05/11/2013

Onde praticar yoga

Desde que comecei a escrever sobre yoga aqui no blog, tenho recebido comentários e emails de leitores que querem começar a ter aulas, mas não conhecem nenhum espaço na sua zona de residência. Como vivo em Faro, só posso indicar espaços nesta cidade, que é o que conheço, e um ou outro em Lisboa, mas para quem vive noutros sítios, não é nada que uma pesquisa no google não resolva.

Eu fico mesmo muito feliz por ter pegado este bichinho do yoga a tanta gente, mas por favor, não me perguntem onde é que podem praticar nas vossas cidades - a muitas delas eu nem nunca lá fui...

Então aqui ficam espaços para a prática de vários estilos de yoga em Faro...

Estes três primeiros conheço bem:

Hatha Yoga Tradicional e Ashtanga Vinyasa Yoga (com ensinamentos de Vedanta) com Ricardo Viegas
Na Rua de São Luís e nas Gambelas (na universidade). Mais informações aqui.

Hatha Yoga com Tiago Boto
No Corporeus (Montenegro) e Club L (Faro).

Hatha Yoga e Yoga Integral
No Espaço Himalaias (na rua do paga pouco).

Existem também outras escolas de yoga (que, por variados motivos, não me dizem nada, mas agradam bastante a outras pessoas), como:

Yoga Samkhya, ao pé da escola Joaquim de Magalhães

Método DeRose (no outro dia passei por lá e pareceu-me que tinha fechado...)


Em Lisboa conheço dois espaços (mas há muitos, muitos mais):

Ashtanga Vinyasa Yoga com Isa Guitana

Hatha Yoga e Hot Yoga
Foi onde fiz o curso de professora de yoga.

Para quem nunca praticou, é sempre benéfico experimentar vários estilos de yoga, várias escolas e professores...

Ah, não referi as minhas próprias aulas... porque já não as dou - os horários eram incompatíveis com a minha vida, mas mais sobre isso num post futuro...

04/11/2013

Implementando o ZTD. Dia 2 - Sistema simples e confiável

Estabelecer um sistema simples e confiável é o quinto hábito do ZTD; no entanto, mudei-o para o segundo dia, pois faz mais sentido para mim, por já saber o tipo de listas que tenho que criar. No entanto, para quem nunca usou um sistema destes, é melhor seguir o ZTD original e implementar os vários hábitos pela ordem proposta pelo Leo.


Para o ZTD, o sistema simples e confiável tem 3 componentes (configuração, ferramentas, uso) e eu organizei-me da seguinte forma:


1. Configuração 

Um sistema simples consiste em caixas de entrada, calendário, listas e um sistema de arquivo.

Caixas de entrada 
Já falei aqui.

Calendário 
Continuo a usar o Google Calendar para tudo o que é compromisso com hora marcada, lembretes, tarefas específicas para determinado dia, tarefas que se repetem, etc. Mais sobre o GCal aqui.

Sistema de arquivo
Uso 3 arquivos: 2 digitais e 1 físico. São eles: o Evernote, o Dropbox e uma caixa de cartão.
No Evernote guardo sobretudo artigos da internet que li, gostei e quero guardar para voltar a ler ou consultar. Tenho também informações pessoais e da escola que consulto com frequência, assim como receitas, ideias de menus, etc. 
No Dropbox tenho tudo. Tudo o que é ficheiros de trabalho e pessoais, estão no Dropbox. Nunca mais tive que me preocupar com backups, pois o Dropbox faz isso sozinho e automaticamente. 
Finalmente, tenho uma caixa de cartão, devidamente organizada, para guardar papéis importantes. Falei sobre isso aqui.

Listas
Estas listas não são to dos diárias - não são listas de tarefas que têm que ser feitas em determinado dia. O Leo aconselha o mínimo de listas possível e as que eu uso actualmente são:



As listas com os meses têm tarefas específicas que quero fazer em cada mês. No seu livro The Power of Less, o Leo aconselha trabalharmos no máximo em 3 projectos ao mesmo tempo, e é isso que eu tento fazer. Tenho 3 grandes projectos para cada mês, assim como uma série de tarefas mais pequenas que devem ser feitas nesse mês.
As listas bucket têm tarefas/projectos que quero fazer mais tarde; é mais ou menos uma lista de algum dia/talvez. Quando tenho que escolher novos projectos para o mês seguinte, são estas listas que consulto.
Finalmente, a lista waiting contém coisas de que estou à espera.
Já tive mais listas, mas quis mesmo simplificar as coisas. O simplificar também faz parte do ZTD e falarei mais sobre isso noutro post.

2. Ferramentas

As ferramentas de produtividade que usamos devem ser o mais simples possível e não devem necessitar de muita manutenção.
Como sabem, eu já experimentei mil e uma ferramentas digitais e em papel... Já gastei mesmo muito tempo a fazer experiências e a brincar com as coisas, mas só assim é que me fui apercebendo do que é que funciona para mim.
Actualmente uso o Evernote e uma agenda em papel. No Evernote tenho as listas que descrevi em cima. Cada lista é uma nota que está dentro de um bloco de notas chamado TO DO. Tenho outro bloco de notas chamado DONE (onde ponho as coisas já feitas), e estes dois estão numa pilha chamada The Power of Less - é um lembrete para simplificar e focar-me no mais importante...
Uso também uma agenda para o planeamento diário e para fazer vários tipos de apontamentos, tal como descrevi aqui. O planeamento diário será discutido num outro post.

3. Uso

O sistema deve ser suficientemente prático e fácil de usar para que seja, de facto, usado diariamente. A verificação das listas é um dos hábitos mais importantes no ZTD. Eu verifico o calendário do google, as várias listas e a agenda em papel todos os dias, de manhã e ao fim da tarde, para poder planear bem as coisas (também processo as várias caixas de entrada várias vezes)...


02/11/2013

Ashtanga diary: 27 out - 2 nov 2013

Domingo, 27 Outubro 2013

Aproveitei a mudança da hora para dormir muito e acordar às 8h, ou 7h no horário de inverno. Pratiquei toda a primeira série, mas não fiz todas as vinyasas entre os asanas.

Na sequência em pé o que precisa de mais trabalho é Ardha Baddha Padmottanasana. Só num dos lados é que consigo agarrar o pé, mas é o dedo pequenino, não o dedo grande como é suposto.  Fiquei muito feliz porque finalmente toquei com a cabeça no chão no Prasarita Padottanasana; tê-lo conseguido pela primeira vez de manhã, com o corpo muito menos flexível, foi obra!

Os asanas da primeira série... uns óptimos, outros péssimos, mas é mesmo assim. O importante é que vejo evolução de semana para semana. Sarvangasana e os outros asanas que lhe seguem suportados pelos ombros são difíceis para mim de manhã... Mas Urdhva Dandasana está a melhorar!

Segunda, 28 Outubro 2013

Acordei às 7h. Comecei com as saudações ao sol, mas o meu ombro direito não gostou nada... Tentei fazer mais algumas, mas o ombro não ajudou. Os saltos para trás para Chaturanga fazem-me doer o ombro. De vez em quando tenho umas tendinites nos ombros e nestas alturas mais vale não forçá-los... Optei por fazer Pranayama, que é geralmente esquecido... Kapala bhati, Anuloma Viloma, Bhramari, seguido de uns 10 minutos de meditação na varanda (ainda está tempo de verão no Algarve)... Amanhã tenho que aquecer bem os ombros antes de começar as saudações ao sol. Não quero perder outro dia de prática.

Terça, 29 Outubro 2013

Acordei antes das 7h, mas esperei até o despertador tocar às 7h para sair da cama. Às 7h15 estava no tapete. Antes da prática matinal de ashtanga tenho que fazer um pequeno aquecimento. Começar logo com as saudações ao sol é demasiado violento... Fiz o aquecimento e 8 voltas do Surya Namaskar clássico. Não quis forçar o ombro com os saltos das saudações ao sol do Ahstanga Vinyasa... Segui para a sequência em pé e fiz tudo menos os últimos 4 asanas (Ardha Baddha Padmottanasana, Utkatasana e os Virabhadrasanas) porque já não tive tempo. Seguiram-se 5 minutos de relaxamento, uns pranayamas rápidos (kapala bhati e anulola viloma) e 5 minutos de meditação. Idealmente seria 10-15 minutos de relaxamento, 10 minutos de pranayama e pelo menos 10 de meditação. Para a semana, como vou passar a acordar 15 minutos mais cedo, já terei mais tempo. O plano que delineei aqui está a correr bem!

Quarta, 30 Outubro 2013

Acordei à hora pretendida, 7h, mas um dos meus filhos acordou também e foi enroscar-se comigo na cama... não houve prática nessa manhã... nem à tarde...

Quinta, 31 Outubro 2013

Acordei às 7h como planeado, fui para a sala, vesti-me e estava a preparar-me para iniciar a prática quando os meus dois filhos acordam e vão para a sala também... Podia ter pegado no tapete e ido para o escritório praticar, mas em vez disso liguei o computador e trabalhei um pouco...

Sexta, 1 Novembro 2013

Acordei às 7h. Não pratiquei. A semana não está a ser das melhores... À tarde a dor no ombro voltou. Pratiquei um pouco à tarde, coisas leves, mas a dor continuou a aumentar. À noite a dor era quase insuportável...

Sábado, 2 Novembro 2013

Apesar de ser sábado, acordei também às 7h. Sábado é dia de descanso; não há prática de Ashtanga Vinyasa. O ombro continua a doer... Depois de um dia cheio de actividades, sinto imensa necessidade de meditar... Em vez disso, acho que vou para a cama. Passa um pouco das 8 da noite... Amanhã a alvorada é às 6h45!

01/11/2013

Implementando o ZTD. Dia 1 - Capturar

O primeiro hábito do sistema Zen To Done é capturar.
Capturar o quê? Tudo o nos venha à cabeça e toda a informação que chegue até nós. 

Para tal, devemos ter alguns sítios onde juntamos toda essa informação. As caixas de entrada ou inboxes mais comuns são o email, um tabuleiro de papéis no trabalho e outro em casa, o telemóvel, um caderno... Devemos ter o mínimo de caixas de entrada e estas devem ser simples e fáceis de usar, para que as usemos sempre.

Então, fiz o seguinte:

1. Estabeleci as minhas caixas de entrada


Tabuleiro à entrada de casa
Costumava pôr os papéis em cima da secretária, mas os gatos saltam lá para cima e espalham-nos. A maior parte das vezes os papéis nem chegavam à secretária, acabando por ficar na consola da entrada onde largamos as chaves. Também não resultava.
Então, fiz uma inbox que coloquei junto à porta de casa, para largarmos o correio e papéis que trazemos connosco aí. Quando é altura de processar, pego nos papéis todos e levo-os para o escritório.


Gaveta no trabalho
Tenho umas gavetinhas dentro do meu armário no meu gabinete no trabalho. Uma das gavetinhas é a caixa de entrada. Não uso muito porque não costumo receber coisas em papel no trabalho, mas está lá para quando é preciso.

Email
O email é talvez a inbox mais importante e tenho as minhas várias contas de email direccionadas para uma só caixa de entrada. É através do email que surge muita da informação que tenho que processar. Tenho 4 marcadores no email, que são suficientes para organizar o correio: pessoal, blog, work, waiting. Falarei mais no post sobre o processamento. 

Agenda/caderno
Recentemente voltei a usar agenda de papel, mas não a uso só como agenda. É onde aponto as tarefas para cada dia, dinheiro gasto, compromissos, etc. Como não ocupo a página inteira com tarefas e compromissos, uso a agenda também como caixa de entrada. 
Assim, evito andar com um caderno só para esse fim, que adicionaria mais peso à minha mala...
Esta inbox em papel é, para o Leo, a mais importante. Todo e qualquer pensamento ou informação importante que surja deve ser passado para o caderno para ser processado mais tarde. O caderno (quem diz caderno, diz post-its, cartões, etc.) deve andar sempre connosco. Eu não ando sempre com a agenda e quando não a tenho, uso o telemóvel para apontar as coisas. O telemóvel é, portanto, mais uma caixa de entrada.


2. Coloquei tudo nas caixas de entrada

Apanhei os papéis que estavam espalhados na secretária e coloquei-os na nova inbox à porta de casa. Fiz o mesmo com os papéis no trabalho.
Peguei na minha agenda e escrevi lá todas as tarefas que tenho neste momento em mãos e as que terei no futuro, tanto de trabalho como pessoais. Escrevi tudo o que me lembrei. Deitei tudo para o papel. Esvaziei a cabeça.


30/10/2013

Implementando o ZTD. Dia 0 - O que é o Zen To Done

Zen To Done é um sistema de produtividade criado pelo Leo Babauta. Resumidamente, o Leo pegou em vários outros sistemas de produtividade, como os desenvolvidos pelo David Allen e Stephen Covey, combinou-os e adaptou-os à sua vida. As ideias não são, portanto, originais, mas são sim um apanhado do melhor do GTD e de outras técnicas. 

Recentemente tenho pensado muito nisto dos sistemas de produtividade, o GTD, o ZTD, sobretudo devido aos recentes posts da Thais sobre GTD vs. ZTD. Já li o livro do Leo Babauta, Zen To Done, várias vezes e agora comecei finalmente a ler o Getting Things Done do David Allen. Mais tarde verei por mim mesma quais as diferenças e semelhanças entre os dois sistemas. Mas, por agora, vou focar-me no ZTD, que é o sistema que tenho usado para me organizar.

Como em tudo o que o Leo escreve, a simplicidade, a identificação do essencial e eliminação do que não interessa estão bem patentes no ZTD. Este sistema não servirá, portanto, para pessoas extremamente ocupadas, com uma infinidade de projectos e tarefas em mãos. Este sistema é, sim, o ideal para os minimalistas, os adeptos da vida simples, as pessoas que conseguem dizer não ao que não lhes interessa porque querem é focar-se naquilo que é mais importante.

O ZTD é um sistema simples que se foca no fazer e não no planeamento e no sistema. O Leo refere que, por mais fantástico que o GTD seja (o Leo usava o GTD), há muitas pessoas que têm problemas com ele (eu incluída), e o ZTD resolve alguns desses problemas. Não é que um seja melhor que o outro. As nossas vidas é que são diferentes e o que é bom para uma pessoa pode não funcionar para outra. 

O Leo refere em específico os 5 maiores problemas que as pessoas costumam ter com o GTD:

1. O GTD exige uma mudança de hábitos, todos ao mesmo tempo. O ZTD foca-se num só hábito de cada vez.

2. O GTD não se foca o suficiente no fazer, mas mais na captura e processamento da informação. O ZTD foca-se mais no fazer.

3. O GTD é demasiado destruturado para muitas pessoas, decidindo no momento que tarefa fazer a seguir. O ZTD cria hábitos de planeamento das tarefas diárias e semanais mais importantes.

4. O GTD tenta fazer demasiado, o que acaba por stressar algumas pessoas quando acabam com listas imensas de coisas para fazer. O ZTD foca-se na simplificação das tarefas e eliminação do que não interessa.

5. O GTD não se foca o suficiente nos objectivos, mas mais nas tarefas do dia-a-dia que nos aparecem à frente. O ZTD identifica o trabalho mais importante, aquele que devemos de facto fazer para atingir os objectivos.

Assim, no Zen To Done, o Leo combina os aspectos fantásticos do GTD com outros sistemas e aplica-o à sua vida. O livro explica como fazê-lo, passo a passo, e é isso que pretendo fazer nos próximos posts. 

Vou (re)aplicar o ZTD à minha vida. Durante os próximos dias, vou fazer um delete no meu sistema e nas minhas ferramentas, e começar do início, para que possa partilhar aqui a minha experiência. Vai ser giro!

O ZTD é um conjunto de 10 hábitos, os quais devem ser adquiridos um de cada vez ou no máximo dois de cada vez. O Leo aconselha a prática de cada novo hábito durante 30 dias e só depois passar para o hábito seguinte. 

Os 10 hábitos, que já descrevi neste post, são:

1. Capturar
2. Processar
3. Planear
4. Fazer
5. Sistema simples e confiável
6. Organizar
7. Rever
8. Simplificar
9. Rotina
10. Encontrar a paixão


Em cada dia vou implementar um dos hábitos e partilhar a minha experiência aqui. Não vou, no entanto, seguir a ordem proposta pelo Leo. Por exemplo, para mim faz mais sentido, depois de capturar toda a informação que anda espalhada pela casa e na casa, arranjar um sistema simples e confiável para organizar essa informação, e só depois processar tudo.

Para quem está interessado em saber mais sobre o ZTD aconselho a leitura do livro, disponível no Zen Habits em versão pdf e na Amazon em versão kindle. Há também uma tradução do livro para português do Brasil disponível gratuitamente aqui.

28/10/2013

O que é o Tantra (e o sexo tântrico, claro)

O Tantra é uma corrente espiritual, um conjunto de práticas que surgiu na Índia há milhares de anos, possivelmente revelado por Shiva; no entanto, a grande expansão do Tantra deu-se mais tarde, no século VIII d.C., e a escritura fundamental do Tantra, Kula Arnava Tantra, surgiu apenas no século XII d.C. 

Ao contrário do Vedanta, o Tantra rejeita a autoridade dos Vedas. Esta corrente surgiu como resposta ao desejo das pessoas simples, não ligadas a uma vida mais espiritual nos templos, de terem um sistema prático que lhes permitisse manter a sua fé e cultivar a sua espiritualidade. O Tantra baseia-se fortemente no princípio feminino, ou seja, dá muita importância à Deusa, a mãe do Universo, à parte feminina, à energia feminina, Shakti. A mulher é o mestre no Tantra, o que contrasta com as outras tradições que giram em torno do masculino. De facto, pode dizer-se que o Absoluto manifesta-se em duas polaridades: masculina, ligada a Shiva, uma energia passiva, parada; e feminina, ligada a Shakti, uma energia activa, em movimento.

O Tantra pretende a integração do eu com o si mesmo, ou seja, a integração da realidade do corpo com a realidade espiritual. O ponto de partida para alcançar este objectivo é o corpo. De facto, para o tantrika, o praticante de Tantra, o corpo é o templo do espírito, ou seja, é necessário cuidar do corpo, mantê-lo forte e saudável para que o Absoluto se manifeste. No Tantra procura-se ancorar a realidade corpórea à busca espiritual; o corpo serve, portanto, de base a esta busca. 

No Tantra Yoga, o principal objectivo é despertar a energia kundalini, Shakti, e fazê-la subir pela nadi sushumna. A união de Shakti com a energia masculina, Shiva, é, para o tantrika, uma união divina. Quando as duas energias, feminina e masculina, se encontram, elas complementam-se, formando uma só realidade. 

Os conceitos de energia kundalini, nadis, chakras, etc., tão presentes no Hatha Yoga, foram desenvolvidos pelo Tantra. O Tantra Yoga parece, assim, ser uma prática mais fácil para atingir o Absoluto do que, por exemplo, o Yoga clássico de Patanjali, que é mais racional e científico, ou o Jnana Yoga, que é mais abstracto. 

No entanto, o tantrika corre o perigo de ficar apegado ao corpo e dependente do prazer que as práticas tântricas lhe proporcionam. De facto, desequilíbrios na energia kundalini podem originar graves problemas físicos no praticante. Por este motivo, a prática do Tantra deve ser sempre acompanhada por um Mestre; o Tantra dá, inclusive, grande importância à relação Mestre-Discípulo, pois as práticas têm perigos que o praticante, sozinho, poderá não conseguir ultrapassar.

A entoação de mantras é prática comum no Tantra Yoga para fazer subir a kundalini, sendo uma técnica que liberta a mente dos pensamentos e preocupações. Os mantras são sons carregados de poder sagrado que representam uma expressão de uma consciência mais evoluída. De acordo com o Tantra, o mantra pode ter um de três objectivos: a) pacificar as forças do Universo, isto é, manter o Universo em paz; b) adquirir coisas através de magia; e c) promover a identificação do praticante com um determinado aspecto da realidade (uma divindade, o cosmos, qualquer coisa). 

Os yantras, símbolos geométricos (semelhantes aos mandalas do budismo, mas não tão circulares e simétricos), são também usados no Tantra Yoga para entrar em estados meditativos.

Existem cinco rituais no Tantra Yoga, os 5 M’s, também conhecidos por Panchamakara: Madya (vinho), Matsya (peixe), Mamsa (carne), Mudra (cereais) e Maithuna (coito). Os textos antigos onde estes rituais foram descritos eram de difícil compreensão e isso originou diferentes interpretações do seu significado, o que se traduziu no surgimento de duas escolas distintas de Tantra: a escola da mão direita e a escola da mão esquerda. 

A escola da mão direita acredita que estes textos antigos estão codificados, não podendo os escritos ser levados à letra. Assim, os tantrikas da mão direita acreditam, por exemplo, que Madya significa ficar embriagado com o absoluto, Matsya é um símbolo do conhecimento e Mamsa é uma união espiritual do feminino e masculino.

Os adeptos da escola da mão esquerda interpretam de forma mais literal os textos. Assim, por exemplo, Maithuna é a relação sexual entre o homem e a mulher. A faceta mais conhecida do Tantra no mundo ocidental, o sexo tântrico, é um desses rituais realizados pela escola da mão esquerda, que vê a união sexual entre homem e mulher como um acto divino, uma forma de espiritualidade. O sexo tântrico é também conhecido por ser mais prolongado (3-6 horas), pois os tantrikas desenvolveram técnicas para não perder o esperma, visto que a ejaculação é sinónimo de perda de energia. À mulher é permitido atingir o orgasmo, mas não ao homem; assim, as técnicas para conter o sémen permitem que a relação sexual dure horas e seja atingido o êxtase, mas não o orgasmo. 

O problema dos adeptos da escola da mão esquerda é o desenvolvimento de dependências, quer de sexo, quer de substâncias alucinogénicas que são usadas nos rituais. Os tantrikas acreditam também que cada pessoa tem oito gotas de ojas no corpo, sendo o ojas o elixir da imortalidade, o néctar da vida; o sémen faz aumentar a produção de ojas, e daí o motivo para não haver ejaculação. Estes rituais tântricos têm como objectivo tornar o corpo do praticante no corpo de uma divindade escolhida.

O Tantra foi ainda a primeira escola a preocupar-se com o desenvolvimento dos poderes psíquicos, os Siddhis. No Yoga clássico e Vedanta, os Siddhis são algo que se deve ultrapassar, mas os tantrikas querem ter Siddhis, pois estes poderes permitem-lhes alcançar os seus objectivos espirituais de forma mais rápida.


26/10/2013

Aproveitar a mudança da hora

O amigo despertador...

Eu falo muito e há muito tempo sobre acordar cedo, aproveitar as manhãs, sermos mais produtivos, termos tempo para aquilo que é realmente importante, abrandar... Eu gosto de me levantar cedo, é verdade. Gosto de ter aquelas horas para mim, enquanto o mundo ainda dorme. E, de facto, levanto-me cedo muitas vezes.

Mas vou ser sincera - ainda não é um hábito. Levantar-me cedo não é um hábito meu. Sim, eu levanto-me cedo, menos dias do que gostaria, porque faço um grande sacrifício para tal. Outros dias simplesmente volto para a cama e adormeço. Porquê? Porque o hábito de levantar cedo nunca ficou bem estabelecido, apesar de fazer isto on and off há muito tempo...

Todos os blogs, sites, livros sobre como acordar cedo dizem que a alteração da hora de acordar deve ser gradual. Acordar 10-15 minutos mais cedo durante uns dias, depois mais 10-15 minutos durante mais uns dias, e por aí fora até chegar à hora desejada. Eu nunca fiz isto. E penso que é por isso que o hábito nunca se formou; apesar de conseguir levantar-me cedo uns dias, noutros é simplesmente impossível. Um hábito é uma acção que fazemos sem esforço, sem pensar. Levantar cedo, para mim, é um esforço, é um sacrifício que faço muitas vezes porque gosto do resultado, mas não é uma coisa natural nem fácil.

Decidi, então, fazer uma tabula rasa. Decidi focar-me na formação do hábito de levantar cedo, de acordo com as regras. Decidi tomar como ponto de partida a minha hora limite para acordar, as 8h (mesmo ao fim de semana não consigo dormir mais), e levantar-me 15 minutos mais cedo durante 1 semana, depois outros 15 minutos mais cedo durante mais 1 semana, e por aí fora durante quase 2 meses, até chegar às 6h, que é a hora ideal para mim.

Já tinha o plano todo feito e encaminhado para começar amanhã, domingo, quando me lembrei que amanhã é precisamente o dia de mudança da hora. A hora atrasa, o que significa que amanhã às 7h45, que seria a hora de levantar durante a próxima semana, serão apenas 6h45. Ah, bliss!!

Decidi começar com as 8h como hora de partida. Assim, o meu novo plano é este:

1ª semana - 7h (é às 7h porque a hora muda, mas vai saber a 8h...nem vou acertar os relógios)
2ª semana - 6h45
3ª semana - 6h30
4ª semana - 6h15
5ª semana - 6h00

Ah, estou muito contente com este plano. Por mais que eu tente fazer a minha prática de yoga à tarde, sei bem que de manhã é que me faz melhor. E o levantar cedo de forma consistente é fundamental. É preciso criar o hábito, e os hábitos criam-se aos poucos, gradualmente. Por isso, estou muito contente com a mudança da hora!

E vocês, como vão aproveitar a hora que ganhamos amanhã?

25/10/2013

O que é o Hatha Yoga

Yoga é um termo genérico que engloba várias filosofias que tiveram origem na Índia Antiga. Embora no mundo ocidental o Yoga esteja mais associado à prática do Asana, as técnicas corporais, existe uma série de outras práticas que fazem parte do Yoga. A importância relativa que cada filosofia dá a estas várias práticas traduz-se na existência de diversos tipos de Yoga. Como exemplos podemos referir o Bhakti Yoga, yoga da devoção, o Karma Yoga, yoga da acção, Jnana Yoga, yoga do conhecimento, Mantra Yoga, yoga dos mantras, ou o Raja Yoga, o yoga clássico de Patanjali, o yoga real.

O Hatha Yoga é um tipo de Yoga que tem uma componente física mais acentuada. No entanto, o objectivo geral de todos os tipos de Yoga é o mesmo: atingir o Samadhi, o estado de super-consciência ou, de acordo com Patanjali, cessar as flutuações da consciência. De acordo com o Hatha Yoga Pradipika, considerado o texto fundamental do Hatha Yoga, esta prática é, no fundo, uma escada para o Raja Yoga, o yoga real, aquele que engloba todas as outras vertentes do Yoga.

O Hatha Yoga tem ainda como objectivo desenvolver o potencial do corpo para suportar o transcendente, pois só com um corpo forte, saudável, vigoroso, é possível chegar ao Samadhi. Sendo o corpo o templo do espírito, o yogi pratica para criar um corpo divino, pois se o corpo não estiver bem, o espírito não se manifesta. O Hatha Yoga pode ainda ser visto como uma alquimia espiritual – a transformação da energia para um estado mais perfeito. O praticante de Hatha Yoga pretende, em última análise, garantir a sua imortalidade.

A influência do Tantra, uma filosofia que surgiu na Índia cerca do século V d.C., está bem patente no Hatha Yoga. Até aí, o Yoga era praticado apenas por certas castas sociais; pelo contrário, o Hatha Yoga, tal como o Tantra, é uma prática aberta a qualquer pessoa. A influência do Tantra no Hatha Yoga observa-se também na elevada importância que tem o conhecimento energético (nadis, chakras, etc.) nesta prática. 

O Hatha Yoga pretende, assim, a ascensão da energia kundalini, a energia Shakti, feminina, que está adormecida no 1º chakra. A sua ascensão pela nadi central sushumna e a sua união com Shiva no 7º chakra é o que permite a superação do ego e o estado de super-consciência. A união do feminino e masculino é, para o Tantra, um acto divino, e Shakti e Shiva representam o casal divino. Estes conceitos energéticos, tão importantes no Hatha Yoga, derivam da filosofia tântrica e estão ausentes nos Yoga Sutras de Patanjali.

Além de aperfeiçoar o corpo, o praticante de Hatha Yoga pretende também desenvolver poderes psíquicos. O Hatha Yoga teve, na verdade, origem em gurus que percorreram este caminho e atingiram a perfeição, os Siddhas. Matsyendra Natha, o senhor dos peixes, foi um destes gurus, associado à escola Natha. O seu discípulo, Goraksha Natha, que viveu no século VIII d.C., é considerado o pai do Hatha Yoga. No entanto, o primeiro senhor, Adi Natha, aquele que fundou este sistema de Yoga e ensinou milhares de posturas, foi Shiva.

Apesar do Yoga ser uma tradição com milhares de anos no subcontinente indiano, só no início do século XX da nossa era é que o Yoga começou a ser introduzido no Ocidente. Vários mestres indianos desempenharam papéis fundamentais não só no estudo do Yoga, como também na sua divulgação fora da Índia. Entre eles podemos destacar Vivekananda, Yogananda (autor do best-seller Autobiografia de um Yogi), Sivananda, Satyananda, Ramakrishna Paramahansa e Krishnamacharya. Este último foi o professor, em Mysore, no sul da Índia, de dois grandes mestres do Hatha Yoga moderno: B.K.S. Iyengar, fundador do Iyengar Yoga, e de K. Pathabbi Jois, fundador do Ashtanga Vinyasa Yoga, dois estilos de yoga muito populares no mundo ocidental.

24/10/2013

O poder do hábito

A maioria dos especialistas, livros, sites e blogs concordam numa coisa: se queremos mudar os nossos hábitos ou criar novos hábitos, devemos focar-nos num só hábito de cada vez

Nunca gostei desta premissa. Eu queria levantar-me cedo, fazer mais desporto, ir a pé para o trabalho, comer mais verduras, focar-me mais no trabalho, ser mais produtiva, ter mais tempo de qualidade em família - tudo ao mesmo tempo. Não queria focar-me apenas num hábito só... como é que podia focar-me numa só coisa durante 21 ou mais dias até o hábito de formar, e só então focar-me noutro?? 

Então li o livro The Power of Habit de Charles Duhigg - uma leitura apaixonante, cheia de estudos científicos sobre a criação de hábitos e o poder que os hábitos têm na vida das pessoas, das empresas e da sociedade. 

Em relação à tal história de mudar/criar um hábito de cada vez, vários estudos mostraram que quando as pessoas se focam em alterar um hábito, não é só esse hábito que alteram - começam também a mudar outras coisas nas suas vidas. Uma mulher focou-se em deixar de fumar e a partir daí, começou a correr, a comer melhor, emagreceu, a sua auto-estima aumentou. Estudantes universitários que participaram num programa para criar melhores hábitos de estudo começaram também a fumar menos, a beber menos, a ver menos televisão, a fazer mais exercício físico e a comer melhor, apesar destes hábitos não fazerem parte do programa. 

Os investigadores descobriram que quando a força de vontade é exercitada para uma determinada coisa - por exemplo, para estudar durante um certo período de tempo por dia ou para acordar mais cedo, torna-se mais fácil controlar os impulsos que nos levam a fazer coisas que não devemos ou que também queremos mudar.

Em mim, isto é óbvio. Nos dias em que tenho força de vontade suficiente para me levantar cedo (às 6h ou antes), trabalho muito melhor, faço mais coisas, sou mais produtiva, e não chego ao fim do dia cansada. Nos dias em que a força de vontade não é suficiente para sair da cama à hora desejada, o dia corre sempre pior... Para mim, levantar cedo é, sem dúvida, o meu hábito mais importante, aquele que define o resto do dia!

E tu, qual é o teu hábito mais importante?

22/10/2013

Como acordar cedo para praticar yoga

Ganesha, o removedor de obstáculos, olha por mim durante a minha prática.

Tradicionalmente, o Yoga é praticado de manhã, antes do nascer do Sol, pois nesta altura do dia a mente está mais calma, há menos distracções e a energia é a mais auspiciosa para a prática do yoga. Como ocidentais que somos, enfrentamos, no entanto, vários obstáculos à prática matinal de yoga. Temos sono, o corpo está super rígido, está frio... Há sempre uma infinidade de desculpas para não sair da cama para praticar. Eu sou especialista em arranjar desculpas dessas (hoje, por exemplo, levantei-me, fui cheia de boas intenções para a sala para praticar, mas achei a sala demasiado fria e voltei para a cama).

Depois de experimentar vários estilos de yoga percebi que o meu caminho é o Ashtanga Vinyasa Yoga (um estilo bastante vigoroso e dinâmico de yoga desenvolvido por Sri K. Pattabhi Jois em Mysore, na Índia). O Ashtanga Vinyasa é um estilo tradicional muito popular no Ocidente (mas não tanto em Portugal) que obedece a uma série de regras, algumas estranhas, outras mais lógicas. Este estilo pratica-se, tradicionalmente, de manhã, antes do nascer do Sol, 6 dias por semana (descansa-se ao sábado e nos dias de Luz Cheia e Luz Nova). 

Os praticantes de Ashtanga Vinyasa, os Ashtangis, são, portanto, pessoas muito dedicadas à sua prática. É isso que eu quero para mim. No entanto, a parte de levantar cedo (para mim nem é muito cedo, basta às 6h da manhã para conseguir fazer uma prática completa) tem sido difícil, e quase todos os dias consigo arranjar desculpas para voltar para a cama...


Felizmente, há várias estratégias que ajudam a implementar uma prática matinal de yoga...

1. Colocar o despertador longe do meu alcance, para que tenha mesmo que me levantar para o desligar
Geralmente ponho dois despertadores: um no quarto e, para 10 minutos depois, o telemóvel na sala. Assim, acordo com o primeiro e levanto-me com o segundo. Se tiver os despertadores ao alcance da mão, desligo-os e adormeço...

2. Aquecer a sala onde vou praticar
Isto é especialmente importante agora que o tempo começa a arrefecer. Tenho um radiador na sala com temporizador que se liga meia hora antes da minha prática. Assim, quando chego à sala, já a sala está aquecida e agradável.

3. Deixar o tapete de yoga preparado
É mais fácil ir para cima do tapete se ele já estiver desenrolado no chão.

4. Ter a roupa pronta para vestir
Também deixo a roupa pronta na sala. Assim, quando chego à sala quentinha, é só tirar o pijama e vestir a roupa para a prática. Se não deixar a roupa preparada, o mais certo é dar-me preguiça e voltar para a cama.

5. Saber exactamente o que é que vou praticar
Agora que pratico Ashtanga Vinyasa não se coloca tanto este problema; só tenho que decidir entre a primeira série e a minha modificação da segunda e terceira séries (o ashtanga segue sequências de asanas pré-definidas). Mas quando praticava power/vinyasa flow, tinha que decidir na noite anterior se ia seguir algum video em específico e qual - senão, voltava para a cama...


Estas estratégias são as principais. No entanto, a prática de yoga começa na noite anterior e, portanto, além de deixar tudo preparado para o dia seguinte, também ajuda:

6. Comer pouco ao jantar
O yoga pratica-se de estômago vazio e quanto mais vazio ele estiver, mais fácil é. Um jantar pesado ainda se vai fazer sentir na manhã seguinte e poderá prejudicar a prática. O mantra? Pequeno-almoço de rei, almoço de príncipe e jantar de pobre.

7. Beber muita água
É importante para um yogi (e para qualquer pessoa) manter-se hidratado ao longo do dia; acordar hidratado é ainda mais importante para um ashtangi, pois não se costuma beber água durante a prática. Além de beber bastante água ao longo do dia, há quem beba água de coco antes de dormir e ao acordar, devido ao seu alto poder hidratante.

8. Deitar cedo
Esta é uma condição sine qua non para quem quer levantar cedo. Dormir pouco e levantar sempre cedo para praticar yoga trará mais desvantagens que benefícios, pois o corpo tem que ter tempo para recuperar (o ashtanga vinyasa é um tipo de yoga mesmo muito vigoroso).


Por fim, outras pequenas estratégias também podem ajudar a implementar uma prática de yoga matinal:

9. Não ligar o computador
Se eu acordo e ligo o computador, está tudo perdido... Sou logo bombardeada com informação e, mesmo que vá praticar yoga depois, a minha mente já não está tão calma e livre de pensamentos como estava ao acordar. 

10. Ter inspiração por perto
Livros de yoga, imagens de yogis, até o Ganesha que tenho na parede. Com motivação e inspiração, torna-se mais fácil!


Mais alguém pratica yoga de manhã? Como fazem para acordar e para ter motivação para a prática?
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