro e o ajuste dos horários

O Pomodoro é uma técnica de produtividade sobre a qual já falei aqui. Recentemente apercebi-me que quando uso a técnica do Pomodoro é quando sou mais produtiva.

Por exemplo, há uns tempos participei no acwrimo, um mês de escrita académica, e em duas semanas, 10 dias úteis, a trabalhar das 9 às 3h30 da tarde, escrevi um artigo científico do início ao fim, incluindo toda a análise de dados. Nunca tinha escrito um artigo em tão pouco tempo... Como é que fiz isso? Usando os pomodoros. Eram cerca de 11 ou 12 pomodoros por dia de trabalho e consegui mesmo trabalhar de forma focada durante esses pomodoros. O resultado foi um artigo escrito em duas semanas (a primeira versão, claro que depois ainda dá muitas voltas...).

No entanto, o Pomodoro, para mim, tem dois problemas: 

1) Funciona muito bem quando estou sozinha, em casa, mas não funciona tão bem quando estou no gabinete na universidade, porque os telefones tocam, as pessoas batem à porta, as minhas colegas e eu falamos... Quando um Pomodoro é interrompido, tem que ser anulado e começado de novo, e é o que estou sempre a fazer no trabalho... o que não pode ser... 

2) Na universidade, não sei o que faça nas pausas de 5 minutos. Não me apetece estar sempre a levantar, mas se for para fora do gabinete, não tenho nada para fazer... Vou ficar 5 minutos a olhar não sei para onde? O que geralmente acontece é que passo os 5 minutos da pausa ao computador... e acabo por me distrair com outras coisas e os 5 minutos passam a... muito mais...


Para resolver estes problemas, comecei a ficar em casa durante a manhã a trabalhar ao computador (à tarde prefiro fazer trabalho de laboratório), usando os Pomodoros e é uma maravilha! As interrupções são quase nenhumas e aproveito muito bem as pausas! Um destes dias apontei o que fiz durante as pausas de 5 minutos entre Pomodoros e foi isto:

> fiz a cama, arrumei a roupa, limpei o pó do quarto
> limpei o pó do escritório
> limpei o pó do hall de entrada e corredor
> no intervalo maior, de 15 minutos, lavei a louça do pequeno-almoço, varri o chão da cozinha, limpei o caixote dos gatos

Ou seja, além de trabalhar bem, ainda faço coisas em casa, em blocos de 5 minutos, e como estas são actividades essencialmente físicas, consigo descansar a cabeça. Durante os pomodoros consegui estar sempre focada e o trabalho (outro artigo) avançou imenso. Como, felizmente, eu faço os meus horários e posso trabalhar em casa se quiser, fiz umas alterações à minha rotina de trabalho, que manterei enquanto funcionar...

Assim, as manhãs são para ficar em casa a trabalhar ao computador. Consigo trabalhar das 9 às 13h, o que dá mais ou menos 7-8 pomodoros (porque há uma pausa maior pelo meio). Na universidade saía para almoçar ao meio-dia, porque mais tarde apanhava grandes enchentes de pessoas, e isso tirava-me 1 hora de trabalho. Como o meu melhor período para trabalhar é de manhã, ganho assim mais uma hora ficando em casa...

E é isto! De pomodoro em pomodoro...


Mais sobre a técnica do Pomodoro:



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28/03/2014

Parte III Então, como rentabilizar melhor o tempo?

Então, depois de ter dado algumas ideias para melhor gerir o tempo e para não perder muito tempo nas lides domésticas, aqui ficam os meus conselhos para a leitora que me escreveu o seguinte:

No fim de semana quero mais é passear, divertir-me, brincar, caminhar, ser feliz. O problema é a casa... tenho a casa de pantanas - o que detesto - pois o tempo para limpar e organizar não é muito... ou é e eu não o aproveito. É aqui que quero pedir ajuda:

- tenho 2h de almoço, venho a casa e podia aproveitar pelo menos 30m para arrumar e limpar, mas como passo o dia todo de pé, na mesma posição, o que faço é deitar-me com as pernas elevadas. Tempo perdido? nem sei...

- a hora de levantar aqui em casa é, por norma, 8:30 e eu não consigo que seja mais cedo. Trato do miúdo e o pai leva-o ao infantário e vai trabalhar. Quando chego a casa já há banho dado, jantar feito e comido, tudo pronto. Não me sinto no direito de exigir mais do meu marido, pessoa extremamente organizada e que me ajuda no que pode.

Como posso rentabilizar o meu tempo?



Ora bem, esta leitora não me deu mais informação, não sei quanto tempo ela demora do trabalho até casa, não sei se tem que cozinhar o almoço quando chega a casa, mas eu diria que 2 horas de almoço é muito bom e dá para fazer muita coisa! Será que precisa mesmo de 30 minutos deitada com as pernas elevadas? Poderia experimentar menos tempo e usar o restante para adiantar alguma coisa em casa. Em 15 minutos consegue-se fazer muito!

Para mim, madrugadora assumida, levantar às 8h30 é tarde, mas a que horas é que a leitora se deita? Dorme 7-8 horas ou mais que isso? Eu claro que sou grande apologista de levantar mais cedo e aproveitar melhor as manhãs e acredito que se alguém quiser levantar-se mais cedo, consegue. Até escrevi um mini-curso sobre como levantar cedo e ter uma manhã serena

Como é que a leitora passa o seu tempo? Porque é que só se levanta às 8h30? Porque é que se deita tarde? O que é que fica a fazer? A ver televisão? Se for este o caso, há muito tempo que pode ser aproveitado de melhor forma... Daí ser tão importante sabermos como é que gastamos o nosso tempo. Fazer um registo durante uma semana de todas as nossas actividades permite-nos identificar sugadores de tempo e assim direccionar esse tempo para actividades mais importantes - como pôr a casa em condições...

Cada caso é um caso e cada pessoa é que, munida desse registo das suas 168 horas semanais, poderá verificar quais as alterações que podem ser feitas. Portanto, se também te debates com problemas de falta de tempo, aconselho-te mesmo a registares tudo o que fazes durante uma semana - o resultado, garanto-te vai ser surpreendente!




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26/03/2014

Parte II Como não perder muito tempo com as lides domésticas

Eu já fui muito mais obcecada pela limpeza da casa do que sou agora... Tive empregada uma vez por semana durante muitos anos, mas acabei por desistir porque todos os dias a casa tinha que ser pelo menos aspirada... e eu, para dizer a verdade, até gosto de fazer limpezas.

Já fiz planos e esquemas de limpeza e estou sempre a mudar a forma como fazemos as coisas cá em casa, dependendo de como anda a nossa vida.

No entanto, há duas coisas que são fundamentais para que as lides domésticas não sejam aquele bicho-papão: destralhar e simplificar. É simples:

> quantos menos coisas tiveres em casa, menos coisas tens que limpar, organizar, arrumar
> quanto mais simples for o sistema de fazer as coisas, neste caso, as limpezas, mais fácil e rápido será fazê-lo


Na prática, como é que apliquei isto na minha vida?


> Se lês este blog há algum tempo, sabes que eu adoro destralhar e sou alérgica a tralha; ainda tenho muitas coisas em casa que poderia não ter, mas já estou num nível confortável (vê aqui).

> Os sapatos ficam à porta de casa - o único lugar onde são permitidos sapatos é no hall de entrada. Sim, eu faço as pessoas descalçarem-se quando entram em minha casa e isto evita o transporte de porcarias que estão na sola dos sapatos para dentro de casa; assim, o chão não se suja tanto.

> Se está sujo, limpo. Se vejo migalhas na mesa, apanho-as. Se vejo pêlo de gato no chão, varro-o. Se vejo um vidro cheio de dedadas, limpo-o. Se vejo a sanita numa desgraça, ataco-a de imediato. Não fico à espera do dia designado para cada divisão da casa para a limpar, caso seja necessário. Quando vejo que está sujo, limpo. E a maioria destas limpezas fazem-se em menos de 5 minutos.

> Se não está sujo, não limpo. As superfícies horizontais acumulam tralha e porcaria. A verticais nem por isso. Assim, não limpo as superfícies verticais com a mesma frequência com que limpo as horizontais. Se não está sujo, não vale a pena perder tempo a limpar...

> Simplifiquei os produtos de limpeza que uso. Faço o detergente em pó para a roupa e para a limpeza de toda a casa uso sobretudo água e vinagre.

> No dia de limpar determinada divisão, uso o speed cleaning.

> Não tenho dias definidos para tratar da roupa, como já tive. Quando há roupa suficiente para encher a máquina, faço-a, estendo-a e passo-a a ferro. Não deixo acumular roupa para lavar ou para passar, à espera do dia definido para essa tarefa...

> Mas tenho dias mais ou menos definidos para limpar cada divisão. Dantes fazia uma divisão por dia, mas apercebi-me que consigo limpar mais em cada dia (visto ter pouca coisa para limpar) e assim faço-o em 3 dias em vez de 5.... mas isto não é bem uma regra... se me apetecer limpar toda a casa num dia, limpo! Não gosto é de deixar as limpezas para o fim de semana... E o chão é aspirado todos os dias.

> Faço multitasking nalgumas coisas... por exemplo, tenho que estar a ver televisão para conseguir passar a roupa a ferro; esta é uma tarefa que eu podia usar para praticar a atenção plena, mas a passar a ferro não consigo... Então, aproveito para ver as minhas séries preferidas (Grey's Anatomy, Scandal, Mayday) enquanto passo a ferro e evito assim passar muito tempo em frente à tv sem fazer mais nada...

> Fazemos sempre a cama de manhã. Se há coisa que me desalenta é chegar a casa e ver a cama por fazer. O resto até pode estar tudo arrumado e limpo, mas a cama desfeita dá-me logo uma sensação de desarrumação. Pelo contrário, se a cama estiver feita, o resto do quarto até pode estar mais ou menos desarrumado, que não noto tanto...

> O mesmo com a louça. A louça é para ser lavada logo após as refeições. Eu não tenho máquina de lavar louça e gosto de lavá-la depois de comermos e deixar a cozinha arrumada para o dia seguinte. Acordar de madrugada e ver a cozinha desarrumada dá-me vontade de voltar para a cama para não ter que lidar com o problema...

> Não stresso muito com o resto. Já aprendi a aceitar que uma casa com crianças nunca vai estar impecável em termos de arrumação e limpeza. Gosto de ter a casa limpa e arrumada q.b., ou seja, num estado que não me envergonhe caso apareçam visitas...

> Trabalhamos em equipa. Eu faço umas coisas, o J. faz outras. Geralmente é ele que aspira; eu passo a esfregona. Ele cozinha; eu lavo a louça. Ele estende a roupa; eu passo a ferro.

> As crianças ajudam. Eles poem a mesa, fazem as suas camas, arrumam o quarto e ajudam no que pedirmos. A seu tempo, irei passar-lhes mais tarefas domésticas pois não quero que eles se tornem naqueles homens que não sabem fazer nada em casa e estão à espera que a mulher faça tudo. Eu sempre vi o meu pai a fazer coisas em casa, o J. também e os miúdos também serão ensinados assim.


Espero que estas dicas sejam úteis! No próximo post darei então alguns conselhos à leitora que originou este post e o anterior. Stay tuned!


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24/03/2014

Parte I Algumas ideias para melhor gerir o tempo

Há dias recebi um email de uma leitora que se debate, tal como tantos nós, com problemas de gestão do tempo... e de falta de tempo... Diz ela:


Quero muito ter mais tempo para estar com a familia, mas trabalho numa grande superficie e os horários rotativos, muitas vezes a sair tarde e já sem ver o filhote acordado, quebram-me tudo o desejado! :(

No fim de semana quero mais é passear, divertir-me, brincar, caminhar, ser feliz. O problema é a casa... tenho a casa de pantanas - o que detesto - pois o tempo para limpar e organizar não é muito... ou é e eu não o aproveito. É aqui que quero pedir ajuda:

- tenho 2h de almoço, venho a casa e podia aproveitar pelo menos 30m para arrumar e limpar, mas como passo o dia todo de pé, na mesma posição, o que faço é deitar-me com as pernas elevadas. Tempo perdido? nem sei...

- a hora de levantar aqui em casa é, por norma, 8:30 e eu não consigo que seja mais cedo. Trato do miúdo e o pai leva-o ao infantário e vai trabalhar. Quando chego a casa já há banho dado, jantar feito e comido, tudo pronto. Não me sinto no direito de exigir mais do meu marido, pessoa extremamente organizada e que me ajuda no que pode.

Como posso rentabilizar o meu tempo? Como é que a Rita organiza as lidas da casa?



Como achei que poderia ser útil para mais leitores, transformei o email num post (com a autorização da autora) e vamos lá ver se consigo ajudar...


Eu acredito mesmo que, se quisermos, conseguimos ter tempo para tudo, ou quase tudo, o que queremos. É verdade que eu estou numa posição priveligiada, pois não tenho horários de trabalho (mas tenho muito trabalho para fazer) e moro a 5 minutos do trabalho, mas acredito que várias estratégias podem resultar mesmo para quem tem um horário fixo ou perde muito tempo em deslocações...

Aqui ficam então algumas ideias para quem luta com a falta de tempo:


1. Para onde vai o teu tempo?

Antes de dizeres que não tens tempo, regista durante 1 ou 2 semanas todas as tuas actividades, tal como expliquei aqui e mostrei aqui. Tens que saber para onde vão as tuas 24 horas diárias ou as 168 horas semanais. Vais verificar, provavelmente, que passas demasiado tempo em frente à televisão ou no facebook... tempo que pode ser usado de outra forma.


2. Decide o que é importante... e elimina o resto

Depois de fazeres o registo de todas as tuas actividades, verifica:

> quais são os maiores sugadores de tempo (ex. tv e internet)
> que actividades podes eliminar da tua vida (ex. ver tv em excesso, coisas que fazes já nem sabes porquê e podes delegar ou deixar de fazer - aprende também a dizer não ao que não interessa)
> que actividades gostarias de fazer mas não fazes porque não tens tempo (ex. ler mais, passear ou até ter mais tempo para cuidar da casa)

Destralha o que não interessa e simplifica o resto. Decide o que é prioritário e importante e esquece o resto.


3. Faz uma lista das coisas que queres e tens que fazer em cada dia e quanto tempo é necessário para cada actividade

Um dia tem 24 horas. Divide esse tempo pelas coisas que queres fazer. A forma como, idealmente, gastaria o meu tempo, num dia de semana, é assim:

dormir = 7 horas
cuidados pessoais (banho, vestir) = meia hora
práticas espirituais (yoga, etc.) = 2 horas
deslocação para o trabalho (a pé) = 1 hora
trabalho = 7 horas
refeições e sua preparação = 1h30
lida da casa = meia hora
verificar TPCs = meia hora
ler/escrever = 1h30
outras coisas (relaxar, tempo em família, etc.) = 2h30 horas

Claro que isto não é assim tão certinho, mas geralmente não foge muito... Há dias em que trabalho mais porque vou de carro, outros dias durmo mais porque estou cansada, outros dias não pratico yoga... o importante é não deixar que o tempo que se ganha quando não se faz uma certa actividade seja usado noutra coisa qua não adiciona valor nenhum à nossa vida, como não fazer a prática de yoga e usar esse tempo para ficar sentada em frente à televisão a ver se dá alguma coisa de jeito...


4. Aproveita pequenos blocos de tempo

Muitas vezes, em casa ou no trabalho, tens pequenos blocos de tempo livre, sejam 3 minutos ou 15 minutos, que podem ser aproveitados de forma útil. 3 minutos é o suficiente para, por exemplo, arquivar alguns papéis e em 15 minutos podes limpar algumas janelas lá de casa. Em relação às limpezas da casa, que era a questão da leitora, não é necessário um grande bloco de tempo para limpar a casa. Em 15 minutos consegue-se fazer imenso!


Nos próximos posts explicarei como é que eu faço as coisas cá em casa e darei algumas sugestões de como esta leitora pode aproveitar melhor o seu tempo...

Sugiro ainda a leitura dos posts da série Reclama o teu tempo em 5 dias:

Imagina o dia ideal


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21/03/2014

Comer com atenção plena


Thich Nhat Hanh fala, no livro que já aqui referi várias vezes, Making Space: Creating a Home Meditation Practice, de vários aspectos do nosso dia a dia que devem ser feitos de forma mais consciente, ou seja, praticando a atenção plena, ou mindfulness. Cozinhar e comer são dois desses momentos e fazê-los de forma mindful é uma parte integrante da prática espiritual e da meditação.

Há cerca de um ano participei num dia de atenção plena e o almoço foi feito em silêncio. Começou com o toque de um sino que assinalava o início da refeição e do silêncio; comemos a maior parte do tempo em silêncio, agradecendo e saboreando a comida. A dada altura, o sino voltou para assinalar o fim do silêncio e assim acabámos a refeição, conversando uns com os outros.

Thich Nhat Hanh explica que comer com atenção plena permite-nos compreender que todo o universo suporta a nossa existência, além de cultivarmos as sementes da compaixão e compreensão. Começar a refeição com uma pequena prece ajuda-nos a estar mais presentes no momento e mais gratos pelo alimento que vamos ingerir:

"Este prato de comida, tão fragrante e apetecível, contém também muito sofrimento."

Antes de começar a comer, respiramos 3 vezes de forma consciente, contemplamos o prato de comida e dizemos (não necessariamente em voz alta... pode ser para dentro):

"Nesta comida vejo claramente a presença de todo o universo, suportando a minha existência."

Durante a refeição devemos comer e estar com a comida; actividades como ver televisão, ouvir música, ler (que é o que eu faço quase sempre ao almoço), devem ser evitadas.

No fim da refeição, contemplamos os pratos vazios e podemos dizemos:

"O prato está vazio, a minha fome está satisfeita. Comprometo-me a viver em benefício de todos os seres."

Ao lavar a louça, se o fizermos como se do banho de um bebé se tratasse, toda a experiência será mais agradável e gratificante:

"Lavar a louça é como dar banho a um bebé. O profano é o sagrado. A mente do dia a dia é a mente iluminada."

Thich Nhat Hanh aconselha ainda a récita ou leitura das cinco contemplações antes das refeições:

1. Este alimento é um presente de todo o universo, da terra, do céu e de muito trabalho árduo.
2. Que possamos comê-lo em plena consciência e com gratidão a fim de sermos dignos de recebê-lo.
3. Que possamos transformar os nossos estados mentais não saudáveis e aprendermos a comer com moderação.
4. Que possamos comer apenas alimentos que nos nutrem e previnem doenças.
5. Aceitamos este alimento para que possamos nutrir a nossa irmandade, fortalecer a nossa comunidade e cultivar o nosso ideal de servir a todos os seres.

Este é um caminho longo, claro. O mindfulness, a atenção plena, é um modo de vida que integra práticas formais, como a meditação, e práticas informais, como as actividades do dia a dia. Para começar, experimenta comer um dia em silêncio. Presta atenção ao cheiro, ao sabor e à textura dos alimentos - é uma experiência muito gratificante. E o mais provável é não comeres tanto e a comida até tem outro sabor!


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19/03/2014

Atenção plena para a Tranquilista


Ah, como eu gosto de fazer estes sketchnotes dos livros que leio e partilhar convosco!
Hoje é um livro da Kimberly Wilson, yogini, professora de yoga, escritora, empresária, uma mulher de muitas facetas que podes conhecer melhor no seu blog Tranquility Du Jour.
Já li os seus dois livros, Hip Tranquil Chick e Tranquilista, e é sobre o último que vou escrever um pouco.

Wilson cunhou o termo tranquilista como uma mulher que abraça as suas várias facetas. Tranquilista é uma mulher espiritual em busca da tranquilidade, é uma mulher criativa que adora estilo, e é uma mulher empreendedora que faz as coisas acontecer. Este livro é, então, uma espécie de guia para a Tranquilista. O livro abrange mais tópicos além daqueles quatro do meu sketchnote, mas esses foram os que me tocaram mais.

Assim, e em primeiro lugar, pois é uma coisa fundamental para ter tranquilidade e equilíbrio, é viver com atenção plena nos dias corridos de hoje. Atenção plena é a nossa tradução para mindfulness, uma técnica que já passou das práticas espirituais para a vida de muitos ocidentais e é muito usada pelos seus efeitos terapêuticos. Mindfulness, ou atenção plena, é, muito resumidamente, ter consciência do momento e não o julgar, isto é, observar o que está, o que é, mas sem julgar ou classificar (isto assim de repente parece complicado, mas abordarei melhor este assunto num post futuro).

Então, de que forma podemos viver de forma mais consciente e plena neste mundo apressado? 

> namaste; reconhecer a luz nos outros - um pequeno gesto como as mãos em posição de oração (anjali mudra) e um namaste para o nosso interlocutor trará mais harmonia que os obrigados (ou bigada, como eu muitas vezes digo) que dizemos sem pensar

> afirmações positivas; dizer coisas boas a nós próprios como "Este vai ser um dia maravilhoso" ou "Hoje sinto-me saudável e forte" - afinal, de acordo com a física quântica, nós criamos a nossa própria realidade

> escreve um diário; eu faço-o para organizar os pensamentos, para reflectir no meu dia, para arranjar soluções para problemas... tudo me parece mais simples se estiver no papel

> medita; é fácil, é barato e tem tantos benefícios, comprovados cientificamente, que devia ser prática corrente em todo o lado!

> gratidão; sermos gratos por aquilo que temos em vez de cobiçar o que outros têm torna as pessoas mais felizes e saudáveis; experimenta um jarro de gratidão e verás como é fácil reconhecer que são as pequenas coisas que fazem toda a diferença

> aromas; os aromas têm efeitos terapêuticos comprovados... investiga a aromaterapia e dá mais cheiro à tua vida!

> cria espaço; destralha a tua vida e ganha espaço, físico e mental, para o que é mais importante

> sonha; Carl Jung acreditava que os sonhos conseguem ensinar-nos coisas sobre nós próprios - afinal, todas as respostas que procuramos já estão dentro de nós

> faz um altar, uma zona de contemplação, um local dedicado ao estabelecimento da harmonia e paz interior (ou até um espaço para a prática de yoga em casa)

> passa tempo na Natureza; sai de casa, dá um passeio por um jardim, abraça uma árvore e sente a comunhão com a Terra

> entoa cânticos e mantras, desperta em ti novas emoções e envia paz para todos os seres; um dos mantras preferidos da Kimberly (e meu também) é este: locah samastah sukhino bhavantu possam todos os seres ser livres e felizes

> estabelece ritmos e rituais diários, sendo o mais importante o da manhã; começa o dia de forma serena com um ritmo matinal e terás tempo para tudo

> vive de acordo com Patanjali; segue os 8 passos para alcançar o Raja Yoga (ou Ashtanga Yoga - não confundir com o ashtanga vinyasa yoga), a iluminação: 



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18/03/2014

O bolo no frigorífico


Thich Nhat Hanh, o famoso monge budista, é autor de um livro pequenino e giro chamado Making Space: Creating a Home Meditation Practice. Neste livro, ele fala sobre o poder de parar, de sentar, de respirar, como criar um espaço para "respirar" em casa, como criar um altar, como meditar, etc. Thich Nhat Hanh sugere também um método para evitar conflitos em casa. Ele chama-lhe o bolo no frigorífico.

Então, o bolo no frigorífico é uma técnica a usar quando a atmosfera está tensa, quando começam discussões entre adultos e/ou crianças. A ideia é uma das pessoas, esteja ou não envolvida no conflito ou seja apenas uma observadora, usar a prática do bolo no frigorífico para restaurar a harmonia.

Então, em primeiro lugar, deve-se respirar profundamente 3 vezes. Só o facto de respirar de forma consciente e profundamente é o suficiente para acalmar o sistema nervoso. De seguida, a pessoa deve anunciar que há um bolo no frigorífico (haja bolo ou não...). Dizer "há um bolo no frigorífico" significa "vamos parar de causar sofrimento uns aos outros". 

Uma das pessoas pode então dirigir-se ao frigorífico à procura do bolo ou de qualquer outra coisa para comer, enquanto outra pessoa pode começar a preparar um chá e a juntar pratos e talheres. Estas actividades dão um motivo a cada pessoa para deixar a discussão e ter algum espaço para respirar. Respirando de forma consciente, ou seja, com atenção plena, ajuda a relaxar e a pessoa sente-se mais leve, tanto no corpo como no espírito.

A prática do bolo no frigorífico em família permite, assim, evitar conflitos, restaurar a harmonia e aumenta também a nossa capacidade para compreender e amar os outros.

Ainda não experimentei esta prática, mas acredito que se anunciasse aos meus filhos, no meio de uma discussão, que há um bolo no frigorífico, a discussão acabaria de imediato e eles correriam para a cozinha... ;) Muitas vezes, são as coisas mais simples que fazem toda a diferença...



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